{"id":102029,"date":"2018-11-26T13:42:28","date_gmt":"2018-11-26T16:42:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ocorreionews.com.br\/?p=102029"},"modified":"2018-11-26T13:42:28","modified_gmt":"2018-11-26T16:42:28","slug":"artigoa-ferrugem-chegou-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=102029","title":{"rendered":"Artigo:A ferrugem chegou. E agora?"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro foco de ferrugem asi\u00e1tica em lavoura comercial de soja em Mato Grosso do Sul foi confirmado no dia 19 de novembro, em Maracaju. Este fato desperta uma \u00f3tima reflex\u00e3o. Algu\u00e9m pode dizer que j\u00e1 era esperado, e est\u00e1 certo. Outro pode dizer que agora temos que redobrar o cuidado, e tamb\u00e9m tem raz\u00e3o. Mas nossa reflex\u00e3o pode ir muito al\u00e9m de apatias e alarmismos.<\/p>\n<p>Como controlar a ferrugem?<\/p>\n<p>Para diminuir os preju\u00edzos com essa doen\u00e7a devemos insistir no monitoramento das lavouras. Mesmo para realizarmos aplica\u00e7\u00f5es preventivas de fungicida, precisamos avaliar as lavouras para ver se a aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente preventiva ou se a ferrugem j\u00e1 est\u00e1 instalada na lavoura. Isso \u00e9 muito importante porque se a ferrugem j\u00e1 estiver presente, recomenda-se diminuir o intervalo de tempo entre as aplica\u00e7\u00f5es e acrescentar fungicidas multiss\u00edtios (de contato) no programa de controle. Outras recomenda\u00e7\u00f5es importantes s\u00e3o optar pelos fungicidas com melhor desempenho nos ensaios anuais de efici\u00eancia, publicados anualmente pela Embrapa (clique aqui para acessar), e alternar aplica\u00e7\u00f5es de fungicidas com princ\u00edpios ativos diferentes, evitando mais do que duas aplica\u00e7\u00f5es do mesmo fungicida na mesma safra.<\/p>\n<p>Devemos alertar que quanto mais cedo a ferrugem aparece no ciclo da planta, maior ser\u00e1 a dificuldade de controle e maiores ser\u00e3o os potenciais preju\u00edzos devido a falhas no controle. A ocorr\u00eancia da ferrugem no in\u00edcio do florescimento ou antes, em anos com clima favor\u00e1vel \u00e0 doen\u00e7a, pode ocasionar redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica da produtividade, chegando \u00e0 inviabilizar a colheita quando n\u00e3o eficientemente controlada. Felizmente, casos assim n\u00e3o t\u00eam ocorrido, e isso se deve aos controles legislativo (vazio sanit\u00e1rio e datas limites para semeadura) e cultural (cultivares precoces e semeaduras no in\u00edcio da \u00e9poca recomendada), al\u00e9m do controle qu\u00edmico preventivo e quando necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>E as cultivares resistentes?<\/p>\n<p>A busca por cultivares de soja resistentes \u00e0 ferrugem tem demandado um grande esfor\u00e7o da pesquisa agropecu\u00e1ria. Existem algumas cultivares resistentes no mercado, por\u00e9m todas elas baseadas em resist\u00eancia monog\u00eanica, ou seja, muito eficiente mas que pode ser facilmente suplantada (\u201cquebrada\u201d) pelo fungo causador da doen\u00e7a. Por isso, mesmo nessas cultivares deve-se aplicar fungicida preventivamente. Mas por que ent\u00e3o semear cultivares resistentes se teremos que aplicar fungicida? Porque a cultivar resistente diminui consideravelmente os danos pelas falhas no controle (e essas falhas s\u00e3o muito mais frequentes do que imaginamos!). As cultivares com genes de resist\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o imunes, ou seja, a doen\u00e7a ocorre, mas n\u00e3o progride ou, ent\u00e3o, evolui muito lentamente. A cultivar resistente \u00e9 uma garantia, um seguro, talvez o seguro mais barato que existe. Al\u00e9m disso, cultivares resistentes diminuem a press\u00e3o de sele\u00e7\u00e3o do fungo sobre os fungicidas, retardando o surgimento de popula\u00e7\u00f5es do fungo resistentes. A mais recente cultivar de soja resistente \u00e0 ferrugem asi\u00e1tica \u00e9 a BRS 511 (clique aqui para conhecer a cultivar), uma<\/p>\n<p>variedade de ciclo precoce e recomendada para diversas regi\u00f5es do pa\u00eds. O gene de resist\u00eancia dessa variedade \u00e9 diferente do que est\u00e1 presente em todas as outras variedades lan\u00e7adas anteriormente. E, al\u00e9m de ser resistente \u00e0 ferrugem, tamb\u00e9m \u00e9 resistente \u00e0 podrid\u00e3o-de-fit\u00f3ftora (clique aqui para saber mais), uma doen\u00e7a comum na regi\u00e3o Sul do Brasil, cuja relev\u00e2ncia vem crescendo no Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Do que a ferrugem gosta?<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de \u00e1gua na superf\u00edcie das folhas \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o essencial para o estabelecimento da ferrugem. Sendo assim, quanto maior o tempo com molhamento foliar, melhores as condi\u00e7\u00f5es para seu desenvolvimento e mais severos ser\u00e3o os danos.<\/p>\n<p>O tempo no qual uma planta permanece com as folhas molhadas \u00e9 muito mais dependente da frequ\u00eancia das chuvas, do que de seu volume. O orvalho e a irriga\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o determinantes. Dias quentes e noites amenas, com alta umidade do ar, favorecem a forma\u00e7\u00e3o de orvalho e, assim, criam condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para a ferrugem.<\/p>\n<p>O foco de ferrugem em MS<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante observarmos que a primeira lavoura na qual foi detectada a ferrugem em MS j\u00e1 estava no est\u00e1dio R5, ou seja, no enchimento de vagens. Essa \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o extremamente importante, porque mostra o resultado de duas medidas de controle muito valiosas adotadas pelo produtor rural, que s\u00e3o: 1) realizar o vazio sanit\u00e1rio (para diminuir a sobreviv\u00eancia da ferrugem na entressafra) e 2) semear a lavoura no in\u00edcio da \u00e9poca recomendada (para que as plantas escapem da ferrugem). N\u00e3o fossem essas duas medidas de controle, a ferrugem provavelmente surgiria muito mais cedo, talvez mesmo antes do in\u00edcio do florescimento.<\/p>\n<p>Apesar disso, esse primeiro foco em MS foi detectado bem mais cedo do que no ano passado, quando os primeiros relatos ocorreram no m\u00eas de janeiro. O n\u00famero de dias com chuva, de primeiro de outubro a 15 de novembro, foi muito semelhante entre os anos de 2017 e 2018. No entanto, em 2018 o volume de chuvas nesse per\u00edodo foi quase 200 mil\u00edmetros superior, o que manteve a umidade do ar alta e criou condi\u00e7\u00f5es para maior dura\u00e7\u00e3o de molhamento foliar, favorecendo a ferrugem. Esses dados clim\u00e1ticos est\u00e3o dispon\u00edveis no Guia Clima, p\u00e1gina das esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas da Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste (clique aqui para acessar).<\/p>\n<p>Outra informa\u00e7\u00e3o importante \u00e9 que o fato de a ferrugem ter sido detectada agora n\u00e3o significa que j\u00e1 n\u00e3o estava presente antes. Devemos lembrar que o cadastro dos focos de ferrugem no Cons\u00f3rcio Antiferrugem (www.consorcioantiferrugem.net) \u00e9 volunt\u00e1rio. Ao mesmo tempo em que \u00e9 muito importante notificar o Cons\u00f3rcio e as autoridades competentes sobre a ocorr\u00eancia da doen\u00e7a, pois isso serve de alerta aos produtores, n\u00e3o podemos confiar cegamente na aus\u00eancia de ferrugem em locais sem relatos de sua ocorr\u00eancia. Isso refor\u00e7a a necessidade do monitoramento constante de cada lavoura, especialmente a partir do in\u00edcio do florescimento ou do fechamento das entrelinhas, pois n\u00e3o h\u00e1 como prever com seguran\u00e7a quando a ferrugem vai aparecer.<\/p>\n<p>Alexandre D. Roese<\/p>\n<p>Analista Embrapa Agropecu\u00e1ria Oeste alexandre.roese@embrapa.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro foco de ferrugem asi\u00e1tica em lavoura comercial de soja em Mato Grosso do Sul foi confirmado no dia 19 de novembro, em Maracaju. Este fato desperta uma \u00f3tima reflex\u00e3o. Algu\u00e9m pode dizer que j\u00e1 era esperado, e est\u00e1 certo. Outro pode dizer que agora temos que redobrar o cuidado, e tamb\u00e9m tem raz\u00e3o. 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