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Comunidade Quilombola Santa Tereza realiza a 115ª Festa do Divino Espírito Santo em Figueirão

A Comunidade Quilombola Santa Tereza, no município de Figueirão, realiza neste ano de 2026 a tradicional 115ª Festa do Divino Espírito Santo, uma das celebrações religiosas e culturais mais antigas da região, mantendo viva a fé, a devoção e os costumes passados de geração em geração.

O chefe de gabinete Cleiton Cosme acompanhou os foliões da Capela Divino Espírito Santo durante a tradicional soltura da bandeira, momento marcado por emoção, oração e união da comunidade em honra ao Divino Espírito Santo.

A programação teve início com o encontro dos foliões e a preparação para a saída da bandeira. Em seguida, foi servido um almoço comunitário para todos os presentes. Após a bênção, os foliões seguiram viagem com a bandeira, percorrendo a região durante 15 dias, levando fé, esperança e tradição às famílias visitadas.

Os festeiros Joaquim Amorim Malaquias e Sirleia Aparecida Rodrigues Malaquias, juntamente com Aparecido Malaquias da Silva e Creunice Paulino de Lima, convidam toda a população para participar da chegada da bandeira e das festividades nos dias 23 e 24 de maio.

Programação da Festa

23 de maio (sábado)

  • 15h00 – Chegada da Bandeira e Foliões
  • 17h30 – Santa Missa
  • 18h30 – Jantar (levar pratos e talheres)
  • 20h00 – Reza do Santo Terço, hasteamento do mastro e queima da fogueira
  • 21h30 – Dança do Catira
  • 22h00 – Baile e Leilão

Observação: Encerramento da janta às 21h00.

24 de maio (domingo)

  • 07h00 – Café da manhã
  • 08h30 – Sorteio para a festa de 2027
  • 10h00 – Música ao vivo
  • 10h30 – Leilão
  • 12h00 – Almoço (levar pratos e talheres)

Os festeiros informam que todas as refeições serão gratuitas e pedem a compreensão dos participantes, pois não será permitida a entrada com bebidas no local da festa.

História centenária de fé e tradição

A origem da Festa do Divino Espírito Santo remonta ao ano de 1909, quando uma epidemia de febre atingiu a região e afetou membros da família Malaquias. Diante do desespero, Dona Maria Francelina fez uma promessa ao Divino Espírito Santo: caso encontrasse a cura para seus familiares, realizaria todos os anos uma festa em louvor ao santo.

Segundo a tradição, após buscar raízes medicinais no cerrado e preparar remédios caseiros, os enfermos apresentaram melhora. Como forma de agradecimento, nasceu então a Festa do Divino Espírito Santo.

Inicialmente, a celebração acontecia de forma simples, com terços, refeições e participação apenas de familiares e pessoas próximas. Porém, Dona Maria Francelina desejava algo maior e, anos depois, teve início o tradicional “Giro da Bandeira”, conduzido pelo goiano Francisco Rodrigues, profundo conhecedor da tradição das folias do Divino.

O primeiro giro oficial ocorreu em 1913. Os foliões percorriam longas distâncias a cavalo, visitando casas, rezando terços cantados ao som de instrumentos de corda e percussão, recolhendo prendas e levando bênçãos às famílias.

As tradições seguem preservadas até hoje. Durante o giro, os foliões respeitam costumes rigorosos, como não matar animais durante o percurso, não chegar às pousadas após o pôr do sol e sempre pedir permissão antes de entrar em uma residência.

Mais de um século depois, a Festa do Divino Espírito Santo continua sendo símbolo de fé, resistência cultural e união da comunidade quilombola, mantendo viva uma tradição iniciada por Dona Maria Francelina e preservada pelas famílias da região ao longo das gerações.

E pelo Decreto Estadual nº 10.719, de dezembro de 2021 nossa Festa de tornou PATRIMÔNIO IMATERIAL DE MATO GROSSO DO SUL.

Fonte do histórico – Instagram – @capela_divino.espirito.santo

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