{"id":121934,"date":"2019-08-07T08:50:57","date_gmt":"2019-08-07T12:50:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=121934"},"modified":"2019-08-07T08:50:57","modified_gmt":"2019-08-07T12:50:57","slug":"ministra-teme-que-criticas-a-agrotoxicos-gerem-guerra-comercial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=121934","title":{"rendered":"Ministra teme que cr\u00edticas a agrot\u00f3xicos gerem guerra comercial"},"content":{"rendered":"<p>A ministra da Agricultura Pecu\u00e1ria e Abastecimento, Tereza Cristina, disse hoje (6) que as cr\u00edticas que v\u00eam sendo feitas \u00e0s autoriza\u00e7\u00f5es dadas por sua pasta para o registro de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds est\u00e3o se transformando em \u201cguerra pol\u00edtica\u201d, no \u00e2mbito nacional, com potencial de resultar, no \u00e2mbito internacional, em \u201cguerra comercial\u201d.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\">\n<figure class=\"mejs-fotoh-wrapper\">\n<p><figure style=\"width: 339px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-responsive full full\" title=\"FAO\/Harry Vander Wul\/ONU\" src=\"http:\/\/imagens.ebc.com.br\/4qrnz7Uo9zrC_z9CFXWpjXu22ac=\/463x0\/smart\/http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/atoms\/image\/agro.jpg?itok=lbvgSueM\" alt=\"Pesquisas que mostram que os agrot\u00f3xicos causam cerca de 200 mil mortes por envenenamento a cada ano em todo o mundo\" width=\"339\" height=\"225\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Autoriza\u00e7\u00f5es para uso de novos agrot\u00f3xicos no Brasil s\u00e3o &#8220;risco calculado&#8221;, similar ao que ocorre em outros pa\u00edses, diz a ministra Tereza Cristina &#8211; FAO\/Harry Vander Wul\/ONU<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em caf\u00e9 da manh\u00e3 com jornalistas, Tereza Cristina disse que as autoriza\u00e7\u00f5es concedidas para uso de novos agrot\u00f3xicos s\u00e3o um \u201crisco calculado\u201d similar ao que ocorre em outros pa\u00edses. \u201cNingu\u00e9m est\u00e1 colocando veneno no prato do consumidor brasileiro\u201d, afirmou a ministra.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil \u00e9 o \u00fanico pa\u00eds que tem uma lei segundo a qual n\u00e3o se pode aprovar nenhum registro mais t\u00f3xico ou igual ao que j\u00e1 existe no mercado [de agrot\u00f3xicos]\u201d, disse Tereza Cristina.<\/p>\n<p>A ministra abriu o encontro criticando artigos e mat\u00e9rias jornal\u00edsticas que abordaram o assunto. \u201cEstamos incomodados com o fato de o tema ser transformado, aqui dentro, em guerra pol\u00edtica e, l\u00e1 fora, em guerra comercial\u201d, disse a ministra.<\/p>\n<p>\u201cTenho preocupa\u00e7\u00e3o com o fato de passarmos imagens que resultar\u00e3o em questionamentos no exterior. Se h\u00e1, aqui dentro, d\u00favidas, por que l\u00e1 fora n\u00e3o haveria?\u201d, acrescentou, ao defender \u201cunidade, n\u00e3o de pensamento, mas nos n\u00fameros\u201d que s\u00e3o publicizados .<\/p>\n<p>Segundo ela, dos 262 produtos registrados recentemente, apenas sete s\u00e3o novos. Os demais seriam gen\u00e9ricos ou equivalentes aos j\u00e1 existentes no mercado. \u201cN\u00f3s n\u00e3o liberamos agrot\u00f3xicos. N\u00f3s concedemos registros para a produ\u00e7\u00e3o industrial de formulados. E nem sempre a ind\u00fastria coloca \u00e0 venda, porque nem sempre h\u00e1 interesse. Prova disso \u00e9 que 48% dos produtos formulados autorizados n\u00e3o foram comercializados\u201d.<\/p>\n<p>Para ajud\u00e1-la a embasar cientificamente suas argumenta\u00e7\u00f5es, a ministra contou com a ajuda de alguns pesquisadores e especialistas do setor.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em tom cr\u00edtico a mat\u00e9rias jornal\u00edsticas, o pesquisador da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Caio Carbonari citou informa\u00e7\u00f5es que considera sem sentido de que o Brasil seria o pa\u00eds que mais usa defensivos agr\u00edcolas. \u201cN\u00e3o faz sentido essa compara\u00e7\u00e3o [em termos absolutos] assim como n\u00e3o faria sentido dizer que S\u00e3o Paulo [a maior cidade do pa\u00eds] tem n\u00famero maior de acidentes de tr\u00e2nsito do que [uma cidade de muito menor porte como] Boitucatu\u201d, disse Carbonari.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, a compara\u00e7\u00e3o deveria ser feita levando em conta o volume de defensivo aplicado por \u00e1rea, e n\u00e3o em termos absolutos. \u201cSe normalizarmos os dados dessa forma, cair\u00edamos para a s\u00e9tima posi\u00e7\u00e3o, atr\u00e1s de Jap\u00e3o, Coreia, Alemanha, It\u00e1lia, Fran\u00e7a e Reino Unido. E, se for por tonelada produzida, cair\u00edamos para 13\u00ba lugar.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, \u00e9 inadequado comparar a agricultura de pa\u00edses de clima tropical com a pa\u00edses de clima temperado, onde a baixa temperatura dificulta a ocorr\u00eancia de determinadas pragas, acrescentou.<\/p>\n<p>Carbonari argumentou que, dos 32 novos ingredientes que, h\u00e1 cerca de um m\u00eas, estavam na fila para registro no Brasil, 29 j\u00e1 s\u00e3o usados em pa\u00edses como os integrantes da Uni\u00e3o Europeia (que usa 16 dos 32 novos ingredientes a serem analisados pelas autoridades brasileiras), Estados Unidos (19 dos 32), Canad\u00e1 (19), Austr\u00e1lia (18), Jap\u00e3o (17) e Argentina (15).<\/p>\n<h2>Uso cada vez mais reduzido<\/h2>\n<p>Segundo o pesquisador da Unesp, a tend\u00eancia observada \u00e9 que, com o avan\u00e7o das pesquisas, os produtos utilizados como agrot\u00f3xicos apresentem cada vez menor risco e sejam usados em uma quantidade cada vez menor.<\/p>\n<p>\u201cEntre 2002 e 2015 houve uma redu\u00e7\u00e3o de 51,91% do risco por hectare, para trabalhadores. Al\u00e9m disso, a quantidade de agrot\u00f3xicos usados por hectare no in\u00edcio dos anos 2000 corresponde a apenas 12% do que era aplicado na d\u00e9cada de 70. N\u00e3o se trata de produtos mais concentrados, e sim do ingrediente ativo usado\u201d, disse Carbonari.<\/p>\n<p>Ele lembrou que a evolu\u00e7\u00e3o da produtividade \u2013 crescimento da produ\u00e7\u00e3o em propor\u00e7\u00e3o bem maior do que o aumento da \u00e1rea plantada \u2013 foi conseguida com ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, o que inclui, tamb\u00e9m, defensivos agr\u00edcolas. \u201cO impacto do agroneg\u00f3cio na balan\u00e7a comercial n\u00e3o seria t\u00e3o grande se utiliz\u00e1ssemos produtos contaminados\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Uma das cr\u00edticas pontuais foi apresentada pelo diretor da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), Renato Porto, e \u00e9 relativa \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o, pelo Instituto Butant\u00e3, daqueles que seriam os 10 produtos agrot\u00f3xicos mais usados no Brasil. \u201cDos dez produtos citados pelo instituto, sete s\u00e3o autorizados em todo o mundo. Dos tr\u00eas restantes, um nunca foi autorizado; um foi proibido em 2017; e um foi permitido em 2013, mas com restri\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<h2>Classifica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Porto negou que as regras quanto ao uso de agrot\u00f3xicos tenham ficado mais brandas. \u201cO que mudou foi o crit\u00e9rio para a classifica\u00e7\u00e3o, que passou a diferenciar letalidade de irrita\u00e7\u00e3o [t\u00e9rmica, cut\u00e2nea ou oftalmol\u00f3gica]. Esse tipo de classifica\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque, se todos os produtos tivessem a mesma classifica\u00e7\u00e3o, a tend\u00eancia de usar os piores seria maior.\u201d<\/p>\n<p>A professora da Faculdade de Farm\u00e1cia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Elo\u00edsa Caldas acrescentou que \u201ca opacidade ocular [causadas pela m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o do agrot\u00f3xico na produ\u00e7\u00e3o], em muitos casos, \u00e9 revers\u00edvel\u201d e que \u201ca maioria de mortes [relacionadas a agrot\u00f3xicos] se deve \u00e0 ingest\u00e3o proposital, ou seja, suic\u00eddio, ou acidental envolvendo crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a professora, o n\u00edvel de res\u00edduos nos alimentos no Brasil n\u00e3o tem nada de diferente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Europa ou a outros pa\u00edses. \u201cEm cerca de 50% dos alimentos analisados, nenhum res\u00edduo [de agrot\u00f3xico] foi encontrado apesar de eles terem sido aplicados\u201d, disse. \u201cClaro que risco zero n\u00e3o existe com rela\u00e7\u00e3o a nada, mas posso dizer \u00e9 que ele \u00e9 baixo no que se refere ao uso de pesticidas no Brasil.\u201d<\/p>\n<h2>Nova metodologia<\/h2>\n<p>A fim de dar mais celeridade e melhor definir a ordem de algumas an\u00e1lises de agrot\u00f3xicos que j\u00e1 s\u00e3o usados no pa\u00eds, a Anvisa apresentar\u00e1, em breve, uma nova metodologia para a reavalia\u00e7\u00e3o desses produtos, de forma a definir crit\u00e9rios que priorizem a an\u00e1lise daqueles produtos que apresentam maior toxidade.<\/p>\n<p>\u201cMuitas demandas de reavalia\u00e7\u00e3o t\u00eam sido feitas a pedido do Judici\u00e1rio. Com isso, a carga por eles imposta dificulta a defini\u00e7\u00e3o da sequ\u00eancia de an\u00e1lises a serem feitas. Queremos \u2013 enquanto Anvisa \u2013 ser atores desse processo\u201d, disse Porto.<\/p>\n<h2>Decreto<\/h2>\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio de Defesa Agropecu\u00e1ria da pasta, Jos\u00e9 Guilherme Leal, ser\u00e1 anunciado em breve um decreto com o objetivo aumentar o treinamento de agricultores para o uso de defensivos agr\u00edcolas. O decreto est\u00e1 praticamente pronto, informou Leal.<\/p>\n<p>\u201cO decreto tratar\u00e1 de procedimentos a serem adotados pelo aplicador, que dever\u00e1 passar por um processo de qualifica\u00e7\u00e3o para aplicar defensivos agr\u00edcolas\u201d, disse o secret\u00e1rio. \u201cSer\u00e1 uma esp\u00e9cie de cartilha, com o objetivo de mobiliz\u00e1-los, com a ajuda de associa\u00e7\u00f5es de classe, de forma a levar essas informa\u00e7\u00f5es ao produtor rural\u201d, acrescentou a ministra Tereza Cristina, ao destacar que haver\u00e1 tamb\u00e9m um trabalho de fiscaliza\u00e7\u00e3o espec\u00edfico a ser implementado.<\/p>\n<p>\u201cTemos, como exemplo, casos de trabalhadores rurais que fumam sem luva ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o de pesticidas. A ideia \u00e9 colaborar para uma mudan\u00e7a de cultura dessas pessoas\u201d, completou a ministra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ministra da Agricultura Pecu\u00e1ria e Abastecimento, Tereza Cristina, disse hoje (6) que as cr\u00edticas que v\u00eam sendo feitas \u00e0s autoriza\u00e7\u00f5es dadas por sua pasta para o registro de agrot\u00f3xicos no pa\u00eds est\u00e3o se transformando em \u201cguerra pol\u00edtica\u201d, no \u00e2mbito nacional, com potencial de resultar, no \u00e2mbito internacional, em \u201cguerra comercial\u201d. 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