{"id":110469,"date":"2019-03-21T09:56:22","date_gmt":"2019-03-21T13:56:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=110469"},"modified":"2019-03-21T09:56:22","modified_gmt":"2019-03-21T13:56:22","slug":"teresa-cristina-cai-nas-gracas-de-donald-trump-durante-negociacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=110469","title":{"rendered":"Teresa Cristina cai nas gra\u00e7as de Donald Trump durante negocia\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, de Mato Grosso do Sul, caiu nas gra\u00e7as do presidente norte-americano Donald Trump, na \u00faltima ter\u00e7a-feira, ao propor mais reciprocidade entre Brasil e Estados Unidos nas rela\u00e7\u00f5es de mercado. Enquanto acompanhava o presidente Jair Bolsonaro durante visita a Washington, ela teve sua postura de negocia\u00e7\u00e3o elogiada por Trump que disse: \u201cI like you\u201d (gosto de voc\u00ea\u201d).<\/p>\n<p>O reconhecimento veio\u00a0 ap\u00f3s ela argumentar que, se os americanos quisessem vender etanol para o Brasil, teriam de, em troca, abrir mercado deles para o a\u00e7\u00facar brasileiro. &#8220;Faz sentido, gosto de voc\u00ea&#8221;, teria respondido Trump. Ao se despedir do presidente americano, ap\u00f3s a reuni\u00e3o, Trump voltou a repetir para a ministra. &#8220;Gostei de voc\u00ea!&#8221;, segundo noticiado pela Ag\u00eancia estado.<\/p>\n<p><strong>O ENCONTRO<\/strong><\/p>\n<p>Negociadores brasileiros afirmaram aos americanos que aceitariam abrir m\u00e3o de vantagens dadas a emergentes na Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC) em troca do apoio dos EUA \u00e0 entrada do Pa\u00eds na Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). Mas o Brasil imp\u00f4s condi\u00e7\u00f5es, algo n\u00e3o noticiado na ter\u00e7a-feira, \u00faltimo dia da visita de Jair Bolsonaro a Washington. A informa\u00e7\u00e3o foi relatada ao jornal O Estado de S. Paulo por um alto funcion\u00e1rio do governo brasileiro que acompanhou o encontro com o presidente americano, Donald Trump.<\/p>\n<p>Para os americanos, o Brasil n\u00e3o poderia ser membro da OCDE, informalmente chamada de &#8220;clube dos ricos&#8221;, e manter as vantagens comerciais de um pa\u00eds em desenvolvimento dentro da OMC Seria repetir o que fez a China, tudo o que os EUA n\u00e3o querem mais ver. O Brasil, de acordo com este funcion\u00e1rio, estaria disposto a deixar a OMC, mas com uma condi\u00e7\u00e3o importante: outros pa\u00edses, como China e Coreia do Sul, teriam de fazer o mesmo.<\/p>\n<p>O alto funcion\u00e1rio do governo brasileiro relatou momentos de tens\u00e3o, especialmente quando os negociadores americanos abordaram de maneira agressiva as exporta\u00e7\u00f5es do Brasil. Imediatamente, os brasileiros tamb\u00e9m subiram o tom, para evitar que o di\u00e1logo fosse conduzido pelos EUA.<\/p>\n<p>Segundo presentes, o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a relatar a Trump que um de seus secret\u00e1rio o tratou nas negocia\u00e7\u00f5es como se fosse chin\u00eas. Trump repreendeu o auxiliar com um olhar fulminante.<\/p>\n<p>Parte do governo brasileiro argumenta que abrir m\u00e3o do tratamento diferenciado na OMC n\u00e3o afeta de forma significativa o Pa\u00eds e destaca que o acordo com os americanos foi para &#8220;come\u00e7ar a abrir m\u00e3o&#8221; do benef\u00edcio, o que n\u00e3o implicar\u00e1 uma mudan\u00e7a brusca ou desproporcional, e s\u00f3 se aplica a acordos futuros. Qualquer mudan\u00e7a levaria de dois a tr\u00eas anos para a entrada na OCDE se concretizar. A boa vontade e a \u00f3tima rela\u00e7\u00e3o entre Bolsonaro e Trump talvez possam encurtar este prazo pela metade, na avalia\u00e7\u00e3o da comitiva brasileira. O primeiro sinal concreto de resultado desta negocia\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a presen\u00e7a de um representante do Departamento de Com\u00e9rcio em 30 dias no Brasil.<\/p>\n<p><strong>AVALIA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>Entre integrantes do governo, circulou ontem um artigo publicado em 2000 pelo Banco Mundial sustentando que os benef\u00edcios do tratamento especial diferenciado na OMC devem ser aplicados apenas aos pa\u00edses em desenvolvimento com baixa renda, o que n\u00e3o \u00e9 o caso do Brasil. O trabalho, escrito por Constantine Michalopoulos, argumenta que \u00e9 preciso estabelecer um sistema gradativo para que os pa\u00edses em desenvolvimento com capacidade industrial e renda m\u00e9dia deixem de utilizar o sistema.<\/p>\n<p>Ex-integrante do governo Obama e consultor da Macro Advisory Partners, Nicholas Zimmerman avaliou a quest\u00e3o da OCDE para o Brasil, mesmo com a concess\u00e3o sobre o tratamento diferenciado na OMC, como uma negocia\u00e7\u00e3o &#8220;ganha-ganha&#8221;. &#8220;Isso vai ajudar o Brasil a atrair investimento e, no meio tempo, h\u00e1 essa pol\u00edtica mais ampla americana sobre a quest\u00e3o da categoriza\u00e7\u00e3o na OMC&#8221;, afirmou, durante debate no Brazil Institute, do centro de estudos Wilson Center, de Washington.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Peter Hakim, presidente do Di\u00e1logo Interamericano, &#8220;seria melhor para o Brasil n\u00e3o ter de abandonar seu papel na OMC&#8221;. &#8220;Os EUA est\u00e3o dizendo que \u2018se voc\u00eas querem A, ter\u00e3o de abrir m\u00e3o de B\u2019. N\u00e3o est\u00e3o agindo como algu\u00e9m que quer uma parceria pr\u00f3xima com o Brasil.&#8221; (Colaborou Luiz Raatz)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Correio do Estado Renan Nucci. Com informa\u00e7\u00f5es Beatriz Bulla Ag\u00eancia Estado. Foto Arquivo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, de Mato Grosso do Sul, caiu nas gra\u00e7as do presidente norte-americano Donald Trump, na \u00faltima ter\u00e7a-feira, ao propor mais reciprocidade entre Brasil e Estados Unidos nas rela\u00e7\u00f5es de mercado. 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