Man Hater, bicampeão mundial pela Professional Bull Riders (PBR) e considerado o melhor touro de rodeios do mundo, morreu após sofrer uma grave lesão em prova da divisão de elite da liga de rodeio. O animal teve uma fratura na pata traseira direita e foi sacrificado, depois que a contusão foi considerada irreparável pelos veterinários da Universidade Estadual de Oklahoma.
Além de bicampeão mundial, Man Hater detinha o recorde da maior média individual da história da liga, com 49,50 (o máximo é 50). O animal, que pesava quase uma tonelada, também protagonizou com o brasileiro Cássio Dias a segunda maior nota de um peão na história do esporte: 98,25 (de um máximo de 100).
Na carreira na PBR, Man Hater, famoso por sua força, pulos altos e giros imprevisíveis, acumulou 73 saídas e em apenas 11 vezes não mandou os peões ao chão antes dos 8 segundos regulamentares, um aproveitamento de 85%. Além de Cássio, mais dois brasileiros pontuaram em duelos contra ele: John Crimber fez 92 pontos em Las Vegas, em outubro do ano passado, e Alan de Souza fez 92,50 em Fort Worth, em maio de 2025.
A montaria que lesionou o animal foi contra o australiano Brady Fielder, no dia 7 de março. Fielder, que montou Man Hater sete vezes e caiu cinco, disse que sentiu na hora que havia alguma coisa errada. “Ele passou de se debater violentamente para simplesmente parar. Assim que ele caiu, eu pude sentir que algo tinha acontecido”, disse à PBR.
O veterano brasileiro João Ricardo Vieira, duas vezes vice-campeão mundial, disse à Globo Rural que montou Man Hater duas vezes e ele sempre foi um touro muito difícil. “Era um touro fantástico, que pulava na vertical. Ele vai fazer muita falta. O animal foi vendido por US$ 50 mil, mas estava atualmente avaliado em mais de US$ 1 milhão. Só uma dose de sêmen dele foi vendida há pouco tempo por US$ 16 mil.”
Segundo Vieira, geralmente, são coletadas cerca de 300 doses de sêmen de um touro de rodeio. Man Hater já passou por coleta neste ano e, inclusive, tem filhos dele nascidos no Brasil.
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O peão visitou a fazenda do dono do animal, Gene Owen, que faleceu alguns meses atrás. Na ocasião, disse ter ouvido do criador que pensava em aposentar Man Hater, mas argumentou que o animal ainda tinha potencial para conquistar mais um título. Após a morte de Gene, o touro era cuidado por JW e LeAnn Hart, que anunciaram, no último domingo (8/3), o sacrifício do touro.
“Estamos de coração partido por partilhar a morte de Man Hater. Animal único de sua geração, ele conquistou o respeito dos peões e era amado por todos que o viram competir nas arenas”, disse em nota no Instagram Sam Gleason, CEO da PBR.
Por que touros e cavalos podem ser sacrificados após lesões graves?
Doutor pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista em bem-estar voltado para animais de competição, o professor Osvaldo Tenório Vasconcelos explica que correções de fraturas em patas de bovinos e equinos são possíveis, mas difíceis de acontecer.
Ele afirma que esses animais são menos quietos na recuperação de um pós-operatório. E, se a lesão acontece em ossos de apoio, fica inviável, levando ao sacrifício do animal.
“Vai depender do tipo de fratura. A correção depende de vários fatores, como o peso do animal, principalmente. Esses animais não se mantêm estáticos após a tentativa de correção, dificultando a colagem do osso. A recuperação de fraturas em equinos é menos viável (do que em bovinos), embora, nas duas espécies, a depender do tipo de fratura, a eutanásia é o caminho”, afirma.
César Fabiano Vilela é o médico-veterinário responsável pelos eventos da Professional Bull Riders no Brasil (PBR Brasil). Ele pondera que nem toda lesão é irreversível, porque, atualmente, há técnicas que permitem estabilizá-las. Depende de fatores como o local atingido e a complexidade da ocorrência. Ele diz acreditar que, no caso de Man Hater, outros fatores agravantes podem ter ocorrido, a ponto de se decidir pela eutanásia do animal.
“Outros fatores também podem influenciar na tomada da decisão quanto à possibilidade do tratamento do paciente, sendo preponderante o prognóstico da sua recuperação, podendo este animal voltar à atividade física ou não”, pontua.
Seis touros lendários dos rodeios que já morreram
Bandido
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Considerado o maior da história do rodeio brasileiro, Bandido ficou conhecido por derrubar mais de 200 peões ao longo da carreira e ser vencido apenas uma vez. O feito aconteceu em 2001, quando Carlos de Jesus Boaventura permaneceu oito segundos sobre ele no Rodeio de Jaguariúna (SP).
O animal morreu em janeiro de 2009, após ser diagnosticado com um câncer de pele maligno próximo ao olho esquerdo. Ele chegou a passar por sessões de quimioterapia, mas a doença se espalhou pela cabeça, pulmão e garganta.
A fama nas arenas foi tamanha que Bandido participou da novela América, escrita por Glória Perez, na TV Globo.
Bodacious
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Chamado de “celebridade bovina”, o touro Bodacious, de quase 800 quilos, foi o primeiro campeão mundial da PBR, em 1995, e bicampeão da Professional Rodeo Cowboys Association (PRCA), em 1994 e 1995, sendo um dos poucos a conquistar as duas competições.
Em 135 montarias, apenas seis peões conseguiram completar os oito segundos sobre o animal. E essa trajetória fez com que fosse homenageado em 2019 com o prêmio Brand of Honor.
Segundo a PBR, o touro, já conhecido pela força na época, “ficou ainda mais famoso por mandar o campeão mundial Tuff Hedeman, em 1995, para o hospital após quebrar quase todos os ossos principais do rosto”. Bodacious morreu em 2000, vítima de um ataque cardíaco.
Dillinger
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Assim como Bodacious, Dillinger também foi homenageado pela Professional Bull Riders (PBR) com o prêmio Brand of Honor em reconhecimento à carreira de sucesso nas arenas americanas.
Entre os feitos marcantes está o bicampeonato mundial em 2000 e 2001. A aposentadoria aconteceu em 2002, após uma lesão na perna. Segundo a PBR, Dillinger participou de algumas das maiores pontuações da história da competição, como 95,5 pontos para Jim Sharp, 95 pontos para Ednei Caminhas e 94,5 pontos para Corey Navarre.
Bruiser
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Mais um touro lendário na lista, Bruiser repetiu o feito de Bodacious ao conquistar títulos tanto na Professional Bull Riders quanto na Professional Rodeo Cowboys Association (PRCA).
O animal morreu em 2022, aos 11 anos, com números expressivos na carreira. Ele foi montado com sucesso 29 vezes em 104 montarias. Além disso, nas 60 montarias realizadas na série principal, apenas 17 peões conseguiram dominá-lo.
Agressivo
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Considerado um dos touros mais temidos dos rodeios brasileiros e sucessor de Bandido, Agressivo morreu em 2018, três anos após se aposentar das arenas.
Durante a carreira, conquistou 13 fivelas de melhor touro da PBR Brasil, foi eleito o melhor da etapa na Festa do Peão de Barretos, em 2010, e ficou oito anos invicto. Ao anunciar a morte do animal, o proprietário, Paulo Emílio Marques, afirmou que Agressivo chegou à fazenda com seis anos e “logo ganhou o status de o mais temido”.
Little Yellow Jacket
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O touro com mais de 820 quilos estreou na PBR em 1999 e foi campeão mundial três vezes, em 2002, 2003 e 2004, com taxa de derrubada superior a 84% e notas acima de 93 pontos para os 14 peões que conseguiram permanecer 8 segundos sobre ele.
Um dos momentos marcantes aconteceu em 2003, quando derrubou Chris Shivers em menos de dois segundos. Segundo a Professional Bull Riders, o feito rendeu ao dono US$ 50 mil pela vitória. Já o peão perdeu a chance de faturar US$ 1 milhão.
Em entrevista ao site da PBR, ele afirmou que, apesar da derrota, “ficou muito feliz por participar de um dos maiores momentos da história”. Little Yellow Jacket morreu em 2011, quando tinha 15 anos.












