{"id":103047,"date":"2018-12-10T07:30:34","date_gmt":"2018-12-10T10:30:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ocorreionews.com.br\/?p=103047"},"modified":"2018-12-10T07:30:34","modified_gmt":"2018-12-10T10:30:34","slug":"mulheres-acusam-medium-joao-de-deus-de-abuso-sexual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=103047","title":{"rendered":"Mulheres acusam m\u00e9dium Jo\u00e3o de Deus de abuso sexual"},"content":{"rendered":"<div>\n<div class=\"detail-content show-link\">\n<p>Doze mulheres denunciaram terem sido sexualmente abusadas por Jo\u00e3o Teixeira de Faria, m\u00e9dium conhecido como Jo\u00e3o de Deus. Famoso pela realiza\u00e7\u00e3o de \u201ccirurgias espirituais\u201d, ele j\u00e1 atendeu desde a apresentadora americana Oprah Winfrey at\u00e9 o ex-presidente Lula, passando pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Lu\u00eds Roberto Barroso.<\/p>\n<p>No programa que foi ao ar ontem de noite, a produ\u00e7\u00e3o do \u201cConversa com Bial\u201d, na TV Globo, relatou que dez mulheres se dizem v\u00edtimas de Jo\u00e3o de Deus, das quais quatro tamb\u00e9m foram ouvidas por O GLOBO.<\/p>\n<p>Esta reportagem traz essas quatro den\u00fancias e duas novas, exclusivas. Os seis relatos documentados por escrito, que o leitor do GLOBO tem acesso na \u00edntegra abaixo, datam de 2010 a fevereiro deste ano. Os textos s\u00e3o longos e detalhados. Eles foram colhidos ao longo de tr\u00eas meses de investiga\u00e7\u00e3o. Todos passaram pela aprova\u00e7\u00e3o das seis v\u00edtimas, das quais cinco pediram sigilo de identidade.<\/p>\n<p>O \u00faltimo cap\u00edtulo desta mat\u00e9ria \u00e9 a resposta enviada pela assessoria de Jo\u00e3o de Deus exclusivamente para O GLOBO.<\/p>\n<h3>Den\u00fancias revelam padr\u00e3o de a\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>As den\u00fancias revelam um processo sistem\u00e1tico e padronizado. As mulheres contam que foram desacompanhadas \u00e0 Casa de Dom In\u00e1cio, o \u201chospital espiritual\u201d mantido pelo m\u00e9dium em Abadi\u00e2nia (GO). Todas tinham entre 30 e 40 anos no momento em que relatam terem sofrido os abusos. Elas dizem que o m\u00e9dium, durante os atendimentos ao p\u00fablico \u2014 quando estaria incorporado por uma entidade espiritual \u2014 indicava que deveriam encontr\u00e1-lo ap\u00f3s o encerramento da sess\u00e3o.<\/p>\n<p>Sempre colocadas como \u00faltimas na fila de espera para o atendimento pessoal, entravam em um escrit\u00f3rio que dava acesso \u00e0 sala de cirurgias. Neste momento, ficariam no local apenas o m\u00e9dium e a paciente. Com a porta trancada e as luzes apagadas, seriam tocadas nos seios pelo l\u00edder espiritual de 76 anos, e\/ou ordenadas a toc\u00e1-lo no p\u00eanis, parte de uma \u201climpeza espiritual\u201d.<\/p>\n<p>Por videoconfer\u00eancia, a holandesa Zahira Lieneke afirma ter sido estuprada em 2014. Ela foi a \u00fanica v\u00edtima a autorizar a publica\u00e7\u00e3o de seu nome. Tamb\u00e9m \u00e9 a \u00fanica que conta ter sido penetrada por Jo\u00e3o.<\/p>\n<h3>Assessoria chama den\u00fancias de \u201cfantasiosas\u201d<\/h3>\n<p>A assessoria de Jo\u00e3o de Deus afirma que as acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201cfalsas e fantasiosas\u201d, questiona o motivo pelo qual as v\u00edtimas n\u00e3o procuraram as autoridades e afirma que \u201ca sala em quest\u00e3o \u00e9 p\u00fablica, qualquer um tem acesso a ela e jamais fica trancada\u201d. A assessoria ainda afirma que a situa\u00e7\u00e3o \u201c\u00e9 lament\u00e1vel, uma vez que o M\u00e9dium Jo\u00e3o \u00e9 uma pessoa de \u00edndole ilibada\u201d.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas contam que n\u00e3o procuraram a pol\u00edcia logo ap\u00f3s os abusos pelo mesmo motivo que pedem para suas identidades serem protegidas: medo de serem perseguidas.<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que Jo\u00e3o Teixeira de Farias \u00e9 acusado de crimes sexuais. Ele j\u00e1 foi acusado de sedu\u00e7\u00e3o de menor, atentado ao pudor, contrabando de min\u00e9rio e at\u00e9 por assassinato. Em nenhum dos casos o m\u00e9dium foi julgado culpado.<\/p>\n<p><strong>Zahira Lieneke, 34 anos, Holanda<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuatro anos atr\u00e1s, quando eu estava em um dos meus momentos mais vulner\u00e1veis, viajei para Abadi\u00e2nia para ver o mundialmente conhecido \u2018curandeiro\u2019 chamado Jo\u00e3o de Deus. Vi muitos v\u00eddeos sobre seu trabalho no YouTube, li dois livros e assisti atentamente \u00e0 entrevista de Oprah com ele. Ent\u00e3o organizei uma viagem de cinco semanas a Abadi\u00e2nia.<\/p>\n<p>Chegando \u00e0 Casa de Dom In\u00e1cio, voc\u00ea entra em uma longa fila de atendimentos. Jo\u00e3o, incorporado por uma entidade, te d\u00e1 um m\u00e1ximo de tr\u00eas desejos. Um dos meus foi curar meu trauma sexual. A \u2018entidade\u2019 me disse, ent\u00e3o, que eu deveria voltar ao fim da sess\u00e3o para conversar pessoalmente com Jo\u00e3o, sem ele estar incorporado.<\/p>\n<p>Esperei junto a outras mulheres que formavam uma pequena fila do lado de fora de seu escrit\u00f3rio, aos fundos da casa onde as crirugias s\u00e3o feitas, todas aguaradavam para a \u2018consulta\u2019 individual. Fui a \u00faltima. Assim que entrei, a equipe de staff saiu. Fiquei sozinha com ele.<\/p>\n<p>Ele me perguntou por que eu estava ali. Respondi que queria curar meu trauma sexual. Ele assentiu, se levantou e me pediu para ficar em sua frente, de costas para ele.<\/p>\n<p>Ele tocou meu corpo. Me cheirou.<\/p>\n<p>Cheguei ali impressionada com esse homem. Acreditava que ele faria um milagre. No entanto, durante aquela \u2018consulta\u2019 algo se apoderou de mim: o sentimento de que ele era um homem sujo. Mas continuei ali, mantendo a f\u00e9 em seus poderes de cura.<\/p>\n<p>Ele me levou para seu banheiro, em um espa\u00e7o dentro do escrit\u00f3rio. Me colocou em frente ao espelho e me perguntou o que eu via. Eu n\u00e3o entendi o que ele queria dizer. \u2018Ehm, eu?\u2019, respondi.<\/p>\n<p>Posicionado atr\u00e1s de mim, ele pegou minha m\u00e3o e a colocou em seu p\u00eanis. Eu congelei. \u2018O que est\u00e1 acontecendo?\u2019, pensei. Ele ent\u00e3o me moveu para fora do banheiro. De volta ao escrit\u00f3rio, se sentou em uma grande poltrona e me colocou de joelhos em sua frente. Novamente, colocou minha m\u00e3o em seu p\u00eanis e, colocando sua m\u00e3o sobre a minha, me fez masturb\u00e1-lo. Disse para eu sorrir e me \u2018sentir alegre\u2019. Eu s\u00f3 sentia repulsa.<\/p>\n<p>Estava congelada pelo p\u00e2nico. Minha mente seguia girando, continuamente repetindo a pergunta \u2018que p*rra \u00e9 essa?\u2019.<\/p>\n<p>Enquanto isso, ele falava sobre energia e meus chacras. Eu acreditava em milagres. \u2018Meu trauma desaparecer\u00e1 com isso?\u2019, me perguntei, em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Ele ejaculou. Disse para eu dar a ele uma toalha e me mandou lavar as m\u00e3os. Quando voltei ao escrit\u00f3rio, ele me deu pedras preciosas como um presente. Me sentei no sof\u00e1, congelada. Me sentia t\u00e3o suja enquanto olhava para aquelas pedras\u2026 Ent\u00e3o uma das funcion\u00e1rias da Casa chega e olha para mim com uma express\u00e3o de raiva e de desconfian\u00e7a. Tudo que eu quero dizer \u00e9 \u2018SOCORRO\u2019, mas estava muda. \u2018Que m*rda \u00e9 essa?\u2019, de novo, eu penso.<\/p>\n<p>Eventualmente, eu consigo levantar e sair. Lembro de ouvi-lo dizendo: \u2018voc\u00ea \u00e9 sempre bem vinda aqui\u2019.<\/p>\n<p>Eu ainda levaria alguns dias antes de voltar \u00e0 Holanda.<\/p>\n<p>Depois disso, ganhei privil\u00e9gios especiais na Casa. Todo dia eu entrava nas salas de cura, sentava em uma das cadeiras grandes e ali permanecia por oito horas com os olhos fechados. Durante essa medita\u00e7\u00e3o, sentia como se as doen\u00e7as dos outros passassem atrav\u00e9s de mim: tossia, quase vomitei v\u00e1rias vezes, me senti comovida. Senti a dor e o cora\u00e7\u00e3o do povo. Tenho f\u00e9 que ajudei as entidades a curar outras pessoas. Senti que estava fazendo algo importante.<\/p>\n<p>Em outro dia, em seu escrit\u00f3rio, n\u00e3o sei por que entrei l\u00e1 novamente\u2026 ele me puxou violentamente para o banheiro. Enfiou a l\u00edngua na minha boca. Me virou. Puxou minhas cal\u00e7as e me penetrou por tr\u00e1s. Ele ejaculou. Depois me deu uma toalha.<\/p>\n<p>Meu pensamento foi: \u2018O que aconteceria se eu engravidasse? Sentia um total e completo congelamento.\u2019<\/p>\n<p>Quando estava fora daquele lugar, eu confiei na mulher que eu havia conhecido por l\u00e1 e que comecei a namorar. Quando est\u00e1vamos longe, dois meses depois, contei o que aconteceu. N\u00f3s duas nunca voltamos a nos falar.<\/p>\n<p>Eu tenho medo at\u00e9 agora.\u201d<\/p>\n<p><strong>37 anos, Rio Grande do Sul<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDemorei alguns anos para processar e falar sobre o que aconteceu. Cheguei a pensar em divulgar meu nome, mas sabemos que a pessoa de quem estamos falando \u00e9 bem poderosa. Foi em 2010, eu tinha um conhecido que j\u00e1 frequentava a casa e tive acesso direto ao m\u00e9dium. Desde a primeira vez que eu o tinha visto, eu me senti mal e via como ele tratava mal alguns dos funcion\u00e1rios, mas o lugar era muito pac\u00edfico e tinha uma energia forte. Eu ia para a corrente e ajudava muito nas cirurgias, sentia uma energia especial ali.<\/p>\n<p>Na terceira vez em que fui, fui sozinha. Fiquei uma semana e, em um desses momentos, num dos \u00faltimos dias, ele comentou durante um atendimento que ele queria \u2018me ajudar\u2019 e que era para eu ir ao encontro dele por volta das 6 horas da manh\u00e3 no dia seguinte. Entrei na sala, ele falava que eu estava com os chacras bloqueados, principalmente com o chacra da sexualidade.<\/p>\n<p>Ele se sentou na poltrona, pediu que eu sentasse ao lado. Ele estava com uma camisa branca, pegou a minha m\u00e3o, colocou-a no peito dele e come\u00e7ou a respirar fundo. Sentia que ele estava tentando me hipnotizar. Eu fiquei t\u00e3o abismada que congelei. Ele foi descendo a minha m\u00e3o. Senti uma pele \u00famida e enrugada tocar a minha m\u00e3o. Abri os olhos e notei que era o p\u00eanis dele. Levantei na hora, indignada e cheia de raiva, me perguntando porque aquilo estava acontecendo comigo. Sa\u00ed da sala e voltei para a sala da corrente, me sentei para rezar e processar o que aconteceu. Cinco minutos depois, ele me chamou de volta.<\/p>\n<p>J\u00e1 cheguei com cara de quem n\u00e3o gostou. E ele come\u00e7ou a explicar que estava incorporado, inconsciente, durante aquele momento. Eu sabia que aquilo era balela. Ele pegou um cristal e me deu. A pedra \u00e9 enorme, um cristal transparente enorme.<\/p>\n<p>Quem passa por isso fica calada porque a gente sente tanta vergonha de pensar no que passou que n\u00e3o tem nem para quem falar. Se eu n\u00e3o tivesse medo dos riscos, at\u00e9 publicaria meu nome, mas j\u00e1 ouvi tantos relatos que n\u00e3o sei como ainda n\u00e3o o pegaram. Deve tentar calar muita gente. Mas sei que foi abuso sexual no meu caso, o cara pegou a minha m\u00e3o e colocou no p\u00eanis dele contra a minha vontade. \u00d3bvio que foi abuso.\u201d<\/p>\n<p><strong>35 anos, S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEm 2015 eu fui pela segunda vez \u00e0 cidade de Abadi\u00e2nia (GO) buscar ajuda para diversos problemas de sa\u00fade meus e de familiares. Quando entrei na fila para passar com a entidade, faltavam mais ou menos umas seis pessoas na minha frente. Ele me viu e, a partir da\u00ed, n\u00e3o tirava o olho de mim. As pessoas que paravam em sua frente, ele fazia sinal com a m\u00e3o para que fossem logo. Na minha frente tinha uma senhora que provavelmente tinha um c\u00e2ncer, pois estava careca. Na sua vez, ela ajoelhou, agradecendo fervorosamente, e ele praticamente a empurrou para que fosse logo. Ent\u00e3o foi minha vez.<\/p>\n<p>Ele pegou na minha m\u00e3o e perguntou no que poderia ajudar. Eu disse que tentaria resumir mas que, no geral, era depress\u00e3o. N\u00e3o me sentia pertencente a esse mundo, tinha pensamentos suicidas\u2026 ent\u00e3o ele falou para eu \u2018falar com o m\u00e9dium Jo\u00e3o\u2019 em sua sala.<\/p>\n<p>Fui feliz da vida. \u2018Que legal poder ter ajuda assim t\u00e3o de perto\u2019, pensei. Mas, por diversas vezes, n\u00e3o pude ser atendida. Hoje eu agrade\u00e7o por isso, porque assim vi cenas estranhas acontecerem: ele tratando mal pessoas que o esperavam, o filho dele trazendo bolos de dinheiro e ele colocando no bolso\u2026 Isso me intrigava, mas eu estava confiante. No \u00faltimo dia, consegui passar na sala dele, no hor\u00e1rio de almo\u00e7o.<\/p>\n<p>Quando entrei, ele perguntou o que me trazia ali e eu disse poucas palavras. Na verdade ele nem ouviu, j\u00e1 pediu para eu ficar em p\u00e9, disse que iria fazer uma limpeza em mim. Fiquei de costas para ele e ele passava a m\u00e3o no meu tronco, dizendo que estava limpando os chacras.<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed eu pensava que tudo bem. Era um ser t\u00e3o divino, nada a ver eu desconfiar. Foi quando ele me virou, pediu que colocasse a m\u00e3o na barriga dele e fizesse um movimento, como se fosse uma massagem. Pensei que tamb\u00e9m tudo bem. Se o super m\u00e9dium Jo\u00e3o de Deus pediu, beleza.<\/p>\n<p>Ele me pedia pra olhar nos olhos dele, mas eu n\u00e3o conseguia. Fiquei de olhos fechados, talvez porque algo dentro de mim estava muito desconfort\u00e1vel com aquilo tudo. Ent\u00e3o ele colocou o p\u00eanis para fora e falou, segurando meu bra\u00e7o: \u2018Olha como voc\u00ea me deixa\u2019. Disse que tinha sonhado comigo, que me viu nos sonhos.<\/p>\n<p>Eu estava em estado de torpor, algo n\u00e3o me deixava me mover. Parece coisa de filme, mas eu estava hipnotizada.<\/p>\n<p>Ele continuou com uma lorota: \u2018Nos conhecemos de outras vidas, n\u00f3s temos uma hist\u00f3ria\u2019. Eu dei uma risada sem gra\u00e7a e disse: \u2018Eu considero voc\u00ea como um pai\u2019. N\u00e3o conseguia me mover.<\/p>\n<p>Nisso, pessoas batiam na porta que ele havia trancado. Ele sentou e pediu que eu abrisse a porta. Ent\u00e3o entravam pessoas pra agradecer, o pessoal que trabalhava na casa vinha com quest\u00f5es, e eu pensava: \u2018agora vou embora\u2019.<\/p>\n<p>Falava pra ele: \u2018vou sair, voc\u00ea fica \u00e0 vontade\u2019. Ele dizia pra eu sentar, eu obedecia. Pediu almo\u00e7o para mim, almocei com ele. Pediu pra eu trancar a porta. Eu fui l\u00e1 e tranquei! Algo em mim sabia que n\u00e3o estava certo, mas eu s\u00f3 conseguia obedecer.<\/p>\n<p>Ele ent\u00e3o falou que iria fazer a limpeza de novo. Nisso eu falava dos meus problemas de sa\u00fade, da minha fam\u00edlia\u2026 e ele mal respondia.<\/p>\n<p>De novo, o p\u00eanis, a lorota: \u2018Nos conhecemos\u2019 e \u2018Quando voc\u00ea volta aqui de novo?\u2019.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ele pegou minha m\u00e3o para eu \u2018ver como ele estava por mim\u2019. Meu marido estava l\u00e1 fora, ele falava para eu n\u00e3o contar nada.<\/p>\n<p>Pessoas batiam \u00e0 porta, ele mandava eu abrir, eu dizia, \u2018vou te deixar a vontade\u2019. A fila pra falar com ele estava enorme. Ele n\u00e3o deixava, me mandava sentar, eu sentava. Ele me falava o quanto eu era corajosa, o quanto eu era forte. Eu ficava de olhos fechados.<\/p>\n<p>No final, ele me presenteou com uma esmeralda. J\u00e1 estava na hora do atendimento come\u00e7ar. Ele falou para eu ir pela porta que ele ia para o centro. Ele me falou: \u2018Queria te ver como te vi no sonho\u2019.<\/p>\n<p>Na sala da corrente, sentei numa cadeira na frente. Ele entrou, falou como um macho querendo impressionar sua presa. Falou um monte de coisas. Eu estava anestesiada. Queria sair, mas algo me segurava. Era t\u00e3o confuso que no fim eu pensava que estava louca por pensar mal dele. Ele segurou bem forte minha cabe\u00e7a, pensei: \u2018nossa, ele est\u00e1 me ajudando\u2019.<\/p>\n<p>Quando vinha uma entidade, pedia pra falar comigo. Dizia que me protegia, que cuidava de mim e que n\u00e3o era pra eu comentar com ningu\u00e9m o que ocorria ali. Me chamou nas cirurgias. Eu segurava a bandeja, ele enfiava coisas no nariz das pessoas, sempre com um ar de macho alfa, me mostrando seus feitos.<\/p>\n<p>Eu tinha comentado que sentia muita dor no joelho, pedi para ele fazer a cirurgia em mim. No meio do palco, ele falou que nunca iria me cortar, que eu estava curada. Um show. Pessoas de muletas, que ele jogava no ch\u00e3o, e a pessoa entrava na sala sem muleta. Sempre me mostrando, querendo me mostrar tudo. Isso foi no domingo.<\/p>\n<p>Somente na quarta-feira, j\u00e1 em casa, eu acordei. N\u00e3o d\u00e1 pra explicar como ele fez isso, como ele me segurou na energia e me deixou em torpor. S\u00f3 sei que fiquei alguns dias nesse estado. Quando acordei, foi porque uma voz gritou bem alto dentro de mim: \u2018Acorda!\u2019.<\/p>\n<p>Tinha uma foto dele no meu criado mudo. Na hora eu queimei. Tudo o que tinha dele eu dei ou joguei fora, inclusive a esmeralda.<\/p>\n<p>Logo em seguida ele foi internado para retirar um c\u00e2ncer. Como ele n\u00e3o se cura? Precisa de m\u00e9dicos? Eu s\u00f3 desejava que ele morresse. E que morresse com muita dor. Ele n\u00e3o morreu. Est\u00e1 a\u00ed pra ser feito justi\u00e7a, aqui na Terra. A justi\u00e7a tem que ser feita.\u201d<\/p>\n<p><strong>36 anos, S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEntre 2010 e 2011 meu sogro ficou muito doente e falaram pra minha sogra sobre o Jo\u00e3o de Deus. Fui duas vezes l\u00e1 e fiquei durante o fim de semana. Em uma delas a \u2018entidade\u2019 pediu para que eu participasse no dia seguinte como \u2018assistente\u2019 na cirurgia espiritual. Como n\u00e3o soube muito o que isso significava, n\u00e3o encontrei o lugar onde deveria ir e acabei perdendo a hora.<\/p>\n<p>Na outra vez, quando passei pela \u2018entidade\u2019, ele pediu que eu esperasse o Jo\u00e3o de Deus do lado de fora da sala dele, que ele queria falar comigo. Fui.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o era um pouco de medo, ao mesmo tempo me sentindo levemente especial, e uma ponta de esperan\u00e7a de ouvir algo bom em rela\u00e7\u00e3o ao meu sogro. Para minha surpresa, s\u00f3 havia mulheres na fila. Novas e de boa apar\u00eancia. Isso me deixou bastante intrigada e me fez reparar nisso todos os dias e todas as vezes que estive l\u00e1. Sempre igual.<\/p>\n<p>Que eu lembre, entrei duas vezes na sala dele: uma com meu sogro e uma sem ele. Nas duas vezes me senti bem incomodada, travada. Jo\u00e3o de Deus \u00e9 uma figura que n\u00e3o causa nenhuma simpatia.<\/p>\n<p>Quando entrei sozinha, ele disse que seria eu que curaria meu sogro e que, por isso, ele teria que fazer um trabalho comigo. Me levou para um corredor escuro dentro da sala dele, onde tinha um colch\u00e3o encostado na parede. Me colocou de costas pra ele e come\u00e7ou a tocar em mim de forma que fiquei bem desconfort\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ele encostou em meus seios e na minha barriga. Lembro que me senti extremamente incomodada com aquela situa\u00e7\u00e3o. Fiquei tensa e n\u00e3o consegui falar nada, mas peguei uma grande antipatia dele e deixei de acreditar naquilo.<\/p>\n<p>N\u00e3o comentei com meus sogros, pois ir ao Jo\u00e3o de Deus era algo que trazia muita esperan\u00e7a para eles e n\u00e3o queria cortar essa energia. Comentei apenas com a minha m\u00e3e quando cheguei em casa.<\/p>\n<p>Lembro que fiquei me questionando o tempo todo se aquilo havia tido m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es ou n\u00e3o. Fiquei com medo de ser perseguida caso levantasse esse assunto em algum lugar, pois ele de alguma forma faz bem a tantas pessoas, provavelmente ningu\u00e9m acreditaria em mim.<\/p>\n<p>Algumas vezes cheguei a pesquisar na internet se alguma mulher j\u00e1 havia relatado situa\u00e7\u00e3o parecida, mas nunca encontrei nada. Ao ver recentemente um post no Facebook, me senti \u00e0 vontade para me abrir.<\/p>\n<p>S\u00f3 espero que ele pague pelo que fez com tantas mulheres que passaram por l\u00e1. Ele, que se aproveitando de sua posi\u00e7\u00e3o, abusou fisicamente delas com o pretexto t\u00e3o sagrado da cura. Que ele pague na justi\u00e7a por tudo que cometeu.\u201d<\/p>\n<p><strong>40 anos, Paran\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>\u201cFui seis vezes a Abadi\u00e2nia. A primeira em 2015, a \u00faltima este ano. Fiquei muito animada porque estava conseguindo obter resultados positivos em v\u00e1rios aspectos relacionados a uma doen\u00e7a cr\u00f4nica, com a qual convivo h\u00e1 muitos anos. E este foi o principal motivo pelo qual fui \u00e0 Abadi\u00e2nia: visitar a Casa Dom In\u00e1cio de Loyola, atrav\u00e9s do m\u00e9dium Jo\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Depois dos atendimentos naquela manh\u00e3, eu entrei na fila para falar com o m\u00e9dium Jo\u00e3o em uma sala onde s\u00e3o realizados os atendimentos individuais. Ele pediu insistentemente para eu ser a \u00faltima do atendimento, na fila. Quando entrei, ele trancou a porta e me perguntou se preferia a luz acesa ou apagada. Falei que n\u00e3o sabia o que era melhor. Ele insistiu e eu, por fim, disse que preferia acesa.<\/p>\n<p>Naquele momento comecei a relatar v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es da minha vida, conforme ele ia perguntando e a conversa prosseguia.<\/p>\n<p>Ele me pediu para ficar de p\u00e9 e passar a m\u00e3o na minha barriga. Depois, pediu que eu virasse de costas. Na sequ\u00eancia, que eu passasse a m\u00e3o na barriga dele, que estava sentado numa poltrona e pedia constantemente que eu ficasse com os olhos fechados. E come\u00e7ou a falar como deveria passar a m\u00e3o. \u00c0s vezes eu abria os olhos e ele pedia para eu fech\u00e1-los. Pedia para respirar fundo e contar at\u00e9 nove.<\/p>\n<p>Enquanto isso, ia me perguntando quantas vezes eu tinha ido \u00e0 Casa, se eu estava sozinha, quando eu ia embora da cidade, se seria a \u00faltima vez que aquela situa\u00e7\u00e3o aconteceria. Eu n\u00e3o entendia a inten\u00e7\u00e3o dos questionamentos.<\/p>\n<p>Uma hora eu abri os olhos rapidamente, insegura, e percebi que a camisa dele estava meio aberta. Ele foi guiando a minha m\u00e3o e, de repente, senti algo encostar na parte de baixo da minha m\u00e3o: era o p\u00eanis dele. Eu tirei a m\u00e3o, me assustei. A \u00faltima coisa que voc\u00ea quer acreditar \u00e9 que um l\u00edder espiritual est\u00e1 te abusando.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ele disse: \u2018eu sei muito bem o que estou fazendo e que isso seria considerado ass\u00e9dio, eu n\u00e3o sou louco\u2019. Dizia que estava me livrando das energias negativas, me tirando da solid\u00e3o. Em um determinado momento, disse que n\u00e3o era mais a entidade ali, que era o homem.<\/p>\n<p>Colocou a m\u00e3o por dentro da minha blusa e tocou rapidamente debaixo dos meus seios. Quando eu abri os olhos, ele estava com o p\u00eanis parcialmente para fora. Fiquei extremamente assustada, tensa e enojada. Meu cora\u00e7\u00e3o batia acelerado. Depois de tudo, me disse: \u2018N\u00e3o conte para ningu\u00e9m o que aconteceu. N\u00e3o conte para ningu\u00e9m que eu te ajudei\u2019.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s, disse que ia me dar um presente. Me deu um livro e pediu a algumas pessoas, que estavam do lado de fora da sala, para que dessem depoimentos para mim de como a vida delas havia melhorado. Naquela manh\u00e3 me denominou \u2018Filha da Casa\u2019.<\/p>\n<p>Sa\u00ed em choque, atordoada. Como estava sozinha, n\u00e3o sabia para quem contar. Minha ficha foi caindo aos poucos. Fui conversar com um conhecido que era terapeuta, que tamb\u00e9m estava em Abadi\u00e2nia naquele per\u00edodo. Ele que me falou que eu tinha sofrido abuso sexual. Ele sabia de outros casos. Depois entrei em contato com outras mulheres e descobri que havia in\u00fameras hist\u00f3rias. Nunca mais voltei e levei tempo para me recuperar da dor e da decep\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p><strong>38 anos, S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cFiz uma s\u00e9rie de viagens a Abadi\u00e2nia. Na primeira delas fiz a cirurgia espiritual e voltei para casa. Eu tinha um problema de sa\u00fade e, vinte dias depois de ter ido \u00e0 Abadi\u00e2nia pela primeira vez, refiz meus exames e alguns dos meus \u00edndices estavam dando como se fossem perfeitos. Nenhum m\u00e9dico sabia explicar, ent\u00e3o comecei a correlacionar.<\/p>\n<p>A partir da terceira vez, nem pensava mais no meu problema, mas sim como uma cura espiritual, um lugar que me fazia bem. As pessoas comentavam que dava para ver que eu estava muito envolvida, porque eu levava pessoas, eu me sentia muito bem.<\/p>\n<p>Todas as vezes em que eu ia, a entidade (o m\u00e9dium supostamente incorporado) falava comigo. Mas, um dia, a entidade pediu que eu falasse com o m\u00e9dium. Eu n\u00e3o fui sozinha, o que o deixou muito irritado. Ele me pediu que voltasse em alguns dias para pedir por outra pessoa. Ent\u00e3o fui, levei fotos e coisas da pessoa pela qual eu queria pedir. Novamente, a entidade me disse \u2018v\u00e1 falar com o m\u00e9dium\u2019. Fiquei sem entender.<\/p>\n<p>Tem uma sala ao lado da sala de cirurgia, uma porta azul. Eu estava do lado de fora dessa porta, em uma fila de pessoas que se forma ali, esperando o atendimento do m\u00e9dium. Mas a sess\u00e3o da tarde j\u00e1 estava pr\u00f3xima e com certeza n\u00e3o daria para todos serem atendidos. Ele abriu a porta, apontou para mim e disse \u2018venha\u2019. Logo que entrei, um volunt\u00e1rio fez um gesto dizendo que os atendimentos tinham sido encerrados, as pessoas se afastaram. Eu fui a \u00faltima.<\/p>\n<p>Logo que entrei, quis abordar o assunto da outra pessoa pela qual eu queria pedir. Mas, na hora em que pisei dentro da sala, ele perguntou se eu estava sozinha. Quando respondi que sim, ele apagou a luz e trancou a porta com a chave. Logo de cara falou: \u2018Minha filha, para a sua vida andar eu preciso destravar algumas coisas\u2019. Eu argumentei que n\u00e3o tinha ido ali para falar de mim, mas ele me ignorou. Tirou da minha m\u00e3o tudo que eu tinha trazido, como se n\u00e3o tivesse a menor import\u00e2ncia. Me chamou em um canto da sala, que \u00e9 bem pequena e tem duas poltronas. Esse canto tem como um banheiro, onde tem uma pia e um box de vidro.<\/p>\n<p>Ali ele ficou de costas para a pia e pediu para eu ficar de costas para ele. Ele repetia \u2018vem aqui\u2019, \u2018vem mais perto\u2019. E eu pensando que se chegasse mais perto iria encostar nele. Ent\u00e3o, ainda assim, tentei ficar o mais longe que conseguisse. Aquilo me gerou um inc\u00f4modo muito grande, eu comecei a chorar.<\/p>\n<p>Ele disse \u2018eu preciso te passar energia\u2019 e colocou a m\u00e3o levemente entre meus dois seios, por cima da roupa. Depois colocou a m\u00e3o em cima da coxa, por cima da roupa. Ele repetia que precisava me passar energia \u2018ou sua vida n\u00e3o vai destravar\u2019. Eu fiquei nervosa, chorava, solu\u00e7ando, aos prantos, de desespero. Ele dizia que era para eu parar, \u2018assim eu n\u00e3o dou conta\u2019, repetia. Dizia que precisava fazer aquilo.<\/p>\n<p>Naquele momento eu queria sair dali, mas tive muito medo. Medo que ele me fizesse mal, afinal de contas \u00e9 uma pessoa muito poderosa, tanto no campo espiritual quanto f\u00edsico.<\/p>\n<p>Ainda comigo de costas para ele, ele pegou minha m\u00e3o, puxou para tr\u00e1s e colocou na barriga dele, logo abaixo do umbigo. Pedia que eu girasse nove vezes a m\u00e3o. E mandava que eu fizesse tr\u00eas perguntas. Eu achava tudo estranho e pensava \u2018isso n\u00e3o faz sentido\u2019.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o ele come\u00e7ou a dizer que eu era m\u00e9dium, que eu j\u00e1 tinha trabalhado com ele em outras vidas, dizendo que com minha f\u00e9 e mediunidade eu ia fazer mil coisas e que ainda trabalhar\u00edamos muito juntos.<\/p>\n<p>Nisso, mandou eu virar de frente. Eu solu\u00e7ava de tanto chorar. At\u00e9 que, para piorar a situa\u00e7\u00e3o, ele disse: \u2018olha, calma, eu n\u00e3o estou com tes\u00e3o, mas preciso fazer isso para te curar\u2019. E eu pensei: \u2018Meu Deus, esse homem, para estar falando isso, \u00e9 porque est\u00e1 pensando em algo, mesmo\u2019. Ele estava com uma camisa azul, de manga curta e bot\u00e3o. Quando virei de frente, a camisa estava aberta. Aquilo me deu um p\u00e2nico. Pensei: \u2018Estou trancada aqui com um cara de setenta e tantos anos de idade\u2026 o que \u00e9 isso?!\u2019.<\/p>\n<p>A\u00ed ele pegou de novo meu dedo e colocou embaixo do umbigo dele, e falava para eu virar a m\u00e3o nove vezes. Tudo era nove vezes.<\/p>\n<p>Ele tinha como um buraco abaixo do umbigo, que a pele afundava. Eu s\u00f3 rezava para Deus me tirar dali.<\/p>\n<p>A gente passou, nessa pia, uns quarenta minutos. Depois disso, ele viu que eu estava bem irritada. A\u00ed perguntou se eu queria parar. Fiz um gesto de positivo e ele se afastou de mim. Pensei comigo: \u2018Gra\u00e7as a Deus, acabou essa tortura\u2019. Ele come\u00e7ou a fechar a camisa.<\/p>\n<p>Quando finalmente achei que tinha terminado, fui na dire\u00e7\u00e3o da porta, mas ele se meteu no meu caminho. Quando olho, ele est\u00e1 com a cal\u00e7a aberta. Olhei aquilo e fiquei absolutamente transtornada. N\u00e3o acreditava que aquilo estava acontecendo. Foi quando, de fato, caiu a ficha.<\/p>\n<p>Ele olhou para mim, pegou minha m\u00e3o e simplesmente colocou no p\u00eanis dele. Puxei de volta, tirando. Ele pegava e colocava no p\u00eanis dele de novo. Eu n\u00e3o sei quantas vezes isso aconteceu. Novamente, ele falava \u2018Nove vezes\u2019. Eu estava em p\u00e2nico e n\u00e3o raciocinava. N\u00e3o conseguia reagir e sair dali. Uma hora, quando mais uma vez ele colocou minha m\u00e3o no p\u00eanis dele, ela ficou melada. Eu n\u00e3o fiquei fazendo movimento, s\u00f3 puxava minha m\u00e3o de volta e ele colocava l\u00e1, for\u00e7adamente.<\/p>\n<p>Todo esse tempo eu estava em prantos. E ele visivelmente estava irritado com isso.<\/p>\n<p>A\u00ed ele me pegou pelo punho, me levou at\u00e9 a pia e lavou a minha m\u00e3o.<\/p>\n<p>Saindo dali, ele me levou para a sala de cirurgias (s\u00f3 havia uma porta de vidro com uma cortina entre onde est\u00e1vamos e a sala), onde muitas pessoas o esperavam.<\/p>\n<p>L\u00e1, ele levantou minha m\u00e3o, na frente de todos. Eu completamente suada e com uma cara de desespero. E ele disse \u2018voc\u00eas est\u00e3o todos operados\u2019. Eu, que j\u00e1 tinha estado naquele lugar outras vezes, me senti extremamente violentada.<\/p>\n<p>Fique imaginando o quanto aquelas pessoas, que estavam ali pelos mesmos motivos que eu, tampouco podiam imaginar o que acontecia nos intervalos do atendimento. Pior, teve um volunt\u00e1rio que claramente percebeu o que estava acontecendo e nada fez.<\/p>\n<p>Depois fui entender que aquilo \u00e9 muito mais comum do que se imagina, e que muitos volunt\u00e1rios da Casa sabem o que acontece por ali. Mas as pessoas se calam. Eu queria pedir ajuda, mas n\u00e3o tinha a quem pedir.<\/p>\n<p>Nunca mais voltei l\u00e1. Permaneci em sil\u00eancio at\u00e9 agora porque, do mesmo jeito que eu tive a cura, fiquei achando que com o poder que ele tem tamb\u00e9m poderia me fazer o mal.<\/p>\n<p>Segundo, eu n\u00e3o conseguia raciocinar o que tinha acontecido, permaneci em choque. \u00c9 muito dif\u00edcil acreditar que, no lugar onde voc\u00ea busca sua espiritualidade, voc\u00ea pode ser abusada. \u00c9 uma experi\u00eancia horr\u00edvel, inenarr\u00e1vel, que vou ter que lidar para o resto da vida.\u201d<\/p>\n<p><strong>O que diz a assessoria de Jo\u00e3o de Deus<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o trazida, al\u00e9m de ser fantasiosa, \u00e9 lament\u00e1vel, uma vez que o M\u00e9dium Jo\u00e3o \u00e9 uma pessoa de \u00edndole ilibada. Tal situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave. Se estiv\u00e9ssemos falando no \u00e2mbito Jur\u00eddico, para que uma situa\u00e7\u00e3o se caracterizasse como criminosa, a parte lesada teria que demonstrar a materialidade do ocorrido. Neste caso em especial a v\u00edtima est\u00e1 do lado oposto, uma vez que fatos alegados e n\u00e3o provados s\u00e3o fatos inexistentes. H\u00e1 um n\u00edtido cerceamento de defesa, onde a busca da verdade real n\u00e3o est\u00e1 sendo averiguado pelo veiculador desta situa\u00e7\u00e3o. Situa\u00e7\u00e3o esta que \u00e9 temerosa, uma vez que a forma escolhida pelas supostas v\u00edtimas n\u00e3o foram verificadas e investigadas, tendo em vista que n\u00e3o se sabe a raz\u00e3o ou qual objetivo que visa atingir. A imprensa precisa antes de acusar, ter provas. Exemplo: Ela verificou qual \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o destas pretensas v\u00edtimas? Qual a raz\u00e3o deste tipo de atitude? Porque as supostas veiculadoras de uma situa\u00e7\u00e3o falsa e fantasiosa n\u00e3o procuram as autoridades competentes neste tipo de situa\u00e7\u00e3o. Embora falsas, porque procuraram a m\u00eddia, neste caso a imprensa. No caso o Jornalismo tem que ter cautela, pois cabe a ela zelar pelo que \u00e9 veiculado, uma vez que o alicerce do jornalismo est\u00e1 na credibilidade do que traz a p\u00fablico. Se houver, por parte do jornalismo, uma irresponsabilidade, ela estar\u00e1 denegrindo a imagem de quem realmente \u00e9 a vitima em not\u00edcias trazidas por palavras de pessoas vazias e sem credibilidade, apenas para satisfazer o pr\u00f3prio ego sem saber a extens\u00e3o do que uma inverdade pode causar. A sala em quest\u00e3o \u00e9 p\u00fablica e qualquer um tem acesso a ela e jamais fica trancada, \u00e9 livre para o entra e sai das pessoas, \u00e9 aberta a todos. A imprensa investigativa, em conformidade com os fatos narrados, deveria averiguar primeiro a sua fonte e credibilidade da mesma. Uma vez que est\u00e1 sendo atingido a honra e imagem de uma pessoa p\u00fablica conhecida mundialmente, e muito respeitada, pergunto o que as motivam? Estas pessoas n\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o prejudicando ao m\u00e9dium Jo\u00e3o, mas milhares de pessoas que precisam de cuidados na casa de Dom In\u00e1cio, al\u00e9m de elas mesmas serem prejudicadas, em raz\u00e3o do que foi dito, da \u00edndole cristalina do M\u00e9dium Jo\u00e3o. Pergunto novamente, porque n\u00e3o procuraram a delegacia ou o Minist\u00e9rio P\u00fablico, e se n\u00e3o o fizeram, qual a raz\u00e3o desta omiss\u00e3o?\u201d<\/p>\n<p>o globo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doze mulheres denunciaram terem sido sexualmente abusadas por Jo\u00e3o Teixeira de Faria, m\u00e9dium conhecido como Jo\u00e3o de Deus. Famoso pela realiza\u00e7\u00e3o de \u201ccirurgias espirituais\u201d, ele j\u00e1 atendeu desde a apresentadora americana Oprah Winfrey at\u00e9 o ex-presidente Lula, passando pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Lu\u00eds Roberto Barroso. 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