{"id":182541,"date":"2021-08-11T09:10:20","date_gmt":"2021-08-11T13:10:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=182541"},"modified":"2021-08-11T09:10:20","modified_gmt":"2021-08-11T13:10:20","slug":"tradicional-festa-em-figueirao-e-registradas-como-patrimonio-imaterial-de-ms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=182541","title":{"rendered":"Tradicional festa em Figueir\u00e3o \u00e9 registradas como Patrim\u00f4nio Imaterial de MS"},"content":{"rendered":"<p>O Conselho Estadual de Pol\u00edticas Culturais aprovou o Registro da\u00a0 Festa do Divino de Santa Tereza, no munic\u00edpio de Figueir\u00e3o, como Patrim\u00f4nio Imaterial de Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p><strong>A Festa do Divino<\/strong><\/p>\n<p>Com a inser\u00e7\u00e3o no livro das Celebra\u00e7\u00f5es do Patrim\u00f4nio Imaterial, a Festa do Divino Esp\u00edrito Santo de Santa Tereza, no Munic\u00edpio de Figueir\u00e3o \u00e9 reconhecida como uma manifesta\u00e7\u00e3o cultural religiosa popular e oral, pois envolve os moradores da comunidade onde o passado, os moldes e normas seguidas pela celebra\u00e7\u00e3o s\u00e3o veiculados pela mem\u00f3ria e costumes coletivos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36559 alignleft\" src=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino4-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p>A festa acontece na fazenda Santa Tereza, da fam\u00edlia Malaquias, regi\u00e3o da Pontinha do Cocho, em Figueir\u00e3o. Esse munic\u00edpio teve a popula\u00e7\u00e3o estimada em 3.059 pessoas, segundo censo IBGE (2020). A festa \u00e9 divulgada e frequentada por turistas, festeiros, pesquisadores, produtores culturais, gestores de cultura, jornalistas, artistas, pagadores de promessas, religiosos, pol\u00edticos e todo tipo de p\u00fablico. Com sua participa\u00e7\u00e3o, valorizam e mant\u00e9m essa manifesta\u00e7\u00e3o cultural viva, al\u00e9m de divulgar o munic\u00edpio, colaborando com o desenvolvimento local e a frui\u00e7\u00e3o desse Bem Cultural Imaterial.<\/p>\n<p>A festa nesta regi\u00e3o deu-se com uma promessa. Seu Domingos Malaquias, filho de Joaquim Malaquias da Silva, conta que tudo come\u00e7ou quando a segunda mulher de seu pai, dona Maria Francelina de Jesus, fez uma promessa por causa de uma epidemia de febre amarela. Seu Domingos ainda hoje \u00e9 respons\u00e1vel por comandar o evento na comunidade, pagando a promessa todos os anos pela gra\u00e7a alcan\u00e7ada com o rem\u00e9dio para febre amarela salvando muitas pessoas da morte.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36560 alignright\" src=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino5-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p>Seu Ereduzino Malaquias, chefe do giro e filho de Joaquim Malaquias, fundador da regi\u00e3o, conta que cada integrante da comunidade tem uma atribui\u00e7\u00e3o, seja na organiza\u00e7\u00e3o, na limpeza ou na cozinha. Todo ano, ao fim da festa, \u00e9 feito um sorteio que determina quem ir\u00e1 trabalhar no ano seguinte. A f\u00e9 mant\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o do povo h\u00e1 mais de 100 anos.<\/p>\n<p><strong>As etapas da festa<\/strong><\/p>\n<p>O sorteio do festeiro \u00e9 realizado em reuni\u00e3o com os foli\u00f5es no dia da p\u00e1scoa, para fazer a demarca\u00e7\u00e3o do percurso que acontece 50 dias ap\u00f3s a P\u00e1scoa. Os participantes passam de fazenda em fazenda a cavalo; a comida \u00e9 gratuita, oferecida pelo dono do pouso. Levam somente rede, cobertor e capa de chuva. S\u00e3o ao todo 14 dias de viagem, chegam muitas pessoas ap\u00f3s o t\u00e9rmino de cada percurso, foli\u00f5es, promesseiro e at\u00e9 crian\u00e7as.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36561 alignleft\" src=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino6-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p>A comitiva convida o Seu Ereduzino para a festa e pedem pouso por cantoria (2 cantam e 2 respondem). Agasalham o santo, rezam o ter\u00e7o, pela manh\u00e3 tomam caf\u00e9, juntam a tropa e pedem a bandeira por cantoria. A toada \u00e9 uma s\u00f3, mas a cantoria \u00e9 diversa como um repente. Foli\u00f5es e promesseiros acompanham a festa. A rapadura de cana e mam\u00e3o \u00e9 um dos alimentos especiais preparados e ofertados.<\/p>\n<p>S\u00e3o mais ou menos 120 pessoas envolvidas na Festa do Divino de Figueir\u00e3o. No dia \u00e9 servido o puch\u00earo e a janta \u00e9 o churrasco. Ao final, a entrega da bandeira para o festeiro que vai guard\u00e1-la para a pr\u00f3xima festa, no pr\u00f3ximo ano. A tropa \u00e9 liberada ap\u00f3s a missa, reza cantada do Santo Ter\u00e7o com a queima da fogueira e a apresenta\u00e7\u00e3o da catira.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36562 alignright\" src=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino7-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p>Alguns moradores locais relatam que a catira foi trazida para a regi\u00e3o por boiadeiros vindos de Goi\u00e1s e Minas Gerais que, ao permanecerem v\u00e1rios dias no lugar, faziam suas rodas de catira. A fam\u00edlia Malaquias foi aprendendo paulatinamente os passos e o dom\u00ednio dos instrumentos musicais. Atualmente, as modas predominantes no catira s\u00e3o copiadas das duplas sertanejas Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho ou Vieira e Vieirinha. Em algumas ocasi\u00f5es os Malaquias chegam a compor seus pr\u00f3prios cantos, como a moda \u201cDezenove de Maio\u201d, criada pelos violeiros da folia, para festejar o Senhor Divino.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36563 alignleft\" src=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino8-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p>No intervalo das modas, h\u00e1 uma rodada de \u00e1gua ardente (pinga), cuja garrafa \u00e9 deixada no centro entres as fileiras. Todos tomam a bebida na pr\u00f3pria garrafa, passada de m\u00e3o em m\u00e3o, ou de boca em boca. O sapateado e o palmeado tamb\u00e9m sofrem varia\u00e7\u00f5es criadas por eles a cada ano, com o objetivo de melhorar o desempenho e testar agilidade cada vez mais complexa. N\u00e3o \u00e9 qualquer pessoa que pode dan\u00e7ar o catira no dia da festa. Os dan\u00e7adores s\u00e3o convidados um a um, momentos antes da dan\u00e7a come\u00e7ar.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino9.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-36564 alignright\" src=\"https:\/\/www.fundacaodecultura.ms.gov.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Festa-do-Divino9-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em 2021, comemoram-se 112 anos de atua\u00e7\u00e3o da comunidade em Santa Tereza e da fam\u00edlia Malaquias carregada de simbolismos e rituais religiosos de muita f\u00e9. A Funda\u00e7\u00e3o de Cultura conclui que a Festa do Divino Esp\u00edrito Santo de Santa Tereza n\u00e3o se eterniza apenas pela devo\u00e7\u00e3o, pela execu\u00e7\u00e3o das m\u00fasicas, pela comida, pela bebida ou pelo bate p\u00e9 e bate m\u00e3os. Pode-se afirmar que o conjunto dessas pr\u00e1ticas culturais permite ainda hoje a partilha, o encontro e a uni\u00e3o entre as pessoas, as fam\u00edlias, o grupo de foli\u00f5es, que todo m\u00eas de maio se re\u00fanem para agradecer e celebrar a vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* <em>Karina Lima, FCMS &#8211;\u00a0<\/em><em>Fotos: Carlos Diehl<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Conselho Estadual de Pol\u00edticas Culturais aprovou o Registro da\u00a0 Festa do Divino de Santa Tereza, no munic\u00edpio de Figueir\u00e3o, como Patrim\u00f4nio Imaterial de Mato Grosso do Sul. 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