{"id":212273,"date":"2022-07-20T07:28:18","date_gmt":"2022-07-20T11:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=212273"},"modified":"2022-07-20T07:28:18","modified_gmt":"2022-07-20T11:28:18","slug":"no-pantanal-da-vida-real-estrada-e-o-curso-do-rio-por-do-sol-de-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=212273","title":{"rendered":"No Pantanal da vida real, estrada \u00e9 o curso do rio, p\u00f4r-do-sol de &#8216;cinema&#8217;"},"content":{"rendered":"<div class=\"context toClear toTable\"><a class=\"toTable sizeFull picture\" href=\"https:\/\/www.regionalms.com.br\/no-pantanal-da-vida-real-estrada-e-o-curso-do-rio-por-do-sol-de-cinema,3,3,31383038,leitura.html\"> <img decoding=\"async\" title=\"No Pantanal da vida real, estrada \u00e9 o curso do rio, p\u00f4r-do-sol de 'cinema'\" src=\"https:\/\/www.regionalms.com.br\/\/conteudo\/regionalms\/articles\/1808\/blog-1808.jpg\" alt=\"No Pantanal da vida real, estrada \u00e9 o curso do rio, p\u00f4r-do-sol de 'cinema'\" \/> <\/a>Pantaneiros dividem como \u00e9 a experi\u00eancia de viver isolados em meio a maior plan\u00edcie alag\u00e1vel do planeta, junto a natureza.<\/p>\n<p>Com estreia nesta segunda-feira (28), o remake da novela \u201cPantanal\u201d tem como inspira\u00e7\u00e3o a realidade de cerca de 600 fam\u00edlias pantaneiras, que vivem \u00e0s margens dos rios da regi\u00e3o, isolados em meio a maior plan\u00edcie alag\u00e1vel do planeta, no cora\u00e7\u00e3o do Centro-Oeste.<\/p>\n<p>A vida pantaneira segue um ritmo pr\u00f3prio. As regras s\u00e3o ditadas pelas fases da lua, pelo ciclo de vida dos animais e pelas \u00e1guas. Para chegar aos locais mais afastados, onde as pessoas vivem ilhadas, \u00e9 necess\u00e1rio seguir pelo curso do rio por horas.<\/p>\n<p>O Pantanal \u00e9 considerado a maior plan\u00edcie inund\u00e1vel do mundo &#8211; possui cerca de 250 mil quil\u00f4metros quadrados que se divide entre o lado norte, no Mato Grosso (MT) e no Mato Grosso do Sul (MS). A prote\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o \u00e9 de responsabilidade conjunta do governo federal, por meio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), ligado ao Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, e dos dois governos estaduais.<\/p>\n<p>Atualmente, de acordo com levantamento realizado pelo projeto \u2018Povo das \u00c1guas\u2019, a regi\u00e3o pantaneira em Mato Grosso do Sul conta com mais de 600 fam\u00edlias, o que corresponde a aproximadamente 3.250 pessoas.<\/p>\n<p>Veja nesta reportagem alguns relatos de pessoas que moram em um ambiente onde a for\u00e7a da natureza se faz presente e o c\u00e9u se enfeita de cores; confira:<\/p>\n<p><strong>\u2018Seremos ouvidos e visto por esse Brasil\u2019<\/strong><\/p>\n<p>A \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) da Ba\u00eda Negra, em Lad\u00e1rio (MS), \u00e9 liderada por cinco mulheres: \u201cnascidas e criadas no Pantanal\u201d. Entre elas, Virg\u00ednia Lito, divide 51 anos, dos seus 55 de vida, com essa regi\u00e3o, em que a paz transmitida pela natureza pode ser sentida em pequenas demonstra\u00e7\u00f5es, como os cantos dos p\u00e1ssaros.<\/p>\n<p>Virginia relatou que a rotina do pantaneiro se orienta aos sinais da natureza, junto com os primeiros raios do sol \u00e9 a hora de levantar, e aos sinais da lua, \u00e9 o momento de se recolher.<\/p>\n<p>\u201cA rotina do pantaneiro \u00e9 acordar cedo, acender o fogo a lenha, passar um caf\u00e9 e ir para a lida, para depois retornar para casa e descansar para o outro dia. Por aqui o tempo \u00e9 diferente. Descemos o rio, pescamos peixe e nos alimentamos com o que a natureza d\u00e1, esse privil\u00e9gio n\u00e3o tem nada que pague\u201d, disse.<\/p>\n<p>Ao ser questionada se tem algum receio de viver reclusa em meio ao bioma pantaneiro, lugar em que \u00e9 comum se deparar com jacar\u00e9s, capivaras, tuiui\u00fas, on\u00e7as, cobras, macacos e outros tantos nativos do bioma, Virginia \u00e9 enf\u00e1tica ao afirmar que n\u00e3o h\u00e1 do que temer, respeitando o espa\u00e7o dos animais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tenho medo no meio do Pantanal, quando se respeita o espa\u00e7o desde a formiga, n\u00e3o existe motivo para temer. O respeito pela natureza \u00e9 o princ\u00edpio de tudo, sempre! Moro com outras sete mulheres e todas sabemos do privil\u00e9gio de estar aqui\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Com a estreia nesta segunda-feira (28), as grava\u00e7\u00f5es de &#8220;Pantanal&#8221; foram realizadas nos mesmo locais onde foram feitas as da primeira vers\u00e3o, escrita por Benedito Ruy Barbosa em 1990. Virginia est\u00e1 ansiosa para acompanhar a hist\u00f3ria, que mora no cora\u00e7\u00e3o de todos os brasileiros, e principalmente no do pantaneiro, que est\u00e1 sendo representado.<\/p>\n<p>\u201cTodo dia me apaixono pelo meu Pantanal, \u00e9 uma riqueza muito grande que agora todos ir\u00e3o conhecer. Estou muito ansiosa para acompanhar a novela, agora seremos ouvidos e vistos por esse Brasil, isso \u00e9 muito emocionante\u201d, celebrou.<\/p>\n<h3><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/regionalms.com.br\/conteudo\/regionalms\/upp\/articles\/2022-05\/Pantanalfoto.jpg\" alt=\"\" width=\"100%\" \/><\/h3>\n<p><strong>\u2018Vou ser representado na TV\u2019<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 23 anos morando na beira do rio, como leg\u00edtimo pantaneiro, Gerverson Soares Cartelo, de 27 anos, trabalha como pe\u00e3o em uma fazenda na regi\u00e3o de sua comunidade na regi\u00e3o de Lad\u00e1rio (MS). \u201cDesde cedo a gente aprende a encarar os mosquitos e levar a vida por aqui. Hoje tenho duas pantaneiras, que nasceram dentro do rio Paraguai e mais uma a caminho\u201d, disse.<\/p>\n<p>Com duas crian\u00e7as em casa e mais um beb\u00ea a caminho, ele percorre mais de 80 quil\u00f4metros diariamente para trabalhar e buscar sustento para a fam\u00edlia. \u201cTrabalho com o gado, trator e formo pasto, com o tempo voc\u00ea se acostuma com a dist\u00e2ncia. O importante \u00e9 conseguir o sustento e voltar para ficar com as minhas filhas\u201d, apontou.<\/p>\n<p>O pantaneiro tamb\u00e9m est\u00e1 ansioso pela estreia do remake Pantanal. Ele n\u00e3o assistiu a primeira vers\u00e3o da novela e espera se reconhecer nos personagens. \u201cVou ser representado pelo meu Pantanal na TV. Trabalho em fazenda como pe\u00e3o de campo, agora vamos n\u00f3s assistir, o que \u00e9 muito gratificante. Ser\u00e1 a nossa hist\u00f3ria sendo vista e falada para o Brasil\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Quando questionado sobre o que mais o surpreende no bioma pantaneiro, Gerverson pontua que em cada nova esta\u00e7\u00e3o, a regi\u00e3o se transforma e cada dia \u00e9 \u00fanico. Segundo ele, h\u00e1 quem diga que nem parece o mesmo lugar.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 vivendo aqui para entender como \u00e9 especial, n\u00e3o troco meu Pantanal por nada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u2018O Pantanal chama a gente\u2019<\/p>\n<p>\u00c9 assim que o pantaneiro e pecuarista, Armando Lacerda descreve a sua liga\u00e7\u00e3o com o bioma do Pantanal, sendo esse o local que reside h\u00e1 mais 30 anos, entre idas e vindas.<\/p>\n<p>\u201cO Pantanal sempre puxa a gente de volta, existe uma for\u00e7a irresist\u00edvel que faz a gente voltar, e quando n\u00e3o estivermos aqui, algum dos filhos vai sentir esse chamado interrupt\u00edvel. Muitas pessoas t\u00eam uma fase urbana, mas que acaba voltando\u201d, declarou.<\/p>\n<p>Como leg\u00edtimo pantaneiro, Armando mora do Porto S\u00e3o Pedro, localizado no entorno da Serra do Amolar. Ele detalha que a \u2018estrada\u2019 dos moradores da regi\u00e3o \u00e9 o curso do rio, em um trajeto que demora pouco mais de cinco horas de barco para chegar \u00e0 cidade mais pr\u00f3xima, que fica em Corumb\u00e1 (MS).<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea vive isolado, mas \u00e9 uma eterna continuidade. Em algumas \u00e9pocas do ano voc\u00ea lida com mosquito o tempo todo, mas tamb\u00e9m tem pacu da hora, todo dia, um p\u00f4r-do-sol maravilhoso e o contato direto com as belezas da natureza. Sempre vale muito a pena!\u201d, descreveu.<\/p>\n<p>Armado contou que o amor pelo Pantanal atravessa gera\u00e7\u00f5es, e o sentimento de cuidado e preserva\u00e7\u00e3o sempre existiu. \u201cO Pantanal n\u00e3o tem dono, a gente ama esse lugar e preserva, cuidando para as pessoas que v\u00eam depois, sinto que estamos cumprindo uma miss\u00e3o\u201d, declarou.<\/p>\n<p><strong>\u2018N\u00e3o podem ser esquecidos\u2019<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo isolados, mais de 600 fam\u00edlias s\u00e3o atendidas pelo projeto \u2018Povo das \u00c1guas\u2019. A iniciativa leva servi\u00e7os m\u00e9dicos, odontol\u00f3gicos, assistenciais e educacionais para diversas regi\u00f5es do Pantanal. A coordenadora do projeto, Elisama de Freitas Cabalhero, de 53 anos, atua na linha de frente para auxiliar as fam\u00edlias que vivem reclusas em meio ao bioma h\u00e1 mais de 13 anos.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o visa promover o desenvolvimento comunit\u00e1rio integrado e sustent\u00e1vel nas comunidades. Apesar da equipe reduzida, os servi\u00e7os foram todos mantidos normalmente durante a pandemia da Covid, com os cuidados necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 porque vivem em uma regi\u00e3o remota, que devem ser esquecidos. Eles s\u00e3o cidad\u00e3os brasileiros e t\u00eam total direito de ter acesso a sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social e todos os servi\u00e7os dispon\u00edveis\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o envolve todos os segmentos p\u00fablicos, sociedade civil organizada e colaboradores que possam atender a popula\u00e7\u00e3o pantaneira prestando-lhe servi\u00e7os de qualidade e oferecendo-lhe condi\u00e7\u00f5es de minimizar as adversidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Rafaela Moreira, g1 MS<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pantaneiros dividem como \u00e9 a experi\u00eancia de viver isolados em meio a maior plan\u00edcie alag\u00e1vel do planeta, junto a natureza. 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