{"id":101822,"date":"2018-11-23T10:37:41","date_gmt":"2018-11-23T13:37:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ocorreionews.com.br\/?p=101822"},"modified":"2018-11-23T15:54:39","modified_gmt":"2018-11-23T18:54:39","slug":"so-fungicida-nao-basta-e-preciso-monitorar-ferrugem-diz-pesquisador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=101822","title":{"rendered":"S\u00f3 fungicida n\u00e3o basta, \u00e9 preciso monitorar ferrugem, diz pesquisador"},"content":{"rendered":"<p>A ferrugem asi\u00e1tica, uma doen\u00e7a que afeta lavouras de soja e teve o primeiro caso desta safra confirmado segunda-feira (19) em Mato Grosso do Sul, precisa de cuidado redobrado, segundo o pesquisador da Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste, Alexandre Dinnys Roese.<\/p>\n<div class=\"bloco_texto_span\">\n<p>Engenheiro agr\u00f4nomo formado pela Unioeste, mestre em fitopatologia pela Universidade Federal de Vi\u00e7osa e doutor em agronomia pela Universidade Federal do Paran\u00e1, Alexandre Roese \u00e9 analista de apoio \u00e0 pesquisa na Embrapa desde 2002. Lotado na Embrapa em Dourados desde 2007, tem experi\u00eancia de campo com doen\u00e7as de soja e milho.<\/p>\n<p>Sobre caso confirmado nesta semana em Maracaju, o pesquisador diz que o cuidado do produtor rural funcionou, j\u00e1 que a doen\u00e7a s\u00f3 surgiu agora, com a lavoura em fase de enchimento de vagens.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o extremamente importante porque mostra o resultado de duas medidas de controle muito valiosas adotadas pelo produtor rural: 1) realizar o vazio sanit\u00e1rio (para diminuir a sobreviv\u00eancia da ferrugem na entressafra) e 2) semear a lavoura no in\u00edcio da \u00e9poca recomendada, para que as plantas escapem da ferrugem\u201d, afirmou ao site\u00a0Campo Grande News.<\/p>\n<p>Segundo ele, se n\u00e3o fossem essas duas medidas de controle, a ferrugem provavelmente surgiria muito mais cedo, at\u00e9 mesmo antes do in\u00edcio do florescimento. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, o fato de a ferrugem ter sido detectada agora n\u00e3o significa que j\u00e1 n\u00e3o estava presente no estado.<\/p>\n<p>\u201cDevemos lembrar que o cadastro dos focos de ferrugem no Cons\u00f3rcio Antiferrugem \u00e9 volunt\u00e1rio. Ao mesmo <b><a href=\"http:\/\/www.campograndenews.com.br\/tempo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tempo<\/a><\/b> em que \u00e9 muito importante notificar sobre a doen\u00e7a, pois serve de alerta aos produtores, n\u00e3o podemos confiar cegamente na aus\u00eancia de ferrugem em locais sem relatos. Isso refor\u00e7a a necessidade do monitoramento constante de cada produtor\u201d, observou.<\/p>\n<p>O pesquisador refor\u00e7a a import\u00e2ncia de monitorar as lavouras. \u201cA ferrugem requer molhamento foliar para seu estabelecimento nas folhas. E o molhamento foliar \u00e9 muito mais dependente da frequ\u00eancia de chuvas, do que do volume de chuvas. A forma\u00e7\u00e3o de orvalho tamb\u00e9m \u00e9 muito importante para o molhamento foliar. Por isso, dias quentes e noites amenas, com alta umidade do ar, favorecem a forma\u00e7\u00e3o de orvalho e assim favorecem a ferrugem\u201d.<\/p>\n<p><strong>Fungicidas<\/strong> \u2013 Alexandre Roese orienta como evitar ou pelo menos diminuir os preju\u00edzos: \u201cdevemos insistir no monitoramento das lavouras. Mesmo com aplica\u00e7\u00f5es de fungicida preventivamente, precisamos avaliar as lavouras para ver se a aplica\u00e7\u00e3o foi realmente preventiva ou se a ferrugem j\u00e1 estava na lavoura antes da aplica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, uma vez instalada a ferrugem na lavoura, recomenda-se diminuir o intervalo entre aplica\u00e7\u00f5es de fungicidas e acrescentar fungicidas multiss\u00edtios no programa de controle.<\/p>\n<p>Outra recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 optar pelos fungicidas com melhor desempenho nos ensaios anuais de efici\u00eancia, publicados anualmente pela Embrapa, e alternar aplica\u00e7\u00f5es de fungicidas com princ\u00edpios ativos diferentes, evitando mais do que duas aplica\u00e7\u00f5es do mesmo fungicida na mesma safra.<\/p>\n<p><strong>Preju\u00edzo<\/strong> \u2013 Conforme o pesquisador, quanto mais cedo no ciclo da soja surge a ferrugem, maior a dificuldade de controle e maiores os preju\u00edzos. \u201cLavouras com ferrugem no in\u00edcio do florescimento, ou antes, em anos com clima favor\u00e1vel \u00e0 ferrugem e que n\u00e3o sejam eficientemente controladas, podem ter redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da produtividade, chegando \u00e0 inviabilizar a colheita\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFelizmente casos assim n\u00e3o t\u00eam ocorrido, e isso \u00e9 muito devido aos controles legislativo (vazio sanit\u00e1rio e datas limites para semeadura) e cultural (cultivares precoces e semeaduras no in\u00edcio da \u00e9poca recomendada), aliado ao controle qu\u00edmico preventivo ou sempre que necess\u00e1rio\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Variedades<\/strong> \u2013 Alexandre Roese explica que a busca por cultivares de soja resistentes \u00e0 ferrugem representa grande esfor\u00e7o da pesquisa agropecu\u00e1ria. \u201cExistem algumas cultivares resistentes no mercado, por\u00e9m todas elas baseadas em resist\u00eancia monog\u00eanica, ou seja, que \u00e9 muito eficiente, mas pode ser facilmente \u2018quebrada\u2019 pelo fungo que causa a doen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, segundo ele, mesmo nessas cultivares \u00e9 preciso se aplicar fungicida preventivamente. \u201cMas por que ent\u00e3o semear cultivares resistentes se teremos de aplicar fungicida assim mesmo? Porque a cultivar resistente evita danos pelas falhas no controle (e essas falhas s\u00e3o muito mais frequentes do que imaginamos). A cultivar resistente \u00e9 uma garantia, um seguro, talvez o seguro mais barato que exista\u201d.<\/p>\n<p>A mais recente cultivar de soja resistente \u00e0 ferrugem asi\u00e1tica \u00e9 a BRS 511. \u201cO gene de resist\u00eancia dessa variedade \u00e9 diferente do que est\u00e1 presente em todas as outras variedades lan\u00e7adas antes. E al\u00e9m de ser resistente \u00e0 ferrugem tamb\u00e9m \u00e9 resistente \u00e0 podrid\u00e3o-de-fit\u00f3ftora, uma doen\u00e7a comum no sul do Brasil e que tem aumentado de import\u00e2ncia das \u00faltimas safras no Centro- Oeste\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"imagem\">\n<figure style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Lavoura de soja em Dourados (Foto: Helio de Freitas)\" src=\"https:\/\/cdn1.campograndenews.com.br\/uploads\/tmp\/images\/5270283\/640x480-990b81e2fd78c0a9cc5ec9ab0ee4a42a.jpg\" alt=\"Lavoura de soja em Dourados (Foto: Helio de Freitas)\" width=\"640\" height=\"403\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Lavoura de soja em Dourados (Foto: Helio de Freitas)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Helio de Freitas &#8211; Campo Grande News<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ferrugem asi\u00e1tica, uma doen\u00e7a que afeta lavouras de soja e teve o primeiro caso desta safra confirmado segunda-feira (19) em Mato Grosso do Sul, precisa de cuidado redobrado, segundo o pesquisador da Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste, Alexandre Dinnys Roese. 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