{"id":18363,"date":"2016-01-09T09:03:36","date_gmt":"2016-01-09T12:03:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=18363"},"modified":"2016-01-09T09:03:36","modified_gmt":"2016-01-09T12:03:36","slug":"exclusivo-um-terrorista-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=18363","title":{"rendered":"Exclusivo: Um terrorista no Brasil"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<h5 class=\"chamada\" style=\"text-align: justify;\">Condenado por planejar atentados terroristas na Fran\u00e7a, Adl\u00e8ne Hicheur hoje vive como professor no Brasil, para onde veio com bolsa do governo federal e \u00e9 investigado pela PF.<\/h5>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">De sand\u00e1lias de couro, instalado numa sala pequena no 3\u00ba andar do departamento de F\u00edsica da <strong>Universidade Federal do Rio de Janeiro<\/strong>, o f\u00edsico <strong>Adl\u00e8ne Hicheur<\/strong>, 39 anos, tem o physique du r\u00f4le atribu\u00eddo aos cientistas. \u00c9 magro, tem olheiras profundas e trabalha em uma pequena escrivaninha aboletada de livros. Disciplinado, Hicheur, toda sexta-feira, se desloca para fazer suas ora\u00e7\u00f5es numa mesquita na zona norte do <strong>Rio de Janeiro<\/strong>. Argelino de nascimento e naturalizado franc\u00eas, Hicheur tem um segredo em sua biografia que o p\u00f4s sob investiga\u00e7\u00e3o da <strong>Pol\u00edcia Federal<\/strong> brasileira. Em 2009, ele foi preso e condenado na <strong>Fran\u00e7a <\/strong>a cinco anos de deten\u00e7\u00e3o pela acusa\u00e7\u00e3o de planejar atentados terroristas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tempo\/noticia\/2016\/01\/sentenced-terrorism-france-under-investigation-brazil.html\"><strong>&gt;&gt; Click to read the English version of the story<\/strong><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 ser preso, Hicheur era considerado um cientista brilhante, especialista em f\u00edsica das part\u00edculas elementares. Ele integrava a equipe da <strong>Organiza\u00e7\u00e3o Europeia de Pesquisa Nuclear<\/strong> (CERN, na sigla em franc\u00eas) que mant\u00e9m em <strong>Genebra<\/strong>, na <strong>Su\u00ed\u00e7a<\/strong>, o maior laborat\u00f3rio de acelera\u00e7\u00e3o de part\u00edculas do mundo, uma esp\u00e9cie de santu\u00e1rio para os PhDs da \u00e1rea. Em 2009, ele teve uma crise de dores na coluna, tirou uma licen\u00e7a m\u00e9dica e foi para a casa dos pais, na Fran\u00e7a. L\u00e1, passou a frequentar um f\u00f3rum na internet usado por jihadistas e a trocar mensagens com um interlocutor apelidado de \u201c<strong>Phenix Shadow<\/strong>\u201d (f\u00eanix da sombra, numa tradu\u00e7\u00e3o literal). Sob essa alcunha, escondia-se a identidade de <strong>Mustapha Debchi<\/strong>, apontado pelo governo franc\u00eas como um membro da <strong>Al Qaeda<\/strong> na Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O site j\u00e1 era investigado pela pol\u00edcia francesa, que identificou potencial de risco nas mensagens enviadas por <strong>Adl\u00e8ne Hicheur<\/strong> e passou a monitor\u00e1-lo. <strong>\u00c9POCA <\/strong>obteve os 35 e-mails trocados<br \/>\npor ele e decriptografados pela intelig\u00eancia francesa. Eles usavam um programa de criptografia chamado Asrar, criado pela Al-Qaeda para trocar informa\u00e7\u00f5es e armazenar conversas sigilosas.<br \/>\nAs mensagens entre \u201cPhenix Shadow\u201d e Hicheur come\u00e7aram gen\u00e9ricas. \u201cPhenix Shadow\u201d menciona o governo do ent\u00e3o presidente franc\u00eas Nicolas Sarkozy, para quem, diz ele, a sua hora chegaria \u201cem breve\u201d. Na sequ\u00eancia, \u201cPhenix\u201d pergunta a Hicheur se ele estaria disposto a fazer um ataque suicida. Recebe uma negativa como resposta. Ao longo da conversa, \u201cPhenix\u201d fez uma abordagem sem rodeios a Hicheur: \u201cCaro irm\u00e3o, vamos direto ao ponto: voc\u00ea est\u00e1 disposto a trabalhar em uma unidade de ativa\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a? Que tipo de ajuda poder\u00edamos te dar para que isso seja feito? Quais s\u00e3o suas sugest\u00f5es?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/ideias\/noticia\/2015\/12\/europa-deve-aumentar-os-ataques-contra-o-estado-islamico.html\">&gt;&gt; Saiba mais: A Europa deve aumentar os ataques contra o Estado Isl\u00e2mico?<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta de Hicheur veio cinco dias depois. \u201cSim, claro\u201d. Ele esclarece ainda que planejava deixar a Europa nos pr\u00f3ximos anos, mas que poderia rever o plano. Para permanecer, Adl\u00e8ne Hicheur colocou uma condi\u00e7\u00e3o: a cria\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia precisa: \u201cTrabalhar no seio da casa do inimigo central e esvaziar o sangue de suas for\u00e7as\u201d. Para o plano da \u201cunidade de ativa\u00e7\u00e3o\u201d na Fran\u00e7a, Hicheur sugere diversos alvos. \u201cPrecisamos trabalhar para acelerar a recess\u00e3o econ\u00f4mica, ou seja, atingir as ind\u00fastrias vitais do inimigo e as grandes empresas, como Total, British Petroleum, Suez\u201d, escreveu Hicheur, que tamb\u00e9m menciona tamb\u00e9m ataques a embaixadas. Os alvos seriam os governos que ele classificou de \u201cincr\u00e9dulos\u201d: \u201cExecutar assassinatos com objetivos bem estudados: personalidades europeias ou personalidades bem definidas que perten\u00e7am aos regimes incr\u00e9dulos (em embaixadas e consulados, por exemplo)\u201d.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Fi\u00e9is durante ora\u00e7\u00e3o na Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini\/\u00c9POCA)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/rWaNDDulbCAjSwbkVB9F0w8sI54=\/560x350\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/01\/08\/69a2961_1.jpg\" alt=\"Fi\u00e9is durante ora\u00e7\u00e3o na Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini\/\u00c9POCA)\" width=\"560\" height=\"350\" \/><label class=\"foto-legenda\">Fi\u00e9is durante ora\u00e7\u00e3o na Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini\/\u00c9POCA)<\/label><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com mensagens t\u00e3o claras, a pol\u00edcia francesa decidiu prender Hicheur. Afastou-se a possibilidade de que a conversa seria apenas uma postura cr\u00edtica ao governo &#8211; ou o exerc\u00edcio da liberdade de express\u00e3o. A pol\u00edcia ainda encontrou em seu computador um arquivo criptografado no qual se discutia o envio de \u20ac 8.000 euros para a Al Qaeda. Ao ser preso, ele disse que era um \u201cbode expiat\u00f3rio\u201d. Muitos de seus colegas ficaram ao seu lado. Em uma carta enviada em 2011 para Sarkozy, um grupo de cientistas questionou a pris\u00e3o de Hicheur. Imaginavam que o franco-argelino era apenas um usu\u00e1rio a mais navegando em f\u00f3runs na internet. Naquele momento, contudo, a pol\u00edcia francesa ainda n\u00e3o tinha divulgado os e-mails sobre os ataques, que nunca foram desmentidos por Hicheur e revelaram-se decisivos para que a Justi\u00e7a francesa o condenasse como terrorista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/colunas-e-blogs\/helio-gurovitz\/noticia\/2015\/11\/escatologia-apocaliptica-do-estado-islamico.html\">&gt;&gt; Saiba mais: A escatologia apocal\u00edptica do Estado Isl\u00e2mico<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2012, o caso de Hicheur foi citado num estudo da ONU sobre o uso da internet em atentados terroristas. Virou exemplo das \u201cdiferentes formas em que a internet pode ser usada para facilitar a prepara\u00e7\u00e3o de atos de terrorismo, incluindo comunica\u00e7\u00f5es entre organiza\u00e7\u00f5es que promovem o extremismo violento\u201d. Depois de obter a liberdade condicional, em 2012, Hicheur dedicou-se a duas coisas: mudar informa\u00e7\u00f5es na Wikipedia a seu respeito, que mencionam\u00a0 o caso de terrorismo, e a tentar recuperar o emprego no CERN. Ele foi barrado, por\u00e9m, pela pol\u00edcia su\u00ed\u00e7a. Em abril de 2015, ao julgar um recurso de Hicheur, a Justi\u00e7a su\u00ed\u00e7a manteve a proibi\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do cientista no pa\u00eds at\u00e9 abril de 2018. \u201cA gravidade dos fatos leva o tribunal a considerar que a manuten\u00e7\u00e3o da interdi\u00e7\u00e3o de entrada se justifica por motivos ligados \u00e0 seguran\u00e7a interior e exterior da Su\u00ed\u00e7a. As atividades executadas pelo recorrente s\u00e3o, com efeito, objetivamente de uma gravidade suficiente para justificar a decis\u00e3o de afastamento\u201d, diz a decis\u00e3o da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tempo\/noticia\/2015\/11\/apos-atentados-do-estado-islamico-vida-boemia-de-paris-perde-luz.html\">&gt;&gt; Saiba mais: Ap\u00f3s atentados do Estado Isl\u00e2mico, a vida bo\u00eamia de Paris perde a luz<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que a Su\u00ed\u00e7a considerou grave n\u00e3o foi impedimento para que Hicheur viesse para o Brasil, onde ele entrou em 2013 depois de obter uma bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento<br \/>\nCient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). O \u00f3rg\u00e3o diz que, ao contratar, faz \u201can\u00e1lise baseada no m\u00e9rito cient\u00edfico da proposta e no curr\u00edculo do candidato\u201d. Desde ent\u00e3o, Hicheur vive no Rio e tem visto de trabalho\u00a0 garantido pela Universidade Federal do Rio Janeiro at\u00e9 julho deste ano. Entre 2013 e 2014, Hicheur recebeu R$ 56 mil como bolsista do CNPq. Depois, tornou-se professor visitante da UFRJ, com sal\u00e1rio de R$ 11 mil por m\u00eas. Questionada por <strong>\u00c9POCA <\/strong>sobre os antecedentes de Hicheur, a UFRJ disse que a sua contrata\u00e7\u00e3o seguiu as normas usuais para professores visitantes estrangeiros, de quem s\u00e3o exigidos passaporte com visto.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" title=\"Mohamed Zeinhom Abdiem presidente da Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini\/\u00c9POCA)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/sdJB2e85mvPw5H51a2Ge3U-SzB4=\/560x700\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/01\/08\/69a3003.jpg\" alt=\"Mohamed Zeinhom Abdiem, presidente da Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini\/\u00c9POCA)\" \/><label class=\"foto-legenda\">Mohamed Zeinhom Abdiem, presidente da Mesquita da Luz (Foto: Stefano Martini\/\u00c9POCA)<\/label><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, Hicheur leva uma vida discreta. Mas isso n\u00e3o impediu que ele virasse alvo de uma opera\u00e7\u00e3o secreta do grupo antiterrorismo da PF, em outubro. Sua casa e seu laborat\u00f3rio na UFRJ sofreram uma busca e apreens\u00e3o, com autoriza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. A investiga\u00e7\u00e3o da PF come\u00e7ou quase por acaso &#8211; depois de uma reportagem da CNN em espanhol, que entrevistou frequentadores de uma mesquita no Rio de Janeiro sobre o atentado ao seman\u00e1rio Charlie Hedbo, em Paris, em janeiro de 2015, que deixou 12 mortos. Durante a reportagem, um dos entrevistados defendeu o ataque e tirou a camisa. Por baixo, ele estampava outra roupa com o s\u00edmbolo do Estado Isl\u00e2mico. Na tentativa de identificar o autor da mensagem pr\u00f3-terrorismo, a PF descobriu que Hicheur frequentava a mesquita. O cientista passou ent\u00e3o a ser um alvo priorit\u00e1rio da pol\u00edcia, que apura se h\u00e1 liga\u00e7\u00f5es dele com o ato registrado no v\u00eddeo. <strong>\u00c9POCA<\/strong> descobriu que Hicheur procurou o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, em setembro de 2014, para pedir a altera\u00e7\u00e3o da sua nacionalidade, no visto de perman\u00eancia no Brasil, de francesa para argelina. Isso significa que, no caso de uma expuls\u00e3o de Hicheur do Brasil, ele seria deportado para a Arg\u00e9lia e n\u00e3o para a Fran\u00e7a, onde foi condenado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das listas da Interpol, a pol\u00edcia internacional, \u00e9 a chamada difus\u00e3o verde, com informes sobre pessoas que j\u00e1 cometeram crimes e que representam uma amea\u00e7a. <strong>\u00c9POCA <\/strong>questionou a embaixada da Fran\u00e7a em Bras\u00edlia se Hicheur foi alvo de comunica\u00e7\u00f5es desse g\u00eanero e se outros pa\u00edses foram informados da condena\u00e7\u00e3o, como forma de fazer controle na fronteira &#8211; a exemplo do que fez a Su\u00ed\u00e7a. A embaixada n\u00e3o se pronunciou especificamente sobre o caso. \u201cA Embaixada da Fran\u00e7a n\u00e3o se manifestar\u00e1 sobre a situa\u00e7\u00e3o atual do senhor Adl\u00e8ne Hicheur\u201d. De acordo com a nota, \u201ctratando-se da luta contra o terrorismo, as autoridades francesas competentes mant\u00eam um di\u00e1logo estreito, direto e \u00fatil com as autoridades brasileiras competentes\u201d. A institui\u00e7\u00e3o informou ainda que, como ele tem nacionalidade francesa, ele n\u00e3o est\u00e1 impedido de voltar \u00e0 Fran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Rio, Adl\u00e8ne Hicheur mora em um pr\u00e9dio de quatro andares de classe m\u00e9dia numa rua tranquila do bairro da Tijuca. Por ainda trope\u00e7ar na l\u00edngua portuguesa, o porteiro tem dificuldades para compreend\u00ea-lo e, sem gravar o nome do inquilino, o identifica \u201ccomo um rapaz barbudinho\u201d que costuma sair por volta das 7h e s\u00f3 voltar \u00e0 noite. Segundo vizinhos, houve uma mudan\u00e7a brusca na rotina do cientista, que mandou um familiar de volta para a Europa e passou a viver sozinho. Na UFRJ, Hicheur ocupa uma sala pequena no final de um corredor mal iluminado, no terceiro andar do Instituto de F\u00edsica. <strong>\u00c9POCA <\/strong>o localizou l\u00e1 no come\u00e7o da tarde da \u00faltima quinta-feira. A surpresa da visita o deixou nervoso. Come\u00e7ou a tremer e se recusou a dar entrevista. \u201cN\u00e3o posso falar e gostaria de ser deixado em paz. Se voc\u00ea escrever ou falar qualquer coisa, voc\u00ea n\u00e3o imagina as consequ\u00eancias para voc\u00ea e para mim. \u00c9 s\u00f3 isso\u201d, disse o professor, sem explicar a que se referia exatamente. \u201cEsse tipo de assunto hoje em dia n\u00e3o \u00e9 assunto tratado de maneira anal\u00edtica e com raz\u00e3o. Estamos numa \u00e9poca de histeria\u201d, afirmou. \u201cEu decidi n\u00e3o falar nada s\u00f3 para reconstruir minha vida. N\u00e3o \u00e9 porque eu n\u00e3o tenha raz\u00e3o. Eu tenho raz\u00e3o. Tenho muita coisa para falar. Mas deixa o tempo falar sobre isso.\u201d Em seguida, acrescentou: \u201cN\u00e3o sou uma pessoa p\u00fablica. Estou protegendo minha vida privada e de minha fam\u00edlia. N\u00e3o tenho qualquer\u00a0 impacto sobre o destino do mundo.\u201d Por fim, deixou uma inc\u00f3gnita no ar sobre a opera\u00e7\u00e3o de busca e apreens\u00e3o feita pela PF em sua casa e no laborat\u00f3rio da universidade: \u201cSua informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem da Pol\u00edcia Federal. S\u00e3o eles que contataram voc\u00ea (de <strong>\u00c9POCA<\/strong>)\u201d. Ele n\u00e3o esclareceu quem seriam \u201celes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os l\u00edderes da Mesquita da Luz, no Rio, querem que a Pol\u00edcia Federal descubra a identidade e o paradeiro do homem que se manifestou a favor de terroristas, dentro do templo, logo ap\u00f3s o atentado contra o Charlie Hebdo no ano passado. A Sociedade Mu\u00e7ulmana do Rio de Janeiro, respons\u00e1vel pela mesquita, tem repudiado publicamente os ataques do Estado Isl\u00e2mico, em especial o que ocorreu de novembro passado em Paris. Para o presidente da entidade, Mohamed Zeinhom Abdien,\u00a0 muitas pessoas n\u00e3o distinguem terroristas dos seguidores do islamismo e isso aumenta a estigmatiza\u00e7\u00e3o dos mu\u00e7ulmanos. \u201cDenunciamos a a\u00e7\u00e3o do simpatizante do Estado Isl\u00e2mico \u00e0 Pol\u00edcia Federal. Queremos mostrar que a gente n\u00e3o concorda com essas coisas. Nossa religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 essa. Queremos viver em paz com o pr\u00f3ximo\u201d, diz Abdien, que n\u00e3o foi informado sobre o resultado da investiga\u00e7\u00e3o pela PF.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A investiga\u00e7\u00e3o da PF sobre Adl\u00e8ne \u00e9 baseada na suspeita de incita\u00e7\u00e3o ao crime e propaganda em favor da guerra. Embora a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 cite terrorismo, at\u00e9 hoje o Congresso Nacional n\u00e3o criou uma lei para classificar o que seria um ataque terrorista. Por isso, as investiga\u00e7\u00f5es sobre amea\u00e7as terroristas no Brasil t\u00eam de se basear em crimes laterais, sempre com penas mais brandas. Com os ataques a Paris em novembro, ganhou for\u00e7a a discuss\u00e3o de um projeto de lei para enfim criminalizar o terrorismo. Mas, por causa da situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica atribulada do pa\u00eds, sua vota\u00e7\u00e3o pela C\u00e2mara ficou para este ano \u2013 se o debate sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff n\u00e3o atrapalhar. O projeto prev\u00ea penas duras para quem executar, financiar, preparar ou fazer apologia a atos terroristas. H\u00e1 um ponto espec\u00edfico que interessa aos especialistas em terrorismo: o combate aos chamados \u201catos preparat\u00f3rios\u201d. Ou seja, planejar &#8211; antes mesmo de executar um atentado &#8211; j\u00e1 ser\u00e1 considerado crime. Com esse enquadramento, as autoridades policiais esperam viabilizar opera\u00e7\u00f5es para que os atentados sejam evitados. Se a nova lei for aprovada, mensagens como a de Hicheur (\u201cexecutar assassinatos com objetivos bem estudados\u201d) possivelmente teriam o mesmo entendimento dado pela Justi\u00e7a francesa. Hoje, contudo, h\u00e1 um v\u00e1cuo jur\u00eddico. No ano passado, a PF realizou pelo menos quatro opera\u00e7\u00f5es antiterrorismo, sempre baseadas em crimes menores. Enquanto as Olimp\u00edadas se aproximam e o Congresso n\u00e3o se apressa em votar uma legisla\u00e7\u00e3o anti-terror, o Brasil vive uma situa\u00e7\u00e3o diferente de outros pa\u00edses: combate um terrorismo sem dispor de uma lei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/ocorreionews.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/917-infografico-a-sombra-do-terror.jpg\" rel=\"attachment wp-att-18364\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-18364 size-full\" src=\"https:\/\/ocorreionews.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/917-infografico-a-sombra-do-terror.jpg\" alt=\"917-infografico-a-sombra-do-terror\" width=\"560\" height=\"3350\" srcset=\"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/917-infografico-a-sombra-do-terror.jpg 560w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/917-infografico-a-sombra-do-terror-50x300.jpg 50w, https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/917-infografico-a-sombra-do-terror-171x1024.jpg 171w\" sizes=\"auto, (max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">FILIPE COUTINHO, ANA CLARA COSTA E HUDSON CORR\u00caA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Condenado por planejar atentados terroristas na Fran\u00e7a, Adl\u00e8ne Hicheur hoje vive como professor no Brasil, para onde veio com bolsa do governo federal e \u00e9 investigado pela PF. 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