{"id":1796,"date":"2015-05-17T10:18:45","date_gmt":"2015-05-17T14:18:45","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=1796"},"modified":"2018-08-20T22:34:44","modified_gmt":"2018-08-21T02:34:44","slug":"denuncia-cbf-vendeu-a-selecao-brasileira-a-empresarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=1796","title":{"rendered":"DEN\u00daNCIA! CBF &#8216;vendeu&#8217; a sele\u00e7\u00e3o brasileira a empres\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Reportagem especial do O Estado de S. Paulo traz ducumentos que provam que a CBF recebia propina para levar jogadores \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Paulo, SP, 17 &#8211; A<strong> sele\u00e7\u00e3o<\/strong> do <strong>Brasil<\/strong> n\u00e3o \u00e9 do Brasil. Os contratos secretos da <strong>CBF<\/strong> com empres\u00e1rios que lucram milh\u00f5es de d\u00f3lares com realiza\u00e7\u00e3o de amistosos deram a investidores estrangeiros o controle total sobre a maior sele\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, sequestrando a emo\u00e7\u00e3o do torcedor para garantir lucros e transformando os jogadores em meros atores de uma ind\u00fastria do entretenimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelos acordos, a lista de convocados precisa atender a crit\u00e9rios estabelecidos pelos parceiros comerciais e qualquer substitui\u00e7\u00e3o precisa ser realizada em &#8220;m\u00fatuo acordo&#8221; entre CBF e empres\u00e1rios. O contrato deixa claro: o jogador que substituir um &#8220;titular&#8221; precisa ter o mesmo &#8220;valor de marketing&#8221; do substitu\u00eddo.<\/p>\n<div class=\"hover_show_parent wd50 image_div_right\" style=\"text-align: justify;\" contenteditable=\"false\" draggable=\"true\" data-width=\"285\"><img decoding=\"async\" title=\"Os acordos foram firmados durante a gest\u00e3o de Ricardo Teixeira na CBF\" draggable=\"false\" src=\"http:\/\/futebolinterior.com.br\/cms\/conteudo\/img\/0002050079912_img.jpg\" alt=\"Os acordos foram firmados durante a gest\u00e3o de Ricardo Teixeira na CBF\" \/><\/p>\n<div>Os acordos foram firmados durante a gest\u00e3o de Ricardo Teixeira na CBF<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">As condi\u00e7\u00f5es fazem parte de minutas de contratos secretos obtidos pela reportagem e que revelam, de forma in\u00e9dita, como a CBF leiloou a sele\u00e7\u00e3o brasileira em troca de milh\u00f5es de d\u00f3lares em comiss\u00f5es a agentes, cartolas, testas de ferro e o envolvimento de empresas em para\u00edsos fiscais, longe do controle da Receita Federal brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 2006, a CBF mant\u00e9m um contrato com a companhia ISE para a realiza\u00e7\u00e3o dos amistosos da sele\u00e7\u00e3o. O acordo foi mantido em total sigilo por quase 10 anos. Documentos obtidos pela reportagem revelam agora que a ISE \u00e9 uma empresa de fachada com sede nas Ilhas Cayman. N\u00e3o tem escrit\u00f3rio nem funcion\u00e1rios. \u00c9 mera Caixa Postal, n\u00famero 1111, na rua Harbour Drive, em Grand Cayman. A ISE \u00e9 apenas uma subsidi\u00e1ria do grupo Dallah Al Baraka, um dos maiores conglomerados do Oriente M\u00e9dio, com 38 mil funcion\u00e1rios pelo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2011, esse contrato de 2006 foi renovado por 10 anos pelo ent\u00e3o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em um encontro em Doha, no dia 15 de novembro. Ele seria oficializado no dia 27 de dezembro daquele ano. Entre 2006 e 2012, a ISE sublicenciou a opera\u00e7\u00e3o para a Kentaro, companhia que passou a implementar cada partida da sele\u00e7\u00e3o com base no acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2012, o contrato de opera\u00e7\u00e3o passou para as m\u00e3os da Pitch International, depois de uma negocia\u00e7\u00e3o com a ISE e a CBF, que continua em vig\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos primeiros acordos e emendas entre a CBF e a ISE, os termos n\u00e3o faziam qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0s regras para a convoca\u00e7\u00e3o de jogadores. Tudo mudaria em 2011. Os aspectos esportivos foram colocados em segundo plano. Trata-se, acima de tudo, de um esquema para explorar a marca da sele\u00e7\u00e3o em todos os seus limites, independentemente do resultado em campo ou do significado de uma partida para a prepara\u00e7\u00e3o do time.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONVOCADOS<\/strong><br \/>\nPelo acordo secreto, ficou estipulado que a sele\u00e7\u00e3o deveria entrar em campo sempre com seus principais jogadores, sem qualquer possibilidade de testar jovens promessas ou usar amistosos para preparar o grupo ol\u00edmpico. &#8220;A CBF garantir\u00e1 e assegurar\u00e1 que os jogadores do Time A que est\u00e3o jogando nas competi\u00e7\u00f5es oficiais participar\u00e3o em qualquer e toda partida&#8221;, disse o artigo 9.1.<\/p>\n<div class=\"hover_show_parent wd66 image_div_right\" style=\"text-align: justify;\" contenteditable=\"false\" draggable=\"true\" data-width=\"728\"><img decoding=\"async\" title=\"Os contratos exigiam que jogadores de renome e potencial de marketing fossem convocados\" draggable=\"false\" src=\"http:\/\/futebolinterior.com.br\/Imagem\/2050079913\/728x521\" alt=\"Os contratos exigiam que jogadores de renome e potencial de marketing fossem convocados\" \/><\/p>\n<div>Os contratos exigiam que jogadores de renome e potencial de marketing fossem convocados<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer viola\u00e7\u00e3o desse acordo significa pagamento menor de cota. &#8220;Se acaso os jogadores de qualquer partida n\u00e3o s\u00e3o os do Time A, a taxa de comparecimento prevista nesse acordo ser\u00e1 reduzida em 50%&#8221;, estipula o contrato. Por jogo, a CBF sai com US$ 1,05 milh\u00e3o (R$ 3,14 milh\u00f5es) se seguir o acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caso um jogador seja cortado por contus\u00e3o, por exemplo, a CBF precisa provar com um certificado m\u00e9dico aos empres\u00e1rios da ISE que o atleta n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de jogar. &#8220;Qualquer altera\u00e7\u00e3o \u00e0 lista ser\u00e1 comunicada por escrito \u00e0 ISE e confirmada por m\u00fatuo acordo. Nesse caso, a CBF far\u00e1 o poss\u00edvel para substituir com novos jogadores de n\u00edvel similar, com rela\u00e7\u00e3o ao valor de marketing, habilidades t\u00e9cnicas, reputa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para deixar claro o que significa &#8220;Time A&#8221;, a ISE alerta que n\u00e3o aceitaria o que ocorreu em novembro de 2011 quando o Brasil foi ao Gab\u00e3o e depois a Doha para enfrentar o Egito. Na \u00e9poca, o ent\u00e3o treinador, Mano Menezes, n\u00e3o contou com Neymar, Paulo Henrique Ganso, Lucas, Marcelo, Kak\u00e1 e Leandro Dami\u00e3o, nomes da lista original para os amistosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No novo contrato (o que passou a valer em dezembro daquele ano e vai at\u00e9 2022), a empresa deixou claro que tal situa\u00e7\u00e3o passaria a ser punida com uma redu\u00e7\u00e3o em 50% do cach\u00ea pago. Al\u00e9m disso, todos os direitos de transmiss\u00e3o, copyright ou qualquer outro aspecto ficam sob controle total da empresa de fachada registrada nas Ilhas Cayman. Em um dos artigos do contrato, fica ainda estipulado que, mesmo que o acordo for suspenso, os direitos de copyright s\u00e3o mantidos sem data para acabar. Qualquer viola\u00e7\u00e3o significa que a CBF teria de pagar uma multa de US$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contrato ainda prev\u00ea que os per\u00edodos de prepara\u00e7\u00e3o da sele\u00e7\u00e3o brasileira para as Copas de 2018 e 2022 tamb\u00e9m ser\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o exclusiva da ISE. O acordo ainda termina com termo bem claro: confidencialidade. &#8220;Todos os termos e condi\u00e7\u00f5es deste acordo ser\u00e3o tratados pelas partes como informa\u00e7\u00f5es confidenciais e nenhuma das partes os divulgar\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GUERRA <\/strong><br \/>\nOs documentos tamb\u00e9m revelam uma guerra interna na CBF pela fatia mais importante dos lucros. Quando Ricardo Teixeira assinou o novo acordo com a empresa de Cayman, ele j\u00e1 planejava sua sa\u00edda da entidade, passando o controle para Jos\u00e9 Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Mas o que se viu na transi\u00e7\u00e3o de poder dentro da CBF foi um bra\u00e7o de ferro que seria vencido por Teixeira, mesmo j\u00e1 fora da entidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E-mails confidenciais obtidos pela reportagem revelam que Marin e Del Nero, o atual presidente da CBF, estavam negociando um novo contrato com a Kentaro, que oferecia aos parceiros valores superiores aos que estavam sobre a mesa, deixados por Teixeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem convenceu Marin e Del Nero a se lan\u00e7ar na ofensiva foi o Grupo Figer que, conforme mostram documentos, atuando apenas como intermediadora entre Kentaro e CBF, ficaria com US$ 132 milh\u00f5es por permitir mais de 100 jogos da sele\u00e7\u00e3o entre 2012 e 2022 &#8211; valor superior ao que a CBF levaria com base no contrato da ISE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os detalhes fazem parte de uma a\u00e7\u00e3o judicial. De acordo com o relato dos fatos, documentos e e-mails juntados no processo, a renegocia\u00e7\u00e3o dos acordos para realiza\u00e7\u00e3o dos amistosos teria come\u00e7ado logo depois da ren\u00fancia de Teixeira, no dia 8 de mar\u00e7o de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele momento, Juan Figer e seus filhos Andr\u00e9 e Marcel decidiram que o fim da &#8220;era Teixeira&#8221; poderia ser ocasi\u00e3o para passar a fazer parte dos intermedi\u00e1rios que lucrariam com a sele\u00e7\u00e3o. O encarregado de falar com Del Nero foi Marcel Figer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com os fatos relatados no processo, encontros se proliferaram na resid\u00eancia de Marin, na rua Padre Jo\u00e3o Manuel, esquina com Alameda Franca, em um flat de Del Nero em S\u00e3o Paulo, em hot\u00e9is em Londres e Budapeste e at\u00e9 na Federa\u00e7\u00e3o Paulista de Futebol (FPF).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es, a Kentaro, o Grupo Figer, Marin e Del Nero fixaram encontro em Londres, em 25 de abril de 2012, no hotel Claridge. Em 2 de maio, e-mail enviado por Phillip Grothe, CEO da Kentaro, resumia o encontro e tra\u00e7ava as solu\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias para o sucesso da empreitada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que pudessem montar uma proposta que derrubasse o acordo da ISE, um dos s\u00f3cios do Grupo Figer, Marcel, pediu e obteve de Del Nero uma c\u00f3pia traduzida do contrato sigiloso entre a entidade e os sauditas, justamente para servir de base para o novo contrato a ser fechado com a Kentaro. O documento foi mostrado por Del Nero a Marcel em um encontro na sede da FPF, no dia 3 de maio de 2012. No dia seguinte, Marcel e Juan Figer foram ao apartamento de Marin e conseguiram dele sinal verde para tocar o acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTRA-ATAQUE<\/strong><br \/>\nMas Teixeira n\u00e3o estava disposto a ver a arquitetura que montara na CBF desabar. No dia 19 de maio de 2012, ele viajou at\u00e9 a Alemanha para um encontro com Marin e Del Nero. Ambos estavam em Munique para a final da Liga dos Campe\u00f5es da Europa, vencida pelo Chelsea. Teixeira, para n\u00e3o ser visto pela imprensa, ficou em uma cidade mais afastada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda assim, as negocia\u00e7\u00f5es para mudar o parceiro da CBF teriam sido mantidas. No dia 21 de maio, o advogado do Grupo Figer, Alexandre Verri, elaborou a minuta do contrato entre Figer e Kentaro. Uma semana depois, uma vers\u00e3o final chegou aos interessados. Entre os itens do acordo estava a comiss\u00e3o de US$ 132 milh\u00f5es que a Kentaro pagaria para o Grupo Figer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a renova\u00e7\u00e3o pretendida pela Kentaro n\u00e3o vingou. Em 16 de agosto de 2012, um acordo da CBF foi anunciado com a empresa Pitch International, depois de intermedia\u00e7\u00e3o de Teixeira com os sauditas da ISE. A empresa que jamais havia organizado um jogo de futebol sequer, passaria a operar as partidas da sele\u00e7\u00e3o como subcontratada da ISE. O esquema montado por Teixeira estava preservado. Mesmo fora da CBF, continuou mandando na sele\u00e7\u00e3o ao lado de seus parceiros comerciais. E isso tudo at\u00e9 2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">por Ag\u00eancia Estado<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reportagem especial do O Estado de S. Paulo traz ducumentos que provam que a CBF recebia propina para levar jogadores \u00e0 Sele\u00e7\u00e3o Brasileira. S\u00e3o Paulo, SP, 17 &#8211; A sele\u00e7\u00e3o do Brasil n\u00e3o \u00e9 do Brasil. 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