{"id":117806,"date":"2019-06-17T10:04:25","date_gmt":"2019-06-17T14:04:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=117806"},"modified":"2019-06-17T10:04:25","modified_gmt":"2019-06-17T14:04:25","slug":"petrobras-faz-a-maior-descoberta-desde-o-pre-sal-em-sergipe-e-alagoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=117806","title":{"rendered":"Petrobr\u00e1s faz a maior descoberta desde o pr\u00e9-sal, em Sergipe e Alagoas"},"content":{"rendered":"<p>A Petrobr\u00e1s fez em Sergipe sua maior descoberta desde o pr\u00e9-sal, em 2006. De seis campos, espera extrair 20 milh\u00f5es de m\u00b3 por dia de g\u00e1s natural, o equivalente a um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o total brasileira. Divulgada no m\u00eas passado, a descoberta deve gerar R$ 7 bilh\u00f5es de receita anual \u00e0 estatal e s\u00f3cias, calcula a consultoria Gas Energy. Na avalia\u00e7\u00e3o do governo, a conquista pode ajudar a tirar do papel o esperado &#8220;choque de energia barata&#8221; prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes &#8211; plano para baratear em at\u00e9 50% o custo do g\u00e1s natural e &#8220;reindustrializar&#8221; o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>A aposta do governo \u00e9 que, em pouco tempo, deva sair de Sergipe o g\u00e1s mais barato do Brasil. Primeiro, pelo pr\u00f3prio aumento da produ\u00e7\u00e3o, que ajuda na redu\u00e7\u00e3o dos custos. Segundo, pela entrada em opera\u00e7\u00e3o de rivais da petroleira, como a americana ExxonMobil, que tem projetos de explora\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Por fim, pela presen\u00e7a de empresas importadoras de g\u00e1s, que tamb\u00e9m v\u00e3o concorrer pela infraestrutura de escoamento. Dessa maneira, a tend\u00eancia \u00e9 de redu\u00e7\u00e3o na tarifa de transporte e, com isso, tamb\u00e9m do pre\u00e7o final do produto.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos ter competi\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que vai fazer o pre\u00e7o baixar&#8221;, afirma o secret\u00e1rio de Petr\u00f3leo e G\u00e1s Natural do Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), M\u00e1rcio Felix, que participa da elabora\u00e7\u00e3o do plano de Guedes.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m tem a expectativa de estimular a economia na regi\u00e3o com o g\u00e1s. De 2014 a 2017, a cadeia de \u00f3leo e g\u00e1s ficou praticamente paralisada como reflexo da forte queda no pre\u00e7o do insumo no mercado internacional e das revela\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato da Pol\u00edcia Federal, que revelou bilh\u00f5es em desvios de recursos na Petrobr\u00e1s. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel que a gente assista a uma retomada da ind\u00fastria de petr\u00f3leo e g\u00e1s no Nordeste, onde tudo come\u00e7ou&#8221;, diz o presidente da Gas Energy, Rivaldo Moreira Neto.<\/p>\n<p>O diretor da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), Felipe Kury, classifica o potencial da Bacia de Sergipe-Alagoas como &#8220;muito promissor&#8221;. Al\u00e9m dos seis campos da Petrobr\u00e1s, a ANP acredita que existem na regi\u00e3o outras \u00e1reas com ind\u00edcios de presen\u00e7a de petr\u00f3leo e g\u00e1s que, nos pr\u00f3ximos anos, podem resultar em novas descobertas relevantes.<\/p>\n<p>Pelos dados do MME, para delimitar o reservat\u00f3rio e construir um gasoduto at\u00e9 a costa, a Petrobr\u00e1s deve gastar US$ 2 bilh\u00f5es ainda neste ano. A estatal n\u00e3o revela os planos para a regi\u00e3o. Por meio de sua assessoria, informou apenas que &#8220;as \u00e1guas profundas de Sergipe v\u00eam mostrando grande potencial para o desenvolvimento&#8221;. Disse tamb\u00e9m que o or\u00e7amento do projeto est\u00e1 previsto em seu plano estrat\u00e9gico para os pr\u00f3ximos cinco anos. Por enquanto, a estatal est\u00e1 trabalhando apenas na explora\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o dos campos.<\/p>\n<p>Expectativa<\/p>\n<p>O g\u00e1s j\u00e1 provoca uma reviravolta na economia de Sergipe. &#8220;Virei um caixeiro viajante, batendo de porta em porta de ind\u00fastrias, oferecendo as vantagens do g\u00e1s natural a quem quiser se instalar no Estado&#8221;, disse o secret\u00e1rio de Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Jos\u00e9 Augusto Pereira de Carvalho.<\/p>\n<p>O Estado est\u00e1 agora concentrado em atrair grandes consumidores de g\u00e1s para o munic\u00edpio de Barra dos Coqueiros, vizinho a Aracaju, onde funciona o Porto de Sergipe, e, no futuro, deve estar de p\u00e9 um novo distrito industrial. Na pequena cidade de apenas 25 mil habitantes, cercada por praias e mangue, come\u00e7a a surgir um arranjo in\u00e9dito de empresas interessadas no combust\u00edvel.<\/p>\n<p>De um lado, est\u00e3o produtores e uma unidade de importa\u00e7\u00e3o do g\u00e1s. Do outro, potenciais consumidores, atra\u00eddos pela perspectiva de pagar menos pelo combust\u00edvel. \u00c0s empresas, Carvalho tem argumentado que, com tanta oferta, n\u00e3o haver\u00e1 alternativa aos fornecedores de g\u00e1s sen\u00e3o baixar o valor da mat\u00e9ria-prima. Assim espera trazer de volta, principalmente, ind\u00fastrias de vidro e cer\u00e2mica, que dependem do g\u00e1s para fabricar produtos melhores e a um custo menor.<\/p>\n<p>At\u00e9 a nova onda deflagrada pela descoberta da Petrobr\u00e1s, o governo estadual se via \u00e0s voltas com a suspens\u00e3o de investimentos da estatal, que, no passado, chegou a responder por um ter\u00e7o de todo dinheiro movimentado pela ind\u00fastria sergipana. O Estado sentiu o golpe, por exemplo, do fechamento da f\u00e1brica de fertilizantes, a Fafen-SE, e do freio em campos produtores de petr\u00f3leo e g\u00e1s, colocados \u00e0 venda pela estatal.<\/p>\n<p>Diante desses e outros reveses, e a expectativa de extin\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, a not\u00edcia da descoberta criou uma sensa\u00e7\u00e3o de que &#8220;h\u00e1 uma luz no fim do t\u00fanel&#8221;, disse Carvalho.<\/p>\n<p>Livre<\/p>\n<p>O Estado quer ainda incentivar a cria\u00e7\u00e3o de uma nova figura no mercado de g\u00e1s &#8211; a do consumidor livre, autorizado a importar seu pr\u00f3prio combust\u00edvel, sem precisar utilizar a rede de dutos de distribui\u00e7\u00e3o de uma concession\u00e1ria local. Com essa mudan\u00e7a, o esperado \u00e9 reduzir mais um pouco o pre\u00e7o do produto, que n\u00e3o contaria com a tarifa cobrada pela distribuidora. Uma experi\u00eancia chegou a ser feita em Sergipe, mas parou na Justi\u00e7a. A distribuidora local, a Serg\u00e1s, contesta a legalidade do modelo Ela alega que o contrato de concess\u00e3o garante a ela a exclusividade do neg\u00f3cio de g\u00e1s no Estado.<\/p>\n<p>A diverg\u00eancia coloca em lados opostos os pr\u00f3prios s\u00f3cios da Serg\u00e1s: o governo do Estado, que quer estimular a queda do pre\u00e7o e um novo mercado, e a Petrobr\u00e1s e a japonesa Mitsui, que n\u00e3o aprovam as mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Sergipe vai produzir o equivalente a 4 vezes o consumo da regi\u00e3o<\/p>\n<p>Com o sucesso da Petrobr\u00e1s na explora\u00e7\u00e3o de seis reservat\u00f3rios e a chegada de investidores privados, Sergipe foi inserido na rota mundial do g\u00e1s natural. Em cinco anos, o Estado, sozinho, deve movimentar 40 milh\u00f5es de m\u00b3 por dia de g\u00e1s, volume que corresponde a mais de quatro vezes a atual capacidade de consumo de toda a Regi\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>Desse total, metade vir\u00e1 de um \u00fanico investimento da iniciativa privada. Or\u00e7ado em US$ 5 bilh\u00f5es, o projeto \u00e9 da Celse, empresa controlada por s\u00f3cios de Noruega, Estados Unidos e Brasil. Na pr\u00e1tica, o empreendimento inaugura a concorr\u00eancia num mercado at\u00e9 ent\u00e3o dominado pela Petrobr\u00e1s.<\/p>\n<p>A Celse construiu a primeira unidade de regaseifica\u00e7\u00e3o privada do Pa\u00eds, ao lado do Porto de Sergipe, no munic\u00edpio de Barra dos Coqueiros. At\u00e9 ent\u00e3o, somente a Petrobr\u00e1s tinha unidades do tipo A tecnologia permite importar o combust\u00edvel na forma l\u00edquida, o GNL, por navio, depois retom\u00e1-lo ao estado gasoso e ent\u00e3o injet\u00e1-lo na malha de dutos terrestres.<\/p>\n<p>Condi\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>&#8220;Encontramos em Sergipe as condi\u00e7\u00f5es adequadas para instalar a unidade de regaseifica\u00e7\u00e3o e a t\u00e9rmica&#8221;, diz Pedro Litsek, presidente da Celse. &#8220;Na regi\u00e3o, existe uma subesta\u00e7\u00e3o de porte para escoar a energia e o terreno est\u00e1 pr\u00f3ximo do mar, numa \u00e1rea que tem a melhor condi\u00e7\u00e3o para ancorar o navio (onde o combust\u00edvel l\u00edquido \u00e9 transformado em g\u00e1s), a apenas 6 km da costa&#8221;. Esse projeto foi iniciado h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, antes de a Petrobr\u00e1s descobrir um reservat\u00f3rio de dimens\u00f5es relevantes na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro carregamento de GNL chegou no m\u00eas passado, de Camar\u00f5es, na \u00c1frica, para ser usado como combust\u00edvel nos testes de opera\u00e7\u00e3o da t\u00e9rmica Porto de Sergipe 1, tamb\u00e9m parte do projeto da Celse. Quando come\u00e7ar a funcionar, em janeiro, a usina dever\u00e1 ter capacidade de gerar 1,5 gigawatts de eletricidade e ser\u00e1 a maior da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Somente o consumo da geradora de eletricidade justifica o investimento na tecnologia de importa\u00e7\u00e3o do g\u00e1s. Por isso, \u00e9 a porta de entrada para empresas privadas interessadas em competir no mercado interno. &#8220;Essa \u00e9 uma nova forma de transportar energia a locais de mais dif\u00edcil acesso, de forma r\u00e1pida&#8221;, diz a advogada Camila Mendes Viana Cardoso, do escrit\u00f3rio Kincaid Mendes Viana, especializado em direito mar\u00edtimo.<\/p>\n<p>Distribui\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Uma das s\u00f3cias da Celse, a Golar Power, quer, na verdade, ser uma distribuidora de energia no Brasil, usando o GNL como mat\u00e9ria-prima e come\u00e7ando por Sergipe. Ainda neste m\u00eas, pretende trazer para o Pa\u00eds dez caminh\u00f5es projetados para consumir g\u00e1s l\u00edquido no lugar de \u00f3leo diesel, que ser\u00e3o testados num trecho de 1,5 km.<\/p>\n<p>Se der certo, a empresa norueguesa vai criar um &#8220;corredor azul&#8221;, nos mesmos moldes da Europa, onde uma rede de postos vai garantir autonomia aos motoristas, diz Marco Tulio Rodrigues, executivo da Golar.<\/p>\n<p>O g\u00e1s natural \u00e9 considerado, atualmente, o combust\u00edvel da transi\u00e7\u00e3o para uma energia de baixo carbono, at\u00e9 que as fontes renov\u00e1veis substituam definitivamente o petr\u00f3leo e seus derivados na matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Moradores<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de Porto de Sergipe 1 mudou a vida profissional da sergipana Rafaela Maria Santos. Dona de um dep\u00f3sito de bebidas na regi\u00e3o, ela decidiu abandonar o balc\u00e3o da loja e se aventurar no ramo da constru\u00e7\u00e3o civil. A mudan\u00e7a de estilo de vida custou o casamento. &#8220;Meu marido mandou escolher entre ele e a obra. Escolhi a obra&#8221;, conta Rafaela.<\/p>\n<p>A oportunidade profissional surgiu pela exig\u00eancia dos Bancos Mundial (Bird) e Interamericano de Desenvolvimento (BID), financiadores da t\u00e9rmica que a contratou. Para a libera\u00e7\u00e3o dos recursos, as duas institui\u00e7\u00f5es de fomento exigiram que, durante a constru\u00e7\u00e3o, fosse contratado um n\u00famero m\u00ednimo de mulheres da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os bancos definiram ainda que os moradores n\u00e3o poderiam ser incomodados por ru\u00eddos durante as atividades da usina de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade. Com isso, comunidades vizinhas \u00e0 unidade produtora est\u00e3o sendo remanejadas para \u00e1reas mais distantes.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, a ocupa\u00e7\u00e3o aqui n\u00e3o \u00e9 nossa. Tem dez anos que a gente vive assim. Na nova casa vai ter mais estrutura&#8221;, diz Denise Ferreira, uma das beneficiadas pelo programa de remanejamento. Na frente da atual moradia, uma casa de tijolo \u00e0 mostra e sem saneamento b\u00e1sico, ela vende balas, \u00e0 beira da estrada. No terreno que vai receber, espera plantar \u00e1rvores frut\u00edferas.<\/p>\n<p>Transforma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio local tamb\u00e9m est\u00e1 se transformando com a chegada do g\u00e1s. Dono de uma rede de 12 farm\u00e1cias em Aracaju, Edson Rabelo Santos planeja abrir a pr\u00f3xima unidade mais perto da \u00e1rea industrial projetada para o munic\u00edpio de Barra dos Coqueiros.<\/p>\n<p>&#8220;Estou apostando que, em uma d\u00e9cada, aquela regi\u00e3o vai estar no mesmo n\u00edvel da capital. Quero s\u00f3 encontrar a loja ideal para me instalar por l\u00e1&#8221;, planeja o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>J\u00e1 o dono do restaurante Mirante, instalado a 1 km da usina t\u00e9rmica, aproveitou o melhor momento das obras, no ano passado, quando 5 mil pessoas trabalhavam na constru\u00e7\u00e3o. Muitos deles recorriam ao seu com\u00e9rcio para almo\u00e7ar. Agora, se prepara para uma fase de mais calmaria. Cerca de 1 mil pessoas participam dos retoques finais na usina e, a partir de janeiro do ano que vem, com o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, apenas cem devem ser mantidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo. Imagem Ilustrativa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Petrobr\u00e1s fez em Sergipe sua maior descoberta desde o pr\u00e9-sal, em 2006. 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