Chapadão do Sul, município de Mato Grosso do Sul que faz divisa com Chapadão do Céu (GO), foi o que teve o maior aumento da estimativa populacional na comparação com as demais cidades sul-mato-grossenses: 11,66%, passando de 30.993 para 34.606 habitantes, segundo dados da última projeção de crescimento em relação ao Censo 2022 divulgados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O prefeito Walter Schlatter (PP) em conversa com o site Campo Grande News, ele afirmou que o percentual surpreende e elencou o agronegócio como o principal responsável pelo aumento, embora essa expectativa geralmente fique sobre os municípios em fase de industrialização.
“É surpreendente porque tem municípios que estão recebendo grandes indústrias, mas podem ter ficado de fora porque são residentes temporários [os trabalhadores das construções]. Nem eu nem o ex-prefeito contratamos uma pesquisa para entender bem esse processo”, começa.
Para Schlatter, Chapadão do Sul é uma cidade onde economia gira em torno do agronegócio e das atividades relacionadas às commodities. A localização geográfica também conta pontos a favor.

“Temos soja, algodão, além da pecuária e usinas de milho e cana-de-açúcar. Com isso, pequenas indústrias vão se instalando na cidade. Até uma concessionária de veículos da Toyota tem aqui em Chapadão. Tem quatro supermercados atacadistas, os serviços são fortes. Ou seja, é uma cidade pequena onde ‘corre’ dinheiro”, falou o chefe do Executivo.
O próprio prefeito é parte do setor que associa ao aumento populacional. É produtor agropecuário e se destacou nas eleições de 2024 como o candidato mais rico disputando o cargo em Mato Grosso do Sul. À época, declarou à Justiça Eleitoral R$ 125,3 milhões em patrimônio, que inclui 53 terras nuas — propriedades que não possuem edificações ou outras estruturas. Ele está cumprindo o primeiro mandato.
“Temos uma boa logística com as rodovias MS-306 e BR-060, estamos bem localizados, próximos de Goiânia (GO), São José do Rio Preto (SP). É uma cidade que tem muita visibilidade e com economia centrada no agronegócio. Sem o agronegócio, não existiria Chapadão do Sul. A cidade é o que é por causa do agro”, complementou.
Ainda segundo o prefeito, Chapadão do Sul oferece qualidade de vida e bons serviços de saúde. No ensino, ele destaca a instalação de um curso de Direito no campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). “Até na gastronomia nós não ficamos devendo nada para a Capital”, acrescenta.
“A economia de Chapadão está crescendo de 5% a 6% ao ano”, afirma também o chefe do Executivo. De acordo com dados divulgados em 2021 pelo IBGE e Conac (Coordenadoria de Contas Nacionais), e analisados pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o PIB (Produto Interno Bruto) municipal de Chapadão do Sul era o 11º no ranking entre os 79 municípios sul-mato-grossenses.
Inocência – A cidade faz divisa com Inocência, escolhida como sede da fábrica de celulose da empresa chilena Arauco. A obra está em andamento e prevista para encerrar em 2027.
Walter Schlatter não acredita que o crescimento populacional de Chapadão também esteja relacionado à migração de trabalhadores que a construção traz para o município vizinho. Ele afirma que a própria Inocência está comportando os novos fluxos.
Crescimento populacional – Na projeção de crescimento populacional divulgada pelo IBGE no ano passado, Chapadão do Sul já era o município que mais cresceu em população no Estado em relação ao Censo 2022.
O Censo é uma contagem de pessoas e domicílios, enquanto as estimativas englobam outros indicadores, como taxas de nascimento e mortalidade. Os dados servem como referência para vários indicadores sociais, econômicos e demográficos do país. Além disso, são um dos parâmetros utilizados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para o cálculo dos fundos de participações de estados e municípios, por meio dos quais a União distribui recursos.