Todos sabem que a agricultura é o carro forte da economia do Brasil. Mas agora fica a grande interrogação, como fica a situação dos agricultores e até mesmo do País, com essas ameaças do Trump?
O nosso presidente vai ter coragem e peito para desafiar as imposições, autoritárias dos EUA, ou vai abaixar a cabeça e deixar que a taxação sobre transações com Irã, seja colocada a goela abaixa.
O que pode acontecer é:
- Discurso firme para consumo interno
- Negociação silenciosa via Itamaraty
- Tentativa de exceções técnicas (commodities, alimentos, contratos já firmados)
- Aproximação maior com China, Índia e países do Sudeste Asiático
Mas isso leva tempo, e o agro não trabalha com tempo político — trabalha com safra, frete e contrato.
O Brasil apostou excessivamente na neutralidade comercial, acreditando que poderia vender para todos sem sofrer retaliações. Isso funcionou enquanto os EUA toleraram.
O que muda agora é que Trump não opera na lógica multilateral, mas na lógica da coerção direta.
Se a taxação sobre transações com o Irã for aplicada de forma dura e imediata, não será uma disputa diplomática, mas um choque econômico.
👉 Não há “recurso”, não há OMC eficaz, não há tempo de ajuste.
- O agro será o primeiro a sentir — especialmente o milho
O milho é ponto mais sensível:
- O Irã é o maior comprador individual do milho brasileiro
- 22% de todo o milho exportado em 2025
- Fluxo concentrado em poucos estados
- Janelas de exportação já contratadas
Se esse canal for interrompido ou encarecido:
- preços internos caem
- margens do produtor evaporam
- estoques aumentam
- pressão política explode no Centro-Oeste e Sul
Soja sofre menos, fertilizantes podem ser parcialmente substituídos, mas o milho não tem escoamento imediato alternativo nesse volume.
Ditadura americana ou realpolitik?
Chamar de “ditadura americana” é forte, mas não está errado no conceito.
É uso do dólar, do sistema financeiro e do comércio como arma política.
Trump apenas faz isso sem verniz diplomático
No ano passado, o Brasil teve superávit de US$ 2,8 bilhões com o Irã. Foram US$ 2,9 bilhões em exportações, contra apenas US$ 84,6 milhões em importações.
Essas medidas nada mais é de que um pretexto, do Trump, para fortalecer o alcaide comécio americano, que a cada ano perde mais espaço no mercado mundial.
O Brasil nunca exigiu contrapartidas estruturais das multinacionais:
- investimento em infraestrutura logística
- fundos de estabilização de exportações
- seguros geopolíticos
- diversificação compulsória de mercados
Resultado:
Quando o risco aparece, o prejuízo fica todo com o produtor e com o país.
Tudo isso será um peso no setor agrícola do Brasil, que tem um grande comercio com o País do Irã:
O que o Brasil vende para o Irã
🌽 Milho cerca de US$ 2 bilhões, quase 68% do total
🌱 Soja cerca de US$ 563 milhões, algo perto de 19%
(% em relação ao total dos US$ 3 bilhões)
📥 O que o Brasil compra do Irã
🧪 Adubos e fertilizantes químicos, cerca de US$ 66,8 milhões, quase 80% das importações
O ponto mais sensível está no milho. O Irã é o principal cliente do milho brasileiro. Em 2025, comprou mais de 9 MMT, 22% do total de milho exportado, contra 4,3 MMT em 2024. Só desse volume, cerca de 3,0 MMT saíram do Mato Grosso, 2,1 MMT do Paraná e 1,2 MMT de Goiás. É fluxo grande e concentrado.
O Brasil encerra sua temporada de exportação de milho em fevereiro. O grosso dos embarques para o Irã ganha força a partir de setembro.
E AGORA?












