{"id":208196,"date":"2022-06-03T07:14:17","date_gmt":"2022-06-03T11:14:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=208196"},"modified":"2022-06-02T20:28:17","modified_gmt":"2022-06-03T00:28:17","slug":"ms-tem-media-de-1-mulher-assassinada-por-semana-em-crimes-de-feminicidio-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=208196","title":{"rendered":"MS tem m\u00e9dia de 1 mulher assassinada por semana em crimes de feminic\u00eddio em 2022"},"content":{"rendered":"<p>De janeiro at\u00e9 o fim de maio deste ano, Mato Grosso do Sul teve 20 mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio \u2014 m\u00e9dia de 1 por semana \u2014, ou seja, assassinadas pela condi\u00e7\u00e3o de serem mulheres, no ambiente familiar, em quest\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica. O caso mais recente foi de Daniela Luiz, de 30 anos, assassinada pelo ex namorado na noite de quarta-feira (1\u00ba) em Ribas do Rio Pardo, cidade distante 97 quil\u00f4metros da Capital.<\/p>\n<p>Enquanto isso, no mesmo per\u00edodo de 2021, foram registrados 16 feminic\u00eddios nos primeiros 5 meses, mais dois em junho. Ao todo, o ano teve 32 mulheres v\u00edtimas, conforme os dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica).<\/p>\n<p>J\u00e1 Campo Grande teve 5 mortes de mulheres v\u00edtimas da viol\u00eancia dom\u00e9stica. Em 2021, foram dois feminic\u00eddios registrados, o primeiro em agosto e o segundo em dezembro.<\/p>\n<p>Quem s\u00e3o as v\u00edtimas do feminic\u00eddio em Campo Grande<\/p>\n<p>Em maio, duas mulheres foram brutalmente assassinadas, uma pelo companheiro e outra pelo pr\u00f3prio irm\u00e3o. Elenice Pinto Martins, de 48 anos, foi morta pelo companheiro Delzimar Alves do Nascimento, 49 anos, que est\u00e1 preso. Segundo familiares, o casal j\u00e1 estava junto h\u00e1 tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Elenice n\u00e3o contava sobre as agress\u00f5es que sofria, mas recentemente teria relatado a ocasi\u00e3o em que foi agredida pelo companheiro. Ele tentou matar a v\u00edtima com um machado, estava embriagado e dormiu com a arma em m\u00e3os. No dia do crime, 13 de maio, Elenice ainda tentou fugir, mas foi golpeada com uma faca.<\/p>\n<p>Quase duas semanas depois, no dia 26 de maio, Patr\u00edcia Benites, de 31 anos, foi assassinada pelo pr\u00f3prio irm\u00e3o, Ant\u00f4nio Benites, que tamb\u00e9m est\u00e1 preso. O filho da v\u00edtima de apenas 5 anos confirmou em depoimento que presenciou o tio assassinar Patr\u00edcia. Ele disse que viu a m\u00e3e chegar em casa embriagada e discutir com Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p>Na briga, o homem levou a m\u00e3e para um quarto e deu um golpe \u2018mata-le\u00e3o\u2019, quando matou a v\u00edtima asfixiada. Ao Midiamax, a irm\u00e3 contou que acredita que o acusado tentou estuprar Patr\u00edcia. A Pol\u00edcia Civil ainda apura se houve o crime de estupro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>V\u00edtimas de feminic\u00eddio<\/p>\n<p>No dia seguinte, a fam\u00edlia s\u00f3 descobriu o crime ap\u00f3s o menino contar que a m\u00e3e tinha sido morta. Patr\u00edcia foi encontrada enterrada no quintal da resid\u00eancia e Ant\u00f4nio ainda fugiu, mas acabou preso depois.<\/p>\n<p>Campo Grande ainda teve outros tr\u00eas feminic\u00eddios registrados em 2022. O primeiro foi de Francielli Guimar\u00e3es Alc\u00e2ntara, de 36 anos, torturada e assassinada pelo companheiro Adailton Freixeira da Silva, de 46 anos. Ela foi encontrada morta em casa e s\u00f3 ap\u00f3s suspeita da pol\u00edcia o caso passou a ser investigado. Francielli tinha v\u00e1rias marcas da tortura que sofria e era tamb\u00e9m mantida em c\u00e1rcere privado.<\/p>\n<p>Adailton foi encontrado no Mato Grosso, tentando fugir, e continua preso. Em fevereiro, Natalin Nara Garcia Freitas Maia, de 22 anos, foi morta pelo marido, o militar da Aeron\u00e1utica Tamerson Ribeiro Lima de Souza, de 31 anos. Ele matou a esposa asfixiada com um mata-le\u00e3o, deixou o corpo no porta-malas do carro e ainda chegou a levar a filha, de apenas 4 anos, para a escola com o corpo da mulher no ve\u00edculo.<\/p>\n<p>Depois, tentou ocultar o corpo em uma regi\u00e3o de mata na BR-060. Ele acabou identificado e preso ap\u00f3s o corpo de Natalin ser encontrado. Tamerson tamb\u00e9m continua preso pelo crime, na Base A\u00e9rea de Campo Grande. J\u00e1 no dia 17 de mar\u00e7o, Eloisa Rodrigues de Oliveira, de 36 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido Fabiano Quirino dos Santos.<\/p>\n<p>Eloisa foi esfaqueada quatro vezes, ficou em estado grave e foi levada para a Santa Casa, mas n\u00e3o resistiu. Fabiano foi preso tentando se esconder na casa de um amigo, em Ribas do Rio Pardo.<\/p>\n<p>V\u00edtimas assassinadas no interior<\/p>\n<p>Na noite do dia 22 de maio, \u00c9rica Miranda Souza, de 27 anos, foi assassinada a tiros pelo marido Diogo Cardoso Souza, de 28 anos. Segundo detalhado pela pol\u00edcia, os filhos da v\u00edtima, de 9 e dois anos, presenciaram o crime e o mais novo ainda foi encontrado dormindo abra\u00e7ado ao corpo da m\u00e3e, j\u00e1 sem vida.<\/p>\n<p>O assassino fugiu logo ap\u00f3s o crime e o enteado conseguiu pedir socorro para uma vizinha. Diogo pegava uma carona para Minas Gerais quando foi localizado e detido ap\u00f3s trabalho conjunto entre Pol\u00edcia Civil e Militar. Ele tamb\u00e9m continua preso.<\/p>\n<p>\u00daltimo caso de feminic\u00eddio registrado foi o de Daniela Luiz, ocorrido na noite de quarta-feira. Ela foi morta a facadas pelo ex-namorado Jo\u00e3o Jos\u00e9 Furtado Nunes, em casa. O filho de 4 anos teria presenciado o crime e ainda correu para pedir socorro aos vizinhos. J\u00e1 o filho adolescente da v\u00edtima, um menino de 14 anos, tamb\u00e9m acabou assassinado por Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Daniela tamb\u00e9m foi esfaqueada, socorrida e est\u00e1 internada na Santa Casa de Campo Grande. Ap\u00f3s o feminic\u00eddio, Jo\u00e3o fugiu, sendo encontrado por policiais j\u00e1 na manh\u00e3 desta quinta-feira (2). Ele trocou tiros, foi atingido e acabou morrendo.<\/p>\n<p>Viol\u00eancia contra a mulher, denuncie!<\/p>\n<p>Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira est\u00e1 localizada na Rua Bras\u00edlia, s\/n, no Jardim Im\u00e1, 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana, para que as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia n\u00e3o fiquem sozinhas, mesmo em tempos de pandemia.<\/p>\n<p>Funcionam na Casa da Mulher Brasileira uma Delegacia Especializada; a Defensoria P\u00fablica; o Minist\u00e9rio P\u00fablico; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicol\u00f3gico; alojamento; espa\u00e7o de cuidado das crian\u00e7as \u2013 brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal. \u00c9 poss\u00edvel ligar para 153.<\/p>\n<p>Existem ainda dois n\u00fameros para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento \u00e0 Mulher (180), \u00e9 um canal de atendimento telef\u00f4nico, com foco no acolhimento, na orienta\u00e7\u00e3o e no encaminhamento para os diversos servi\u00e7os da rede de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres em todo o Brasil, mas n\u00e3o serve para emerg\u00eancias.<\/p>\n<p>As liga\u00e7\u00f5es para o n\u00famero 180 podem ser feitas por telefone m\u00f3vel ou fixo, particular ou p\u00fablico. O servi\u00e7o funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os finais de semana e feriados, j\u00e1 que a viol\u00eancia contra a mulher no Brasil \u00e9 um problema s\u00e9rio no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>*Midiamax,\u00a0 Renata Portela<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De janeiro at\u00e9 o fim de maio deste ano, Mato Grosso do Sul teve 20 mulheres v\u00edtimas de feminic\u00eddio \u2014 m\u00e9dia de 1 por semana \u2014, ou seja, assassinadas pela condi\u00e7\u00e3o de serem mulheres, no ambiente familiar, em quest\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica. 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