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Alcinopolense assume TI da Sucesu MS e lidera transformação digital

Rosângela Carneiro, de 50 anos, nunca enxergou a tecnologia como algo distante — para ela, sempre foi uma forma concreta de transformar realidades. Vinda de Alcinópolis, a 315 km de Campo Grande, cresceu entre a curiosidade pelos videogames, o fascínio por filmes de ficção científica e as primeiras aulas de datilografia, que já apontavam um caminho ainda pouco explorado por mulheres na época. Agora, com ampla experiência no setor, assume a Sucesu MS (Sociedade de Usuários de Tecnologia da Informação e Comunicação).

No entanto, quando ingressou na faculdade, em 1993, a presença feminina ainda era exceção. A turma começou com cerca de 80 alunos, mas apenas 20 mulheres concluíram o curso — ao lado de quatro homens — em uma formação voltada ao processamento de dados. Foi ali que Rosângela consolidou sua base na tecnologia, mais tarde ampliada com especialização em gerência de redes e até mesmo um bacharelado em Direito, mostrando desde cedo uma trajetória marcada pela versatilidade e pela persistência.

“Meu pai queria que eu fizesse direito e eu tinha um namorado, na época, que questionava o motivo de eu querer estudar tecnologia. Tive que insistir, ser firme, para construir a minha carreira. E hoje, assumindo a Sucesu MS, tenho um propósito claro: mostrar que a tecnologia pode, sim, mudar a sociedade”, ressaltou a presidente.

Sucesu MS foi desativada em 2015 e reabertura foca em networking

Rosângela Carneiro está reabrindo a Associação após um longo trabalho no Governo de Mato Grosso do Sul, na qual atua com sistemas próprios. “Toda a parte de tecnologia passa pelos nossos olhos, na coordenadoria de informática. E foi aí que veio a necessidade de reabrir a Sucesu MS. Tivemos a votação, em chapa única, na semana anterior e houve a aclamação de presidentes de todo o país. Na última quinta, o presidente nacional chegou para mais uma formalidade e hoje está aqui no nosso jantar”, explicou.

Como medidas, a Associação busca a transformação digital do Estado. “Nossos usuários de tecnologia, em geral, estão muito afastados, então, vamos buscar capacitações, networking e soluções que estão saindo do mercado, além de cursos que envolvam a inteligência artificial, por exemplo. E hoje já estamos reunindo vários profissionais da TI [Tecnologia da Informação], em um novo ciclo e com foco em inovação, relevância e valor ao associado”, ressaltou.

Já o presidente da Sucesu nacional, Yuri Araújo, atuante na Bahia, onde também é diretor de tecnologia no Ministério Público local, argumentou que os profissionais da Associação se convergem e, recentemente, houve um congresso do setor, onde 160 líderes técnicos de todo o país, além de 100 lideranças locais, se reuniram para um grande evento de qualificação.

“Foram dois dias de um networking fantástico, com troca de experiência, projetos, realmente parceiros de tecnologia, apresentando novos produtos e serviço. Foi bem gratificante. Agora, olhando para a Sucesu, o maior desafio é fazer a transição, a transformação digital. E é justamente por isso que estamos fazendo ações com estudantes do ensino médio, para mostrar para eles o que é a tecnologia, como é o mercado, a interface homem máquina, a capacitação, dar um insight nesta turma para que, daqui uns cinco ou seis anos, estarmos mais qualificados. É um trabalho 100% voluntário, com a intenção de melhorar a sociedade”, disse Araújo.

No dia-a-dia, Gustavo Nantes, superintendente da Setdig e vice-presidente da Sucesu MS, disse que a tecnologia está sendo pautada no governo, nas prefeituras, com a intenção de transformar os serviços públicos. “É o foco em levar um serviço que esteja ao alcance dos cidadãos e a Sucesu pode ser o motor que impulsiona isso dentro da comunidade. Enquanto superintendente da Setdigi, estamos enxergando o que o governo pode fazer com o cidadão, agora com o olhar mais amplo da Sucesu. É a visão da sociedade também alavancando os serviços públicos ou privados, o acesso à tecnologias inovadoras e ao processamento de dados”, argumentou.

‘Queremos uma comunidade forte e representativa no Estado’, diz vice-presidente da Sucesu MS

Extinta por vários anos, a Sucesu MS agora passa por um retomada, de aproximação com a comunidade, envolvendo a visita aos cursos de TI nas universidades, e também o levantamento de dados. “Perdemos muita mão de obra na pandemia, muitos começaram a atuar em outras cidades, fora do país, então, agora, queremos fazer o resgate desta mão de obra, criar neles o sentimento de pertencimento, estabelecendo, assim, uma comunidade forte e representativa no Estado”, ressaltou.

O superintendente de TI na SED-MS (Secretaria de Estado de Educação), Paulo Cezar Rodrigues dos Santos, falou sobre a busca em atrair jovens para atuar na área de TI, da escola à universidade. “Essa é uma pauta bem especial para nós, principalmente, porque sou superintendente à frente das tecnologias, na SED, e a gente se preocupa muito com isso. O nosso foco é o jovem ali no ensino médio, então, a gente tem vários itinerários informartivos, na rede estadual de ensino, voltados justamente para atrair estes jovens, porque a gente sabe que o mercado necessita muito que esses novos jovens ingressem na carreira de TI. E temos também, no governo do Estado, ações para ingressarem, são várias iniciativas”, explanou.

Paulo avalia também que, a matemática, é uma questão ainda muito grave no país. “Hoje, de cada 10 jovens, apenas dois saem com aprendizado correto na matemática, e isso dificulta muito o início da carreira, a área de exatas, ainda a matemática é um problema que nós, principalmente da rede estadual, buscamos resolver. Só que o mercado está extremamente aquecido e buscamos mostrar isso aos jovens. Por exemplo, temos um programa dentro da Secretaria que traz o jovem – antiga mirim hoje PAP (Programa de Aprendizam Profissional) – tenho jovens ali dentro, que saem da escola em um período e, no outro, está dentro da TI. Eles se apaixonam ali e falo que precisam se dedicar na área de exatas, para ingressar na carreira”, comentou.

O superintendente, formado em história, mas, com mestrado na área de TI e sempre ligado a área de tecnologias educacionais, ainda fala que outra questão complexa, que envolve o serviço público. “A gente não consegue, infelizmente, superar o salário da iniciativa privada. Eu pego lá um júnior, quando está se transformando em sênior, e que já pegou toda a bagagem, acaba sendo atraído, é muito complicado isso”, finalizou.

Analista de sistemas mulher comanda cerca de 90 sistemas no TJ-MS

Atuante há 22 anos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Liriane Aparecida da Silva Nogueira é a atual Diretora da STI (Secretaria de Tecnologia da Informação). “Entrei como estagiária e, no início, a quantidade de analistas de sistemas era bem inferior ao que temos hoje. Acredito que a mulher tem um olhar diferente, não é só codificar, existe a interação com o usuário, projetos desenvolvidos, área de governança, o trabalho com a parte de legislações internas e, nisso tudo, a mulher se destaca porque tem essa habilidade, sensibilidade e empatia maior que os homens. O envolvimento está crescendo, mas, lá no TJ, por exemplo, somos 10% do total de toda a TI”, ponderou.

Na época da faculdade, Liriane também falou sobre o receio de entrar na área e até do comentários dizendo que “aquilo ali não era pra ela”. Hoje, ao todo, comanda 136 pessoas no TJ-MS. “Acho que até hoje a mulher tem um receio de entrar neste universo. Quando fui entrar na faculdade, os amigos diziam isso não é pra você, isso é difícil pra você, não é para mulher, então, imagino, que até hoje existe um receio da mulher em fazer parte deste universo, o que não é verdade, acho que a gente faz um trabalho lindo, de excelência”, argumentou.

Como exemplo, a diretora falou de uma profissional – administradora de banco de dados – conhecida como “DBA [Data Base Administration] no meio, a qual desenvolve, segundo ela, um “trabalho incrível”. “Essa barreira ainda tem que ser quebrada. As pessoas estão entrando no mercado e, às vezes, não tem esse entendimento, esse conhecimento do potencial que pode ter na área de tecnologia. E ver a Rosângela assumindo a Associação é muito importante, um olhar mais humanizado, com empatia e análise contextual. A mulher nasce com o olhar mais apurado, por ser mãe, um olhar mais protetor e aconchegante”, pontuou.

aniel Ingold, presidente da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), acabou sendo referência nacional. “A Iagro passou por uma avaliação, que envolveu as Agências do Brasil inteiro. É um trabalho de grande monta, com notas que vão de zero a cinco e a da Iagro é 4, o que corresponde a 80% de excelência em todos os quesitos. Na prática, é o avanço tecnológico absorvido nos 80 escritórios que existem dentro da Iagro”, disse.

Sobre a atual gestão da Sucesu MS, Daniel disse estar muito feliz pela Rosângela. “Acredito que vai exercer um grande papel dentro dessa proposta. Estamos neste trabalho de união com os orgãos, hoje nós temos muita ligação com o pessoal da Sejusp, no projeto das câmeras de monitoramento, aplicativo do transportador, toda a parte de inteligência monitorada. E hoje estamos em uma inflexão, com uma utilização muito forte da inteligência artificial, então, isso vai gerar resultado, eficiência do nosso servidor, que vai ser cada vez mais qualificado”, finalizou.

 

 

MidiaMax/foto:(Luan Moraes/Arquivo Pessoal)

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