{"id":16712,"date":"2015-12-08T09:43:49","date_gmt":"2015-12-08T12:43:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=16712"},"modified":"2015-12-08T09:43:49","modified_gmt":"2015-12-08T12:43:49","slug":"pantanal-pode-ser-drasticamente-afetado-por-mudancas-climaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=16712","title":{"rendered":"Pantanal pode ser drasticamente afetado por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas"},"content":{"rendered":"<p>O Pantanal \u00e9 uma das maiores \u00e1reas \u00famidas cont\u00ednuas do planeta, abrangendo parte dos territ\u00f3rios do Brasil, Paraguai e Bol\u00edvia. No territ\u00f3rio brasileiro, ocupa 150,3 mil km\u00b2 em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Apesar de ser o menor bioma em extens\u00e3o territorial no pa\u00eds, \u00e9 um dos mais exuberantes no que se refere a fauna e flora e um dos mais preservados. Mant\u00e9m, segundo o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, 86,77% de sua cobertura vegetal nativa.<\/p>\n<div class=\"saibamais componente_materia\">O bioma, conforme o minist\u00e9rio, tem mais de mil esp\u00e9cies de animais catalogadas, sendo 263 de peixes, 41 de anf\u00edbios, 113 de r\u00e9pteis, 463 de aves e 132 de mam\u00edferos, al\u00e9m de quase duas mil esp\u00e9cies de plantas identificadas e classificadas, algumas, inclusive, com grande potencial medicinal. Diante da riqueza dessa biodiversidade, o Pantanal foi declarado Patrim\u00f4nio Nacional pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e Patrim\u00f4nio da Humanidade e Reserva da Biosfera pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/div>\n<p>Este bioma, modelo de preserva\u00e7\u00e3o ambiental e sustentabilidade, j\u00e1 est\u00e1 sendo amea\u00e7ado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que est\u00e3o ocorrendo em escala global. O alerta \u00e9 de alguns especialistas ouvidos pelo <strong>G1<\/strong>. Eles apontam que altera\u00e7\u00f5es est\u00e3o ocorrendo e que, se n\u00e3o forem tomadas medidas para control\u00e1-las, o Pantanal corre o risco de colapso em algumas d\u00e9cadas.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\">\n<figure style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Propriedade alagada durante o ciclo de cheia do Pantanal em Mato Grosso do Sul (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/pJLJI4lfdBoptopfJZIXYvp3sko=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/11\/20\/propriedade_alagada_pantanal.jpg\" alt=\"Propriedade alagada durante o ciclo de cheia do Pantanal em Mato Grosso do Sul (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Propriedade alagada durante ciclo de cheia do Pantanal em MS (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Um dos que pedem a ado\u00e7\u00e3o imediata de a\u00e7\u00f5es para mitigar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no bioma \u00e9 o engenheiro florestal e coordenador do programa Cerrado-Pantanal da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental WWF Brasil, J\u00falio C\u00e9sar Sampaio. A entidade tem o bioma como uma das 35 \u00e1reas priorit\u00e1rias no mundo e desenvolve, h\u00e1 cerca de dez anos na regi\u00e3o, a\u00e7\u00f5es voltadas para a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, desenvolvimento de cadeias produtivas sustent\u00e1veis, prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade e educa\u00e7\u00e3o para a conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Sampaio explicou que o Pantanal como um bioma \u00famido depende fundamentalmente do ciclo hidrol\u00f3gico de cheia e seca para sua manuten\u00e7\u00e3o e que uma das principais ocorr\u00eancias do processo de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o de per\u00edodos de estiagem mais longos e extremos, j\u00e1 \u00e9 sentido em algumas regi\u00f5es pantaneiras. \u201cEm alguns munic\u00edpios do Pantanal, a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 percebendo que a seca est\u00e1 ficando mais longa e mais severa\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Ele aponta que a persist\u00eancia desse \u201cevento extremo\u201d do processo de mudan\u00e7a clim\u00e1tica na regi\u00e3o pode afetar \u201cdrasticamente\u201d todo o ecossistema pantaneiro, influenciando no ciclo de inunda\u00e7\u00f5es e empurrando v\u00e1rias esp\u00e9cies de peixes e animais para \u00e1reas cada vez menores, \u201cestrangulando\u201d o bioma. \u201cEsse processo j\u00e1 est\u00e1 em curso. \u00c9 percept\u00edvel em v\u00e1rias cidades da regi\u00e3o. Se n\u00e3o forem adotadas medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, de preserva\u00e7\u00e3o das nascentes, principalmente na regi\u00e3o do Planalto, onde elas est\u00e3o pressionadas pela agricultura e pecu\u00e1ria, isso afetar\u00e1 a din\u00e2mica hidrol\u00f3gica do Pantanal\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Sampaio diz que esse processo que j\u00e1 est\u00e1 transcorrendo ainda pode ser acelerado em raz\u00e3o de uma outra situa\u00e7\u00e3o, est\u00e1 de a\u00e7\u00e3o ainda mais direta do homem, a da instala\u00e7\u00e3o de pequenas centrais hidrel\u00e9tricas, as chamadas PCHs, ao longo da bacia pantaneira. \u201cSe o quadro permanecer como est\u00e1, se n\u00e3o forem adotadas pol\u00edticas p\u00fablicas para assegurar a preserva\u00e7\u00e3o e recuperar a bacia, em 20 ou 30 anos o Pantanal poder\u00e1 estar estrangulado\u201d, afirma.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\">\n<figure style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Professor do curso de Geografia da UFMS, Aguinaldo Silva (Foto: Arquivo Pessoal\/Aguinaldo Silva)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/NOXYGXawiEj6xmahPAde0Y0X-Js=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/11\/20\/professor_aguinaldo.jpg\" alt=\"Professor do curso de Geografia da UFMS, Aguinaldo Silva (Foto: Arquivo Pessoal\/Aguinaldo Silva)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Professor do curso de Geografia da UFMS, Aguinaldo Silva (Foto: Arquivo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Outro especialista que aponta que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas podem ter grande impacto no Pantanal \u00e9 o professor do curso de geografia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em Corumb\u00e1 e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), Aguinaldo Silva.<\/p>\n<p>Desde 2000, ele faz parte de um grupo de pesquisa &#8220;Sistemas Fluviais e Meio Ambiente&#8221; que estuda as mudan\u00e7as ambientais no Pantanal. Essa equipe conta com integrantes da UFMS, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de Kentucky (EUA) e da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), e ainda com apoio de diversas institui\u00e7\u00f5es de fomento, como o pr\u00f3prio CNPq, a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa de S\u00e3o Paulo (Fapesp), a Funda\u00e7\u00e3o de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ci\u00eancia e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect) e ainda a National Science Foundation (NSF) e a National Geographic Committee for Research and Exploration, ambas dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cCom certeza, o sistema clim\u00e1tico global pode ter influ\u00eancia sobre o Pantanal e a vida pantaneira. Mudan\u00e7as nas \u00e1guas dos oceanos tropicais, especialmente o Pac\u00edfico, podem ter grandes efeitos sobre a precipita\u00e7\u00e3o no interior continental, e, portanto, sobre a ocorr\u00eancia e dura\u00e7\u00e3o das inunda\u00e7\u00f5es\u201d, explica.<\/p>\n<div class=\"saibamais componente_materia\">Silva ressalta que essa altera\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica pode provocar mudan\u00e7as significativas na regi\u00e3o pantaneira. \u201cPodemos dizer com alguma confian\u00e7a que o clima global est\u00e1 mudando, e as temperaturas est\u00e3o se tornando mais quentes. A maioria dos modelos clim\u00e1ticos concordam com esse cen\u00e1rio. Isso pode ter consequ\u00eancias dram\u00e1ticas para o ciclo da \u00e1gua do Pantanal, alterando o ciclo de inunda\u00e7\u00e3o anual do rio Paraguai. Poder\u00e3o ocorrer longos per\u00edodos de seca, o que influenciar\u00e1 negativamente a flora e a fauna. Esperamos que a nossa pesquisa possa ajudar a esclarecer quais os fatores principais devem ser levados em considera\u00e7\u00e3o para minimizar os efeitos perversos de poss\u00edveis per\u00edodos futuros de secas mais pronunciadas\u201d, comenta.<\/div>\n<p>Assim como o coordenador do programa Cerrado-Pantanal da WWF Brasil, o pesquisador da UFMS aponta a recupera\u00e7\u00e3o das nascentes da bacia pantaneira, na regi\u00e3o do Planalto, como uma medida que poderia ser adotada para, pelo menos, diminuir o ritmo do impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs maiores amea\u00e7as ao Pantanal est\u00e3o localizadas nas \u00e1reas do Planalto como, por exemplo, o uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo, o que feito sem planejamento pode aumentar o aporte de sedimentos para dentro do sistema o que poder\u00e1 provocar o assoreamento de alguns rios, impactando diretamente a navega\u00e7\u00e3o e o turismo de pesca. Outra amea\u00e7a s\u00e3o as hidrel\u00e9tricas, que podem interferir no regime hidrol\u00f3gico dos rios e estes, tendem a ajustar suas din\u00e2micas fluviais \u00e0s interven\u00e7\u00f5es. Impedir o desenvolvimento de atividades econ\u00f4micas no entorno do Pantanal \u00e9 muito dif\u00edcil. Mas \u00e9 necess\u00e1rio buscar entendimento entre os diversos setores para que se possam amenizar os impactos na regi\u00e3o. Uma das alternativas para diminuir as mudan\u00e7as ocasionadas por a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas seria recuperar as \u00e1reas degradadas no Planalto e introduzir t\u00e9cnicas apropriadas de ocupa\u00e7\u00e3o e manejo do solo, principalmente nas cabeceiras: Isso resultaria na diminui\u00e7\u00e3o da entrada de sedimentos e, ao longo do tempo, os pr\u00f3prios rios buscariam um novo equil\u00edbrio\u201d, analisa.<\/p>\n<p><strong>Falta de dados sobre a situa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\">\n<figure style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Chefe-geral da Embrapa Pantanal, Emiko Resende (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/YyFZFL2PTSLUqaUpVA9GKRswVyk=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/11\/20\/emiko_resende.jpg\" alt=\"Chefe-geral da Embrapa Pantanal, Emiko Resende (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Chefe-geral da Embrapa Pantanal, Emiko Resende (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em contrapartida, a chefe-geral da Embrapa Pantanal, Emiko Resende, diz que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apontar que o Pantanal j\u00e1 est\u00e1 sentindo os reflexos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. \u201cAinda n\u00e3o existem dados suficientes para responder a esta quest\u00e3o para o Pantanal. Entretanto, os dois \u00faltimos anos tiveram as cheias atrasadas. Geralmente, ocorre a enchente at\u00e9 final de maio e em junho, j\u00e1 se inicia a vazante, mas nestes dois \u00faltimos anos, a cheia se estendeu at\u00e9 junho e somente em julho, o rio Paraguai come\u00e7ou a secar, ao menos na regi\u00e3o de Corumb\u00e1\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Apesar desse atraso nas cheias nos \u00faltimos anos, Emiko reafirma que isso n\u00e3o pode ser atribu\u00eddo ainda \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. \u201cComo o sistema sofre de pulsos de inunda\u00e7\u00e3o vari\u00e1veis, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel atribu\u00ed-los a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Entretanto, vale lembrar que o n\u00edvel do rio Paraguai tem oscilado de forma variada ao longo do s\u00e9culo XX e in\u00edcio deste s\u00e9culo. As leituras da altura do rio Paraguai, na r\u00e9gua de Lad\u00e1rio, foram iniciadas pela Marinha do Brasil em 1900 e observou-se que, no per\u00edodo de 1960 a 1974, houve um per\u00edodo de seca de 14 anos, em que a altura m\u00e1xima do rio Paraguai foi inferior \u00e0s alturas m\u00ednimas das d\u00e9cadas seguintes. No per\u00edodo de 1975 a 2008, o rio Paraguai ultrapassou os 5 metros todos os anos, tendo havido cheias excepcionais que chegaram perto dos seis metros. A partir de 2008, as cheias voltaram a oscilar de ano para ano, entre cheias grandes e pequenas, como no per\u00edodo de 1900 a 1964. Dessa forma, ainda torna-se muito prematuro e dif\u00edcil fazer qualquer previs\u00e3o\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Mas se ainda n\u00e3o existem, conforme a Embrapa Pantanal, dados que atestem os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no Pantanal. A institui\u00e7\u00e3o trabalha em um projeto, o Pecus Pantanal, que est\u00e1 estudando os efeitos que pecu\u00e1ria causa no aquecimento global.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\">\n<figure style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pesquisadora da Embrapa Pantanal, Ana Fernades (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/neDjjSFn-kPAu3HBoDeUGfJPCsE=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/11\/20\/pesquisadora_ana_fernandes.jpg\" alt=\"Pesquisadora da Embrapa Pantanal, Ana Fernades (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pesquisadora da Embrapa Pantanal, Ana Fernades (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cO projeto faz parte da Rede Pecus, que est\u00e1 em todos os biomas do Brasil, respeitando os sistemas produtivos de cada um. No Pantanal, estamos medindo as emiss\u00f5es de metano ent\u00e9rico (produzidos pela fermenta\u00e7\u00e3o ent\u00e9rica dos bovinos, que \u00e9 um processo natural da digest\u00e3o dos ruminantes) e as emiss\u00f5es de metano que v\u00eam do solo, das \u00e1reas alag\u00e1veis. Essa emiss\u00e3o do solo \u00e9 um processo que tamb\u00e9m \u00e9 natural, comum em regi\u00f5es de \u00e1reas alag\u00e1veis. O g\u00e1s \u00e9 produzido em solos encharcados, com pouco oxig\u00eanio. N\u00f3s investigamos, ainda, se esses solos absorvem o metano quando secam. Com essas investiga\u00e7\u00f5es pretendemos, em primeiro lugar, produzir dados reais, que sejam medidos e n\u00e3o estimados a partir de par\u00e2metros definidos internacionalmente, longe da nossa realidade. Assim, queremos analisar a contribui\u00e7\u00e3o efetiva da pecu\u00e1ria no Pantanal para a emiss\u00e3o de gases do efeito estufa e, consequentemente, para o aquecimento global. Tamb\u00e9m queremos verificar se existem a\u00e7\u00f5es que podem mitigar essa emiss\u00e3o ou compens\u00e1-la\u201d, detalha a pesquisadora Ana Marozzi Fernandes.<\/p>\n<p>Ela aponta que o projeto \u201cPecus Pantanal\u201d est\u00e1 completando quatro anos em 2015 e ainda tem mais um de dura\u00e7\u00e3o para a capta\u00e7\u00e3o de dados, sendo os primeiros resultados divulgados entre 2016 e 2017.<\/p>\n<p><strong>Tudo normal para o produtor<\/strong><br \/>\nPara o presidente do Sindicato Rural de Corumb\u00e1, Luciano Leite, a regi\u00e3o ainda n\u00e3o foi afetada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cAqui n\u00e3o temos sentido a mudan\u00e7a clim\u00e1tica n\u00e3o. O ritmo de cheia e seca permanece o mesmo. \u00c9 l\u00f3gico que temos, conforme pesquisas da pr\u00f3pria Embrapa Pantanal, ciclos de cheia mais alta, que duram de 15 a 20 anos, e outros de cheia mais baixa, que durante o mesmo per\u00edodo, mas tudo dentro da normalidade\u201d.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\">\n<ul>\n<li><\/li>\n<\/ul>\n<figure style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pecu\u00e1ria extensiva \u00e9 a principal atividade economica do Pantanal em Mato Grosso do Sul (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/Z0ji_PC-lwlMzYjrr4lUeZiW0Ow=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/11\/20\/gado_pantaneiro.jpg\" alt=\"Pecu\u00e1ria extensiva \u00e9 a principal atividade economica do Pantanal em Mato Grosso do Sul (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pecu\u00e1ria extensiva \u00e9 principal atividade econ\u00f4mica do Pantanal (Foto: Nicoli Dichoff\/Embrapa Pantanal)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>A forma\u00e7\u00e3o do Pantanal<\/strong><br \/>\nSegundo o professor Aguinaldo Silva, o Pantanal \u00e9 uma bacia sedimentar quatern\u00e1ria localizada na bacia do Alto Paraguai.\u00a0 Na paisagem existem muitas \u201cfei\u00e7\u00f5es geomorfol\u00f3gicas\u201d, herdadas de diferentes tipos de climas, que tem pelo menos cerca de 200.000, no per\u00edodo Pleistoceno. Muitas dessas \u201cfei\u00e7\u00f5es\u201d ainda s\u00e3o vis\u00edveis na morfologia do bioma. Ele aponta que a paisagem tem se modificado desde o fim do Pleistoceno, em uma adapta\u00e7\u00e3o a um ambiente mais \u00famido e quente dominante no per\u00edodo Holoceno (a partir de 11.000 anos atr\u00e1s).<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\">\n<figure style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Montagem de equipamento para a recupera\u00e7\u00e3o de &amp;#39;testemunho sedimentar&amp;#39; em pesquisa sobre o Pantanal na lagoa Uberaba (Foto: Arquivo Pessoal\/Aguinaldo Silva)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/kj7jVBuYlNH68_r7reUAo45NYvw=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/11\/22\/professor_aguinaldo3.jpg\" alt=\"Montagem de equipamento para a recupera\u00e7\u00e3o de &amp;#39;testemunho sedimentar&amp;#39; em pesquisa sobre o Pantanal na lagoa Uberaba (Foto: Arquivo Pessoal\/Aguinaldo Silva)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Pesquisa sobre o Pantanal na lagoa Uberaba (Foto: Arquivo Pessoal\/Aguinaldo Silva)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cA paisagem do Pantanal como conhecemos hoje \u00e9 uma vasta plan\u00edcie com baixo gradiente topogr\u00e1fico, tendo o rio Paraguai como tronco do sistema. O escoamento superficial das \u00e1guas \u00e9 muito lento e por isso muitas \u00e1reas s\u00e3o inundadas nos meses de ver\u00e3o e outono. Estudos realizados nos sedimentos da lagoa Gaiva indicam que no in\u00edcio do per\u00edodo Holoceno o clima era mais seco do que no presente, e \u00e9 prov\u00e1vel que uma seca importante influenciou as zonas \u00famidas entre 5 mil e 2 mil anos antes do presente.\u00a0 H\u00e1 cerca de 2.000 anos houve novamente aumento da umidade na regi\u00e3o.\u00a0 Os estudos que est\u00e3o sendo desenvolvidos atualmente na \u00e1rea da lagoa Uberaba podem fornecer evid\u00eancias adicionais para altera\u00e7\u00f5es na hidrologia e as ocorr\u00eancias dos eventos em quest\u00e3o. Ser\u00e1 interessante ver se a lagoa Uberaba foi sens\u00edvel \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas durante o Holoceno. As amostras est\u00e3o em an\u00e1lise e a partir do resultados obtidos pelo\u00a0 m\u00e9todo de data\u00e7\u00e3o pelo m\u00e9todo do carbono 14,\u00a0 poderemos precisar melhor quando a\u00a0 precipita\u00e7\u00e3o aumentou e o Pantanal passou a ter as \u00e1reas inund\u00e1veis que conhecemos hoje\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<p>Aguinaldo Silva diz que em raz\u00e3o da extens\u00e3o do bioma ainda ser\u00e1 necess\u00e1rio estudar muitas \u00e1reas para que se possa ter conhecimento da evolu\u00e7\u00e3o do Pantanal como um todo. \u201cIsto certamente depender\u00e1 de muitas pesquisas e muito tempo ainda\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0<strong class=\"fn\">Anderson Viegas;\u00a0<\/strong><span class=\"adr\"><span class=\"locality\">Do G1 MS<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pantanal \u00e9 uma das maiores \u00e1reas \u00famidas cont\u00ednuas do planeta, abrangendo parte dos territ\u00f3rios do Brasil, Paraguai e Bol\u00edvia. No territ\u00f3rio brasileiro, ocupa 150,3 mil km\u00b2 em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Apesar de ser o menor bioma em extens\u00e3o territorial no pa\u00eds, \u00e9 um dos mais exuberantes no que se refere [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":16713,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[],"class_list":["post-16712","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16712","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16712\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/16713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}