{"id":155662,"date":"2020-09-29T14:47:03","date_gmt":"2020-09-29T18:47:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=155662"},"modified":"2020-09-29T14:47:03","modified_gmt":"2020-09-29T18:47:03","slug":"morte-de-filho-de-brigadista-e-mais-uma-tragedia-do-pantanal-em-chamas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=155662","title":{"rendered":"Morte de filho de brigadista \u00e9 mais uma trag\u00e9dia do Pantanal em chamas"},"content":{"rendered":"<p>Esque\u00e7a o cen\u00e1rio id\u00edlico onde rio, plan\u00edcie e morro retratam a beleza da Barra do Rio S\u00e3o Louren\u00e7o, isolada na Serra do Amolar, at\u00e9 ent\u00e3o uma das \u00e1reas mais preservadas no Pantanal que se espalha por Corumb\u00e1.<\/p>\n<p>De sexta-feira para s\u00e1bado, o vento mudou a dire\u00e7\u00e3o das chamas, que avan\u00e7aram perigosa em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade, onde vivem 23 fam\u00edlias. Horas depois da tens\u00e3o provocada pelo fogo, o menino Heitor Henrique Rodrigues da Silva, 2 anos, caiu no Rio Paraguai. Ele desapareceu na tarde de s\u00e1bado (dia 26) e o corpo foi encontrado na tarde de ontem. O pai do menino \u00e9 brigadista volunt\u00e1rio no combate ao fogo no Pantanal.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o tantos os acontecimentos que a comunidade fica meio atordoada. Primeiro veio o fogo. Como o sinal de internet \u00e9 horr\u00edvel , comecei a pedir socorro para os vizinhos e n\u00e3o conseguia porque n\u00e3o tinha sinal de internet\u201d, conta Leonida Aires de Souza, conhecida como Eliane, moradora e porta-voz da comunidade da Barra do Rio S\u00e3o Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>Quando conseguiu ajuda, chegaram as equipes para enfrentar o fogo. No combate, tamb\u00e9m estava o pai do menino. Controlado o perigo das chamas, depois de uma madrugada insone, j\u00e1 sobreveio mais uma tristeza, a crian\u00e7a caiu do barranco e foi levada pelas \u00e1guas do Rio Paraguai.<\/p>\n<p>\u201cFicamos sem dormir. Todos prestando apoio em combate ao inc\u00eandio, inclusive o pai da crian\u00e7a, que \u00e9 brigadista comunit\u00e1rio. O nen\u00e9m se afogou e ficamos todos transtornados. Tem gente [brigadista] do Paran\u00e1, Bahia. Todos mergulharam, mas foi em v\u00e3o\u201d, diz Eliane, por meio de uma liga\u00e7\u00e3o por aplicativo, em que a voz viaja lenta at\u00e9 o Pantanal.<\/p>\n<p>A reportagem n\u00e3o conseguiu contato com os pais do menino, que desceram hoje pelo rio em viagem de 200 km at\u00e9 Corumb\u00e1 para os procedimentos burocr\u00e1ticos da morte da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que nessa temporada de inc\u00eandios, agonizam todos os viventes: animais, \u00e1rvores e ser-humano. Na manh\u00e3 de s\u00e1bado, na BR-262, entre Miranda e Corumb\u00e1, em meio \u00e0 coluna de fuma\u00e7a que se levanta dos inc\u00eandios, acidente entre dois caminh\u00f5es matou motorista de 60 anos. Em Goi\u00e1s, o brigadista Welington Fernando Peres Silva, 41 anos, morreu em 2 de setembro, 11 dias ap\u00f3s sofrer queimaduras em 80% do corpo.<\/p>\n<p>\u201cMo\u00e7a, nasci aqui, estou aqui e tenho 53 anos. O Pantanal foi mais seco at\u00e9 a enchente de 1974. Mas nunca teve uma queimada t\u00e3o grande no nosso Pantanal como nesse ano. D\u00e1 um enorme vazio de ver as vidas indo embora. O Pantanal \u00e9 a nossa vida\u201d, afirma Eliane.<\/p>\n<p>Pantaneiro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fazendeiro \u2013 Diretor-presidente da Ecoa (Ecologia e A\u00e7\u00e3o), Andr\u00e9 Luiz Siqueira, lembra que a hist\u00f3ria do Pantanal n\u00e3o remonta aos \u00faltimos 300 anos, marco temporal da pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o oito mil anos de ocupa\u00e7\u00e3o. Esse grupo conserva regi\u00f5es importantes para a biodiversidade. \u00c9 um modo de vida, com subsist\u00eancia de forma sustent\u00e1vel. E com uma capacidade que s\u00f3 povos tradicionais conseguem: fazer a leitura, o entendimento, de um ambiente imprevis\u00edvel como o Pantanal\u201d, afirma Andr\u00e9.<\/p>\n<p>A comunidade fica na divisa entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, na conflu\u00eancia com o que no papel chama Rio Cuiab\u00e1, mas no saber que atravessou gera\u00e7\u00f5es \u00e9 chamado mesmo de S\u00e3o Louren\u00e7o pelos vizinhos.<\/p>\n<p>Ao lado do parque nacional, a \u00e1rea \u00e9 uma das mais preservadas do Pantanal e em 2020 foi surpreendida com a voracidade do fogo.<\/p>\n<p>\u201cO impacto ambiental que as queimadas v\u00eam causando tem propor\u00e7\u00f5es absurdas. S\u00e3o grupos isolados, vulner\u00e1veis, n\u00e3o tem atendimento de sa\u00fade, mesmo num per\u00edodo pand\u00eamico. S\u00e3o povos estra\u00e7alhados pelo impacto das queimadas\u201d, afirma o diretor da ONG.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado, o fogo ficou a 30 metros das casas (extens\u00e3o compat\u00edvel a mangueira de jardim). O inc\u00eandio foi combatido por equipes do Prevfogo\/Ibama, Instituto Homem Pantaneiro, volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>A Ecoa reclama da lentid\u00e3o das repostas do poder p\u00fablico para atendimento em sa\u00fade nas zonas rurais e no combate aos inc\u00eandios<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Aline dos Santos &#8211;\u00a0 CAMPO GRANDE NEWS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esque\u00e7a o cen\u00e1rio id\u00edlico onde rio, plan\u00edcie e morro retratam a beleza da Barra do Rio S\u00e3o Louren\u00e7o, isolada na Serra do Amolar, at\u00e9 ent\u00e3o uma das \u00e1reas mais preservadas no Pantanal que se espalha por Corumb\u00e1. 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