{"id":148899,"date":"2020-07-12T09:28:35","date_gmt":"2020-07-12T13:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=148899"},"modified":"2020-07-12T09:28:35","modified_gmt":"2020-07-12T13:28:35","slug":"javalis-atacam-lavouras-e-agricultor-deixa-atividade-terror","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=148899","title":{"rendered":"Javalis atacam lavouras e agricultor  deixa atividade, terror!"},"content":{"rendered":"<div>O fazendeiro Amarildo Bizinoto investiu durante anos na produ\u00e7\u00e3o de milho, soja e sorgo na regi\u00e3o oeste de Minas Gerais. Venceu percal\u00e7os frequentes e comuns \u00e0 agricultura: anos de secas, anos de pre\u00e7os baixos dos gr\u00e3os, anos de chuvas devastadoras de granizo. Mas recentemente se viu diante de um advers\u00e1rio ao qual teve de se render.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cTive de parar de plantar milho. J\u00e1 cheguei a ter mil hectares de milho, s\u00f3 que ficou invi\u00e1vel\u201d, disse ele na semana passada na sua fazenda no munic\u00edpio de Sacramento (MG). O que for\u00e7ou Bizinoto, de 51 anos \u2013 33 deles investindo no campo \u2013 a abandonar a cultura de milho em suas terras foram os javalis. \u201cEles entram nas planta\u00e7\u00f5es em manadas; j\u00e1 tive muito preju\u00edzo com javali\u201d.<\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/milho-destruido-.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-148901\" src=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/milho-destruido-.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"999\" srcset=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/milho-destruido-.jpg 1500w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/milho-destruido--300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/milho-destruido--1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/milho-destruido--768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O animal \u00e9 o pesadelo de produtores de diversos Estados, do Rio Grande do Sul \u00e0 Bahia. Est\u00e1 expandindo sua presen\u00e7a por \u00e1reas onde nunca tinha pisado, causando preju\u00edzos em pequenos s\u00edtios e em grandes fazendas e elevando gastos de produ\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em algumas \u00e1reas, a op\u00e7\u00e3o dos agricultores \u2013 como Bizinoto \u2013 tem sido simplesmente desistir do milho, um dos um dos alimentos favoritos do animal.<\/div>\n<div>Assim como ocorre em outros pa\u00edses afetados pela dissemina\u00e7\u00e3o dos javalis, o Brasil permite desde 2013 a ca\u00e7a como forma de controle. A pr\u00e1tica costuma ser alvo de cr\u00edticas de grupos e pessoas engajados na defesa do bem-estar animal.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mesmo ca\u00e7ado aos milhares todos os anos com armas de fogo, lan\u00e7as, cachorros e armadilhas, o javali e seus cruzamentos com porcos, os chamados javaporcos, se proliferam num ritmo acelerado e continuam sendo motivo de preocupa\u00e7\u00e3o no campo pelos estragos que causam em planta\u00e7\u00f5es e \u00e1reas de nascentes de rios. H\u00e1 ainda outro e mais complexo problema associado ao animal: o fato de serem potenciais vetores de transmiss\u00e3o dos v\u00edrus da peste su\u00edna e da febre aftosa.<\/div>\n<div><a href=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ca\u00e7a-javali.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-148900\" src=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ca\u00e7a-javali.png\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ca\u00e7a-javali.png 700w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/ca\u00e7a-javali-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Um estudo recente coordenado pela Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA) e liderado pela zootecnista Ana L\u00edgia Lenat apontou que, em um cen\u00e1rio extremo em que os v\u00edrus da aftosa ou da peste su\u00edna cl\u00e1ssica venham a atingir a popula\u00e7\u00e3o de javalis e javaporcos no Brasil, e a partir deles se dissemine pelos rebanhos bovino e su\u00edno, os preju\u00edzos em tr\u00eas anos seriam de R$ 52 bilh\u00f5es.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0N\u00e3o h\u00e1 nenhuma informa\u00e7\u00e3o, no entanto, de javalis ou javaporcos contaminados com esses v\u00edrus no pa\u00eds. O que h\u00e1 \u00e9 um cen\u00e1rio de alerta e os danos j\u00e1 contabilizados por produtores rurais e centenas de cidades. Sacramento \u00e9 uma delas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com 27 mil habitantes e economia baseada no campo, a cidade viu uma mudan\u00e7a em seu perfil rural nos \u00faltimos anos. Estimativa do sindicato dos produtores rurais da cidade d\u00e1 conta que, alguns atr\u00e1s, havia entre 50 a 60 produtores comerciais de milho na regi\u00e3o e hoje, s\u00e3o cinco ou seis.<\/div>\n<div><\/div>\n<blockquote>\n<div>M<strong><em>uitos produtores passaram a gastar mais com cercas el\u00e9tricas para proteger suas lavouras de milho e soja \u2013 tamb\u00e9m afetadas pelos javalis.<\/em><\/strong><\/div>\n<\/blockquote>\n<div><\/div>\n<div>O que se passa nesta pequena cidade de Minas \u00e9 o mesmo que se v\u00ea em fazendas em S\u00e3o Paulo e tamb\u00e9m na regi\u00e3o Sul. De acordo com Enori Barbieri, vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de Santa Catarina (Faesc), os javalis s\u00e3o respons\u00e1veis por parte da redu\u00e7\u00e3o do plantio de milho no Estado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cAqui no Mato Grosso a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 calamitosa\u201d, afirma Ant\u00f4nio Galvan, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja MT). Segundo ele, o que mais preocupa ainda s\u00e3o as queixadas, um tipo de porco do mato.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cMas o javali e as misturas dele j\u00e1 est\u00e3o entrando e estamos vendo esses animais em algumas regi\u00f5es\u201d, diz Galvan. Gilmar Ogawa, assessor da presid\u00eancia da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria de S\u00e3o Paulo, diz que al\u00e9m dos estragos nas lavouras e nas nascentes, produtores t\u00eam medo de ataques do animal. \u201cTemos reclama\u00e7\u00f5es sobre a presen\u00e7a desse bicho em praticamente todo o Estado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os produtores t\u00eam medo. N\u00e3o podem mais deixar crian\u00e7as irem a um lago sozinhas em regi\u00f5es onde h\u00e1 javalis\u201d, afirma ele. Os javalis e seus cruzamentos s\u00e3o on\u00edvoros: se alimentam principalmente de milho, mas comem outros gr\u00e3os, tub\u00e9rculos, aves e at\u00e9 ovelhas e bezerros rec\u00e9m-nascidos.<\/div>\n<div>O javali \u2013 cujo nome cient\u00edfico \u00e9 Sus scrofa \u2013 \u00e9 uma esp\u00e9cie de porco selvagem, com origem na Europa, \u00c1sia e norte da \u00c1frica. Tr\u00eas homens s\u00e3o presos por ca\u00e7ar javalis.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo dados compilados pelo Plano Nacional de Preven\u00e7\u00e3o, Controle e Monitoramento do Javali \u2013 um documento produzido em 2017 pelos Minist\u00e9rios do Meio Ambiente e da Agricultura \u2013 a primeira introdu\u00e7\u00e3o do animal na Am\u00e9rica do Sul se deu entre 1904 e 1906, pela Argentina. A ca\u00e7a e a cria\u00e7\u00e3o para o corte teriam motivado essa introdu\u00e7\u00e3o. Do Uruguai esses animais se disseminaram pelo Brasil, sobretudo, a partir dos anos 1990.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tamb\u00e9m foram trazidos por criadores para produ\u00e7\u00e3o de carne, para ca\u00e7a esportiva e para zool\u00f3gicos. Nos anos seguintes, se espalharam e passaram a ter vida selvagem cruzando com porcos do mato ou com porcos dom\u00e9sticos. S\u00e3o tr\u00eas a quatro crias por ano, cada uma com sete a oito filhotes. Alguns mant\u00eam o aspecto mais marcado dos javalis puros, com focinhos compridos e presas longas para fora; outros se assemelham mais a porcos. Podem pesar 300 quilos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O plano de preven\u00e7\u00e3o mostra que, em 2005, os javalis eram vistos em cerca de 50 munic\u00edpios do pa\u00eds; entre 2007 e 2008 j\u00e1 haviam chegado a 100 cidades; em 2010 em cerca de 300 e em 2016, 600.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os javalis s\u00e3o considerados animais nocivos e invasores. No Brasil, sua ca\u00e7a \u00e9 permitida como meio de controle da popula\u00e7\u00e3o desde 2013. A ca\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 usada nos EUA, Austr\u00e1lia e outros pa\u00edses.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No Brasil, fazendeiros t\u00eam dois caminhos: obter licen\u00e7as no Ibama, Ex\u00e9rcito e Pol\u00edcia Federal para fazerem o abate e para portarem armas; o outro caminho \u00e9 recorrer a ca\u00e7adores habilitados e autorizados. Porque n\u00e3o podemos proibir a ca\u00e7a do javali Ca\u00e7a ao javali ser\u00e1 aprovada pelo governo<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O Texas est\u00e1 perdendo a guerra contra os javalis Javalis: Praga que tem aterrorizado o campo Morte por ataques de javalis em Minas Gerais Invas\u00e3o de javalis destr\u00f3i 40% das lavouras \u201c\u00c9 um hobby caro que n\u00f3s temos\u201d, afirma J\u00falio C\u00e9sar Ferreira, ca\u00e7ador autorizado de Sacramento. Ele e outro ca\u00e7ador, Adriano Lima, calculam que, juntos, j\u00e1 abateram mais de 300 javalis desde o come\u00e7o deste ano. Dados do Ibama mostram que entre abril e setembro, 2,8 mil javalis foram abatidos em Santa Catarina; 2,2 mil em S\u00e3o Paulo; 1,7 mil em Minas Gerais; 1,2 mil no Rio Grande do Sul; e 1,1 mil no Paran\u00e1.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em outros Estados, as marcas foram menos expressivas. O m\u00e9todo mais usado tem sido o de persegui\u00e7\u00e3o com c\u00e3es. Os n\u00fameros representam os abates regularmente notificados ao Ibama. Mas Daniel Terra, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Ca\u00e7a e Conserva\u00e7\u00e3o, diz que os n\u00fameros oficiais s\u00e3o subestimados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cA gente estima que para cada pessoa que se cadastra no Ibama h\u00e1 outros 15 a 20 ca\u00e7adores n\u00e3o cadastrados\u201d, afirma. Segundo ele, h\u00e1 40 mil cadastrados. Burocracia, custos da legaliza\u00e7\u00e3o e desconhecimento explicariam ainda a grande informalidade na atividade da ca\u00e7a do javali no Brasil.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cNo Texas, nos EUA, empresas fazem o abate de helic\u00f3ptero; na Austr\u00e1lia, por envenenamento\u201d, diz F\u00e1bio Avancini Rodrigues, diretor vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Rio Grande do Sul. O governo federal e t\u00e9cnicos que estudam o tema consideram que n\u00e3o \u00e9 fact\u00edvel acabar com os javalis no Brasil. Mas sim controlar o avan\u00e7o de sua popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div>comprerural.<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fazendeiro Amarildo Bizinoto investiu durante anos na produ\u00e7\u00e3o de milho, soja e sorgo na regi\u00e3o oeste de Minas Gerais. Venceu percal\u00e7os frequentes e comuns \u00e0 agricultura: anos de secas, anos de pre\u00e7os baixos dos gr\u00e3os, anos de chuvas devastadoras de granizo. 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