{"id":120881,"date":"2019-07-26T10:33:50","date_gmt":"2019-07-26T14:33:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=120881"},"modified":"2019-07-26T10:33:50","modified_gmt":"2019-07-26T14:33:50","slug":"coluna-do-percival-brasil-alegria-de-bandido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=120881","title":{"rendered":"Coluna do Percival: Brasil, alegria de bandido"},"content":{"rendered":"<p>Quantos policiais deixariam de morrer todo ano se quem os matou estivesse onde deveria estar, atr\u00e1s das grades de um pres\u00eddio? Duvido que n\u00e3o tenham, todos, longo prontu\u00e1rio de ocorr\u00eancias, intima\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es a certificar sua disposi\u00e7\u00e3o de viver fora da lei. Ningu\u00e9m inaugura sua vida criminosa matando policiais. S\u00f3 que nenhum daqueles eventos teve o tratamento necess\u00e1rio para assegurar a prote\u00e7\u00e3o da sociedade. Com raras, rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es, todos foram conduzidos, pelas institui\u00e7\u00f5es, de modo a favorecer o transgressor. Pres\u00eddios brasileiros t\u00eam porta de vai e vem.<\/p>\n<p>Convivem, aqui, altos \u00edndices de criminalidade e toler\u00e2ncia institucional para com os criminosos. Temos, aqui, progressistas que atrasam tudo. Indiv\u00edduos perigosos passeiam impunes por nossas ruas e estradas, vivendo de viola\u00e7\u00f5es e gerando inseguran\u00e7a. Na longa lista de preceitos protetivos que o engenho humano possa conceber para livrar a pele de bandidos, nada h\u00e1 que nossa legisla\u00e7\u00e3o, nossos ritos, usos e costumes n\u00e3o consagrem. Como escreveria Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, se vivos fossem, \u201cAqui, majestade, em se roubando ou matando, nada d\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>E n\u00e3o d\u00e1 nada mesmo. \u00c0s normas tolerantes, pusil\u00e2nimes face ao crime, mas inclementes com a sociedade, muitos se juntam para tornar folgada a vida dos bandidos. Tudo fazem para que tais atividades n\u00e3o tragam sobressaltos, riscos e c\u00e1rcere a quem escolher a vida criminosa. Entre outros, verdadeira multid\u00e3o de legisladores, magistrados, professores de Direito, promotores, defensores, advogados, comunicadores, soci\u00f3logos, assistentes sociais, pol\u00edticos e religiosos \u2013 cora\u00e7\u00f5es moles como merengue da vov\u00f3 \u2013 tagarelando sobre uma nova humanidade e uma nova sociedade, convergem esfor\u00e7os para obter esse efeito.<\/p>\n<p>\u201cMas s\u00e3o pobres!\u201d, dir\u00e1 o leitor, penalizado, da dura situa\u00e7\u00e3o de tais criminosos. Pobres? Pobre \u00e9 aquele brasileiro, magro como a fome, pelo qual passei ainda h\u00e1 pouco na rua. Arquejava em seu labor de papeleiro, tracionando uma carro\u00e7a pesada, com tanto papel e papel\u00e3o que seu excesso lateral obstru\u00eda parte da outra pista. Aquele sim \u00e9 pobre. Pobre e honesto ao ponto de trabalhar como \u201canimal\u201d de tra\u00e7\u00e3o para n\u00e3o se corromper. Talvez seja tamb\u00e9m ignorante, mas \u00e9 intelectualmente honesto como n\u00e3o s\u00e3o tantos que falam bonito em seu nome. E o abandonam com sua indecente carro\u00e7a. N\u00e3o me venham \u2013 por favor! \u2013 falar em pobreza, inf\u00e2ncia sofrida, de quem importa toneladas de maconha, rouba carga de caminh\u00f5es, assalta bancos, explode carros-fortes e estoca muni\u00e7\u00e3o pesada para lutar contra a sociedade. E n\u00e3o se peja de p\u00f4r mulher e filhos no carro para iludir a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>No topo da luta por um direito penal folgaz\u00e3o, que n\u00e3o d\u00ea nada e n\u00e3o atrapalhe os neg\u00f3cios, est\u00e3o os poderosos da corrup\u00e7\u00e3o ativa e passiva, custodiados por car\u00edssimos advogados que operam num clube muito restrito de intimidade com a Corte. No topo da luta por um direito penal folgaz\u00e3o, camarada, bonach\u00e3o, est\u00e3o muitos membros do Congresso Nacional, que t\u00eam fr\u00eamitos de \u00f3dio e temor da Lava Jato e que se juntam a qualquer bandido se for para tirar S\u00e9rgio Moro da cena. Um fio de esperan\u00e7a que rompe o fio da dec\u00eancia. Esses n\u00e3o t\u00eam por h\u00e1bito atirar na pol\u00edcia, mas disparam as armas da inj\u00faria e da cal\u00fania, assassinam reputa\u00e7\u00f5es e t\u00eam responsabilidade direta sobre as leis penais e processuais que n\u00e3o mudam ou mudam para pior. No topo da luta est\u00e3o os \u201cgarantistas\u201d do STF, sustentando princ\u00edpios que os bandidos invocam e a cuja sombra lavam seu dinheiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>__________________________<\/em><\/p>\n<p><em>* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, \u00e9 arquiteto, empres\u00e1rio e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no pa\u00eds. Autor de Cr\u00f4nicas contra o totalitarismo; Cuba, a trag\u00e9dia da utopia; Pombas e Gavi\u00f5es; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantos policiais deixariam de morrer todo ano se quem os matou estivesse onde deveria estar, atr\u00e1s das grades de um pres\u00eddio? Duvido que n\u00e3o tenham, todos, longo prontu\u00e1rio de ocorr\u00eancias, intima\u00e7\u00f5es, pris\u00f5es e condena\u00e7\u00f5es a certificar sua disposi\u00e7\u00e3o de viver fora da lei. 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