{"id":207704,"date":"2022-05-30T06:13:28","date_gmt":"2022-05-30T10:13:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=207704"},"modified":"2022-05-30T06:13:28","modified_gmt":"2022-05-30T10:13:28","slug":"como-esta-o-mercado-da-soja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=207704","title":{"rendered":"Como est\u00e1 o mercado da soja?"},"content":{"rendered":"<div class=\"noticia-conteudo agk-cont-destaque3\">\n<div class=\"noticia-corpo-conteudo\">\n<p>A cota\u00e7\u00e3o da soja, para o primeiro m\u00eas cotado em Chicago, subiu um pouco durante a\u00a0semana e, na quinta-feira (26), acabou disparando, com forte movimento especulativo,\u00a0puxado pelas altas do \u00f3leo de soja, o qual foi apoiado pelas altas do petr\u00f3leo, voltando\u00a0a romper o teto dos US$ 17,00\/bushel, para se estabelecer, no fechamento deste dia,\u00a0em US$ 17,26\/bushel, contra US$ 16,90 uma semana antes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os fundamentos do mercado s\u00e3o os mesmos das \u00faltimas semanas, com o clima nos\u00a0EUA sendo, hoje, o elemento mais importante. Enquanto a safra do pa\u00eds norteamericano n\u00e3o se definir, o mercado da oleaginosa continuar\u00e1 com grande volatilidade.\u00a0Vale lembrar que, durante a semana, a soja sofreu forte press\u00e3o baixista devido ao\u00a0recuo nas cota\u00e7\u00f5es do milho e trigo, por\u00e9m, acabou n\u00e3o cedendo.\u00a0Por sua vez, at\u00e9 o dia 22 de maio, com a melhoria do clima nos EUA, o plantio da\u00a0oleaginosa naquele pa\u00eds avan\u00e7ou mais, chegando a 50% da \u00e1rea total, contra a m\u00e9dia\u00a0hist\u00f3rica de 55% para a \u00e9poca. Cerca de 21% das lavouras semeadas j\u00e1 haviam\u00a0germinado, contra a m\u00e9dia hist\u00f3rica de 26%.<\/p>\n<p>Enquanto isso, na semana encerrada em 19 de maio, os embarques de soja por parte\u00a0dos EUA chegaram a 575.781 toneladas, ficando dentro do esperado pelo mercado.\u00a0Em todo o ano comercial atual os EUA j\u00e1 exportaram 49,1 milh\u00f5es de toneladas, o que\u00a0significa 13% a menos do em igual per\u00edodo do ano anterior.\u00a0Pelo lado da demanda, a China aponta que recebeu 6,3 milh\u00f5es de toneladas de soja\u00a0oriunda do Brasil. Foi um aumento de 120% sobre o registrado em mar\u00e7o, devido a\u00a0chegada de navios atrasados. Em abril de 2021 o volume recebido foi de 5,08 milh\u00f5es\u00a0de toneladas, sendo o Brasil o principal fornecedor de soja aos chineses nestes \u00faltimos\u00a0tempos. Com a recupera\u00e7\u00e3o dos atrasos, provavelmente maio tamb\u00e9m registrar\u00e1\u00a0importa\u00e7\u00f5es importantes vindas do Brasil. J\u00e1 dos EUA, a China recebeu 1,64 milh\u00e3o de\u00a0toneladas em abril passado, contra 3,37 milh\u00f5es em mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Nos primeiros quatro\u00a0meses do ano, as importa\u00e7\u00f5es chinesas de soja do Brasil ficaram em 12,7 milh\u00f5es de\u00a0toneladas, contra 6,42 milh\u00f5es de toneladas no mesmo per\u00edodo do ano anterior. Por\u00a0sua vez, os embarques dos Estados Unidos chegaram a 15 milh\u00f5es de toneladas,\u00a0abaixo das 21,3 milh\u00f5es de toneladas de um ano antes. Em alguns momentos, no\u00a0in\u00edcio do corrente ano, os compradores chineses se voltaram para a soja dos EUA\u00a0porque, com a safra brasileira diminu\u00edda, aquela estava mais barata. J\u00e1 para setembro,\u00a0os esmagadores chineses de soja diminu\u00edram as compras devido as fracas margens de\u00a0tritura\u00e7\u00e3o. Tais margens ca\u00edram, desde o in\u00edcio de mar\u00e7o, e estavam negativas em\u00a041,97 d\u00f3lares por tonelada uma semana atr\u00e1s. (Cf. Alf\u00e2ndega da China).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dito isso, o mercado acredita que, diante do recuo na demanda por \u00f3leo de soja na\u00a0China, deve haver redu\u00e7\u00e3o do consumo da oleaginosa no maior consumidor mundial\u00a0do gr\u00e3o, j\u00e1 que os lockdowns para impedir a propaga\u00e7\u00e3o de Covid-19 fecharam\u00a0restaurantes e cantinas por l\u00e1. A China \u00e9 o maior consumidor mundial de \u00f3leos\u00a0comest\u00edveis, sendo que cerca de metade das 17 milh\u00f5es de toneladas de \u00f3leo de soja\u00a0usadas, todos os anos, vai para fritar alimentos. A demanda por todos os \u00f3leos\u00a0comest\u00edveis, no ano comercial 2021\/22, iniciado em setembro passado, deve cair\u00a08,45% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, ficando em 39 milh\u00f5es de toneladas. Se confirmado ser\u00e1 o primeiro recuo neste s\u00e9culo XXI, de acordo com o Centro Nacional de\u00a0Informa\u00e7\u00f5es sobre Gr\u00e3os e \u00d3leos do governo chin\u00eas. Em mar\u00e7o, o consumo de \u00f3leo de\u00a0soja na China caiu 11% e em abril 15%, quando comparado com os mesmos meses de\u00a02019, \u00faltimo ano sem pandemia. Assim, o uso total de \u00f3leo de soja ser\u00e1 de 16,7\u00a0milh\u00f5es de toneladas em 2022, com uma queda de cerca de 500.000 toneladas em\u00a0rela\u00e7\u00e3o a 2019. (cf. Reuters)<\/p>\n<p>De acordo com tradings internacionais, por enquanto os\u00a0chineses cobriram apenas cerca de 30% de sua demanda mensal de importa\u00e7\u00e3o de\u00a0soja para julho e 20% para agosto. Enfim, pelo lado do farelo, a produ\u00e7\u00e3o industrial de\u00a0ra\u00e7\u00e3o animal da China, em abril, caiu quase 11% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, ficando\u00a0em 22,5 milh\u00f5es de toneladas, com a ra\u00e7\u00e3o para su\u00ednos caindo 15,2%, devido a\u00a0mat\u00e9rias-primas caras e margens de ganhos fracas na produ\u00e7\u00e3o destes animais.\u00a0conforme a Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria de Ra\u00e7\u00e3o da China.\u00a0Por sua vez, o USDA projeta que o consumo de \u00f3leo de soja se recupere, na China,\u00a0em 2022\/23, com o volume total consumido passando para o recorde de 18,05 milh\u00f5es\u00a0de toneladas.<\/p>\n<p>E no Brasil, com o c\u00e2mbio recuando para R$ 4,80 por d\u00f3lar em boa parte da semana,\u00a0os pre\u00e7os da soja tamb\u00e9m perderam for\u00e7a, mais uma vez. A m\u00e9da ga\u00facha, no balc\u00e3o,\u00a0ficou em R$ 184,72\/saco, por\u00e9m, as principais pra\u00e7as de comercializa\u00e7\u00e3o registraram o\u00a0valor de R$ 178,00\/saco. Neste momento, considerando estas principais pra\u00e7as, a soja,\u00a0em termos nominais, est\u00e1 apenas 9,3% superior ao pre\u00e7o m\u00e9dio estadual de um ano\u00a0atr\u00e1s, perdendo para a infla\u00e7\u00e3o oficial e sobretudo para a eleva\u00e7\u00e3o dos custos m\u00e9dios\u00a0de produ\u00e7\u00e3o. Em termos reais, o pre\u00e7o atual \u00e9 menor, portanto, do que o praticado um\u00a0ano atr\u00e1s, refor\u00e7ando o fato de que, neste ano, a soja ga\u00facha tem menos poder de\u00a0compra do que um ano antes. Isso tudo, sem ainda considerar o enorme preju\u00edzo com\u00a0a seca na \u00faltima colheita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas demais pra\u00e7as nacionais, o quadro n\u00e3o \u00e9 muito\u00a0diferente, embora em parte das regi\u00f5es produtoras a \u00faltima safra tenha sido cheia. Os\u00a0pre\u00e7os m\u00e9dios, nesta semana, oscilaram, nestas pra\u00e7as, entre R$ 164,00 e R$\u00a0176,00\/saco, enquanto no ano passado, nesta mesma semana, eles estavam entre R$\u00a0156,00 e R$ 162,00\/saco. Ou seja, um aumento nominal de apenas 5,1% a 8,6% em\u00a012 meses, contra uma infla\u00e7\u00e3o oficial de 12,2% no per\u00edodo e um aumento nos custos\u00a0de produ\u00e7\u00e3o que supera os 50%.\u00a0\u00a0Al\u00e9m da perda de competitividade de nossa soja no exterior, diante da revaloriza\u00e7\u00e3o do\u00a0Real, os consumidores internos est\u00e3o mais afastados do mercado comprador,\u00a0esperando um aumento na oferta local devido ao baixo volume de soja comercializada\u00a0na safra 2021\/22, assim como pelo fato de, com a proximidade da colheita da safrinha\u00a0de milho, tudo indica que os produtores ter\u00e3o que vender a soja para liberar espa\u00e7os\u00a0nos armaz\u00e9ns, j\u00e1 que a falta de capacidade de armazenagem no Brasil \u00e9 estrutural e\u00a0est\u00e1 longe de ser resolvida.<\/p>\n<p>Em paralelo, no Rio Grande do Sul, finalmente a colheita de ver\u00e3o se aproxima de seu\u00a0t\u00e9rmino, com soja e milho j\u00e1 superando os 90% da \u00e1rea que foi semeada. O atraso se\u00a0deve ao clima, sendo que nas \u00faltimas\u00a0semanas as constantes chuvas n\u00e3o s\u00f3 atrasam a\u00a0colheita como provocam novas perdas em muitas lavouras.\u00a0Pelo lado da exporta\u00e7\u00e3o, o Brasil espera atingir a 11,3 milh\u00f5es de toneladas de soja em\u00a0maio, segundo n\u00fameros revisados da Anec. Na semana anterior, o volume esperado\u00a0era de 11,5 milh\u00f5es de toneladas. Este volume representa uma redu\u00e7\u00e3o de 3 milh\u00f5es de toneladas em rela\u00e7\u00e3o a maio de 2021. J\u00e1 a exporta\u00e7\u00e3o de farelo de soja, pelo Brasil,\u00a0deve alcan\u00e7ar 1,9 milh\u00e3o de toneladas em maio, cerca de 100 mil a menos ante a\u00a0estimativa da semana anterior, mas um crescimento de 200 mil toneladas sobre maio\u00a0de 2021. Enquanto isso, ainda segundo a Anec, a exporta\u00e7\u00e3o brasileira de milho, em\u00a0maio, dever\u00e1 ficar em 1,24 milh\u00e3o de toneladas, sendo que em abril n\u00e3o houve vendas\u00a0externas do ceral.<\/p>\n<p>Enfim, a Bunge, maior processadora mundial de oleaginosas, mais que dobrou em um\u00a0ano, o monitoramento dos fornecedores indiretos de soja do Cerrado brasileiro,\u00a0passando o mesmo de 30% para 64%, com um programa que busca auxiliar a\u00a0companhia a eliminar o desflorestamento da cadeia produtiva de suas compras. A\u00a0companhia tem como meta monitorar, at\u00e9 2025, 100% dos fornecedores indiretos de\u00a0soja no Cerrado, que totalizam cerca de 16 mil produtores, nas contas da Bunge. A\u00a0empresa j\u00e1 alcan\u00e7ou o monitoramento de 100% de suas compras diretas no Brasil,\u00a0Argentina e Paraguai. Atualmente, 52% do Cerrado, que cobre um quarto do territ\u00f3rio\u00a0do Brasil, mant\u00e9m intacta sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa, e preserv\u00e1-la tem sido uma exig\u00eancia\u00a0cada vez maior de consumidores e empresas que valorizam pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis e\u00a0atividades com menos emiss\u00f5es de carbono. A maior parte das compras de soja da\u00a0Bunge, no Cerrado, que inclui o Mato Grosso e Estados do Matopiba (Maranh\u00e3o,\u00a0Tocantins, Piau\u00ed e Bahia), \u00e9 de fornecedores diretos, que respondem por 79% da\u00a0origina\u00e7\u00e3o, enquanto uma parcela menor \u00e9 de indiretos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A soja ocupa cerca de 10% do\u00a0Cerrado, e dados citados pela Bunge indicam que 97% da expans\u00e3o das lavouras na\u00a0regi\u00e3o, entre 2014 e 2021 ocorreu em \u00e1reas abertas previamente, ou seja, sem\u00a0desmatamento recente. O programa com as revendas, que fornece a essas empresas\u00a0a estrutura t\u00e9cnica, como o monitoramento via sat\u00e9lite das \u00e1reas do Cerrado, \u00e9 chave\u00a0para a Bunge conseguir originar 100% de soja do Brasil livre de desmatamento at\u00e9\u00a02025. A iniciativa, disse a empresa, colabora para que mais de 95% da soja comprada\u00a0pela Bunge seja livre de desmatamento, nas chamadas regi\u00f5es priorit\u00e1rias, tendo como\u00a0ponto de refer\u00eancia o ano de 2020. (cf. Reuters) Mas nem todos os produtores de soja,\u00a0ali localizados, est\u00e3o preparados para estas novas exig\u00eancias de mercado. Ali\u00e1s, uma\u00a0realidade que se percebe em todas as regi\u00f5es produtoras do Brasil.<\/p>\n<p><em>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o da\u00a0Central Internacional de An\u00e1lises Econ\u00f4micas e de Estudos de Mercado Agropecu\u00e1rio &#8211; CEEMA<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cota\u00e7\u00e3o da soja, para o primeiro m\u00eas cotado em Chicago, subiu um pouco durante a\u00a0semana e, na quinta-feira (26), acabou disparando, com forte movimento especulativo,\u00a0puxado pelas altas do \u00f3leo de soja, o qual foi apoiado pelas altas do petr\u00f3leo, voltando\u00a0a romper o teto dos US$ 17,00\/bushel, para se estabelecer, no fechamento deste dia,\u00a0em US$ [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":203511,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-207704","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agropecuaria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/207704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=207704"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/207704\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":207705,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/207704\/revisions\/207705"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/203511"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=207704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=207704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=207704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}