{"id":172990,"date":"2021-04-22T16:36:19","date_gmt":"2021-04-22T20:36:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=172990"},"modified":"2021-04-22T16:36:19","modified_gmt":"2021-04-22T20:36:19","slug":"fiocruz-diz-que-vacina-de-oxford-tem-efetividade-contra-variante-p-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=172990","title":{"rendered":"Fiocruz diz que vacina de Oxford tem efetividade contra variante P.1"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-item-wrap\">\n<p>A vacina Oxford\/AstraZeneca contra covid-19, produzida no Brasil pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), estimula resposta imune capaz de fazer frente \u00e0 variante P.1, que se espalhou rapidamente pelo Brasil depois de ter sido detectada pela primeira vez em Manaus. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do vice-presidente de Produ\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade da Fiocruz, Marco Krieger, que apresentou hoje (22) estudos que indicam a efetividade da vacina &#8220;no mundo real&#8221;, quando a efic\u00e1cia dos testes cl\u00ednicos \u00e9 posta \u00e0 prova.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1407568&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1407568&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 o momento, as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de tranquilidade. Os dados s\u00e3o de que temos, sim, uma variante de preocupa\u00e7\u00e3o, que tem, sim, uma capacidade maior de transmissibilidade. A gente est\u00e1 vendo um momento da pandemia muito dif\u00edcil em boa parte do Brasil, mas a boa not\u00edcia \u00e9 que, apesar de todas essas caracter\u00edsticas, a vacina, nesse momento e para essa variante, tem a condi\u00e7\u00e3o de ser utilizada como uma ferramenta de controle&#8221;.<\/p>\n<p>A vacina de Oxford \u00e9 uma das mais aplicadas no mundo atualmente e tem outras vantagens, como o custo mais baixo e a possibilidade de armazenamento em refrigeradores menos avan\u00e7ados, com temperaturas de 2 a 8 graus Celsius.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a vacina traz um incremento da resposta imune que vai al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de anticorpos. Krieger explicou que as novas plataformas tecnol\u00f3gicas, como a da vacina de Oxford, se caracterizam por instru\u00edrem as c\u00e9lulas humanas a produzirem tra\u00e7os do ant\u00edgeno, que, em seguida, despertam as defesas do corpo humano. Nas plataformas consideradas tradicionais, as vacinas trazem o v\u00edrus inativado (morto), ou vivo e atenuado (enfraquecido).<\/p>\n<p>O que os estudos t\u00eam apontado, segundo o vice-presidente da Fiocruz, \u00e9 que as vacinas de segunda gera\u00e7\u00e3o t\u00eam demonstrado desempenho maior na defesa chamada de resposta celular, que se d\u00e1 quando o corpo humano destr\u00f3i as c\u00e9lulas que j\u00e1 foram infectadas pelo v\u00edrus, impedindo que ele as utilize para se replicar. Essa \u00e9 uma linha de defesa complementar ao ataque que os anticorpos promovem contra os microorganismos invasores.<\/p>\n<p>S\u00e3o vacinas de segunda gera\u00e7\u00e3o tanto as vacinas de RNA mensageiro, como as da Pfizer e da Moderna, quanto as de vetor viral, como a Oxford\/AstraZeneca, a Sputnik V e a Janssen.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos vivenciando uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o no campo das vacinas. Elas foram desenvolvidas de uma maneira muito r\u00e1pida e est\u00e3o demonstrando efetividades muito maiores do que as das vacinas tradicionais&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Um estudo publicado nesta semana pela Fiocruz em parceria com a Universidade de Oxford e outras institui\u00e7\u00f5es indica que os anticorpos produzidos pela imuniza\u00e7\u00e3o reconhecem mais a variante brit\u00e2nica e menos a variante sul-africana, que acumula um n\u00famero maior de muta\u00e7\u00f5es. A variante P.1, brasileira, fica em uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria nessa escala. Quando \u00e9 analisada a resposta imune celular, entretanto, dados de outro estudo publicado por uma universidade americana mostram que ela n\u00e3o se altera de forma significativa diante das variantes.<\/p>\n<p>&#8220;Os resultados s\u00e3o ainda melhores. Na verdade, as variantes de preocupa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 esse momento, t\u00eam causado um impacto muito menor nessa resposta celular&#8221;, disse Krieger. &#8220;Isso d\u00e1 uma confian\u00e7a maior de que essa vacina ter\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de manter, frente \u00e0 variante brasileira, esses dados de efetividade&#8221;.<\/p>\n<h2>Eventos adversos<\/h2>\n<p>O acompanhamento da vacina\u00e7\u00e3o ao redor do mundo tamb\u00e9m j\u00e1 tem produzido os primeiros dados nos estudos chamados de fase 4, ou farmacovigil\u00e2ncia. As fases 1, 2 e 3 dos estudos cl\u00ednicos s\u00e3o as que garantem a efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a da vacina antes da disponibiliza\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Na fase 4, \u00e9 analisado o desempenho do imunizante j\u00e1 registrado por ag\u00eancias reguladoras e dispon\u00edvel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, o que gera dados importantes e de maior escala sobre eventos adversos, dura\u00e7\u00e3o da imunidade e confirma\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>Integrante do Comit\u00ea de Acompanhamento T\u00e9cnico-Cient\u00edfico das Iniciativas Associadas a Vacinas para a Covid-19 e membro do comit\u00ea de especialistas em vacinas da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, a pesquisadora Cristiana Toscano afirma que as vacinas contra covid-19, em geral, t\u00eam apresentado como eventos adversos mais frequentes dor no local da inje\u00e7\u00e3o, febre, cansa\u00e7o, dor muscular e dor de cabe\u00e7a. &#8220;Muito semelhantes a eventos relacionados \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o ou p\u00f3s-vacina\u00e7\u00e3o de outras vacinas, para outras doen\u00e7as&#8221;, compara ela.<\/p>\n<p>No caso da vacina Oxford\/AstraZeneca, chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores a ocorr\u00eancia de eventos bastante raros ligados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de co\u00e1gulos na corrente sangu\u00ednea (trombose) associada a uma baixa contagem de plaquetas (trombocitopenia). No Reino Unido, pa\u00eds que aplicou o maior n\u00famero de doses da vacina, foram identificados quatro casos a cada 1 milh\u00e3o de vacinados.<\/p>\n<p>As causas desses eventos ainda est\u00e3o sendo investigadas pela comunidade cient\u00edfica internacional, mas Cristiana Toscano refor\u00e7a a recomenda\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o. A pesquisadora lembra que qualquer medicamento envolve riscos de eventos adversos e que, quando comparados \u00e0 propor\u00e7\u00e3o que ocorreram nos vacinados, epis\u00f3dios semelhantes de forma\u00e7\u00e3o de co\u00e1gulos s\u00e3o mais frequentes entre fumantes, mulheres que usam anticoncepcionais e principalmente pessoas que contraem covid-19.<\/p>\n<p>Se entre cada 1 milh\u00e3o de vacinados, 4 apresentaram o evento adverso raro no Reino Unido, epis\u00f3dios de trombose foram observados em 165 mil de cada 1 milh\u00e3o de casos de covid-19, cita a pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;A gente j\u00e1 tem estudos de efetividade que mostram que a vacina da Oxford\/AstraZeneca previne aproximadamente 90% de hospitaliza\u00e7\u00f5es e quase a totalidade de \u00f3bitos, e, considerando os riscos de hospitaliza\u00e7\u00e3o em UTI e morte por covid, os benef\u00edcios da vacina\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito superiores a qualquer eventual, e a esse especificamente, risco possivelmente associado \u00e0 vacina&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Cristiana Toscano refor\u00e7a a recomenda\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os internacionais de que seja feito um monitoramento rigoroso dos eventos adversos, com orienta\u00e7\u00f5es para que a popula\u00e7\u00e3o comunique poss\u00edveis rea\u00e7\u00f5es ao sistema de sa\u00fade. Para quem apresentar epis\u00f3dios de trombose associados \u00e0 baixa contagem de plaquetas depois da primeira dose, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o receber a segunda dose.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Vin\u00edcius Lisboa &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vacina Oxford\/AstraZeneca contra covid-19, produzida no Brasil pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), estimula resposta imune capaz de fazer frente \u00e0 variante P.1, que se espalhou rapidamente pelo Brasil depois de ter sido detectada pela primeira vez em Manaus. 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