{"id":127472,"date":"2019-10-11T08:00:03","date_gmt":"2019-10-11T12:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=127472"},"modified":"2019-10-11T08:16:22","modified_gmt":"2019-10-11T12:16:22","slug":"ms-42-anos-identidades-de-mato-grosso-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=127472","title":{"rendered":"MS 42 ANOS \u2013 Identidades de Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">A decis\u00e3o de desmembrar Mato Grosso e criar Mato Grosso do Sul foi tomada em abril de 1977 pelo terceiro presidente do regime militar, Ernesto Geisel, seis meses antes da assinatura da Lei Complementar n\u00ba 31, em 11 de outubro. A divis\u00e3o efetivamente aconteceu em janeiro de 1979 com a instala\u00e7\u00e3o do Governo do novo Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A forma\u00e7\u00e3o cultural do sul-mato-grossense est\u00e1 associada, portanto, \u00e0 diversidade das tradi\u00e7\u00f5es trazidas pelos migrantes e pelos imigrantes, mas algumas predominaram e deram uma caracter\u00edstica muito peculiar \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas locais. M\u00fasica, literatura, artes pl\u00e1sticas, culin\u00e1ria, turismo, economia e toda a nossa cultura tem g\u00eanese pr\u00f3pria e assinatura do jovem e emblem\u00e1tico Estado do Mato Grosso do Sul que completa 42 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A partir desta quinta-feira (10.10), vamos abordar temas diversos onde Mato Grosso do Sul est\u00e1 inserido com suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. Nestes 42 anos de vida, o Estado passou da posi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica para de destaques em v\u00e1rios segmentos; acompanhe no decorrer dos dias a <strong><em>S\u00e9rie MS 42 Anos<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>O sertanejo \u00e9 a m\u00fasica que identifica MS<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_280066\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"text-align: left;\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-280066 size-medium\" src=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/09\/irmaosespindolas1-300x180.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/09\/irmaosespindolas1-300x180.jpg 300w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/09\/irmaosespindolas1-768x461.jpg 768w, http:\/\/www.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/09\/irmaosespindolas1.jpg 800w\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" \/><\/p>\n<figure id=\"attachment_127476\" aria-describedby=\"caption-attachment-127476\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/irmaosespindolas1-300x180.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-127476 size-full\" src=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/irmaosespindolas1-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-127476\" class=\"wp-caption-text\">Esp\u00edndolas iniciaram a identifica\u00e7\u00e3o musical de MS<\/figcaption><\/figure>\n<p>Polcas, guaran\u00e3s, sertanejo, chamam\u00e9, pop, qual \u00e9 o som que identifica o Mato Grosso do Sul? Segundo o jornalista e historiador, Oscar Rocha, isto n\u00e3o deve ser motivo de preocupa\u00e7\u00e3o ou questionamento. Afinal, diz, a maioria dos Estados n\u00e3o tem uma identidade musical. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o v\u00ea falar em uma m\u00fasica de Santa Catarina ou do Paran\u00e1, por exemplo\u201d.\u00a0 Em sua vis\u00e3o, a identidade musical do Mato Grosso do Sul \u00e9 recente. Foi apenas depois da divis\u00e3o do Estado \u00e9 que a nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos come\u00e7ou a busca por um som para chamar de nosso. Do ponto de vista acad\u00eamico, o jornalista diz que nossa m\u00fasica \u00e9 um caldeir\u00e3o de ritmos onde se misturam sons da Bol\u00edvia com o pop brasileiro, a m\u00fasica andina e o chamam\u00e9 da Argentina. Os irm\u00e3os Geraldo e Tet\u00ea Esp\u00edndola, junto com Geraldo Roca e Paulo Sim\u00f5es s\u00e3o representantes desta gera\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m recebeu influ\u00eancia do folk. Hoje, segundo ele, esta fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior porque a ela se juntam tamb\u00e9m o rock e samba.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas quando se fala em identidade ou tradi\u00e7\u00e3o, Oscar lembra um fen\u00f4meno importante que teve in\u00edcio nos anos 90: os grupos de baile ou baileiros. Grupos como Canto da Terra, Zingara, Tradi\u00e7\u00e3o (marcando o in\u00edcio da carreira de Michel Tel\u00f3), que fizeram uma mistura sonora de ritmos ga\u00fachos, pitadas de m\u00fasica baiana e o sertanejo de raiz. Alguns desses baileiros conseguiram repercuss\u00e3o nacional, gravaram disco e fizeram shows fora do Estado. Houve uma explos\u00e3o nacional, mas, segundo Oscar, n\u00e3o houve o \u00eaxito esperado.\u00a0 \u00c9 quando Michel Tel\u00f3 come\u00e7a sua carreira solo e torna-se um grande sucesso nacional. \u201cO Tel\u00f3 carrega a identidade de Mato Grosso do Sul, n\u00e3o h\u00e1 como falar dele sem se lembrar do Estado\u201d, atesta.<\/p>\n<figure id=\"attachment_127479\" aria-describedby=\"caption-attachment-127479\" style=\"width: 597px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/telo.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-127479\" src=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/telo.png\" alt=\"\" width=\"597\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/telo.png 765w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/telo-300x161.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-127479\" class=\"wp-caption-text\">A mistura de ritmos levou Michel Tel\u00f3 as paradas de sucesso e com isso o nome do Estado no circuito nacional<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_127478\" aria-describedby=\"caption-attachment-127478\" style=\"width: 201px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/sertanejo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-127478 size-full\" src=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/sertanejo.jpg\" alt=\"\" width=\"201\" height=\"300\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-127478\" class=\"wp-caption-text\">MS \u00e9 celeiro do ritmo que toca o Brasil, Sertanejo Universit\u00e1rio<\/figcaption><\/figure>\n<p>Depois dos baileiros, come\u00e7a a fase das violadas com duplas e d\u00e1 origem ao sertanejo universit\u00e1rio. \u201cO sertanejo universit\u00e1rio \u00e9 cria\u00e7\u00e3o sul-mato-grossense, sem nenhuma d\u00favida\u201d, atesta o jornalista. O ritmo tornou-se o pop nacional e fez sucesso com as duplas Maria Cec\u00edlia e Rodolfo, Munhoz e Mariano, Jo\u00e3o Bosco e Vin\u00edcius. Em 2008 surge o fen\u00f4meno Luan Santana, campo-grandense que cresceu ouvindo e tocando sertanejo. A gera\u00e7\u00e3o dele cresceu buscando uma identidade musical e Luan traduziu este sentimento. O Brasil inteiro faz coro ao garoto que foi indicado ao Grammy Latino duas vezes, colocando Mato Grosso do Sul definitivamente na cena musical.<\/p>\n<p>A m\u00fasica do MS, al\u00e9m de diversificada, t\u00eam tamb\u00e9m todo um aspecto hist\u00f3rico. O Grupo Acaba, que utilizou ritmos de todos os cantos da Am\u00e9rica do Sul para fazer o som do Pantanal \u00e9 um grande exemplo. Artistas como Paulo Sim\u00f5es, Geraldo Roca (in memoria), Geraldo Esp\u00edndola e Almir Sater flertam com guar\u00e2nias, polcas e chamam\u00e9s, misturam o guarani com o portugu\u00eas e utilizam fatos da hist\u00f3ria como inspira\u00e7\u00e3o. Da\u00ed a refer\u00eancia em suas letras sobre \u2018a fronteira em que o Brasil foi Paraguai\u2019. O violonista Marcelo Loureiro, tamb\u00e9m \u00e9 um leg\u00edtimo representante desta mistura de ritmos da fronteira.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/galeria.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-127480\" src=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/galeria.png\" alt=\"\" width=\"956\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/galeria.png 956w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/galeria-300x82.png 300w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/galeria-768x209.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 956px) 100vw, 956px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Literatura<\/strong><\/p>\n<p>\u201cCamalotes e Guavirais\u201d, escrito em 1971, por Ulisses Serra, corumbaense radicado em Campo Grande \u00e9 o livro que, segundo a escritora e vice-presidente da Academia Sul-mato-grossense de Letras, Raquel Naveira, marca a identidade de Mato Grosso do Sul na literatura. Em sua an\u00e1lise, o livro marcou sobretudo por fazer uma esp\u00e9cie de radiografia sociol\u00f3gica \u2013 e surpreendente \u2013 da sociedade do Sul do ent\u00e3o Mato Grosso uno. S\u00e3o cr\u00f4nicas e contos (anteriormente publicados em jornais e revistas) que recriavam o cotidiano de Corumb\u00e1 (refer\u00eancia dos camalotes) e Campo Grande, com seus guavirais. Ulisses s\u00f3 deixou uma obra e mesmo assim publicou o livro por insist\u00eancia dos amigos. Faleceu um ano depois. No livro \u201cHist\u00f3ria da Literatura Sul-Mato-Grossense\u201d, o autor, Jos\u00e9 Couto Vieira Pontes diz que o livro de Ulisses Serra tinha \u201cfermento\u201d. \u00c1 \u00e9poca, segundo Naveira, o livro deu impulso \u00e0 vontade que os campo-grandenses tinham de se \u2018aculturar\u201d e n\u00e3o ser apenas uma cidade bovino-cultura. Al\u00e9m do livro, Ulisses foi respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o da Academia de Letras (na \u00e9poca chamada Academia de Letras de Campo Grande).<\/p>\n<p>O maior poeta do Brasil, inclusive na opini\u00e3o de Carlos Drumond de Andrade, nosso querido Manoel de Barros, embora tenha nascido em Cuiab\u00e1, passou a maior parte da vida no Pantanal e Campo Grande. E j\u00e1 havia publicado alguns livros, o primeiro foi em 1937 \u2013 \u201cPoemas concebidos sem pecado\u201d. Mas apesar da import\u00e2ncia de sua obra para a literatura nacional, ele s\u00f3 foi reconhecido pelo p\u00fablico no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1980, atrav\u00e9s dos pr\u00eamios que ele j\u00e1 havia recebido desde da d\u00e9cada de 1960. O poeta n\u00e3o era dado a circular pelos meios liter\u00e1rios e nunca fez quest\u00e3o de divulgar sua obra. Aqui no Estado, quem divulgou a obra de Barros foi a professora e escritora, Maria da Gl\u00f3ria S\u00e1 Rosa \u2013 que contribuiu sobremaneira com a cultura do Estado \u2013 e o cineasta Joel Pizzini com o curta \u201cCaramujo Flor\u201d document\u00e1rio sobre a vida do poeta no Pantanal. Em 1984, o jornalista Mill\u00f4r Fernandes escreve sobre o livro \u201cArranjos para assobio\u201d na revista Veja e, finalmente veio a consagra\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<figure id=\"attachment_127481\" aria-describedby=\"caption-attachment-127481\" style=\"width: 599px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Manoel-de-Barros_obviousmag.org_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-127481\" src=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Manoel-de-Barros_obviousmag.org_.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Manoel-de-Barros_obviousmag.org_.jpg 1100w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Manoel-de-Barros_obviousmag.org_-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Manoel-de-Barros_obviousmag.org_-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/Manoel-de-Barros_obviousmag.org_-1024x680.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-127481\" class=\"wp-caption-text\">\u201cMe criei no Pantanal de Corumb\u00e1 entre bichos do ch\u00e3o, aves, pessoas humildes, \u00e1rvores e rios\u2026\u201d<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como grande poeta que \u00e9, o ber\u00e7o de Manoel de Barros \u00e9 \u201cdisputado\u201d pelos dois Estados. Mas vale dizer que um verso do poeta d\u00e1 pistas do seu verdadeiro habitat: \u201c \u201cMe criei no Pantanal de Corumb\u00e1 entre bichos do ch\u00e3o, aves, pessoas humildes, \u00e1rvores e rios\u2026\u201d Algumas de suas obras foram publicadas em Portugal, Espanha, Fran\u00e7a e Estados Unidos. Sobrinho de Manoel, de quem era um dos mais pr\u00f3ximos, o agropecuarista e empres\u00e1rio, Leonardo de Barros, disse que esta disputa, no \u00edntimo, divertia o poeta. \u201cEle foi cuiabano, carioca, nova-iorquino, campo-grandense\u201d, resume.<\/p>\n<p>Maneco, como era chamado pelos \u00edntimos, era um intelectual sofisticado que subverteu a sintaxe da l\u00edngua portuguesa com suas constru\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas que n\u00e3o respeitavam as normas da l\u00edngua padr\u00e3o. Muitos o comparam a Guimar\u00e3es Rosa. Mas os f\u00e3s ardorosos preferem dizer que Manoel de Barros \u00e9 o nosso \u201cShakespeare\u201d. Um g\u00eanio das palavras que dificilmente haver\u00e1 outro igual.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Raquel Naveira, no entanto, Manoel nunca se desfez das suas ra\u00edzes cuiabanas. Segundo ela, no livro de Ab\u00edlio de Barros \u2013 irm\u00e3o do poeta, \u201cGente Pantaneira\u201d, que descreve com rara maestria a vida e o jeito de ser do homem do Pantanal, \u00e9 poss\u00edvel perceber este \u201cser mato-grossense\u201d de Manoel. Embora, frisa a escritora, o poeta n\u00e3o gostasse de r\u00f3tulos, n\u00e3o podemos deixar de pensar nele como homem pantaneiro. O livro de Ab\u00edlio, que bem mais tarde tamb\u00e9m publicou um livro de poemas, escrito na juventude, \u00e9 uma esp\u00e9cie de documento sociol\u00f3gico, onde o autor analisa usos e costumes dos habitantes do Pantanal. Na linguagem cativante de um pantaneiro da gema por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, \u201cGente Pantaneira\u201d transformou-se na principal fonte sobre o Pantanal. \u201cUm livro escrito de dentro do Pantanal para fora\u201d, ressalta Raquel. Da\u00ed sua import\u00e2ncia, sua autenticidade.<\/p>\n<p>Embora hoje a prosa tenha lugar importante na literatura sul-mato-grossense, em mat\u00e9ria de produ\u00e7\u00e3o a poesia ainda ocupa o primeiro lugar. Entre os diversos poetas sul-mato-grossense Raquel Naveira (que tamb\u00e9m faz prosa) tem um trabalho reconhecido nacionalmente. Seu primeiro livro, intitulado \u201cVia Sacra\u201d foi publicado em 1981 e um dos poemas recebeu elogios do poeta Manoel de Barros. Atrav\u00e9s da professora, mestra em literatura, Glorinha S\u00e1 Rosa, sempre ela, Raquel ficou sabendo que o poeta Manoel gostara muito e vaticinara: \u201cH\u00e1 uma poeta entre n\u00f3s\u201d. Com 19 livros publicados (sem contar as antologias), ao longo dos anos Raquel faz um trabalho de formiguinha visitando feiras liter\u00e1rias em todo o Brasil sempre carregando sua obra debaixo do bra\u00e7o. \u201cFoi preciso coragem e humildade para fazer esta divulga\u00e7\u00e3o\u201d, diz Raquel.<\/p>\n<figure id=\"attachment_127483\" aria-describedby=\"caption-attachment-127483\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/raquel-naveira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-127483 size-full\" src=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/raquel-naveira.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-127483\" class=\"wp-caption-text\">Raquel Naveira faz parte da identidade liter\u00e1ria de MS<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sobre a identidade da literatura sul-mato-grossense, ela revela que o gent\u00edlico \u201csul-mato-grossense\u201d n\u00e3o pegou fora daqui. \u201cNos eventos que participo em outros estados, sempre me apresentam como mato-grossense\u201d, conta. Raquel diz que n\u00e3o corrige porque acha indelicado, mas faz quest\u00e3o de dizer que \u00e9 de Campo Grande. A origem \u00e9 algo, que segundo ela, n\u00e3o pode ser esquecida. \u201cFaz muita diferen\u00e7a dizer de onde voc\u00ea \u00e9\u201d, atesta. A bovinocultura, as imigra\u00e7\u00f5es \u00e1rabes, a fronteira de Bela Vista e sua ascend\u00eancia portuguesa, fazem parte do seu repert\u00f3rio liter\u00e1rio. \u201c\u00c9 a minha raiz\u201d.<\/p>\n<p>As m\u00eddias sociais e toda a tecnologia dispon\u00edvel est\u00e3o dando novos caminhos \u00e0 literatura contempor\u00e2nea. Na an\u00e1lise da professora, isto abriu espa\u00e7os para in\u00fameras pessoas escreverem. \u201c\u00c9 um espa\u00e7o democr\u00e1tico sem d\u00favida, mas na minha opini\u00e3o \u00e9 muito fragmentado\u201d, diz Em sua opini\u00e3o esta nova forma de fazer literatura, onde h\u00e1 quem escreva cap\u00edtulos de uma obra livro online, e em meio a in\u00fameras vozes que est\u00e3o brotando, fica bem mais dif\u00edcil para o autor se sobressair. \u00c9 outro universo, concorda. A voz da periferia est\u00e1 sendo ouvida pela primeira vez e, segundo Raquel, \u00e9 uma voz muito forte. O sucesso dos grupos de Slan \u00e9 um bom exemplo desta for\u00e7a e vem se destacando cada vez mais no Estado.<\/p>\n<p>O escritor, presidente da UBE\/MS \u2013 Uni\u00e3o Brasileira dos Escritores, Samuel Xavier Medeiros (contista e romancista) afirma que a qualidade da literatura produzida em Mato Grosso do Sul nunca este em t\u00e3o boa forma. \u00a0Otimista, Medeiros acredita que novos tempos se anunciam, bons jovens poetas aparecendo e as publica\u00e7\u00f5es se multiplicando. Entusiasta da literatura sul-mato-grossense, afirma que s\u00f3 n\u00e3o conhece nossos escritores quem n\u00e3o quer. \u201cBons autores n\u00e3o faltam\u201d, pontua. A cr\u00f4nica \u00e9 outro g\u00eanero que vem se destacando cada vez mais, principalmente em Campo Grande. Os textos migram de jornais, sites, revistas, para os livros, e-books e conquistam os leitores, principalmente os que gostam de textos curtos e leves.<\/p>\n<p>A poesia, no entanto, continua sendo o g\u00eanero mais popular, tanto para quem escreve quanto para quem l\u00ea. Talvez a nossa exuberante natureza seja a grande inspira\u00e7\u00e3o para a poesia. Quem deseja iniciar-se na literatura feita no Mato Grosso do Sul, deve come\u00e7ar por autores que traduzem a alma e os costumes sul-mato-grossenses como por exemplo: Paulo Coelho Machado, H\u00e9lio Serejo, Elp\u00eddio Reis, Maria da Gl\u00f3ria S\u00e1 Rosa, Hildebrando Campestrini, Jos\u00e9 Couto Viera Pontes, entre outros. Nos sites da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras e da UBE \u2013 Uni\u00e3o Brasileira de Escritores pode-se encontrar boas refer\u00eancias de escritores regionais. H\u00e1 tamb\u00e9m uma nova safra de jovens romancistas com arcabou\u00e7o muito pr\u00f3prio, sem preocupa\u00e7\u00e3o com a regionalidade, mas com fortes caracter\u00edsticas sul-mato-grossenses. Neste contexto temos os autores Raphael Lugo Sanches, Andr\u00e9 Alvez, Z\u00e9lia Nolasco, Alex Domingos, F\u00e1bio Gondim.<\/p>\n<p>Poesia, romance, contos, batalhas sonoras, poesia de rua, n\u00e3o importa o g\u00eanero que se escolha nem a forma que ela \u00e9 feita e consumida. O importante \u00e9 saber o Estado tem sim, uma literatura forte, representativa, cujos autores est\u00e3o se virando como podem para que suas vozes sejam ouvidas.<\/p>\n<p><strong>Gastronomia do MS<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do churrasco nosso de cada dia, Mato Grosso do Sul tem uma rica e saborosa gastronomia. E ingredientes especiais que fazem uma culin\u00e1ria diferenciada. \u201cSomos uma Amaz\u00f4nia gastron\u00f4mica\u201d, declara entusiasmado o chef Adriano Torres, que trabalha em um hotel de Bonito, regi\u00e3o famosa pelos peixes de \u00e1gua doce. Na sua cozinha, Adriano gosta de inovar receitas tradicionais com acompanhamentos sofisticados. O dadinho de pintado com farofa de pil\u00e3o, por exemplo, ganha um dip de melado; o pacu no bafo com mandioca cremosa \u201ca la plancha\u201d e farofinha de sopa paraguaia tem vinagrete de laranja. Al\u00e9m dos peixes a carne de jacar\u00e9 \u00e9 um dos pratos que mais chama a aten\u00e7\u00e3o dos turistas. A iguaria se tornou t\u00e3o popular que est\u00e1 sendo comercializada em forma de hamb\u00farguer, substituindo a carne bobina.<\/p>\n<figure id=\"attachment_127482\" aria-describedby=\"caption-attachment-127482\" style=\"width: 596px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/paulo-machado-gastronomia-pantaneira-superchefs-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-127482\" src=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/paulo-machado-gastronomia-pantaneira-superchefs-1.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/paulo-machado-gastronomia-pantaneira-superchefs-1.jpg 720w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/paulo-machado-gastronomia-pantaneira-superchefs-1-300x237.jpg 300w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/paulo-machado-gastronomia-pantaneira-superchefs-1-279x220.jpg 279w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-127482\" class=\"wp-caption-text\">Paulo Machado leva os sabores de Mato Grosso do Sul para al\u00e9m das fronteiras brasileiras<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nosso maior representante da cozinha regional, o chef e professor de gastronomia, Paulo Machado viaja pelo Brasil e o mundo mostrando os sabores de Mato Grosso do Sul. Na bagagem, al\u00e9m dos tradicionais instrumentos de corte, ele leva ingredientes como, farinha de mandioca (comprada no mercad\u00e3o), erva-mate, farinha de guariroba, castanha de Bar\u00fa e at\u00e9 caldo de piranha congelado. \u00a0Mas a primeira coisa que o campo-grandense faz, depois de longas temporadas fora da terrinha, \u00e9 ir \u00e0 Feira Central comer Sob\u00e1 com espetinho e mandioca com shoyo. \u201cMorro de saudades destes sabores\u201d, confessa Paulo com largo sorriso, lembrando tamb\u00e9m que a culin\u00e1ria \u00e1rabe tem enorme influ\u00eancia no paladar do campo-grandense que, segundo ele, n\u00e3o passa sem uma esfirra. N\u00e3o por acaso, os restaurantes \u00e1rabes por aqui est\u00e3o sempre lotados.<\/p>\n<p>Quando se fala em comida tradicional de Mato Grosso do Sul as opini\u00f5es podem ser diversas, mas uma coisa \u00e9 ineg\u00e1vel: a carne \u00e9 o elemento onipresente. Acompanhada da tradicional mandioca, misturada ao arroz ou com toque sofisticado de ingredientes regionais como a erva mate e rapadura, ela \u00e9 sempre a rainha da festa. Afinal, temos orgulho em dizer que o Estado produz a melhor carne do Brasil. A conhecida chef e tamb\u00e9m professora de gastronomia, Ded\u00ea Cesco, considera o arroz carreteiro o prato mais emblem\u00e1tico do Estado. E a explica\u00e7\u00e3o da chef faz todo sentido. Segundo ela, comida tradicional \u00e9 aquela que a maioria das pessoas sabe fazer. \u201cA carne que sobra do churrasco do final de semana, sempre acaba se transformando num arroz carreteiro\u201d, explica. O prato ali\u00e1s, \u00e9 a estrela de uma das tradi\u00e7\u00f5es pantaneiras: o quebra-torto, nome dado ao caf\u00e9 da manh\u00e3 tipicamente pantaneiro, comum nas fazendas de Mato Grosso do Sul. Como refei\u00e7\u00e3o do pantaneiro \u00e9 servido geralmente bem cedo entre 4:00 e 5:00hs da manh\u00e3 e tem como base o arroz carreteiro, ovos e farofa. J\u00e1 a caf\u00e9 quebra torto que \u00e9 servido nos hot\u00e9is e pousadas da regi\u00e3o inclui maior variedades de pratos como bolo de mandioca, carne seca, peixe frito e deliciosa sopa paraguaia. \u00c9 comum o sul-mato-grossense tirar onda dos turistas com a iguaria que, apesar do nome, \u00e9 uma esp\u00e9cie de bolo de queijo.<\/p>\n<p>E para tomar, vai o qu\u00ea? Um terebre, claro! Afinal onde tem roda de amigos tem guano ou um copo de alum\u00ednio passando de m\u00e3o em m\u00e3o com a bebida, feita de folhas de erva mate mo\u00edda grosseiramente. E diferente do chimarr\u00e3o dos ga\u00fachos, o terebre \u00e9 servido bem gelado. A hist\u00f3ria da bebida data da invas\u00e3o europeia por castelhanos e portugueses, quando era usado pelas tribos guarani, nhandeva, kaiow\u00e1 e outra etnias chaquenhas, muito antes da Guerra do Paraguai e da Guerra do Chaco (entre Paraguai\u00a0Bol\u00edvia, 1932-1935), quando as tropas come\u00e7aram a beber mate frio para n\u00e3o acender fogos que denunciariam sua posi\u00e7\u00e3o, isso possivelmente na regi\u00e3o de Ponta Por\u00e3 (Mato Grosso do Sul), que na \u00e9poca pertencia ao Paraguai.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Theresa Hilcar \u2013 Subsecretaria de Comunica\u00e7\u00e3o de MS \u2013 Subcom<\/em><br \/>\n<em>Foto: Divulga\u00e7\u00e3o artistas\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o de desmembrar Mato Grosso e criar Mato Grosso do Sul foi tomada em abril de 1977 pelo terceiro presidente do regime militar, Ernesto Geisel, seis meses antes da assinatura da Lei Complementar n\u00ba 31, em 11 de outubro. 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