{"id":103248,"date":"2018-12-12T07:26:37","date_gmt":"2018-12-12T10:26:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=103248"},"modified":"2018-12-12T08:57:42","modified_gmt":"2018-12-12T11:57:42","slug":"de-infancia-carente-a-solidao-sem-familia-conheca-a-viuva-que-mora-em-hotel-incendiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=103248","title":{"rendered":"De inf\u00e2ncia carente a solid\u00e3o sem fam\u00edlia: conhe\u00e7a a vi\u00fava que mora em hotel incendiado"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content clearfix single-post-content\">\n<p>Dona Maria, de 74 anos, comoveu a internet, na tarde desta segunda-feira (10), ap\u00f3s o hotel que ela vive pegar fogo, na regi\u00e3o central de Campo Grande. Sem fam\u00edlia e vi\u00fava, a reportagem encontrou, nesta tarde, a moradora do quarto 14 sentada em frente ao Hotel Nacional, ainda incr\u00e9dula sobre as chamas que atingiram o 2\u00ba andar do local que escolheu para passar os \u00faltimos anos de vida.<\/p>\n<p>Natural de Mirassol (SP), Maria Aparecida Henrique de Oliveira foi morar em S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto ainda pequena com os pais. A fam\u00edlia carente vivia em uma casa com ch\u00e3o de terra e acabava \u201cse virando como podia\u201d. Durante os passeios para comprar pipoca, Maria conheceu Terculiano de Oliveira, pedreiro, e separado. O casal logo se apaixonou e decidiu adotar terras sul-mato-grossenses como moradia. Em 1985, Maria e Terto embarcaram rumo \u00e0 Para\u00edso das \u00c1guas, munic\u00edpio 277 quil\u00f4metros de Campo Grande.<\/p>\n<div class=\"teads-inread sm-screen\">\n<div>\n<div class=\"teads-ui-components-credits\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os dois chegaram a criar um sobrinho de Maria, dos 6 aos 15 anos, mas o garoto decidiu trabalhar em carvoaria para cuidar do pai biol\u00f3gico que, na \u00e9poca, precisou amputar as pernas por causa do diabetes.<\/p>\n<p>A vida era assim, Maria cuidava de casa e Terto trabalhava dia e noite para sustentar a pequena fam\u00edlia. A situa\u00e7\u00e3o de dificuldade voltou \u00e0 tona quando, em 2004, Terto morreu v\u00edtima de c\u00e2ncer e deixou Maria Aparecida sem renda fixa. Aos 60 anos, a vi\u00fava n\u00e3o podia pedir aposentadoria pois n\u00e3o tinha tempo de contribui\u00e7\u00e3o suficiente para dar entrada no benef\u00edcio.<\/p>\n<div class=\"bs-irp right bs-irp-thumbnail-1\">\n<div class=\"bs-pagination-wrapper main-term-none none \">\n<div class=\"listing listing-thumbnail listing-tb-1 clearfix columns-1\">\n<div class=\"post-917059 type-post format-standard has-post-thumbnail listing-item listing-item-thumbnail listing-item-tb-1 main-term-4\">\n<div class=\"item-inner clearfix\">\n<p class=\"title\">\n<div class=\"post-meta\"><span class=\"time\"><time class=\"post-published updated\" datetime=\"2018-12-10T16:10:34+00:00\">16h10 &#8211; 10\/12\/2018<\/time><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Sozinha no mundo, o jeito foi trabalhar como p\u00f4de. Cada c\u00f4modo da pequena casa no interior do Estado lembrava o companheiro que havia partido e, por este motivo, dona Maria decidiu vender o im\u00f3vel \u201ca pre\u00e7o de banana\u201d e se mudar para Amandina, ao lado da cidade de Ivinhema.<\/p>\n<p>\u201cTudo me lembrava meu marido e eu precisava erguer minha vida. As vezes eu carpia um lote por R$ 30 para ter o que comer porque n\u00e3o tinha pens\u00e3o e nem renda mensal. Foi muito dif\u00edcil, mas nunca me prostitui e nem fugi do trabalho digno.\u201d<\/p>\n<p>O tempo foi passando e a falta do companheiro refletiu na sa\u00fade da idosa. Um certo dia, sentindo muito cansa\u00e7o, Maria Aparecida decidiu procurar ajuda antes que seu estado f\u00edsico chegasse ao limite. Uma cardiologista de Dourados havia alertado a senhora que seu cora\u00e7\u00e3o estava batendo lentamente e as coisas poderiam piorar.<\/p>\n<p>A dificuldade de locomo\u00e7\u00e3o acompanhada da solid\u00e3o fez a vi\u00fava tomar uma atitude que mudaria pra sempre sua vida. Juntou as lembran\u00e7as de toda uma vida mais algumas pe\u00e7as de roupas, colocou na mala e rumou-se \u00e0 Capital.<\/p>\n<p>Quando chegou em Campo Grande a realidade foi bem mais cruel que os dias de sufoco passados na pequena Distrito de Amandina. Dona Maria se hospedou no Hotel Nacional e determinou que al\u00ed seria sua casa at\u00e9 os \u00faltimos dias de vida.<\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7NuHuMUhZiQ?wmode=transparent&amp;rel=0&amp;feature=oembed\" name=\"fitvid0\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>A rotina da idosa ficou dividida em ver televis\u00e3o, passatempo preferido j\u00e1 que nunca teve condi\u00e7\u00f5es financeiras de comprar uma, passear vendo as vitrines do Centro e idas aos Postos de Sa\u00fade. As mem\u00f3rias de uma vida carregada de obst\u00e1culos est\u00e3o marcadas no rosto da senhora de sorriso f\u00e1cil. Apesar de lidar com maestria dos problemas da vida, dona Maria acaba ficando emocionada ao lembrar da luta que tra\u00e7ou at\u00e9 chegar ao pequeno quarto de hotel. Para fugir da realidade sombria da solid\u00e3o, a idosa passa as tardes olhando vitrines e imaginando como a vida era diferente quando dividida com seu grande amor.<\/p>\n<p>\u201cQualquer coisa que se fa\u00e7a para ganhar a vida \u00e9 digno, desde que n\u00e3o seja roubar. Eu n\u00e3o tenho dinheiro, mas gosto de ver as vitrines bonitas, os brinquedos, as roupas. A gente compra uma roupinha ou outra no brech\u00f3, mas eu nunca perdi a esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Os problemas no cora\u00e7\u00e3o foram tratados ao longo dos quase 4 anos. A vi\u00fava mostra pelo corpo as cicatrizes dos cateterismo e angioplastia que realizou em Campo Grande.\u00a0 \u201cUm dia eu sa\u00ed daqui do Hotel com o Samu e cheguei na Santa Casa com a press\u00e3o 22 por 18, foi um susto\u201d, lembra.<\/p>\n<p><strong>Casa-hotel<\/strong><\/p>\n<p>\u201cUltrapassada, desolada, sem palavras\u201d, foi assim que a dona-de-casa descreveu a sensa\u00e7\u00e3o que teve ao ver o Hotel Nacional em chamas na tarde desta segunda-feira. O recepcionista do local, Jo\u00e3o, foi quem bateu no quarto e pediu que a cliente deixasse o quarto imediatamente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-917401\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/elasticbeanstalk-us-west-2-809048387867\/uploads\/2018\/12\/6a5bcd58-a132-40da-9358-e8652f80acad.jpeg\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" srcset=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/elasticbeanstalk-us-west-2-809048387867\/uploads\/2018\/12\/6a5bcd58-a132-40da-9358-e8652f80acad.jpeg 1280w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/elasticbeanstalk-us-west-2-809048387867\/uploads\/2018\/12\/6a5bcd58-a132-40da-9358-e8652f80acad-320x213.jpeg 320w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/elasticbeanstalk-us-west-2-809048387867\/uploads\/2018\/12\/6a5bcd58-a132-40da-9358-e8652f80acad-768x512.jpeg 768w, https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/elasticbeanstalk-us-west-2-809048387867\/uploads\/2018\/12\/6a5bcd58-a132-40da-9358-e8652f80acad-450x300.jpeg 450w\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"853\" \/><\/p>\n<p>\u201cSubi com minhas sacolas de coisinhas, com o que deu pra tirar. Me senti sem ch\u00e3o porque \u00e9 aqui onde vivo, \u00e9 a minha casa.\u201d<\/p>\n<p>Ainda incerta sobre o futuro, dona Maria conta, com l\u00e1grimas nos olhos, que talvez n\u00e3o tenha onde passar a data mais importante do ano para os cat\u00f3licos: o Natal. Sozinha e com o hotel interditado, o jeito vai ser contar com a solidariedade do pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>\u201cSe eu tiver o que comer, eu como. Se n\u00e3o, n\u00e3o sei como vai ser. Para esquecer a trag\u00e9dia hoje eu passei a manh\u00e3 namorando as vitrines, s\u00e3o sonhos que n\u00e3o posso realizar, mas posso sonhar,\u201d pontuou.<\/p>\n<p>Questionada sobre a magia do Natal e o que gostaria de ganhar do bom velhinho, a vi\u00fava n\u00e3o conteve as l\u00e1grimas ao lembrar que nunca ganhou uma boneca. A realidade enxuta da fam\u00edlia fez com que a inf\u00e2ncia fosse marcada por dificuldades financeiras e os brinquedos fabricados com sabugo de milho.<\/p>\n<p>\u201cDescendo a rua Dom Aquino antes de chegar na Cal\u00f3geras tem uma loja de brinquedos. Tem uma boneca grande, loira, \u00e9 o meu sonho. O pessoal da farm\u00e1cia perto brincou comigo perguntando se eu com essa idade queria uma boneca, mas \u00e9 porque nunca tive uma e essa \u00e9 assim, bem grandona.\u201d<\/p>\n<p><strong>Iletrada<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-917399 size-publisher-md\" src=\"https:\/\/cdn.midiamax.com.br\/elasticbeanstalk-us-west-2-809048387867\/uploads\/2018\/12\/585dc818-8d5d-40af-9a75-c5450431691a-357x210.jpeg\" alt=\"\" width=\"357\" height=\"210\" \/><\/p>\n<p>Muitas pessoas ficaram comovidas e ofereceram ajuda pelas redes sociais do <strong>Jornal Midiamax<\/strong>. Como n\u00e3o teve acesso aos estudos, a reportagem leu os coment\u00e1rios dos internautas para dona Maria. A felicidade foi tanta que a idosa acabou brincando com os funcion\u00e1rios do hotel que agora \u201cestava ficando famosa\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo t\u00edmida, ela se arriscou em gravar um v\u00eddeo agradecendo aos leitos que tiveram compaix\u00e3o e ficaram, de alguma forma, sensibilizados com sua hist\u00f3ria. O \u00fanico telefone de contato \u00e9 do amigo Jo\u00e3o, recepcionista do hotel, pelo celular 9 9664-0757<\/p>\n<p><a class=\"author url fn\" title=\"Posts by Bruna Vasconcelos\" href=\"https:\/\/www.midiamax.com.br\/author\/bruna-vasconcelos\/\" rel=\"author\">Bruna Vasconcelos<\/a> midiamax<\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dona Maria, de 74 anos, comoveu a internet, na tarde desta segunda-feira (10), ap\u00f3s o hotel que ela vive pegar fogo, na regi\u00e3o central de Campo Grande. 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