Mesmo diante das tensões no Oriente Médio, o comércio agrícola brasileiro com a região segue operando com adaptações logísticas. O bloco responde por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango e, nas últimas semanas, as empresas do setor têm ajustado rotas para manter o fluxo das cargas.
A reabertura do Canal de Suez e o uso alternativo de portos em Omã, nos Emirados Árabes Unidos e em Djibouti permitiram a continuidade das operações comerciais. A avaliação é que, apesar do aumento da instabilidade geopolítica, o comércio tende a encontrar alternativas logísticas, ainda que com custos mais elevados em alguns casos.
Esse cenário também levanta discussões sobre possíveis reflexos no mercado de fertilizantes utilizados pela agricultura brasileira. O país depende fortemente de importações de insumos como ureia e fosfatados, mas o risco de falta do produto no mercado interno é considerado limitado.
Nos últimos anos, houve uma ampliação da diversidade de fornecedores internacionais. Atualmente, cerca de 16% dos fosfatados importados pelo Brasil têm origem no Oriente Médio e apenas 0,4% vêm diretamente do Irã. A China passou a responder por aproximadamente 40% das compras externas, enquanto a Nigéria ampliou sua participação de cerca de 2% para aproximadamente 10%.
Embora a disponibilidade de fertilizantes não seja vista como o principal ponto de preocupação, o mesmo não ocorre com os preços. A produção desses insumos depende diretamente de petróleo e gás natural, commodities que costumam reagir rapidamente a cenários de conflito e instabilidade geopolítica.












