Pesquisadores argentinos identificaram mecanismos genéticos do milho associados à resistência simultânea a doenças que afetam a espiga e representam riscos produtivos e sanitários para a cultura. O avanço amplia as possibilidades de desenvolvimento de variedades mais estáveis, capazes de manter produtividade e qualidade dos grãos mesmo sob pressão de diferentes patógenos.
O trabalho foi conduzido por uma equipe do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária, sediada em Pergamino, na província de Buenos Aires. A pesquisa analisou a resposta do milho frente a Fusarium verticillioides, Fusarium graminearum e ao agente do carvão do milho, doenças que comprometem o enchimento da espiga, reduzem o rendimento e podem gerar micotoxinas com impacto na cadeia alimentar.
A investigação se baseou na análise do genoma da planta, com foco na identificação de genes e vias metabólicas comuns ativados diante desses patógenos. A abordagem utilizou um metaanálise de dados transcriptômicos de alta qualidade provenientes de bases públicas, o que permitiu comparar respostas do milho a organismos com estratégias de infecção distintas. Diferentemente de estudos tradicionais, o objetivo foi compreender a resistência múltipla, e não respostas isoladas a uma única doença.
O estudo também considerou a elevada complexidade do genoma do milho, formado por cerca de 32 mil genes distribuídos em dez cromossomos, com predominância de sequências repetidas. A partir desses dados, foram priorizados aproximadamente 400 genes candidatos possivelmente associados à resistência múltipla, que estão sendo avaliados em estudos funcionais a campo.
Os genótipos considerados resistentes apresentaram respostas defensivas mais equilibradas, mantendo o metabolismo primário e a integridade celular, enquanto os suscetíveis mostraram maior desequilíbrio fisiológico, com prejuízos ao crescimento e à estabilidade da planta.
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