{"id":102105,"date":"2018-11-27T13:16:52","date_gmt":"2018-11-27T16:16:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ocorreionews.com.br\/?p=102105"},"modified":"2018-11-27T13:16:52","modified_gmt":"2018-11-27T16:16:52","slug":"governo-faz-acordo-para-reduzir-ate-62-do-acucar-em-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=102105","title":{"rendered":"Governo faz acordo para reduzir at\u00e9 62% do a\u00e7\u00facar em alimentos"},"content":{"rendered":"<p>A redu\u00e7\u00e3o m\u00e1xima varia conforme a categoria. O grupo com a maior redu\u00e7\u00e3o prevista \u00e9 o de biscoitos recheados (at\u00e9 62,4%). Em seguida, est\u00e3o produtos l\u00e1cteos, com redu\u00e7\u00e3o prevista em at\u00e9 53,9%, seguido de misturas para bolos (at\u00e9 46,1%), refrigerantes (33,8%) e, por \u00faltimo, achocolatados (10,5%).<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o deve ser gradual at\u00e9 2022. Somadas as metas, o acordo prev\u00ea reduzir 144 mil toneladas de a\u00e7\u00facar nestes alimentos, conforme adiantou nesta segunda-feira (26) a coluna M\u00f4nica Bergamo, da Folha de S. Paulo.<\/p>\n<p>A possibilidade de redu\u00e7\u00e3o j\u00e1 era alvo de estudos desde julho do ano passado. Negocia\u00e7\u00f5es com o setor, no entanto, acabaram por atrasar a defini\u00e7\u00e3o das metas, previstas inicialmente para serem anunciadas no fim de 2017.<\/p>\n<p>O objetivo do acordo \u00e9 diminuir o alto consumo de a\u00e7\u00facar, tido como fator de risco para obesidade e doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis, como diabetes.<\/p>\n<p>Atualmente, a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) recomenda que cada brasileiro reduza o consumo de a\u00e7\u00facar para at\u00e9 25g por dia. J\u00e1 o m\u00e1ximo recomendado \u00e9 de 50g por dia.<\/p>\n<p>O brasileiro, por\u00e9m, consome hoje cerca de 80 gramas de a\u00e7\u00facar ao dia. Segundo o minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 64% desse total \u00e9 equivalente a a\u00e7\u00facares adicionados aos alimentos, enquanto o restante est\u00e1 presente em alimentos industrializados.<\/p>\n<p>J\u00e1 a ind\u00fastria d\u00e1 valores diferentes: 56,3% dos a\u00e7\u00facares s\u00e3o adicionados pelo consumidor, e s\u00f3 19,2% s\u00e3o adicionados pela ind\u00fastria. Os demais s\u00e3o intr\u00ednsecos ao alimento, informa.<\/p>\n<p>O acordo foi registrado com quatro associa\u00e7\u00f5es que representam o setor produtivo, caso da Abia (ind\u00fastria de alimentos), Abir (ind\u00fastria de refrigerantes), Abimapi (biscoitos, massas, p\u00e3es e bolos) e Viva L\u00e1cteos (l\u00e1cteos). Juntas, elas representam 68 empresas e 87% do mercado.<\/p>\n<p>As metas devem ser monitoradas a cada dois anos. Questionados, minist\u00e9rio e ind\u00fastria n\u00e3o divulgaram quais seriam as metas parciais.<\/p>\n<p>Segundo a pasta, o acordo envolve 2.397 produtos. Destes, por\u00e9m, apenas 47,8% precisariam reduzir os \u00edndices. Os demais j\u00e1 possuem metas adequadas.<\/p>\n<p>Os dados refor\u00e7am uma preocupa\u00e7\u00e3o comum entre entidades de defesa do consumidor, que t\u00eam criticado esse modelo de acordo, j\u00e1 usado para redu\u00e7\u00e3o de s\u00f3dio, por avaliar que as metas acordadas costumam ser t\u00edmidas.<\/p>\n<p>Outro temor \u00e9 que a medida d\u00ea margem para que a ind\u00fastria passe a anunciar os produtos como &#8220;saud\u00e1veis&#8221; -ainda que seu consumo em excesso seja prejudicial.<\/p>\n<p>Questionada sobre como ocorreu a defini\u00e7\u00e3o das metas, a coordenadora de alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Michele Lessa, diz que o acordo representa um desafio e uma redu\u00e7\u00e3o significativa. Isso porque, em outros pa\u00edses onde houve redu\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar, a ind\u00fastria passou a testar o uso de ado\u00e7antes -o que \u00e9 vedado no acordo brasileiro devido \u00e0 falta de pesquisas sobre o impacto do consumo desse ingrediente a longo prazo, informa.<\/p>\n<p>&#8220;Houve um di\u00e1logo para que a redu\u00e7\u00e3o seja de fato de a\u00e7\u00facar&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo ela, os alimentos selecionados s\u00e3o os que mais aportam a\u00e7\u00facar na popula\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c0s vezes n\u00e3o \u00e9 o que tem maior quantidade de a\u00e7\u00facar, mas \u00e9 muito consumido&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Representantes da ind\u00fastria, por\u00e9m, minimizaram o impacto dos produtos na obesidade. Para Wilson Mello, da Abia, n\u00e3o existe o conceito de &#8220;alimento saud\u00e1vel&#8221;, mas sim o de &#8220;dieta equilibrada&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Acreditamos que equil\u00edbrio \u00e9 a palavra-chave. N\u00e3o podemos vilanizar nenhum alimento ou ingrediente&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo ele, para cumprir o acordo, a ind\u00fastria deve testar novas receitas. &#8220;As mudan\u00e7as n\u00e3o podem ser abruptas. Do contr\u00e1rio, ao inv\u00e9s de facilitar para se entenda a redu\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar, isso afasta o consumidor do produto, que n\u00e3o necessariamente vai escolher outro que seja melhor&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Para o ministro da Sa\u00fade, Gilberto Occhi, a redu\u00e7\u00e3o visa pode trazer op\u00e7\u00f5es mais saud\u00e1veis ao consumidor. &#8220;Ele vai poder optar por aquilo que seu paladar vai exigir ou pelo que sua sa\u00fade recomendar.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Folha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A redu\u00e7\u00e3o m\u00e1xima varia conforme a categoria. O grupo com a maior redu\u00e7\u00e3o prevista \u00e9 o de biscoitos recheados (at\u00e9 62,4%). 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