{"id":194720,"date":"2022-01-03T06:24:08","date_gmt":"2022-01-03T10:24:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=194720"},"modified":"2022-01-03T06:26:21","modified_gmt":"2022-01-03T10:26:21","slug":"agro-tem-recuperacao-mais-veloz-do-emprego-e-atrai-jovens-qualificados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=194720","title":{"rendered":"Agro tem recupera\u00e7\u00e3o mais veloz do emprego e atrai jovens qualificados"},"content":{"rendered":"<p>Filho de produtores de soja, Murilo Ricardo, 32, n\u00e3o se imagina mais morando longe do campo. Ele, que saiu da pequena Anauril\u00e2ndia (a 368 km de Campo Grande, no MS) para estudar agronomia, voltou para o interior para ajudar a cuidar da propriedade da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&#8220;As melhores oportunidades de trabalho para mim est\u00e3o aqui, e os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos pesaram na decis\u00e3o de voltar. Em pouco tempo, j\u00e1 consegui implementar na propriedade parte do que aprendi na cidade e estudando no exterior. Agora, usamos tecnologia de ponta para fazer medi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o me imagino longe do campo.&#8221;<\/p>\n<div id=\"taboola-mid-article\" class=\"d-print-none my-3\"><\/div>\n<p>Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) sinalizam que a trajet\u00f3ria de Ricardo n\u00e3o \u00e9 isolada, e que as atividades ligadas ao campo j\u00e1 superaram o n\u00edvel de empregos do pr\u00e9-pandemia, levando em considera\u00e7\u00e3o vagas formais e informais.<\/p>\n<p>No terceiro trimestre de 2021, a popula\u00e7\u00e3o ocupada na agricultura, pecu\u00e1ria, produ\u00e7\u00e3o florestal, pesca e aquicultura chegou a 9 milh\u00f5es &#8211;o n\u00famero representa um avan\u00e7o de 574 mil postos frente ao terceiro trimestre de 2019 (8,5 milh\u00f5es), antes da crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em termos percentuais, o crescimento no per\u00edodo foi de 6,8%. \u00c9 o maior na lista de dez atividades analisadas pelo IBGE. Os dados integram a Pnad Cont\u00ednua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua).<\/p>\n<p>Fora as atividades relacionadas ao campo, apenas o setor de constru\u00e7\u00e3o e o ramo de informa\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e atividades financeiras, imobili\u00e1rias, profissionais e administrativas tiveram aumento da popula\u00e7\u00e3o ocupada no mesmo per\u00edodo. As altas foram de 2,5% e 2,9%, respectivamente &#8211;resultados inferiores aos registrados no campo..<\/p>\n<p>Al\u00e9m de liderar o ritmo de gera\u00e7\u00e3o de empregos, o agroneg\u00f3cio tamb\u00e9m est\u00e1 ficando mais jovem e escolarizado, segundo um levantamento exclusivo da consultoria IDados, tamb\u00e9m a partir da Pnad Cont\u00ednua: o total de trabalhadores rurais com at\u00e9 29 anos \u00e9 o mais alto desde 2015. No terceiro trimestre de 2021, eles eram 2,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em n\u00famero de trabalhadores, o grupo ainda \u00e9 menor do que o das demais faixas et\u00e1rias, mas foi o que mais cresceu na compara\u00e7\u00e3o com antes da pandemia, com aumento de 16% em rela\u00e7\u00e3o ao in\u00edcio de 2019.<\/p>\n<p>Apesar de ainda serem minoria, os trabalhadores rurais com ensino superior incompleto ou mais dobraram nos \u00faltimos nove anos, em patamar recorde. Eles eram 189,8 mil no terceiro trimestre de 2012. No mesmo per\u00edodo de 2021, j\u00e1 somavam 389,8 mil, ainda de acordo com os dados do IBGE.<\/p>\n<p>Em busca de qualidade de vida e redu\u00e7\u00e3o de despesas, o veterin\u00e1rio Thomaz Coelho, 31, trocou o Rio de Janeiro pela mineira Palm\u00f3polis, de menos de 7.000 habitantes. &#8220;Tinha um emprego no Rio, mas estava insatisfeito com a rotina da cidade. Prestei um concurso e hoje atuo em fazendas de Minas&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m avalia que muitos jovens de maior forma\u00e7\u00e3o acabam se mudando para o interior para fugir da viol\u00eancia e dos problemas das grandes cidades e que a pandemia deve refor\u00e7ar esse movimento.<\/p>\n<p>O pesquisador Felippe Serigati, do centro de estudos FGV Agro, avalia que a cria\u00e7\u00e3o de vagas no campo reflete um conjunto de fatores. Um dos principais \u00e9 o fato de atividades como agricultura e pecu\u00e1ria n\u00e3o terem parado de operar durante a pandemia.<\/p>\n<p>Restri\u00e7\u00f5es adotadas para frear o coronav\u00edrus atingiram mais setores como com\u00e9rcio e servi\u00e7os, com grande peso em centros urbanos e dependentes da circula\u00e7\u00e3o de consumidores.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a demanda por alimentos ficou aquecida durante a crise sanit\u00e1ria, incentivando contrata\u00e7\u00f5es de trabalhadores no campo, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2021, o Brasil teve seca e geadas e, com isso, houve quebra de safra. Mas o investimento j\u00e1 estava feito. A m\u00e3o de obra j\u00e1 havia sido contratada&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>A pesquisadora Nicole Renn\u00f3, do Cepea (Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada), tem opini\u00e3o semelhante. Segundo ela, a demanda aquecida e os pre\u00e7os em alta por produtos da agropecu\u00e1ria colaboraram para o aumento da popula\u00e7\u00e3o ocupada na pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;Os pre\u00e7os altos, que s\u00e3o o principal elemento da conjuntura, favorecem os empregos. O avan\u00e7o superou o que era necess\u00e1rio para uma recupera\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Sobre o aumento do n\u00famero de empregados rurais com ensino superior, o pesquisador da IDados e tamb\u00e9m da FGV Bruno Ottoni diz que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel medir se isso se deve pela atra\u00e7\u00e3o de universit\u00e1rios ao campo ou pelo aumento da escolaridade dos moradores dessas regi\u00f5es. Mas \u00e9 prov\u00e1vel que os dois movimentos estejam ocorrendo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante observar que o campo \u00e9 um dos setores que mais perderam m\u00e3o de obra ao longo da hist\u00f3ria, por causa do processo de mecaniza\u00e7\u00e3o, que vai se acentuar. As novas gera\u00e7\u00f5es de trabalhadores rurais ter\u00e3o de ser mais treinadas para essa realidade tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>AUMENTO DO EMPREGO ESBARRA EM DESAFIOS<\/p>\n<p>A enfermeira Greice Cizeski, 31, tamb\u00e9m deixou para tr\u00e1s a vida na cidade. Em meio aos impactos da pandemia em sua rotina de trabalho, largou o emprego em um hospital na regi\u00e3o metropolitana de Florian\u00f3polis (SC) no \u00faltimo m\u00eas de abril.<\/p>\n<p>Filha de produtores rurais, escolheu voltar para perto da fam\u00edlia, no munic\u00edpio de Morro da Fuma\u00e7a, a cerca de 200 quil\u00f4metros da capital catarinense. Ela acaba de abrir uma queijaria com os pais na cidade de cerca de 18 mil habitantes.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo isso aconteceu durante a pandemia. Meu pai me apoiou bastante&#8221;, conta. &#8220;Tinha trabalhado na ro\u00e7a com meus pais at\u00e9 os 17 anos. L\u00e1 atr\u00e1s tudo era mais dif\u00edcil. N\u00e3o tinha tecnologia. Hoje \u00e9 diferente&#8221;, relata.<\/p>\n<p>O campo vem se destacado na gera\u00e7\u00e3o de empregos, mas, no horizonte para 2022, h\u00e1 uma combina\u00e7\u00e3o entre poss\u00edveis est\u00edmulos e riscos \u00e0 expans\u00e3o da m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p>Por um lado, as previs\u00f5es indicam um ano mais favor\u00e1vel do ponto de vista clim\u00e1tico, na compara\u00e7\u00e3o com 2021. Isso pode gerar reflexos positivos no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O movimento de contrata\u00e7\u00f5es, no entanto, \u00e9 amea\u00e7ado pela alta nos custos produtivos, pondera o Serigati. Itens como fertilizantes, que dependem de importa\u00e7\u00f5es, dispararam com o d\u00f3lar elevado durante a pandemia, pressionando o bolso dos produtores.<\/p>\n<p>Nicole tamb\u00e9m entende que os custos desafiam o setor em 2022, mas projeta um cen\u00e1rio positivo para a gera\u00e7\u00e3o de empregos nos pr\u00f3ximos meses. &#8220;A perspectiva \u00e9 que essa melhoria no mercado de trabalho continue mais um pouco, pelo menos nos primeiros trimestres de 2022. H\u00e1 um grande desafio que \u00e9 o aumento de custos, mas, no geral, ainda esperamos um bom ano para a agropecu\u00e1ria&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Isso deve continuar a favorecer o mercado de trabalho e ajudar a segurar uma tend\u00eancia contr\u00e1ria de muitos anos que \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ocupada na agropecu\u00e1ria&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>Apesar do avan\u00e7o na crise, as atividades de agricultura, pecu\u00e1ria, produ\u00e7\u00e3o florestal, pesca e aquicultura ainda representam menos de 10% da popula\u00e7\u00e3o ocupada no pa\u00eds.<\/p>\n<p>No terceiro trimestre de 2021, os cerca de 9 milh\u00f5es de trabalhadores nessas atividades correspondiam a 9,7% de um universo de 93 milh\u00f5es de ocupados.<\/p>\n<p>No mesmo per\u00edodo, o rendimento m\u00e9dio do trabalho, em termos reais, foi de R$ 1.517 na agricultura, pecu\u00e1ria, produ\u00e7\u00e3o florestal, pesca e aquicultura. O n\u00famero \u00e9 o segundo menor entre as 10 atividades da Pnad Cont\u00ednua. S\u00f3 fica acima da renda m\u00e9dia obtida com servi\u00e7os dom\u00e9sticos (R$ 920).<\/p>\n<p>DLnews<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filho de produtores de soja, Murilo Ricardo, 32, n\u00e3o se imagina mais morando longe do campo. 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