{"id":142543,"date":"2020-04-30T07:04:46","date_gmt":"2020-04-30T11:04:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=142543"},"modified":"2020-04-30T07:04:46","modified_gmt":"2020-04-30T11:04:46","slug":"depoimento-de-recruta-mostra-tentativa-de-abafar-tortura-dentro-de-quartel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=142543","title":{"rendered":"Depoimento de recruta mostra tentativa de abafar tortura dentro de quartel"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>O caso aconteceu na tarde do dia 23 de mar\u00e7o, na 9\u00aa Cia de Guarda. Em relato gravado, o recruta contou detalhes da situa\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mais de uma vez o recruta de 18 anos v\u00edtima de \u201ctrote\u201d na sede da 9\u00aa Companhia de Guarda de Campo Grande, h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas, ouviu de alguns colegas para esquecer a situa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o entregar o militar que, em suposta brincadeira, ateou fogo nele. Para que a hist\u00f3ria n\u00e3o se espalhasse, os envolvidos chegaram a oferecer privil\u00e9gios ao rapaz.<\/p>\n<p>O caso aconteceu na tarde do dia 23 de mar\u00e7o. Em depoimento gravado, o recruta contou que estava varrendo a frente do pelot\u00e3o quando recebeu nova ordem de um dos soldados, procurar um isqueiro. Ele andou pela unidade na tentativa de atender ao pedido, mas no caminho encontrou o autor do crime, um sargento da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sargento mandou que ele entrasse em uma sala e ficasse em posi\u00e7\u00e3o de flex\u00e3o para ter a cabe\u00e7a pisada por ele. Por alguns minutos o recruta ficou sem rea\u00e7\u00e3o, chocado com o que ouviu, mas diante da insist\u00eancia do superior, obedeceu.<\/p>\n<p>Aos advogados Pablo Gusm\u00e3o e Renato Franco o rapaz relatou que nesse momento o sargento jogou grande quantidade de um \u201cl\u00edquido gelado\u201d no pesco\u00e7o dele e falou: \u201cse eu riscar esse isqueiro, pega fogo?\u201d. Foi exatamente o que aconteceu. O recruta pegou fogo. Com o susto, o pr\u00f3prio autor ajudou a apagar.<\/p>\n<p>No relato, o recruta lembra que o sargento passou \u00e1gua nos ferimentos e deu gelo para ele colocar na boca, em uma tentativa de amenizar a dor do rapaz. Antes mesmo de o rapaz receber atendimento apropriado e ser levado para a enfermaria, as tentativas de abafar o caso come\u00e7aram.<\/p>\n<p>Depois de pedir desculpa e afirmar que \u201cn\u00e3o sabia o que aconteceria\u201d, o sargento insistiu para ele n\u00e3o contar a verdade a ningu\u00e9m. Falou que tem uma filha e insistiu para o recruta \u201cquebrar essa para ele\u201d. A tentativa de abafar o caso tamb\u00e9m partiu de outros colegas que sabiam do crime.<\/p>\n<p>Outro soldado refor\u00e7ou a necessidade de prote\u00e7\u00e3o ao sargento e chegou a oferecer benef\u00edcios para ele ficar em sil\u00eancio. \u201cSe eu n\u00e3o contasse eu podia ter alguns privil\u00e9gios l\u00e1 dentro, como alivio no campo e poucas guardas durante o ano\u201d, contou o recruta. O grupo n\u00e3o saiu de perto do rapaz por algumas horas, seguiu ele at\u00e9 o alojamento e tentou resolver a situa\u00e7\u00e3o de forma caseira, com pomada e \u00f3leo de girassol.<br \/>\nQueimaduras no pesco\u00e7o de jovem, alvo de &amp;#34;trote&amp;#34; em unidade do Ex\u00e9rcito. (Foto: Direto das Ruas)<br \/>\nQueimaduras no pesco\u00e7o de jovem, alvo de &#8220;trote&#8221; em unidade do Ex\u00e9rcito. (Foto: Direto das Ruas)<\/p>\n<p>Enquanto \u201ccuidavam\u201d do recruta, refor\u00e7aram o pedido para n\u00e3o contar a verdade e criaram sa\u00eddas para explicar o crime. \u201cFalaram em queimadura solar, em alergia a rem\u00e9dio de espinha, ou protetor solar. Pensaram em falar, que como a gente t\u00e1 usando muito \u00e1lcool em gel eu poderia ter misturado com protetor solar e isso ter dado rea\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No decorrer das horas, outros militares do pelot\u00e3o viram o estado do colega e a situa\u00e7\u00e3o chegou aos superiores. O recruta foi convocado para uma reuni\u00e3o com quatro sargentos e sua primeira rea\u00e7\u00e3o foi mentir. \u201cDei minha palavra para ele que n\u00e3o ia contar para ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Aos superiores, o recruta afirmou que as feridas eram queimaduras solares, mas os sargentos n\u00e3o acreditaram na hist\u00f3ria. S\u00f3 depois de ouvir que poderia se prejudicar com a mentira, resolveu contar a verdade. Ele ent\u00e3o foi levado para a enfermaria, onde finalmente atendido corretamente. Oficiais e at\u00e9 o comandante da 9\u00aa Companhia de Guardas ouviram a vers\u00e3o do rapaz de forma informal naquele mesmo dia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um absurdo que em pleno ano 2020 existam situa\u00e7\u00f5es de trotes extremos nos quart\u00e9is\u201d, afirmou Pablo Gusm\u00e3o ao Campo Grande News. O soldado est\u00e1 fazendo acompanhamento psicol\u00f3gico e os advogados defendem que os envolvidos sejam responsabilizados por les\u00e3o corporal dolosa, prevista no artigo 209 do CPM ou at\u00e9 mesmo de crime de tortura castigo, previsto na Lei 9455 \u2013 Lei de Tortura artigo 1\u00ba inciso, II.<\/p>\n<p>At\u00e9 o fechamento da mat\u00e9ria o CMO (Comando Militar do Oeste) ainda n\u00e3o havia se manifestado sobre a situa\u00e7\u00e3o. &#8211;<\/p>\n<p>Por Geisy Garnes- AMPO GRANDE NEWS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caso aconteceu na tarde do dia 23 de mar\u00e7o, na 9\u00aa Cia de Guarda. Em relato gravado, o recruta contou detalhes da situa\u00e7\u00e3o. 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