{"id":126619,"date":"2019-09-30T08:54:31","date_gmt":"2019-09-30T12:54:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=126619"},"modified":"2019-09-30T08:54:31","modified_gmt":"2019-09-30T12:54:31","slug":"ms-e-pioneiro-na-producao-de-carne-carbono-neutro-copiada-pela-australia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=126619","title":{"rendered":"MS \u00e9 pioneiro na produ\u00e7\u00e3o de &#8220;carne carbono neutro&#8221; copiada pela Austr\u00e1lia"},"content":{"rendered":"<div>O modelo j\u00e1 foi parar na Austr\u00e1lia e em algumas cidades australianas, como Melbourne, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel encontrar nos melhores restaurantes uma carne bovina ambientalmente correta. Ainda assim, essa carne que carrega o selo \u201cCarbon-neutral beef\u201d foi ideia brasileira e mais especificamente, sul-mato-grossense. Foi em uma fazenda de Ribas do Rio Pardo, a 103 km de Campo Grande, que uma das promessas de revolucionar a pecu\u00e1ria mundial come\u00e7ou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas, afinal, o que \u00e9 esse selo de \u201ccarne livre de carbono\u201d? Calma, a carne n\u00e3o \u00e9 verde ou diferente. O nome \u00e9 uma alus\u00e3o ao fato de ter sido produzida em sistema que n\u00e3o agride o meio ambiente e isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por um sistema inventado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria) de Mato Grosso do Sul.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Essa carne leva o nome em raz\u00e3o de uma tecnologia de integra\u00e7\u00e3o entre pecu\u00e1ria e floresta. Isso significa colocar o gado junto com uma floresta plantada, para que as \u00e1rvores absorvam o CO2. At\u00e9 agora, a esp\u00e9cie que demonstrou unir melhor o \u201c\u00fatil ao agrad\u00e1vel\u201d foi o eucalipto. A possibilidade \u00e9 que essa nova pecu\u00e1ria ganhe o mercado de forma mais agressiva em 2020, j\u00e1 que o protocolo da carne com carbono neutro aguarda palavra final da CNA (Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pesquisador da Embrapa gado de corte de Campo Grande e um dos respons\u00e1veis pelo desenvolvimento dessa tecnologia, Roberto Giolo se mostrou otimista, falou que o momento nunca foi \u201ct\u00e3o prop\u00edcio\u201d como agora (por diversos motivos) e defende que Mato Grosso do Sul desbravou essa nova forma de pecu\u00e1ria.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O grande embate \u00e9 tirar dessa lucrativa atividade econ\u00f4mica brasileira a imagem de vil\u00e3o ambiental. O gado \u00e9 respons\u00e1vel por produzir muito metano e aliado ao desmatamento onde ficam os pastos, torna-se s\u00edmbolo de uma atividade que lan\u00e7a muito CO2 na atmosfera contribuindo para o j\u00e1 acelerado aquecimento global. De quebra, o novo certificado CCN (Carne Carbono Neutro) vai unir as duas maiores atividades exportadoras de Mato Grosso do Sul: celulose e papel.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo o pesquisador, a ideia come\u00e7ou em 2010, \u00e9poca em que, avalia, a press\u00e3o mundial para a atividade brasileira deixar de ser t\u00e3o agressiva ambientalmente era muito maior. Essa press\u00e3o culminou, inclusive, no chamado Plano ABC (Plano Setorial de Mitiga\u00e7\u00e3o e de Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas para a Consolida\u00e7\u00e3o de uma Economia de Baixa Emiss\u00e3o de Carbono na Agricultura) que tem entre os 7 programas a integra\u00e7\u00e3o entre pecu\u00e1ria e floresta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cEnt\u00e3o como a nossa pecu\u00e1ria ainda \u00e9 bastante ineficiente, e naquela \u00e9poca ainda era mais, a gente sofreu um impacto grande nesse sentido. A gente colocando o componente florestal na pecu\u00e1ria tem um sequestro de carbono muito grande pelo crescimento das \u00e1rvores. Ent\u00e3o o pulo do gato, a ideia com rela\u00e7\u00e3o ao estudo Carne Carbono Neutro, foi inserir o componente florestal no sistema pecu\u00e1rio e fazer as contas: quanto o animal est\u00e1 emitindo de gases do efeito estufa e quanto est\u00e1 sendo sequestrado pelas \u00e1rvores. \u00c9 super simples\u201d, comenta Giolo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A fazenda pecuarista Boa Aguada, do grupo Mutum, em Ribas do Rio Pardo, foi a primeira de 8 propriedades do Brasil a implementar, em 2015, o sistema onde bois dividem espa\u00e7o com eucalipto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cNo final das contas a gente trabalha em mais de 90% dos sistemas com o eucalipto porque \u00e9 a \u00e1rvore que mais cresce, o crescimento \u00e9 r\u00e1pido. O pecuarista&#8230;a primeira coisa que querem saber \u00e9 quanto tempo vai ficar sem colocar o animal naquela \u00e1rea\u201d, conta o pesquisador sobre o eucalipto ter atendido \u201cperfeitamente\u201d aos anseios do produtor rural.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Roberto Giolo comenta, al\u00e9m disso, que um dos temores com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 essa esp\u00e9cie de \u00e1rvore, conhecida por sugar recursos h\u00eddricos (raz\u00e3o pela qual \u00e9 chamada de deserto verde) n\u00e3o \u00e9 motivo de preocupa\u00e7\u00e3o nesse sistema. \u201cIsso ocorre em grandes \u00e1reas plantadas, muitos hectares s\u00f3 com \u00e1rvores. A gente trabalha com no m\u00ednimo 100 a 400 \u00e1rvores, ent\u00e3o veja a diferen\u00e7a, a gente est\u00e1 falando de uma \u00e1rea com muito menos \u00e1rvores, os estudos mostram que o problema, se tiver, \u00e9 muito pequeno, praticamente inexistente\u201d, diz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O pesquisador da Embrapa defende que Mato Grosso do Sul pode ditar as regras desse novo sistema, e que h\u00e1, por aqui, \u201cparticular interesse\u201d pela nova tecnologia que promete economia e sustentabilidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201c[MS] Tem uma das pecu\u00e1rias, em termo de tecnologias, com maior \u00e1rea utilizada, mais de 2 milh\u00f5es de hectares, de inclus\u00e3o de sistemas florestais, a exemplo da \u00e1rea do bols\u00e3o sul-mato-grossense. \u00c9 um local privilegiado por esse tipo de sistema. Eu diria que \u00e9 o estado com maior potencial do Brasil atualmente\u201d, comentou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Lucrar duas vezes \u2013 Al\u00e9m disso, a CCN promete dar ainda mais lucro a quem produz. Isso porque al\u00e9m da carne, o produtor rural pode comercializar a madeira e, ao inv\u00e9s de expandir a \u00e1rea ocupada pelo gado, colocar bois em \u00e1reas onde havia eucalipto plantado, mas que restaram parte das \u00e1rvores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201c\u00c9 um local privilegiado para esse tipo de sistema. Tem demanda de quem produz celulose, em alguns sistemas eles n\u00e3o tiram todas as \u00e1rvores, deixam algumas, e podem aproveitar a \u00e1rea Esses sistemas justamente v\u00e3o contribuir para o meio ambiente \u00e0 medida que produzem madeira e o corte de madeira a gente sabe que \u00e9 ilegal, existem leis pra isso, mas sabemos que ainda vem acontecendo, ent\u00e3o esses sistemas permitem consumo de madeira com diminui\u00e7\u00e3o de impacto sobre vegeta\u00e7\u00e3o nativa, fora que vai estar sequestrando mais carbono\u201d, diz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Roberto acredita que a ponte que h\u00e1 entre a informa\u00e7\u00e3o sobre a viabilidade dessa tecnologia e a cultura do produtor acostumado a abrir apenas pastagem para o gado representa o maior entrave para que a CCN avance no Brasil.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cNormalmente propriedade de pecu\u00e1ria \u00e9 propriedade grande em rela\u00e7\u00e3o a de agricultura. E o produtor pensa: \u2018vou colocar na propriedade inteira?\u2019 N\u00e3o. Tem partes que s\u00e3o mais adequadas para se colocar\u201d, disse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Faca e queijo na m\u00e3o \u2013 \u201cO Brasil est\u00e1 com a faca e o queijo na m\u00e3o\u201d, garante Roberto, otimista. Apesar de tanto avan\u00e7o, n\u00e3o \u00e9 dessa forma que o pa\u00eds est\u00e1 ganhando notoriedade. O pa\u00eds causou crise internacional com o aumento do desmatamento e as queimadas que atingem a Amaz\u00f4nia. Declara\u00e7\u00f5es de Jair Bolsonaro (PSL), que desdenhou e diminuiu a relev\u00e2ncia do cen\u00e1rio, tamb\u00e9m n\u00e3o ajudaram.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nada disso abala a confian\u00e7a do pesquisador que cita, inclusive, a vontade dos produtores de levarem adiante o novo modelo pecu\u00e1rio. Pecuaristas criaram, em fevereiro deste ano, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Produtores de Carne Carbono Neutro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cA gente est\u00e1 num momento super prop\u00edcio porque essa tem\u00e1tica da carne com baixo carbono vem exatamente ao encontro da necessidade mundial. S\u00e3o eles que demandam a nossa carne, apesar da gente exportar apenas em torno de 15 a 20%, eles s\u00e3o demandantes e influenciam. Eu diria que \u00e9 a bola da vez para gente ganhar mercado e mostrar que a gente tem tecnologia. No mundo tropical s\u00f3 o Brasil faz isso. A gente n\u00e3o inventou a roda, mas a gente que consegue fazer a nossa roda\u201d, disse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para complementar o progn\u00f3stico, Roberto Giolo credita esse sucesso \u00e0 uma sociedade que acordou: o meio ambiente ganhou as ruas e as falas de todo tipo de gente no Brasil e no mundo. Surgiram figuras como a jovem ativista Greta Thunberg, adolescente sueca de apenas 16 anos respons\u00e1vel por levar multid\u00f5es \u00e0s ruas para pressionarem governos e ind\u00fastrias para tomarem medidas que impe\u00e7am o colapso clim\u00e1tico.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cUma coisa que eu gostaria que mais gente soubesse. A Austr\u00e1lia, a partir dessa nova iniciativa brasileira, implementou a ideia da carne carbono neutro para 2030. A Nova Zel\u00e2ndia implementou a carne carbono neutro para 2050. Ent\u00e3o veja, a gente j\u00e1 est\u00e1 na frente deles e eles copiaram, no bom sentido. \u00c9 um dos momentos que o Brasil est\u00e1 \u00e0 frente, por isso que a gente n\u00e3o pode perder esse timing de utilizar essa tecnologia\u201d, analisa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Campo Grande News<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O modelo j\u00e1 foi parar na Austr\u00e1lia e em algumas cidades australianas, como Melbourne, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel encontrar nos melhores restaurantes uma carne bovina ambientalmente correta. Ainda assim, essa carne que carrega o selo \u201cCarbon-neutral beef\u201d foi ideia brasileira e mais especificamente, sul-mato-grossense. 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