{"id":18230,"date":"2016-01-07T14:04:58","date_gmt":"2016-01-07T17:04:58","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=18230"},"modified":"2016-01-07T14:04:58","modified_gmt":"2016-01-07T17:04:58","slug":"avioes-contra-o-mosquito-aedes-aegypti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=18230","title":{"rendered":"Avi\u00f5es contra o mosquito Aedes aegypti"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 40 anos Brasil teve uma das mais bem sucedidas opera\u00e7\u00f5es de combate a mosquitos em sua hist\u00f3ria, na qual a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ajudou eliminar um surto de encefalite que assolava a Baixada Santista, em S\u00e3o Paulo. Foram 495 casos da doen\u00e7a, entre mar\u00e7o e junho daquele ano, registrados principalmente em Mongagu\u00e1, Peru\u00edbe e Itanha\u00e9m. A transmiss\u00e3o estava ligada ao mosquito Culex, que foi combatido com uma a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica da Superintend\u00eancia de Controles de Endemias (Sucen) de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia abrangeu a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o para eliminar criat\u00f3rios em resid\u00eancias e tamb\u00e9m aplica\u00e7\u00f5es de larvicidas por terra. Mas foi a aplica\u00e7\u00e3o por avi\u00f5es do mesmo inseticida hoje aplicado por terra (nos chamados fumac\u00eas) que reduziu em 90% a popula\u00e7\u00e3o de mosquitos adultos da regi\u00e3o, segundo levantamento da pr\u00f3pria Sucen. Um exemplo extraordin\u00e1rio de como vontade pol\u00edtica e ferramentas adequadas podem resultar em benef\u00edcio para a popula\u00e7\u00e3o. No caso, centenas de vidas salvas ou livres de sequelas irrepar\u00e1veis.<\/p>\n<p>Em 2004, o Sindicato Nacional das Empresas de Avia\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (Sindag) sugeriu ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade uma parceria para se chegar a uma f\u00f3rmula que repetisse em escala nacional o \u00eaxito obtido 29 anos antes no litoral paulista. A proposta era (e ainda \u00e9) de se eleger uma \u00e1rea piloto em uma zona de epidemia da doen\u00e7a. E, ali, utilizar um avi\u00e3o para aplicar o mesmo inseticida atualmente aplicado apenas por terra atrav\u00e9s de bombas costais ou em caminhonetes. Por\u00e9m, com uma dosagem de 400 mil\u00edmetros por hectare.<\/p>\n<p>Pela recomenda\u00e7\u00e3o do Sindag para esse teste, a entidade entraria com o avi\u00e3o, equipamentos embarcados, piloto e equipe de terra para fazer o preparo do produto. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade forneceria o inseticida e disporia ainda de uma equipe multidisciplinar para avaliar a toda a opera\u00e7\u00e3o e seus resultados \u2013 qu\u00edmicos, bi\u00f3logos, ambientalista, sanitarista etc. Ou seja, al\u00e9m de colocar verdadeiramente \u00e0 prova o m\u00e9todo que deu certo em 1975 \u2013 e que hoje \u00e9 utilizado nos Estados Unidos, M\u00e9xico e diversos outros pa\u00edses, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 chegar a um protocolo de opera\u00e7\u00f5es que melhor adeque a t\u00e9cnica \u00e0 atual realidade brasileira. Tudo da maneira mais transparente poss\u00edvel e deixando claro que se trata de uma a\u00e7\u00e3o para \u00e1reas de epidemia. E complementar ao combate de larvas e \u00e0s a\u00e7\u00f5es educativas para que a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o continue prevenindo e eliminando os focos do inseto.<\/p>\n<p>O Sindag seguiu insistindo com a ideia, vendo a dengue crescer 109% em 2005. Em 2007, quando o Brasil registrou 496,9 mil casos da doen\u00e7a \u2013 crescimento superior a 90% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade publicou uma nota t\u00e9cnica descartando o uso da avia\u00e7\u00e3o, exceto em casos de epidemia. O documento apresentou dados que apontariam desvantagens no uso de avi\u00f5es e foi contestado ponto a ponto pelo Sindag, inclusive a rela\u00e7\u00e3o custo\/benef\u00edcio da avia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma audi\u00eancia com o ent\u00e3o ministro Jos\u00e9 Gomes Tempor\u00e3o, o sindicato apresentou seus argumentos e refor\u00e7ou que a parceria seria justamente para colocar tudo \u00e0 prova. Isso j\u00e1 em 2008, quando o pa\u00eds chegou a 632,6 mil casos de dengue. Em junho daquele mesmo ano, o Sindag apresentou o plano em uma reuni\u00e3o do grupo t\u00e9cnico do Programa Nacional de Combate \u00e0 Dengue, onde a resposta foi de que o grupo iria deliberar sobre o tema e informar \u00e1 entidade da decis\u00e3o. Resposta essa que n\u00e3o veio at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Enquanto vimos a dengue crescer mais 137% e o Brasil fechar 2015 com mais de 1,5 milh\u00e3o de casos \u2013 a maior epidemia da doen\u00e7a em sua hist\u00f3ria. E o Aedes aegypti iniciou 2016 causando medo tamb\u00e9m com da febre chikungunya e, principalmente, epidemias do v\u00edrus zika. Pessoas est\u00e3o morrendo e crian\u00e7as est\u00e3o sendo marcadas por sequelas que a acompanhar\u00e3o por toda a vida.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 23 de dezembro, o Sindag reencaminhou sua proposta ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, solicitando nova audi\u00eancia junto ao \u00f3rg\u00e3o. Repetindo, como vem fazendo h\u00e1 11 anos, que o Brasil tem a segunda maior for\u00e7a a\u00e9rea agr\u00edcola do mundo, que ajudou a salvar vidas em 1975 e que est\u00e1 disposta a ser colocada \u00e0 prova, para repetir o feito.<\/p>\n<p>Espera-se apenas vontade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Nelson Paim &#8211; Revista Amanh\u00e3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 40 anos Brasil teve uma das mais bem sucedidas opera\u00e7\u00f5es de combate a mosquitos em sua hist\u00f3ria, na qual a avia\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ajudou eliminar um surto de encefalite que assolava a Baixada Santista, em S\u00e3o Paulo. Foram 495 casos da doen\u00e7a, entre mar\u00e7o e junho daquele ano, registrados principalmente em Mongagu\u00e1, Peru\u00edbe e Itanha\u00e9m. 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