{"id":171798,"date":"2021-04-09T07:55:47","date_gmt":"2021-04-09T11:55:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=171798"},"modified":"2021-04-09T07:55:47","modified_gmt":"2021-04-09T11:55:47","slug":"vacinados-ainda-podem-transmitir-o-virus-e-adoecer-mas-tem-risco-menor-de-complicacao-e-morte-entenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=171798","title":{"rendered":"Vacinados ainda podem transmitir o v\u00edrus e adoecer, mas t\u00eam risco menor de complica\u00e7\u00e3o e morte; entenda"},"content":{"rendered":"<p>As vacinas contra a Covid-19 aprovadas para aplica\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o seguras e eficazes para proteger quem as recebe \u2013os estudos cl\u00ednicos realizados com milhares de pessoas, usando p\u00fablicos diferentes, comprovaram isso e foram a base para a libera\u00e7\u00e3o do uso dos imunizantes.<\/p>\n<p>Grupos de cientistas monitoram constantemente os efeitos das subst\u00e2ncias e emitem alertas caso as vacinas ofere\u00e7am algum risco.<\/p>\n<p>Por que, ent\u00e3o, algumas pessoas morrem com a doen\u00e7a mesmo ap\u00f3s as inje\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, as vacinas n\u00e3o garantem 100% de efic\u00e1cia contra o coronav\u00edrus Sars-CoV-2, como qualquer tratamento de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Conforme aumenta o n\u00famero de vacinados no pa\u00eds, surgem relatos de pessoas que receberam o imunizante e pegaram a doen\u00e7a logo depois, chegando a desenvolver a Covid-19 na forma grave e at\u00e9 morrendo por complica\u00e7\u00f5es da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Um caso que chamou a aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dias foi o do cantor Agnaldo Tim\u00f3teo. O artista foi internado com a Covid-19 dois dias depois de ter tomado a segunda dose da vacina, o que indica que a infec\u00e7\u00e3o pode ter acontecido entre as duas inje\u00e7\u00f5es, quando a prote\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 completa. O cantor morreu no dia 3 de abril aos 84 anos de idade.<\/p>\n<p>Para ter efeito no organismo, a subst\u00e2ncia precisa de pelo menos 14 dias ap\u00f3s a segunda dose para se estabelecer (quando o imunizante \u00e9 aplicado em duas inje\u00e7\u00f5es). Mesmo com a imuniza\u00e7\u00e3o completa, a alta circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no Brasil e as novas variantes, ainda pouco estudadas, fazem o risco de infec\u00e7\u00e3o crescer, apesar das vacinas.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que as vacinas n\u00e3o causam a doen\u00e7a. Elas carregam um ant\u00edgeno, um pedacinho do v\u00edrus ou o v\u00edrus inteiro inativado \u2013incapaz de gerar infec\u00e7\u00e3o\u2013 que aciona nosso sistema imunol\u00f3gico para criar barreiras contra o v\u00edrus verdadeiro. Sintomas como febre e dores ap\u00f3s a vacina\u00e7\u00e3o s\u00e3o comuns e indicam que o sistema imunol\u00f3gico est\u00e1 trabalhando.<\/p>\n<p>&#8220;Os estudos contam com milhares de participantes, mas quando come\u00e7o a aplicar a vacina em milh\u00f5es de pessoas, v\u00e3o aparecer aqueles que desenvolvem a doen\u00e7a grave. O que os estudos dizem e o que vemos \u00e9 que quem recebe a vacina tem um risco menor de adoecer&#8221;, afirma Sonia Raboni, infectologista do Complexo Hospital de Cl\u00ednicas da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR\/Ebserh).<\/p>\n<p>Pessoas mais velhas e com algumas comorbidades n\u00e3o fazem parte dos primeiros grupos a entrarem nos estudos com as vacinas. Geralmente, s\u00e3o inclu\u00eddos depois e em menor n\u00famero.<\/p>\n<p>Segundo Raboni, o grupo de pessoas mais velhas, que t\u00eam um sistema imune mais debilitado, pode ter respostas mais fracas \u00e0 vacina.<\/p>\n<p>De acordo com Ethel Maciel, epidemiologista e professora na Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes), os estudos cl\u00ednicos s\u00e3o feitos em ambientes mais controlados, com mais adultos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>&#8220;Quando vamos para a vida real, temos pessoas com outras comorbidades e condi\u00e7\u00f5es. J\u00e1 esper\u00e1vamos que essas pessoas poderiam se infectar. E agora precisamos de estudos que acompanhem o que acontece com essas pessoas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Maciel diz que ainda h\u00e1 poucos grupos acompanhando os efeitos das vacinas nos brasileiros. Segundo a epidemiologista, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade deveria oferecer financiamento para pesquisas que identifiquem as linhagens dos v\u00edrus que infectam as pessoas no pa\u00eds e as comorbidades de quem tomou o imunizante e mesmo assim adoeceu. Esse conhecimento vai ajudar a entender onde a vacina pode falhar e elaborar as solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje, temos pouco mais de 10% da popula\u00e7\u00e3o brasileira imunizada, e os n\u00fameros da Covid-19 no pa\u00eds mostram que o v\u00edrus circula livremente, fazendo mais v\u00edtimas do que nunca.<\/p>\n<p>&#8220;Diante de um universo de dezenas de milhares de novos casos di\u00e1rios e do aumento gradual, ainda que lento, do percentual de indiv\u00edduos vacinados, \u00e9 esperado que ocorra cada vez mais casos de infec\u00e7\u00e3o em vacinados&#8221;, afirma a Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es (SBIm) em nota publicada em sua p\u00e1gina de internet.<\/p>\n<p>Para os especialistas, a vigil\u00e2ncia dos cientistas sobre a din\u00e2mica da doen\u00e7a e as medidas preventivas, como uso de m\u00e1scara, o distanciamento social e a higiene das m\u00e3os, devem ser refor\u00e7adas agora.<\/p>\n<p>&#8220;As vacinas diminuem o risco, e os estudos mostram que as chances de desenvolver a doen\u00e7a grave depois de tomar o imunizante s\u00e3o bem menores, mas ainda temos poucos dados publicados&#8221;, diz Maciel.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 incontest\u00e1vel que existe uma lacuna de dados em decorr\u00eancia da necessidade de aprovar com agilidade as vacinas para a conten\u00e7\u00e3o da maior crise sanit\u00e1ria do s\u00e9culo. Mas todas as notifica\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo acompanhadas e investigadas pela vigil\u00e2ncia. Precisamos aguardar a publica\u00e7\u00e3o dos dados da avalia\u00e7\u00e3o da efetividade das vacinas na vida real e poss\u00edveis falhas vacinais&#8221;, concorda a nota da SBIm.<\/p>\n<p>Em alguns organismos, essa prote\u00e7\u00e3o pode nunca ficar completa, por isso \u00e9 importante ter o maior n\u00famero de pessoas vacinadas para que a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus diminua drasticamente e os riscos sejam menores para todos.<\/p>\n<p>&#8220;Temos dois objetivos com as vacinas: primeiro, queremos diminuir os riscos de interna\u00e7\u00e3o e \u00f3bitos. Outro objetivo \u00e9 diminuir a transmiss\u00e3o, mas ainda n\u00e3o temos certeza se essas vacinas dispon\u00edveis fazem isso. Com essa capacidade, poder\u00edamos chegar a uma imunidade coletiva, isto \u00e9, com mais pessoas imunizadas, cada vez menos pessoas v\u00e3o adoecer&#8221;, diz Maura<\/p>\n<p>Salaroli, infectologista e gerente m\u00e9dica da Comiss\u00e3o de Controle de Infec\u00e7\u00e3o Hospitalar (CCIH) do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas.<\/p>\n<p>Assim, at\u00e9 termos um bom n\u00famero de pessoas vacinadas no pa\u00eds (alguns pesquisadores dizem que essa parcela precisa estar acima de 70% da popula\u00e7\u00e3o) e pudermos observar claramente os efeitos da campanha, todos os cuidados preventivos devem continuar em vigor.<\/p>\n<p>&#8220;Nenhuma pandemia da hist\u00f3ria foi controlada sem isolamento social e quarentenas. Precisamos reduzir o contato entre as pessoas at\u00e9 que as vacinas cheguem \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e tenhamos um bom tratamento contra a doen\u00e7a&#8221;, diz a infectologista Sonia Raboni, da UFPR.<\/p>\n<p>&#8220;Agora, a melhor vacina \u00e9 a que chegar primeiro no bra\u00e7o do cidad\u00e3o. No futuro, poderemos chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que uma pode ser melhor do que a outra em alguns casos, mas agora todas s\u00e3o boas para a diminui\u00e7\u00e3o dos casos e mortes&#8221;, diz Salaroli, do S\u00edrio-Liban\u00eas.<\/p>\n<h2>PERGUNTAS E RESPOSTAS<\/h2>\n<p><strong>O que fazer ap\u00f3s tomar a primeira dose da vacina?<\/strong><br \/>\nAguardar a data da segunda dose mantendo os cuidados como m\u00e1scara, distanciamento social e higiene das m\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>O que fazer ap\u00f3s receber a segunda dose da vacina?<\/strong><br \/>\nManter uso de m\u00e1scara, distanciamento social e higiene das m\u00e3os at\u00e9 que uma boa parcela da popula\u00e7\u00e3o (pelo menos 50%) esteja devidamente imunizada e a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus caia drasticamente. Quando isso acontecer, uma retomada mais ampla das atividades pode ser feita lentamente com seguran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Posso ter Covid-19 ap\u00f3s tomar a vacina?<\/strong><br \/>\nSim. Os estudos mostram que os vacinados t\u00eam muito menos chances de se infectar com o v\u00edrus, e quando isso acontece os sintomas s\u00e3o mais leves. Ainda assim, os pesquisadores n\u00e3o descartam casos graves ou mortes, mas esses s\u00e3o casos raros.<\/p>\n<p><strong>Posso transmitir o v\u00edrus ap\u00f3s tomar a vacina?<\/strong><br \/>\nSim. \u00c9 poss\u00edvel que a pessoa se infecte e tenha uma infec\u00e7\u00e3o mais leve ou sem sintomas. Isso indica que a transmiss\u00e3o ainda \u00e9 poss\u00edvel, mesmo que em uma intensidade menor. Dados n\u00e3o conclusivos indicam que algumas vacinas podem barrar a transmiss\u00e3o em algum n\u00edvel, o que \u00e9 um boa not\u00edcia, mas ainda precisa ser confirmada.<\/p>\n<p><strong>Se eu n\u00e3o tiver nenhuma rea\u00e7\u00e3o ap\u00f3s tomar a vacina, significa que ela n\u00e3o funcionou?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Cada organismo responde de maneira diferente ao imunizante. Mesmo sem ter efeitos comuns como febre e dores, a vacina pode funcionar.<\/p>\n<p><strong>Posso fazer algum teste para saber se a vacina funcionou?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. O teste r\u00e1pido (sorol\u00f3gico), que mede anticorpos contra o v\u00edrus e pode ser comprado em farm\u00e1cia, ainda fornece resultados muito fr\u00e1geis. Al\u00e9m disso, nossa resposta imunol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 formada s\u00f3 por anticorpos, h\u00e1 outras mol\u00e9culas que nos protegem e que n\u00e3o s\u00e3o detectadas com testes simples, diz Maura Salaroli, infectologista do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Folha Press<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As vacinas contra a Covid-19 aprovadas para aplica\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o seguras e eficazes para proteger quem as recebe \u2013os estudos cl\u00ednicos realizados com milhares de pessoas, usando p\u00fablicos diferentes, comprovaram isso e foram a base para a libera\u00e7\u00e3o do uso dos imunizantes. 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