{"id":154118,"date":"2020-09-09T16:12:18","date_gmt":"2020-09-09T20:12:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=154118"},"modified":"2020-09-09T16:12:18","modified_gmt":"2020-09-09T20:12:18","slug":"forte-exportacao-de-soja-milho-arroz-e-feijao-faz-precos-explodirem-e-traz-de-volta-a-ameaca-da-inflacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=154118","title":{"rendered":"Forte exporta\u00e7\u00e3o de soja, milho, arroz e feij\u00e3o faz pre\u00e7os explodirem e traz de volta a amea\u00e7a da infla\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"materia\">\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria. O Brasil \u00e9 um dos maiores produtores de alimentos do planeta, mas, em raz\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o acentuada de gr\u00e3os, ter\u00e1 que importar essa mesma mat\u00e9ria-prima (soja, milho e arroz) \u2013 pagando pre\u00e7os maiores \u2013 para manter setores essenciais do agroneg\u00f3cio, como o seu gigantesco parque agroindustrial.<\/p>\n<p>\u201cParece um contrassenso\u201d, mostra o vice-presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de Santa Catarina (FAESC)\u00a0Enori Barbieri. \u201cEstamos exportando gr\u00e3os e importando esses mesmos gr\u00e3os por pre\u00e7os maiores para produzirmos carnes e outros alimentos\u201d.<\/p>\n<p>O ponto central dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que falta intelig\u00eancia agr\u00edcola, pois o Brasil exporta comodities, beneficia os concorrentes no mercado mundial da prote\u00edna animal e ainda tem que comprar de outros pa\u00edses o que produz em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O caso mais emblem\u00e1tico \u00e9 da\u00a0soja. O Brasil \u00e9 o maior produtor mundial, mas por quest\u00f5es de falta de planejamento e m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o, ter\u00e1 que importar esse gr\u00e3o para alimentar as cadeias produtivas da avicultura e da suinocultura e o sistema agroindustrial.<\/p>\n<p>Ao atingir, neste ano, 123 milh\u00f5es de toneladas e ultrapassar a pot\u00eancia norte-americana, o Pa\u00eds tornou-se tamb\u00e9m o maior exportador de soja. Foram comercializadas para o exterior 80 milh\u00f5es de toneladas da safra 2019\/2020, das quais 60 milh\u00f5es j\u00e1 foram embarcadas. O mercado est\u00e1 t\u00e3o aquecido que 60% da safra brasileira 2020\/2021 j\u00e1 est\u00e1 vendida no mercado internacional.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os da soja expressam a que est\u00e1gio chegou a valoriza\u00e7\u00e3o da oleaginosa. No in\u00edcio da colheita, em fevereiro, a saca de\u00a060 kg\u00a0estava sendo negociada com o produtor a R$ 85,00 mas, atualmente, est\u00e1 cotada no mercado interno a R$ 130,00.<\/p>\n<p>As agroind\u00fastrias, as integradoras e os criadores j\u00e1 sabem que ter\u00e3o que importar soja, provavelmente dos Estados Unidos. Tamb\u00e9m j\u00e1 sabem que a soja estrangeira custar\u00e1 R$ 150,00 no porto, acrescentando-se a isso o custo da internaliza\u00e7\u00e3o do produto no territ\u00f3rio nacional. \u201cPela primeira vez na hist\u00f3ria recente do agroneg\u00f3cio brasileiro, o pre\u00e7o praticado no interior do Brasil estar\u00e1 acima da Bolsa de Chicago em raz\u00e3o da acentuada escassez do produto, ironicamente, na casa do maior produtor e exportador mundial\u201d, assinala Barbieri.<\/p>\n<p>O farelo de soja, obviamente, acompanha essa escalada. A tonelada j\u00e1 est\u00e1 sendo comercializada acima de R$ 2.000,00.<\/p>\n<p><strong>MILHO e ARROZ<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do\u00a0milho\u00a0\u00e9 muito id\u00eantica \u00e0 da soja. O planeta produz 1,1 bilh\u00e3o de toneladas, estando a lideran\u00e7a com Estados Unidos (370 milh\u00f5es de toneladas), o segundo lugar com a China (250 milh\u00f5es), a terceira posi\u00e7\u00e3o com o Brasil (100 milh\u00f5es) e a quarta com Argentina (50 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o nacional da safra e safrinha colhidas em 2020 foi de 100 milh\u00f5es de toneladas, para um consumo interno de 70 milh\u00f5es de toneladas e exporta\u00e7\u00e3o de 30 milh\u00f5es de toneladas de milho. O pre\u00e7o pago ao produtor est\u00e1 em torno de R$\u00a050,00 a\u00a0saca de\u00a060 kg, mas o mercado prev\u00ea que subir\u00e1 para R$ 65,00. Por\u00e9m, j\u00e1 foram embarcadas 18 milh\u00f5es de toneladas e os bons pre\u00e7os internacionais est\u00e3o direcionando boa parte da produ\u00e7\u00e3o para a exporta\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 ocorreu no ano passado.<\/p>\n<p>Prevendo escassez, grandes consumidores \u2013 especialmente a ind\u00fastria da carne e as cadeias de aves e su\u00ednos \u2013 j\u00e1 est\u00e3o importando. O pre\u00e7o do milho para retirar no porto \u00e9 de R$ 71,00 mais a opera\u00e7\u00e3o log\u00edstica de internaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do milho (e tamb\u00e9m do farelo de soja) encarecer\u00e1 o custo das ra\u00e7\u00f5es para aves e su\u00ednos, aumentando o custo de produ\u00e7\u00e3o dessas prote\u00ednas.<\/p>\n<p>Mais curiosa \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o do\u00a0arroz,\u00a0um dos cereais mais consumidos do mundo. O consumo mundial na safra 2018\/2019 foi de 494 milh\u00f5es de toneladas. O maior produtor \u00e9 a China e o Brasil fica em 11\u00ba lugar.<\/p>\n<p>Dessa vez o Brasil ter\u00e1 que importar, fato que ocorreu pouqu\u00edssimas vezes na hist\u00f3ria. No ano passado, o Pa\u00eds colheu 12 milh\u00f5es de toneladas, mas, os pre\u00e7os ruins dos anos anteriores e a seca deste ano levaram \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea plantada (houve migra\u00e7\u00e3o para soja) e a safra baixou para 10,4 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o menor, a situa\u00e7\u00e3o cambial estimulou a exporta\u00e7\u00e3o de arroz industrializado para o M\u00e9xico. No in\u00edcio da colheita, o produtor recebia R$ 45,00 pela saca de\u00a050 kg, pre\u00e7o que evoluiu para R$ 100,00\/saca. Entretanto, o mercado externo pagou melhor, raz\u00e3o pela qual o arroz brasileiro foi para o mercado mundial.<\/p>\n<p>Resultado: faltou produto no mercado dom\u00e9stico e ser\u00e1 necess\u00e1rio importar porque a pr\u00f3xima safra s\u00f3 entra em fevereiro de 2021. Atentas a isso, as ind\u00fastrias pedem a suspens\u00e3o do imposto de importa\u00e7\u00e3o (8%), mas os arrozeiros brigam pela manuten\u00e7\u00e3o do tributo.<\/p>\n<p>Barbieri analisa que uma das explica\u00e7\u00f5es para acentuada valoriza\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os \u00e9 o abandono da pol\u00edtica de estoques reguladores. Antigamente, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mantinha estoques para intervir no mercado quando surgia alguma distor\u00e7\u00e3o grave nas rela\u00e7\u00f5es concorrenciais. Nos \u00faltimos anos, a Conab somente participa quando os produtos prim\u00e1rios s\u00e3o transacionados com n\u00edvel abaixo dos pre\u00e7os m\u00ednimos \u2013 o que tornou-se dif\u00edcil de ocorrer at\u00e9 mesmo porque os pre\u00e7os m\u00ednimos sempre est\u00e3o desatualizados.<\/p>\n<p>O vice-presidente da FAESC lamenta que a maior parcela dos ganhos n\u00e3o fique no campo. \u201cInfelizmente, esses produtos agr\u00edcolas n\u00e3o est\u00e3o mais na m\u00e3o dos produtores rurais, portanto, quem est\u00e1 ficando com a maior parte desses ganhos s\u00e3o as tradings\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"tags\">\n<h6>Tags:<\/h6>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.noticiasagricolas.com.br\/tags\/agronegocio\/\">Agroneg\u00f3cio<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div class=\"fonte\">Fonte: FAESC<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria. 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