{"id":166809,"date":"2021-02-15T10:40:08","date_gmt":"2021-02-15T14:40:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=166809"},"modified":"2021-02-15T10:40:08","modified_gmt":"2021-02-15T14:40:08","slug":"feita-de-celulas-e-sem-matar-animais-carne-de-laboratorio-promete-revolucao-na-pecuaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=166809","title":{"rendered":"Feita de c\u00e9lulas e sem matar animais, carne de laborat\u00f3rio promete revolu\u00e7\u00e3o na pecu\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto a fam\u00edlia come frango na varanda, uma ave caminha despreocupada pela grama. Parece utopia, mas \u00e9 real. Gra\u00e7as \u00e0 tecnologia, o mundo se aproxima de colocar no prato uma in\u00e9dita carne livre de abate.<\/p>\n<p>A cena \u00e9 de um comercial da Eat Just, startup sediada na Calif\u00f3rnia (EUA) que produz carne cultivada \u2013 feita em laborat\u00f3rio a partir de c\u00e9lulas de animais vivos. A nova ind\u00fastria j\u00e1 re\u00fane mais de 50 empresas, de 19 pa\u00edses, um ter\u00e7o delas fundadas em 2019, e promete promover uma nova revolu\u00e7\u00e3o no setor de alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-2\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CNL-nqGO7O4CFaIFuQYdn_wMgg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_4__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_4\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_4\" width=\"640\" height=\"441\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-forms allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-same-origin allow-scripts allow-top-navigation-by-user-activation\" data-google-container-id=\"5\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cN\u00f3s domesticamos os animais h\u00e1 cerca de 10 mil anos e, agora, estamos no limiar do que deve ser uma segunda domestica\u00e7\u00e3o: a possibilidade de domesticar a c\u00e9lula\u201d, diz Carla Molento, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Bem-estar Animal da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e professora de uma pioneira turma de zootecnia celular no Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso abater animais para produzir a carne e a tecnologia reduz drasticamente o uso de terras, \u00e1gua e insumos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a mitiga\u00e7\u00e3o do impacto ambiental, ao emitir menos gases de efeito estufa, tanto no campo quanto na log\u00edstica, para levar o produto at\u00e9 as g\u00f4ndolas e os consumidores.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-3\" class=\"adv adv-article halfpage\" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CO7KyOiO7O4CFdkyuQYdHL0ImA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_6__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_6\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_6\" width=\"300\" height=\"600\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"7\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Outro fator \u00e9 que, para a carne cultivada, a qualidade da gen\u00e9tica importa mais do que a quantidade do rebanho. E o mais impressionante: o uso de biorreatores permite transformar c\u00e9lulas em carne em apenas tr\u00eas semanas.<\/p>\n<p>\u201cHoje, \u00e9 preciso alimentar animais por anos para ter uma pequena por\u00e7\u00e3o de carne nobre. Com a cultivada, ser\u00e1 poss\u00edvel cri\u00e1-la em tr\u00eas semanas. \u00c9 uma mudan\u00e7a disruptiva. Est\u00e1 nascendo uma ind\u00fastria nova\u201d, afirma Gustavo Guadagnini, diretor executivo do The Good Food Institute (GFI) Brasil.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded\" title=\"Primeiro-ministro de Israel provou carne cultivada e gostou (Foto: Kobi Gideon\/Governo de Israel)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/K69yiNo-n-aFMfI-U91JuyZ1w4s=\/780x440\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/12\/primeiro-ministro_de_israel_3_-_kobi_gideon-governo_de_israel.jpg\" alt=\"Primeiro-ministro de Israel prova carne cultivada (Foto: Kobi Gideon\/Governo de Israel)\" width=\"780\" height=\"440\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/K69yiNo-n-aFMfI-U91JuyZ1w4s=\/780x440\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/12\/primeiro-ministro_de_israel_3_-_kobi_gideon-governo_de_israel.jpg\" \/><figcaption>Primeiro-ministro de Israel provou carne cultivada e gostou (Foto: Kobi Gideon\/Governo de Israel)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 sinais claros de que essa tecnologia est\u00e1 cada dia mais perto. J\u00e1 h\u00e1 carne cultivada feita em laborat\u00f3rio \u00e0 venda em um restaurante de Cingapura. Em dezembro, o pa\u00eds asi\u00e1tico se tornou o primeiro a regulamentar a produ\u00e7\u00e3o e a venda do novo produto.<\/p>\n<p>Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu provou a carne no m\u00eas passado e gostou. \u201c\u00c9 deliciosa e livre de culpa, consigo sentir a diferen\u00e7a\u201d, disse. \u201cOs esfor\u00e7os do governo s\u00e3o combinados com um grande interesse do setor empresarial, com quase 100 startups e empresas de prote\u00ednas alternativas. Isso leva \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de fundos de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o, o que deve aumentar ainda mais nos pr\u00f3ximos cinco anos\u201d, destaca Alla Voldman, gerente de rela\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas do GFI Israel.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-4\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CO2vrOqO7O4CFWMDuQYdfFEGeg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_7__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_7\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_7\" width=\"728\" height=\"90\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"8\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>O investimento e o interesse s\u00e3o resultado de uma disputa industrial pela capacidade de produzir em escala e com pre\u00e7o competitivo para chegar aos supermercados. H\u00e1 lan\u00e7amentos previstos para 2021 e perspectiva de que, em cinco anos, f\u00e1bricas j\u00e1 estejam funcionando e o produto possa chegar \u00e0s prateleiras.<\/p>\n<p>Mas, como em toda nova ind\u00fastria, h\u00e1 desafios a vencer. Diferentemente dos alimentos plant-based, que j\u00e1 est\u00e3o se popularizando, a carne cultivada est\u00e1 em uma fase mais t\u00e9cnica, de valida\u00e7\u00e3o de tecnologia.<\/p>\n<p>Uma das consequ\u00eancias disso \u00e9 a incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o. Em 2013, quando o primeiro \u201chamb\u00farguer de laborat\u00f3rio\u201d surgiu, o investimento foi de quase US$ 300mil. No ano passado, a Eat Just disse ter gastado cerca de US$ 50 para produzir um nugget de frango. At\u00e9 o fim de 2021, a proje\u00e7\u00e3o da holandesa Mosa Meat e da espanhola BioTech Foods \u00e9 criar um hamb\u00farguer que custe US$ 10.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded lazy-loaded lazy-loaded\" title=\"Proje\u00e7\u00e3o de como seria &quot;novo frigor\u00edfico&quot; para produzir carne cultivada (Foto: Cellular Agriculture Society\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/QN199L9jss2jukDFSFaxsM_KXD4=\/780x440\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/12\/novo_frigorifico_2_-_cellular_agriculture_society-divulgacao.jpg\" alt=\"Proje\u00e7\u00e3o de novo frigor\u00edfico com carne cultivada (Foto: Cellular Agriculture Society\/Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"780\" height=\"440\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/QN199L9jss2jukDFSFaxsM_KXD4=\/780x440\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/12\/novo_frigorifico_2_-_cellular_agriculture_society-divulgacao.jpg\" \/><figcaption>Proje\u00e7\u00e3o de como seria &#8220;novo frigor\u00edfico&#8221; para produzir carne cultivada (Foto: Cellular Agriculture Society\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cCom biorreatores, ser\u00e1 poss\u00edvel produzir at\u00e9 no deserto. E, quando a tecnologia for dominada e houver um custo competitivo, a pecu\u00e1ria vai se transformar, pois poderemos fazer carne de qualquer animal. At\u00e9 l\u00e1, devemos come\u00e7ar com produtos h\u00edbridos (vegetal + animal) ou baseados em gordura, como bacon\u201d, aponta Guadagnini.<\/p>\n<p>Outro desafio \u00e9 produzir um bife ou peda\u00e7o de carne nobre com a mesma textura dos convencionais \u2013 ao contr\u00e1rio de um hamb\u00farguer, por exemplo, cuja estrutura n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o complexa. Hoje, a expectativa \u00e9 que isso s\u00f3 ocorra a partir de 2030.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-5\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CPS76uyO7O4CFbgtuQYdEBALtQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_8__container__\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_8\" title=\"3rd party ad content\" src=\"https:\/\/d9426d99421d6146c4306fa0c8a30074.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html\" name=\"\" width=\"728\" height=\"90\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-forms allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-same-origin allow-scripts allow-top-navigation-by-user-activation\" data-is-safeframe=\"true\" data-google-container-id=\"9\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>A energia \u00e9 outro gargalo produtivo diante da demanda por biorreatores. \u201cTamb\u00e9m h\u00e1 d\u00favidas sobre qu\u00e3o distributiva ser\u00e1 essa ind\u00fastria. Se poucas detiverem conhecimento, haver\u00e1 concentra\u00e7\u00e3o de poder\u201d, observa Carla Molento, da UFPR.<\/p>\n<p>Fora do processo produtivo, h\u00e1 a decisiva aceita\u00e7\u00e3o do consumidor. Entre as preocupa\u00e7\u00f5es, est\u00e1 o estere\u00f3tipo de que a carne \u00e9 artificial. \u201cMas o frango e a vaca leiteira que a gente v\u00ea hoje tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam nada de naturais na gen\u00e9tica e na forma como s\u00e3o criados. H\u00e1 muita artificialidade na produ\u00e7\u00e3o convencional\u201d, aponta Carla.<\/p>\n<p>O chefe-geral da Embrapa Gado de Corte, Ant\u00f4nio do Nascimento Ferreira Rosa, destaca que o consumidor \u00e9 soberano, mas v\u00ea um mercado mais promissor para a carne cultivada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00edna vegetal, diante da similaridade de suas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded lazy-loaded aligncenter\" title=\"\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/SVOJlL8ojAD3N0Kwzffzj7M4sUA=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/uma_nova_era.png\" alt=\"Mudan\u00e7as que o avan\u00e7o da tecnologia pode trazer (Foto: Felipe Hideki Yatabe)\" width=\"355\" height=\"845\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/SVOJlL8ojAD3N0Kwzffzj7M4sUA=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/uma_nova_era.png\" \/><\/figure>\n<p>\u201cMas vai depender de v\u00e1rios aspectos, como pre\u00e7o e composi\u00e7\u00e3o do produto. Al\u00e9m disso, essas novas ind\u00fastrias s\u00e3o muito verticalizadas, n\u00e3o distribuem renda. Creio que o valor social da cadeia tamb\u00e9m vai ser importante\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Guadagnini observa que o nome \u201ccarne de laborat\u00f3rio\u201d s\u00f3 existe porque a tecnologia ainda est\u00e1 em\u00a0desenvolvimento. \u201cMas n\u00e3o s\u00e3o produtos sint\u00e9ticos, com mol\u00e9culas feitas em laborat\u00f3rio. \u00c9 a reprodu\u00e7\u00e3o id\u00eantica de tecidos de animais\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Assim como no mercado convencional, o agro \u00e9 pe\u00e7a-chave na produ\u00e7\u00e3o de carne cultivada. At\u00e9 porque a perspectiva \u00e9 que a tecnologia n\u00e3o substitua a pecu\u00e1ria, mas sim se consolide como uma op\u00e7\u00e3o a mais de prote\u00edna animal.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-6\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CM2U4-6O7O4CFfQluQYdg2UH2g\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_9__container__\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_9\" title=\"3rd party ad content\" src=\"https:\/\/d9426d99421d6146c4306fa0c8a30074.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html\" name=\"\" width=\"728\" height=\"90\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-forms allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-same-origin allow-scripts allow-top-navigation-by-user-activation\" data-is-safeframe=\"true\" data-google-container-id=\"a\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<figure>\n<p><figure style=\"width: 356px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded\" title=\"(Foto: Fonte: A. T. Kearney)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/5hzE7jTFIBPCLqNydJGpLk-JotU=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/projecoes_mercado_mundial_da_carne.png\" alt=\"Proje\u00e7\u00f5es para o mercado da carne (Foto: Fonte: A. T. Kearney)\" width=\"356\" height=\"408\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/5hzE7jTFIBPCLqNydJGpLk-JotU=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/projecoes_mercado_mundial_da_carne.png\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">(Foto: Fonte: A. T. Kearney)<\/figcaption><\/figure><figcaption>&nbsp;<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEm 2015, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO, na sigla em ingl\u00eas) projetava que o mundo iria demandar em torno de 480 milh\u00f5es de toneladas a mais de prote\u00edna de origem animal at\u00e9 2050. Tem mercado para todo mundo. \u00c9 preciso olhar tudo isso como oportunidade\u201d, analisa Cleber Soares, diretor de inova\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>Segundo ele, a pasta pretende lan\u00e7ar ainda em 2021 um plano nacional de prote\u00ednas alternativas. O\u00a0foco principal \u00e9 o mercado plant-based, que se consolida no pa\u00eds, mas a carne cultivada tamb\u00e9m estar\u00e1 no programa, que deve incluir fomento para pesquisa e tecnologia (o valor ainda n\u00e3o est\u00e1 definido).<\/p>\n<p>As diretrizes do plano brasileiro ser\u00e3o debatidas em um workshop no dia 19 de mar\u00e7o, durante a Food Tech Expo. \u201cA inten\u00e7\u00e3o \u00e9 estimular o desenvolvimento de ativos, mercado e tecnologia. N\u00e3o d\u00e1 para imaginar que o Brasil vai ser s\u00f3 um grande exportador de commodities. Podemos agregar valor\u201d, analisa Soares.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded\" title=\"(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/p00Zib0KKijv8EjIIH0qeGtyM7w=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/divulgacao.jpeg\" alt=\"Carne in vitro (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"1303\" height=\"868\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/p00Zib0KKijv8EjIIH0qeGtyM7w=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/divulgacao.jpeg\" \/><figcaption>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>CEO do Food Tech Hub, ecossistema do setor agroalimentar que re\u00fane startups e investidores, Paulo Silveira aponta tr\u00eas pontos cruciais para o plano: identificar as prote\u00ednas que o Brasil \u00e9 capaz de produzir em escala; levar a tecnologia aos produtores; e construir um banco de dados sobre mat\u00e9rias-primas e sua utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-7\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CPTW7--O7O4CFWIC1AodLJAOzg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_10__container__\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_10\" title=\"3rd party ad content\" src=\"https:\/\/d9426d99421d6146c4306fa0c8a30074.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html\" name=\"\" width=\"728\" height=\"90\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-forms allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-same-origin allow-scripts allow-top-navigation-by-user-activation\" data-is-safeframe=\"true\" data-google-container-id=\"b\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cO Brasil ainda est\u00e1 engatinhando. Mas d\u00e1 para recuperar. A gente tem capacidade t\u00e9cnica de pesquisa, s\u00f3 precisamos de foco e investimento. Plant-based \u00e9 uma revolu\u00e7\u00e3o e carne cultivada \u00e9 uma realidade, queiram ou n\u00e3o\u201d, afirma Silveira.<\/p>\n<p>Guadagnini, do GFI Brasil, pondera que o agro ter\u00e1 tempo suficiente para se adaptar e v\u00ea como primeiro passo uma maior conex\u00e3o com o setor plant-based. \u201c\u00c9 poss\u00edvel criar vaca e, ao mesmo tempo, plantar aveia para produzir bebida vegetal. Isso tamb\u00e9m diversifica a renda do produtor e o protege contra sazonalidade e varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os.\u201d<\/p>\n<p>Outro fator de est\u00edmulo \u00e9 o envolvimento de gigantes da carne na nova ind\u00fastria. \u201c\u00c9 muito prov\u00e1vel que elas entrem no setor de carne cultivada atrav\u00e9s de aquisi\u00e7\u00f5es e investimentos. Esses namoros entre empresas e startups j\u00e1 est\u00e3o acontecendo\u201d, revela o diretor do GFI Brasil.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded lazy-loaded\" title=\"(Fonte: GFI, Universidade de Maastricht)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/e_VMqmU8TeGifg0dAmGKbiH28Q0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/como_e_feita_a_carne_cultivada.png\" alt=\"Como \u00e9 feita a carne cultivada (Foto: Fonte: GFI, Universidade de Maastricht)\" width=\"900\" height=\"671\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/e_VMqmU8TeGifg0dAmGKbiH28Q0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/como_e_feita_a_carne_cultivada.png\" \/><figcaption>(Fonte: GFI, Universidade de Maastricht)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas, apesar do potencial imenso para ser protagonista na carne cultivada, por dispor de biodiversidade e expertise em nutri\u00e7\u00e3o celular e gen\u00e9tica animal, o Brasil, ao menos por enquanto, est\u00e1 no fim da fila quando o assunto \u00e9 pesquisa.<\/p>\n<p>A Embrapa j\u00e1 tem estudos sobre plant-based, mas n\u00e3o conduz nenhum sobre carne cultivada. Enquanto isso, a\u00e7\u00f5es independentes come\u00e7am a botar o Brasil no cen\u00e1rio mundial da produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso da Biomimetic Solutions, spin-off de uma startup que nasceu no Centro Federal de Educa\u00e7\u00e3oTecnol\u00f3gica (Cefet) de Minas Gerais.<\/p>\n<div id=\"pub-materia-8\" class=\"adv adv-article \" data-advertising=\"0\" data-advertising-status=\"complete\" data-google-query-id=\"CI-R-fCO7O4CFdYDuQYd1vsNvA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_11__container__\"><iframe loading=\"lazy\" id=\"google_ads_iframe_\/85042905\/edgloborural\/noticias\/pesquisa-e-tecnologia\/materia_11\" title=\"3rd party ad content\" src=\"https:\/\/d9426d99421d6146c4306fa0c8a30074.safeframe.googlesyndication.com\/safeframe\/1-0-37\/html\/container.html\" name=\"\" width=\"970\" height=\"250\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-forms allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-same-origin allow-scripts allow-top-navigation-by-user-activation\" data-is-safeframe=\"true\" data-google-container-id=\"c\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Liderada por mulheres, a empresa come\u00e7ou focada em produzir nanofibra para o mercado de pele artificial, mas hoje desenvolve scaffold, esp\u00e9cie de andaime em que m\u00fasculos e gordura s\u00e3o moldados para estruturar a carne cultivada em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy-loaded lazy-loaded lazy-loaded\" title=\"Alana Santos Benz, CEO da startup Biomimetic Solutions (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" src=\"https:\/\/s2.glbimg.com\/0Yu3IXJZ7fVcc38287vFvUTp-cA=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/alana.jpeg\" alt=\"Alana Santos Benz, CEO da startup Biomimetic Solutions (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)\" width=\"894\" height=\"868\" data-src=\"\/\/s2.glbimg.com\/0Yu3IXJZ7fVcc38287vFvUTp-cA=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2021\/02\/11\/alana.jpeg\" \/><figcaption>Alana Santos Benz, CEO da startup Biomimetic Solutions (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ap\u00f3s receber aporte de US$ 100 mil, a startup teve sua sede transferida para Londres (Inglaterra), por exig\u00eancia dos investidores, mas mant\u00e9m filial em Belo Horizonte (MG). Hoje, est\u00e1 em processo de capta\u00e7\u00e3o de US$ 3 milh\u00f5es, que ser\u00e3o investidos na cria\u00e7\u00e3o de uma base pr\u00f3pria de pesquisa, visto que hoje utiliza um laborat\u00f3rio compartilhado.<\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 ter um laborat\u00f3rio no Brasil. Mas a forma como \u00e9 feito o investimento em ci\u00eancia no Brasil preocupa os investidores. V\u00e1rios falaram que n\u00e3o se sentem seguros e que nosso pa\u00eds vive uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica inst\u00e1vel\u201d, conta Alana Santos Benz, fundadora e CEO da Biomimetic Solutions.<\/p>\n<p>Para se credenciar para um novo aporte, a startup tem at\u00e9 meados deste ano para cumprir metas definidas com os investidores, como entregar tr\u00eas scaffolds para cultivo de carne de peixe, frango e boi.<\/p>\n<p>\u201cO mercado da carne cultivada vai acontecer, com o Brasil dentro ou n\u00e3o. Temos tanta biodiversidade, insumos naturais. Precisamos estar na traseira tecnol\u00f3gica? J\u00e1 tem empresas patenteando o uso de nossas riquezas, e nem s\u00e3o brasileiras\u201d, revela Alana.<\/p>\n<p>Carla Molento, da UFPR, afirma que s\u00f3 o investimento em pesquisa dar\u00e1 chances ao Brasil de se tornar fornecedor dessa nova ind\u00fastria. \u201c\u00c9 uma oportunidade imensa. Mas \u00e9 preciso se engajar para n\u00e3o se tornar dependente de tecnologia de outros pa\u00edses, pois esse mercado vai crescer de qualquer jeito e corremos o risco de ficar de fora.\u201d<\/p>\n<p>Para Guadagnini, do GFI Brasil, financiar pesquisas e avan\u00e7ar em regulamenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o estrat\u00e9gias para estimular o setor no pa\u00eds. \u201c\u00c9 preciso investir em ci\u00eancia, pois hoje faltam fontes de financiamento. Com R$ 5 milh\u00f5es, j\u00e1 seria poss\u00edvel criar uma rede de universidades para colocar a pesquisa no Brasil de vento em popa\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Fonte: Alana Fraga, Cleyton Vilarino e Leandro Becker, Globo Rural<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto a fam\u00edlia come frango na varanda, uma ave caminha despreocupada pela grama. Parece utopia, mas \u00e9 real. Gra\u00e7as \u00e0 tecnologia, o mundo se aproxima de colocar no prato uma in\u00e9dita carne livre de abate. A cena \u00e9 de um comercial da Eat Just, startup sediada na Calif\u00f3rnia (EUA) que produz carne cultivada \u2013 feita [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":166811,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-166809","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agropecuaria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/166809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=166809"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/166809\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":166814,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/166809\/revisions\/166814"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/166811"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=166809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=166809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=166809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}