{"id":132592,"date":"2019-12-17T11:19:26","date_gmt":"2019-12-17T14:19:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=132592"},"modified":"2019-12-17T11:19:26","modified_gmt":"2019-12-17T14:19:26","slug":"alta-demanda-chinesa-faz-disparar-preco-dos-alimentos-em-todo-o-mundo-nao-so-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=132592","title":{"rendered":"Alta demanda chinesa faz disparar pre\u00e7o dos alimentos em todo o mundo, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O mundo se acostumou a pagar pouco\u00a0para se alimentar. Ap\u00f3s anos de comida barata, o \u00edndice de pre\u00e7os aliment\u00edcios da\u00a0FAO\u00a0(\u00f3rg\u00e3o da\u00a0ONU para a alimenta\u00e7\u00e3o e agricultura) alcan\u00e7ou em novembro seu auge dos dois \u00faltimos anos, impulsionado pela carne\u00a0(afetada pela peste su\u00edna na\u00a0China) e o \u00f3leo de cozinha. Mas o fen\u00f4meno n\u00e3o acaba aqui. Um relat\u00f3rio do banco Nomura alerta que a era dos alimentos a pre\u00e7os baixos poderia chegar ao fim por causa da eleva\u00e7\u00e3o da demanda e de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 oferta que impulsionar\u00e3o os custos nos pr\u00f3ximos anos. \u201cParece que se chegou a um ponto em que os pre\u00e7os j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o sustent\u00e1veis para os produtores\u201d, resume Denis Drechsler, da FAO.<\/p>\n<p>Os alimentos h\u00e1 anos est\u00e3o sendo vendidos a m\u00ednimos hist\u00f3ricos. Ao analisar a tend\u00eancia desde 1902 at\u00e9 agora, os pre\u00e7os em termos reais \u2014ou seja, descontando o\u00a0efeito da infla\u00e7\u00e3o\u2014 estariam 45% abaixo da m\u00e9dia dos \u00faltimos 120 anos. Mas algo est\u00e1 mudando nos mercados mundiais. Uma mistura de tend\u00eancias de fundo e de causas conjunturais aquece o mercado, at\u00e9 alcan\u00e7ar em novembro passado seu maior n\u00edvel em dois anos.<\/p>\n<p>A carne est\u00e1 especialmente cara, com uma oferta em queda por causa da peste africana que assola o rebanho su\u00edno chin\u00eas. No Brasil, conforme noticiou o EL PA\u00cdS, o fen\u00f4meno\u00a0transformou o alimento em produto de luxo. Segundo a infla\u00e7\u00e3o medida pelo \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), o pre\u00e7o da carne teve alta de 8,09% em novembro, o maior impacto individual na infla\u00e7\u00e3o geral (de 0,51%).<\/p>\n<p>De acordo com o \u00edndice da FAO, \u00e9 preciso remontar a 2014 para encontrar a carne custando t\u00e3o caro no mundo. Tamb\u00e9m sobem os \u00f3leos, especialmente o de palma. Os analistas advertem que esse coquetel amea\u00e7a provocar uma espiral de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Denis Drechsler, respons\u00e1vel pela Divis\u00e3o de Com\u00e9rcio e Mercados da FAO, aponta as incertezas nos mercados como um dos fatores que explicam a alta. Por um lado, influi o maior apetite por prote\u00ednas em pa\u00edses em vias em desenvolvimento. A demanda cresce n\u00e3o s\u00f3 na China, mas tamb\u00e9m na\u00a0\u00c1frica\u00a0e\u00a0Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Enquanto os pedidos sobem, a oferta se retrai. O surto de peste africana decretado pela China no ano passado atingiu o mercado com for\u00e7a: obrigou a sacrificar milh\u00f5es de animais e fez disparar a demanda por carne de porco no resto do mundo. O impacto vai al\u00e9m, porque tamb\u00e9m impulsionou a demanda por outros produtos de origem animal. \u201cOs consumidores chineses querem carne. E se n\u00e3o houver porco, procurar\u00e3o alternativas como o frango, [outras] aves e a carne bovina\u201d, explica Drechsler.<\/p>\n<blockquote><p>O aquecimento global gera epis\u00f3dios clim\u00e1ticos cada vez mais extremos. At\u00e9 agora tivemos a sorte de que os desastres naturais n\u00e3o tiveram um grande impacto na agricultura, mas h\u00e1 um risco crescente de que estes desastres afetem os pa\u00edses produtores<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m desse fator conjuntural, os analistas detectam tend\u00eancias de mais longa dura\u00e7\u00e3o. \u201cPreparem-se para a pr\u00f3xima alta nos pre\u00e7os da comida\u201d, diz o t\u00edtulo de um relat\u00f3rio publicado h\u00e1 um m\u00eas pelo departamento de an\u00e1lise do Nomura. \u201cDesde 2010, os pre\u00e7os vinham numa tend\u00eancia de baixa. Mas h\u00e1 riscos, aos quais por enquanto n\u00e3o se deu a devida aten\u00e7\u00e3o, de uma alta que poderia se prolongar por v\u00e1rios anos\u201d, diz Rob Subbaraman, autor do relat\u00f3rio, falando por telefone de\u00a0Cingapura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da maior demanda, os analistas do banco de investimento japon\u00eas apontam a mudan\u00e7a clim\u00e1tica como uma das grandes perturba\u00e7\u00f5es no mercado internacional dos alimentos. \u201cO aquecimento global gera epis\u00f3dios clim\u00e1ticos cada vez mais extremos. At\u00e9 agora tivemos a sorte de que os desastres naturais n\u00e3o tiveram um\u00a0grande impacto na agricultura, mas h\u00e1 um risco crescente de que estes desastres afetem os pa\u00edses produtores\u201d, continua Subbaraman, chefe de Pesquisa Global no Nomura.<\/p>\n<p>Outros fatores que explicam as tens\u00f5es pelo lado da oferta s\u00e3o a falta de investimentos no setor agr\u00edcola nos \u00faltimos anos \u2014por causa justamente dos pre\u00e7os baixos dos \u00faltimos anos\u2014 e a\u00a0crescente demanda por carne, um setor que exige grandes extens\u00f5es de terra e quantidades de \u00e1gua \u2014a qual \u00e9 retirada, portanto, do cultivo de outros produtos. A guerra comercial iniciada pelo Governo de\u00a0Donald Trump\u00a0joga mais lenha na fogueira das incertezas.<\/p>\n<p>\u201cVemos pistas de que os pre\u00e7os globais dos alimentos poderiam come\u00e7ar a subir em breve: da peste su\u00edna africana na China aos\u00a0inc\u00eandios catastr\u00f3ficos\u00a0na Austr\u00e1lia, passando pelo aumento do pre\u00e7o da cebola na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/india\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-id=\"133\" data-m=\"{&quot;i&quot;:133,&quot;p&quot;:57,&quot;n&quot;:&quot;partnerLink&quot;,&quot;y&quot;:24,&quot;o&quot;:21}\">\u00cdndia<\/a>\u201d, resume o relat\u00f3rio do banco japon\u00eas. A FAO prefere n\u00e3o fazer previs\u00f5es, mas admite os riscos da situa\u00e7\u00e3o atual. Frente ao alarmismo, o especialista Denis Drechsler insiste em contextualizar a atual eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os: &#8220;Alcan\u00e7ar o n\u00edvel m\u00e1ximo nos dois \u00faltimos anos pode assustar, mas \u00e9 preciso recordar que estamos em pre\u00e7os m\u00ednimos do ponto de vista hist\u00f3rico. N\u00e3o vemos uma crise iminente\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*El Pais &#8211;\u00a0 Luis Doncel. Foto Ilustrativa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo se acostumou a pagar pouco\u00a0para se alimentar. Ap\u00f3s anos de comida barata, o \u00edndice de pre\u00e7os aliment\u00edcios da\u00a0FAO\u00a0(\u00f3rg\u00e3o da\u00a0ONU para a alimenta\u00e7\u00e3o e agricultura) alcan\u00e7ou em novembro seu auge dos dois \u00faltimos anos, impulsionado pela carne\u00a0(afetada pela peste su\u00edna na\u00a0China) e o \u00f3leo de cozinha. Mas o fen\u00f4meno n\u00e3o acaba aqui. 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