{"id":201518,"date":"2022-03-20T08:25:18","date_gmt":"2022-03-20T12:25:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=201518"},"modified":"2022-03-20T08:25:18","modified_gmt":"2022-03-20T12:25:18","slug":"sem-fertilizantes-produtores-ja-buscam-plano-b-para-a-safra-22-23","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=201518","title":{"rendered":"Sem fertilizantes, produtores j\u00e1 buscam plano B para a safra 22\/23"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-12 noticia-text\">\n<p>Agricultores de Mato Grosso do Sul t\u00eam um desafio em 2022. Depois de um come\u00e7o de ano tumultuado pelas perdas clim\u00e1ticas, a invas\u00e3o da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia pode ter criado um novo obst\u00e1culo para a produ\u00e7\u00e3o da safra 22\/23.<\/p>\n<p>O Correio do Estado apurou com alguns produtores que a falta de insumos pode levar a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de fertilizantes no seguinte ciclo de plantio por alguns agricultores.<\/p>\n<p>Vilson Brusamarello, ex-presidente do Sindicato Rural de S\u00e3o Gabriel do Oeste, relata que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber como estar\u00e3o os pre\u00e7os dos produtos at\u00e9 o in\u00edcio da safra.<\/p>\n<p>Vilson assegura que n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 safrinha. \u201cJ\u00e1 est\u00e1 praticamente plantada, n\u00e3o h\u00e1 problema nenhum a\u00ed. O que preocupa \u00e9 a pr\u00f3xima safra. Eu penso que temos algumas alternativas, como plano B e C\u201d.<\/p>\n<p>O produtor se refere \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o feita por cooperativas rurais para buscarem outros fornecedores e tamb\u00e9m aos esfor\u00e7os feitos pelo Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) em encontrar fornecedores para suprir a demanda antes fornecida por R\u00fassia e Bielorr\u00fassia.<\/p>\n<p>Segundo ele, este seria parte de um plano B, no qual a comunidade agr\u00edcola se mobiliza atr\u00e1s de fornecedores com a capacidade de tomarem os pap\u00e9is destes dois pa\u00edses envolvidos na guerra contra a Ucr\u00e2nia e alvos de duras san\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>De acordo com Andr\u00e9 Dobashi, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), \u201ccaso n\u00e3o tenhamos novos mercados e alternativas, poder\u00e1 fazer da safra de soja 2022\/2023 a mais cara da hist\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9verton Tiago Bortoloto, engenheiro agr\u00f4nomo que atua na regi\u00e3o de Campo Grande, atesta que os pre\u00e7os est\u00e3o bem inflados. Ele deu como exemplo o KCL (cloreto de pot\u00e1ssio), que custava entre R$ 1.800 a R$ 2.200 a tonelada no \u00faltimo ano e no come\u00e7o de 2022 j\u00e1 est\u00e1 sendo negociado a quase R$ 8 mil.<\/p>\n<p>\u201cQuem n\u00e3o comprou antes, n\u00e3o est\u00e1 comprando agora\u201d, define ele sobre a situa\u00e7\u00e3o do produtor rural, que neste momento tem de decidir entre comprar com pre\u00e7os inflados ou preparar uma planta\u00e7\u00e3o com menores resultados.<\/p>\n<p>\u201cO produtor pode diminuir a aduba\u00e7\u00e3o, em vez de 300 kg de NPK [nitrog\u00eanio, pot\u00e1ssio e f\u00f3sforo], agora ele pode fazer 250 kg ou at\u00e9 150 kg. Ele tem de mudar a formula\u00e7\u00e3o ou pagar mais caro no produto\u201d, recomenda.<\/p>\n<p>Pesquisador de Manejo e Fertilidade do Solo da Funda\u00e7\u00e3o MS Douglas Gitti ressalta que o cen\u00e1rio \u00e9 para \u201cincentivo da ado\u00e7\u00e3o do sistema plantio direto que, proporciona ao solo a capacidade de aumentar a efici\u00eancia das aduba\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>O presidente da Aprosoja\/MS revela que os insumos subiram 40% em m\u00e9dia de um ano para c\u00e1. Segundo ele, em um cen\u00e1rio atual, somente esse item, chega a custar 45 sacas de milho por hectare.<\/p>\n<p>O mesmo item, adquirido no segundo semestre de 2021 correspondia a 32 sacas por hectare. Levando em conta a proje\u00e7\u00e3o do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Geogr\u00e1ficas de Mato Grosso do Sul (Siga), que sinaliza uma expectativa de produtividade para o milho segunda safra de 78,13 sacas por hectare.<\/p>\n<p>\u201cOu seja, adquirindo fertilizantes nos primeiros meses de 2022, o agricultor destinaria mais da metade da safra de milho para pagar apenas fertilizantes\u201d, sentencia Dobachi.<\/p>\n<\/div>\n<section id=\"widgets\">\n<div class=\"col-12 noticia-text\">\n<h2>PLANO C<\/h2>\n<p>Mas para alguns n\u00e3o existem margens para mudan\u00e7as. \u201cProdutor de \u00e1rea nova tem de adubar, n\u00e3o tem como plantar sem fertilizantes e esperar produtividade alta\u201d, comenta Bortoloto.<\/p>\n<p>Essa possibilidade aventada por ele, seria o plano C para a safra. Comentada tamb\u00e9m por Brusamarello, este n\u00e3o seria o primeiro momento em que produtores de Mato Grosso do Sul plantariam sem o uso de fertilizantes.<\/p>\n<p>Especialistas afirmam que existe um dep\u00f3sito no pr\u00f3prio solo em \u00e1reas cultivadas a mais tempo.<\/p>\n<p>Cada safra completada deixa um res\u00edduo de nutrientes no solo, como se fosse uma poupan\u00e7a de minerais, dessa maneira, o solo enriquecido facilita a redu\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o para quem tem mais tempo de lavoura.<\/p>\n<p>Vilson Brusamarello ressalta que esse tipo de escolha deve ser feita com muita cautela. \u201cO produtor precisa de uma consultoria especializada para saber se o solo tem condi\u00e7\u00f5es de suportar uma safra sem os aditivos. \u00c9 uma escolha que depende de muito estudo\u201d.<\/p>\n<p>Douglas Gitti segue a mesma linha de Brusamarello e ressalta que \u00e9 importante enfatizar \u201ca ado\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios de aduba\u00e7\u00e3o conforme os teores de nutrientes no solo e o potencial de produ\u00e7\u00e3o dos cultivos\u201d.<\/p>\n<div class=\"col-12 noticia-text\">\n<h2>ENTREGA<\/h2>\n<p>Ambos os especialistas afirmam que alguns produtores conseguiram comprar estoque que pode durar para a pr\u00f3xima safra, mas a maioria n\u00e3o conseguiu os insumos.<\/p>\n<p>Bortoloto afirma que as empresas est\u00e3o cumprindo as entregas de pedidos feitos com anteced\u00eancia, mas o futuro ainda \u00e9 incerto, disse ele. \u201cDaqui para frente ningu\u00e9m sabe o que vai ser, tem muito produtor de cabelo em p\u00e9\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com a Ag\u00eancia Nacional para a Difus\u00e3o de Adubos (Anda), os estoques brasileiros devem durar apenas tr\u00eas meses, caso a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se regularize em breve.<\/p>\n<p>Essa previs\u00e3o contraria as declara\u00e7\u00f5es recentes da ministra Tereza Cristina, que assegurava estoques at\u00e9 outubro deste ano.<\/p>\n<p>Em contrapartida, nesta semana, o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Produ\u00e7\u00e3o e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, revelou que ainda existe a possibilidade de o Brasil encontrar um parceiro na Bol\u00edvia no tema dos fertilizantes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Canad\u00e1, Ir\u00e3 e Marrocos, os dois primeiros j\u00e1 visitados pela ministra Tereza Cristina e o segundo um potencial parceiro.<\/p>\n<p>Mato Grosso do Sul \u00e9 o sexto estado que mais importa fertilizantes de outros pa\u00edses. Conforme a Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior (Secex), quase 80% do fertilizante utilizado em Mato Grosso do Sul vem de pa\u00edses como Marrocos, Estados Unidos, China e Ar\u00e1bia Saudita, deixando cerca de 20% para a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Rodrigo Almeida- correiodoestado<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agricultores de Mato Grosso do Sul t\u00eam um desafio em 2022. Depois de um come\u00e7o de ano tumultuado pelas perdas clim\u00e1ticas, a invas\u00e3o da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia pode ter criado um novo obst\u00e1culo para a produ\u00e7\u00e3o da safra 22\/23. 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