{"id":104994,"date":"2019-01-09T07:10:26","date_gmt":"2019-01-09T10:10:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=104994"},"modified":"2019-01-09T07:10:26","modified_gmt":"2019-01-09T10:10:26","slug":"coluna-do-percival-a-reserva-dos-derrotados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=104994","title":{"rendered":"Coluna do Percival: a reserva dos derrotados"},"content":{"rendered":"<p>Claro que h\u00e1 muita burrice e rabugice no que tantos profissionais da comunica\u00e7\u00e3o v\u00eam escrevendo e dizendo. Assim como o uso do cachimbo entorta a boca, o h\u00e1bito de falar sozinho sem ser contestado desenvolve deforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Efaz carreira nos totalitarismos.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer que em todas as elei\u00e7\u00f5es presidenciais havidas entre 1994 e 2014, completando 20 anos e seis pleitos consecutivos, a na\u00e7\u00e3o foi constrangida a escolher entre dois partidos de esquerda \u2013 PSDB e PT. Contados os per\u00edodos dos respectivos mandatos, t\u00eam-se quase um quarto de s\u00e9culodurante o qual a sociedade foi submetida a uma dieta pol\u00edtica servida por legendas que apreciavam o mesmo card\u00e1pio. N\u00e3o se discutiam outros pratos, outras receitas e, na maioria dos casos, o tempero era o mesmo: conversa fiada populista.<\/p>\n<p>Liberais e conservadores, ou a direita (como queiram), ficaram sem pai nem m\u00e3e todo esse tempo. Situa\u00e7\u00e3o inusitada. Algo an\u00e1logo s\u00f3 se encontrar\u00e1 em pa\u00edses comunistas, creio. \u00a0Pessoas e partidos que poderiam falar pela direita de modo org\u00e2nico no Congresso Nacional estavam, geralmente, capturados,ora por um, ora por outro dosdois projetos de poder em curso. A ret\u00f3rica pol\u00edtica tornou-semon\u00f3tona. Governo e oposi\u00e7\u00e3o, ambos \u201cde esquerda\u201d, usavam o mesmo vocabul\u00e1rio, o mesmo gloss\u00e1rio, se alinhavam com o infame \u201cpoliticamente correto\u201d, com o globalismo, com intervencionismo estatal, com o populismo de esquerda e suas articula\u00e7\u00f5es, com a Escola de Frankfurt, com George Soros e a Open Society. Consequentemente, tinham e t\u00eam o mesmo compromisso com a degrada\u00e7\u00e3o das estruturas que sustentam a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental e com uma ordem econ\u00f4mica n\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>O rolar do tempo e a falta de concorr\u00eancia no mercado das ideiasforam criando uma esp\u00e9cie de pseudoconsenso em que qualquer express\u00e3o de base conservadora ou liberal era automaticamente repelida e expelida. Por n\u00e3o encontrar eco, sumia. Foi assim que o Brasil, empurrado pela pol\u00edtica conforme era jogada, mas tamb\u00e9m pelas entidades representativas da tal \u201csociedade civil organizada\u201d \u2013 OAB, CNBB, ABI, sindicatos e suas centrais, conselhos \u2013 aprendeu a falar a mesma linguagem e fez sumir as mesmas palavras. Quais?Pois \u00e9, ser\u00e1 bom lembr\u00e1-las. Entre outras: ordem, tradi\u00e7\u00e3o, honra, fam\u00edlia, virtudes, princ\u00edpios, f\u00e9, autoridade, capitalismo, propriedade. E mais: liberdade\/responsabilidade e direitos\/deveres, como bin\u00f4miosn\u00e3o fracion\u00e1veis.<\/p>\n<p>O papel destruidor do que descrevo n\u00e3o poupou sequer a na\u00e7\u00e3o e sua hist\u00f3ria. Veio para cima das mesas, nas salas de aula, como refinado produto do saber, o lixo dos acontecimentos. Qualquer modo de contar a hist\u00f3ria do Brasil servia, desde que lhe suprimisse toda nobreza, todo sentimento de amor \u00e0 p\u00e1tria e valoriza\u00e7\u00e3o dos seus elementos unitivos, suas espl\u00eandidas ra\u00edzes, seus fundadores, suas grandes figuras humanas. Cobran\u00e7as com vencimento \u00e0 vista de supostas d\u00edvidas ancestrais s\u00e3o \u00fateis a essa m\u00e1quina de moer cidadania. Nenhuma na\u00e7\u00e3o de \u201ccredores\u201d deu certo, mas a ideia nunca foi fazer dar certo. A ideia sempre foi trabalhar com os sentimentos menos nobres porque \u00e9 com eles que se elegem os piores. Se me fa\u00e7o entender. E assim, nossas crian\u00e7as \u2013 pasmem! \u2013,h\u00e1 anos, ouvem a hist\u00f3ria do Brasil como quem testemunha uma dela\u00e7\u00e3o premiadana qual o v\u00edcio \u00e9 narrado at\u00e9 onde n\u00e3o existe. Ena qual toda virtude, merecimento, bem, gratid\u00e3o e rever\u00eancia s\u00e3o castigadas com sil\u00eancio. Escaneiam a consci\u00eancia dos mortos e esquecem a pr\u00f3pria!<\/p>\n<p>O pr\u00eamio por falar mal do Brasil, pela dela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, vai para jornalistas,professorese intelectuais militantes. Cabe a eles, nestes dias, como bra\u00e7os do mesmo corpo, a tarefa de substituir, temporariamente, os pol\u00edticosvencidos pelo descr\u00e9dito. Para quase todos os efeitos vis\u00edveis, s\u00e3o os protagonistas da oposi\u00e7\u00e3o nesta alvorada de 2019.E eles est\u00e3o, j\u00e1 se v\u00ea, cumprindo seu papel, ostentando as vestes alvas de uma superioridade moral que ningu\u00e9m confirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, \u00e9 arquiteto, empres\u00e1rio e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no pa\u00eds. Autor de Cr\u00f4nicas contra o totalitarismo; Cuba, a trag\u00e9dia da utopia; Pombas e Gavi\u00f5es; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claro que h\u00e1 muita burrice e rabugice no que tantos profissionais da comunica\u00e7\u00e3o v\u00eam escrevendo e dizendo. Assim como o uso do cachimbo entorta a boca, o h\u00e1bito de falar sozinho sem ser contestado desenvolve deforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Efaz carreira nos totalitarismos. N\u00e3o podemos esquecer que em todas as elei\u00e7\u00f5es presidenciais havidas entre 1994 e 2014, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":92367,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-104994","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/104994","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=104994"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/104994\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/92367"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=104994"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=104994"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=104994"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}