{"id":116852,"date":"2019-06-06T08:51:19","date_gmt":"2019-06-06T12:51:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=116852"},"modified":"2019-06-06T08:51:19","modified_gmt":"2019-06-06T12:51:19","slug":"mp-denuncia-policiais-por-enfiar-objeto-no-anus-de-preso-em-campo-grande","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=116852","title":{"rendered":"MP denuncia policiais por enfiar objeto no \u00e2nus de preso em Campo Grande"},"content":{"rendered":"<div class=\"continue-reading-content close\">\n<p>Ap\u00f3s longa e detalhada apura\u00e7\u00e3o, oito policiais civis de Mato Grosso do Sul, entre delegados e investigadores, se tornaram r\u00e9us pelo crime de tortura, supostamente praticado em unidades da Sejusp (Secretaria Estadual de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica), em 2016. No processo, que tramita em segredo de Justi\u00e7a, o MP-MS (Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual de Mato Grosso do Sul) descreve cenas de terror.<\/p>\n<p>Um dos presos relatou que teve um objeto de metal introduzido no \u00e2nus dentro da delegacia. Al\u00e9m disso, outro contou que teria ouvido de policial que se n\u00e3o passasse informa\u00e7\u00f5es precisas sobre comparsas, seria o pr\u00f3ximo a \u2018se enforcar\u2019 em uma cela da delegacia especializada. H\u00e1 registro na mesma \u00e9poca de um detido que foi achado \u2018enforcado\u2019 na unidade.<\/p>\n<p>Segundo a investiga\u00e7\u00e3o realizada pelo Gacep (Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial de Controle Externo da Atividade Policial), os crimes teriam acontecido ap\u00f3s a pris\u00e3o de suspeitos de envolvimento com roubos a banco na cidade de Sonora, a 351 km da Capital. O caso tramita na 4\u00aa Vara Criminal de Campo Grande.<\/p>\n<p>Dois homens, de 30 e 39 anos, presos na \u00e9poca por suspeita de participa\u00e7\u00e3o no roubo, foram submetidos a tratamento de tortura nas delegacias e em um dos casos, o preso chegou a acordar recebendo massagem card\u00edaca.<\/p>\n<div class=\"bs-irp right bs-irp-thumbnail-1\">\n<div class=\"bs-pagination-wrapper main-term-none none \">\n<div class=\"listing listing-thumbnail listing-tb-1 clearfix columns-1\">\n<div class=\"post-963077 type-post format-standard has-post-thumbnail   listing-item listing-item-thumbnail listing-item-tb-1 main-term-4\">\n<div class=\"item-inner clearfix\">\n<div class=\"post-meta\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O rapaz de 39 anos foi preso no dia 31 de maio de 2016, em Cuiab\u00e1 (MT), por suspeita de participar de roubo a banco. Conforme den\u00fancia, com apoio da Pol\u00edcia Civil de Mato Grosso, o suspeito foi levado para a cidade de Sonora. Neste trajeto, o rapaz j\u00e1 passou a ser amea\u00e7ado pelos policiais de MS, que afirmavam que ele seria morto, caso n\u00e3o confessasse a autoria no crime.<\/p>\n<p>J\u00e1 na cidade de Sonora, de acordo com a investiga\u00e7\u00e3o do Gacep, ele teria sido agredido com chutes na cabe\u00e7a por um dos policiais e depois, por outros investigadores de pol\u00edcia, que exigiam informa\u00e7\u00f5es do roubo do qual era suspeito. Depois de levado para Campo Grande, foi colocada atadura nas m\u00e3os, p\u00e9s e cabe\u00e7a da v\u00edtima, que foi deitada em um colch\u00e3o de uma das celas, aos fundos da delegacia.<\/p>\n<p>Nesta unidade de pol\u00edcia, ainda segundo o relatado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, os denunciados come\u00e7aram as agress\u00f5es que levaram a v\u00edtima ao desmaio. A cabe\u00e7a foi enrolada por um cobertor e saco pl\u00e1stico, quando ele passou a ser asfixiado.<\/p>\n<p>De acordo com a den\u00fancia, ap\u00f3s os desmaios, a tortura continuou. Foi jogada \u00e1gua no colch\u00e3o, momento em que tamb\u00e9m foram colocada argolas nos dedos do p\u00e9 e no \u00f3rg\u00e3o genital do rapaz, que passou a receber choques el\u00e9tricos. Com v\u00e1rios desmaios, o homem s\u00f3 retomou a consci\u00eancia com um dos policiais realizando procedimentos de massagem card\u00edaca e respira\u00e7\u00e3o boca a boca.<\/p>\n<h3>Metal no \u00e2nus e risco de \u2018se\u2019 enforcar na cela<\/h3>\n<p>Para que confessasse a participa\u00e7\u00e3o no roubo, as agress\u00f5es teriam continuado na delegacia da Capital. Ap\u00f3s retomar a consci\u00eancia, foi introduzido um objeto de metal no \u00e2nus dele e depois foi levado para uma das celas. Durante o tempo que ficou na delegacia, cerca de 30 dias, tinha apenas uma refei\u00e7\u00e3o por dia e os denunciados jogavam \u00e1gua fria na cela para que ele n\u00e3o dormisse.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, durante esse tempo que ficou em Campo Grande, foi dado in\u00edcio a um acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada entre os membros do Gaeco (Grupo de Atua\u00e7\u00e3o Especial e Combate ao Crime Organizado) \u2013 que desconheciam as agress\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o. Durante esse acordo, o preso foi amea\u00e7ado por um dos denunciados, que teria dito que caso as informa\u00e7\u00f5es da colabora\u00e7\u00e3o premiada n\u00e3o batessem com as obtidas na delegacia de Sonora, o preso seria o pr\u00f3ximo a morrer enforcado na cela em Campo Grande.<\/p>\n<p>Em maio de 2016, um preso por duplo homic\u00eddio na regi\u00e3o de fronteira de Mato Grosso do Sul foi encontrado supostamente \u2018enforcado\u2019 em cela da mesma unidade policial.<\/p>\n<h3>Relatos longe dos policiais<\/h3>\n<p>A den\u00fancia desse caso foi feita ao Disque Direitos Humanos, depois da pris\u00e3o de outro rapaz de 30 anos, tamb\u00e9m suspeito de roubo a banco em Sonora. Ap\u00f3s a den\u00fancia, ligado ao MPE, passou a investigar os casos, que aconteceram na mesma \u00e9poca, entre maio e julho de 2016.<\/p>\n<p>Durante depoimento ap\u00f3s a descoberta da tortura, o rapaz de 39 anos afirmou que n\u00e3o denunciou o caso quando estava na presen\u00e7a do Gaeco porque os agressores sempre estavam por perto. Durante visita na unidade para constatar as agress\u00f5es, o MPE percebeu que os presos estavam com medo de relatar a tortura, mas longe dos policiais, contaram as agress\u00f5es sofridas. Nos dois casos, os presos passaram por exame de corpo delito, que confirmaram as agress\u00f5es.<\/p>\n<h3>Apanhou desde Goi\u00e1s<\/h3>\n<p>Outro homem de 30 anos foi preso em Goi\u00e2nia (GO) em junho de 2016 por policiais de Mato Grosso do Sul. Ao ser encaminhado para uma unidade policial ainda em Goi\u00e1s, ele teria passado a sofrer tortura desde l\u00e1. Da mesma forma do primeiro caso, foi colocada atadura e argola nos dedos e nos p\u00e9s, para que o homem sofresse choque el\u00e9trico. Os policiais ordenavam que ele delatasse um comparsa.<\/p>\n<p>Em Sonora, policiais daquela unidade na \u00e9poca, passaram tamb\u00e9m a agredi-lo com cassetetes, chutes, tamb\u00e9m asfixi\u00e1-lo com uma sacola pl\u00e1stica. Depois, foi levado para uma das celas, onde o policial civil informou aos demais presos que o rapaz era estuprador de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O colch\u00e3o do homem tamb\u00e9m foi molhado para que ele ficasse acordado. Os denunciados afirmaram que caso ele n\u00e3o confessasse o crime, n\u00e3o chegaria vivo em Campo Grande. No entanto, ele foi levado para uma delegacia da Capital, onde tamb\u00e9m sofreu as mesmas agress\u00f5es do primeiro caso, para que fizesse reconhecimento fotogr\u00e1fico dos integrantes do grupo que praticou roubo em Sonora.<\/p>\n<p>Os r\u00e9us j\u00e1 foram todos citados e apresentaram defesa pr\u00e9via.\u00a0Conforme o processo, todos os denunciados negam o crime.\u00a0Um dos\u00a0policiais acusados do interior entrou com recurso, pedindo para que o caso tramite na Comarca de Sonora, mas o pedido ainda n\u00e3o foi analisado.<\/p>\n<p><a class=\"author url fn\" title=\"Posts by Dayene Paz\" href=\"https:\/\/www.midiamax.com.br\/author\/dayene-paz\/\" rel=\"author\">Dayene Paz<\/a> midiamax<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s longa e detalhada apura\u00e7\u00e3o, oito policiais civis de Mato Grosso do Sul, entre delegados e investigadores, se tornaram r\u00e9us pelo crime de tortura, supostamente praticado em unidades da Sejusp (Secretaria Estadual de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica), em 2016. 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