{"id":16976,"date":"2015-12-11T14:36:29","date_gmt":"2015-12-11T17:36:29","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=16976"},"modified":"2015-12-11T14:36:29","modified_gmt":"2015-12-11T17:36:29","slug":"uso-de-bufalos-para-espantar-onca-pode-ter-consequencias-diz-embrapa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=16976","title":{"rendered":"Uso de b\u00fafalos para espantar on\u00e7a pode ter consequ\u00eancias, diz Embrapa"},"content":{"rendered":"<div class=\"bloco_texto_span\">\n<p>No Pantanal sul-mato-grossense e em outras regi\u00f5es do pa\u00eds e do mundo, fazendeiros criam b\u00fafalos para espantar on\u00e7as que atacam o rebanho de gado. Eles fazem uma barreira e impedem que as predadoras cheguem at\u00e9 os bois para mat\u00e1-los, mas essa estrat\u00e9gia traz graves problemas. Os animais que fogem podem matar pessoas, como ocorreu no dia 13 de setembro deste ano, quando um pe\u00e3o de 59 anos e seu cavalo foram atacados por um b\u00fafalo,\u00a0ao passarem por uma \u00e1rea com mato denso e alto.<\/p>\n<p>O buf\u00e1lo matou o cavalo na hora e perfurou o abd\u00f4men de Anorvo Gomes da Silva, que morreu uma semana depois. O caso ocorreu em uma fazenda no Pantanal da Nhecol\u00e2ndia, na regi\u00e3o de Corumb\u00e1, a 419 quil\u00f4metros de Campo Grande.<\/p>\n<p>Pecuarista no Pantanal de Mato Grosso do Sul h\u00e1 35 anos, Ivanildo Miranda tamb\u00e9m j\u00e1 presenciou a agressividade do animal ao chegar de avi\u00e3o em sua fazenda, certo dia. Em entrevista \u00e0 Folha de S\u00e3o Paulo, ele contou que um dos b\u00fafalos mansos da propriedade arrebentou a cerca da pista de pouso e come\u00e7ou a dar chifradas na aeronave estacionada. \u201cO avi\u00e3o parado e o b\u00fafalo l\u00e1, dando cabe\u00e7ada e chifrada. Esse bicho n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u201d, disse o fazendeiro.<\/p>\n<p><strong>Dano irrevers\u00edvel<\/strong> &#8211; A \u201cbarreira de b\u00fafalos\u201d j\u00e1 tem consequ\u00eancias consideradas catastr\u00f3ficas, na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador da Embrapa Pantanal, Walfrido Moraes Tomas. A estrat\u00e9gia \u00e9 usada tamb\u00e9m no Vale do Guapor\u00e9, em Rond\u00f4nia; na Baixada Maranhense, no Maranh\u00e3o e nas plan\u00edcies costeiras do Amap\u00e1; al\u00e9m de fazendas de outros pa\u00edses, como Austr\u00e1lia. Al\u00e9m de matar outros animais, os b\u00fafalos asselvajados podem causar danos ao solo, rios e disseminar doen\u00e7as, como a brucelose e a tuberculose.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se sabe quantos desses animais existem no Pantanal, mas a Embrapa far\u00e1 uma estimativa em 2016. \u201cNo Vale Guapor\u00e9, cerca de quatro mil b\u00fafalos asselvajados originaram-se de uma tentativa realizada por meio de um programa do governo estadual, que come\u00e7ou com cerca de 40 animais na d\u00e9cada de 1950, na fazenda Pau D\u2019\u00d3leo. Com o tempo, esses animais se multiplicaram, alteraram o relevo, a hidrologia e causaram impactos consider\u00e1veis na vegeta\u00e7\u00e3o dentro da REBio (Reserva Biol\u00f3gica) do Guapor\u00e9, de cerca de 600 mil hectares\u201d, exemplifica o pesquisador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"imagem\">\n<div class=\"zoom\"><\/div>\n<p><figure style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a title=\"B\u00fafalos fazem barreira para impedir ataque de on\u00e7as a rebanho bovino (Ilustra\u00e7\u00e3o: Folha de S\u00e3o Paulo)\" href=\"http:\/\/cdn1.campograndenews.com.br\/uploads\/tmp\/images\/5170338\/wm-640x480-ff5f28c5efe5a0dac2f525e3636d1b1a.jpg\" rel=\"lightbox[galeria]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"B\u00fafalos fazem barreira para impedir ataque de on\u00e7as a rebanho bovino (Ilustra\u00e7\u00e3o: Folha de S\u00e3o Paulo)\" src=\"http:\/\/cdn1.campograndenews.com.br\/uploads\/tmp\/images\/5170338\/300x225-ff5f28c5efe5a0dac2f525e3636d1b1a.jpg\" alt=\"B\u00fafalos fazem barreira para impedir ataque de on\u00e7as a rebanho bovino (Ilustra\u00e7\u00e3o: Folha de S\u00e3o Paulo)\" width=\"300\" height=\"187\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">B\u00fafalos fazem barreira para impedir ataque de on\u00e7as a rebanho bovino (Ilustra\u00e7\u00e3o: Folha de S\u00e3o Paulo)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n<div class=\"imagem\">\n<div class=\"zoom\"><\/div>\n<p><figure style=\"width: 299px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a title=\"N\u00e3o h\u00e1 dados sobre popula\u00e7\u00e3o de b\u00fafalos no Pantanal (Foto: Walfrido Moraes\/Embrapa Pantanal)\" href=\"http:\/\/cdn1.campograndenews.com.br\/uploads\/tmp\/images\/5170338\/wm-640x480-353deedfd9a74e4ac5533012b11adb2e.jpg\" rel=\"lightbox[galeria]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"N\u00e3o h\u00e1 dados sobre popula\u00e7\u00e3o de b\u00fafalos no Pantanal (Foto: Walfrido Moraes\/Embrapa Pantanal)\" src=\"http:\/\/cdn1.campograndenews.com.br\/uploads\/tmp\/images\/5170338\/300x225-353deedfd9a74e4ac5533012b11adb2e.jpg\" alt=\"N\u00e3o h\u00e1 dados sobre popula\u00e7\u00e3o de b\u00fafalos no Pantanal (Foto: Walfrido Moraes\/Embrapa Pantanal)\" width=\"299\" height=\"225\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">N\u00e3o h\u00e1 dados sobre popula\u00e7\u00e3o de b\u00fafalos no Pantanal (Foto: Walfrido Moraes\/Embrapa Pantanal)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n<div class=\"bloco_texto_span\">\n<p>Os asselvajados doentes representam risco n\u00e3o somente para rebanhos dom\u00e9sticos, mas a outros animais da fauna silvestre. \u201cEntre as esp\u00e9cies expostas a este problema est\u00e3o algumas classificadas oficialmente como amea\u00e7adas no Brasil, como o cervo-do-pantanal. N\u00e3o h\u00e1 estudos sobre os impactos da presen\u00e7a destes animais em um sistema fr\u00e1gil como o Pantanal, nem mesmo uma an\u00e1lise da condi\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria destes rebanhos\u201d, explica Walfrido.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a plan\u00edcie pantaneira \u00e9 uma \u00e1rea extremamente plana, portanto qualquer mudan\u00e7a em seu micro relevo pode alterar a hidrologia e a vegeta\u00e7\u00e3o de forma irrevers\u00edvel. Com a modifica\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o e hidrologia em grandes \u00e1reas, os b\u00fafalos podem afetar a cadeia de rela\u00e7\u00f5es entre esp\u00e9cies, comunidades e habitats, alterando todo o ecossistema.<\/p>\n<p>\u201cCautela \u00e9 recomendada por todos aqueles que defendem o uso sustent\u00e1vel da plan\u00edcie pantaneira, o que, necessariamente, inclui a conserva\u00e7\u00e3o de sua biodiversidade, dos processos ecol\u00f3gicos e da capacidade de recupera\u00e7\u00e3o de seus ecossistemas. No Pantanal, n\u00e3o h\u00e1 lugar para a inconsequ\u00eancia\u201d, alerta o especialista, ao lembrar que o bioma \u00e9 patrim\u00f4nio nacional e cont\u00e9m v\u00e1rios s\u00edtios da Conven\u00e7\u00e3o de Ramsar, que e trata do uso e conserva\u00e7\u00e3o de \u00e1reas \u00famidas no mundo inteiro.<\/p>\n<p>O pesquisador destaca ainda que n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o de que os b\u00fafalos diminuam, de fato, os ataques de on\u00e7as, pois elas podem se aproximar dos rebanhos driblando seus predadores. \u201cTemos que considerar o fato de que a preda\u00e7\u00e3o de gado por on\u00e7as no Pantanal atinge menos de 3 % dos rebanhos ao longo de um ano, com tend\u00eancia a ser de 1% a 2%. Analisando a situa\u00e7\u00e3o do ponto de vista econ\u00f4mico, o impacto n\u00e3o \u00e9 maior que aquele provocado por outras fontes corriqueiras de perdas nos rebanhos, como doen\u00e7as, acidentes, maus tratos, cheias e baixa qualidade zoot\u00e9cnica\u201d, argumenta.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>Caroline Maldonado &#8211; Campo Grande News<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Pantanal sul-mato-grossense e em outras regi\u00f5es do pa\u00eds e do mundo, fazendeiros criam b\u00fafalos para espantar on\u00e7as que atacam o rebanho de gado. Eles fazem uma barreira e impedem que as predadoras cheguem at\u00e9 os bois para mat\u00e1-los, mas essa estrat\u00e9gia traz graves problemas. 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