{"id":21970,"date":"2016-03-04T14:09:21","date_gmt":"2016-03-04T18:09:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=21970"},"modified":"2016-03-04T14:09:21","modified_gmt":"2016-03-04T18:09:21","slug":"experiencia-brasileira-com-algodao-colorido-organico-sera-compartilhada-com-paises-do-mercosul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=21970","title":{"rendered":"Experi\u00eancia brasileira com algod\u00e3o colorido org\u00e2nico ser\u00e1 compartilhada com pa\u00edses do Mercosul"},"content":{"rendered":"<div id=\"ctl00_cphConteudo_UcNoticiasDetalhe1_ucNoticia1_corpoNoticia\" class=\"corpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O cultivo de algod\u00e3o colorido org\u00e2nico \u00e9 uma das principais fontes de renda do Assentamento Margarida Maria Alves, situado no munic\u00edpio de Juarez T\u00e1vora, a 100 km da capital Jo\u00e3o Pessoa (PB). Quinze fam\u00edlias de assentados cultivam o algod\u00e3o colorido em sistema de sequeiro, sem nenhum tipo de adubo ou inseticida sint\u00e9tico. A \u00e1rea de 25 hectares n\u00e3o chega a aparecer nas estat\u00edsticas oficiais de produ\u00e7\u00e3o do algod\u00e3o, mas chama a aten\u00e7\u00e3o do Brasil e de diversos pa\u00edses por ser uma alternativa ao sistema de produ\u00e7\u00e3o tradicional com alto uso de insumos e de \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Aqui n\u00f3s j\u00e1 recebemos visitantes da Europa, da \u00c1frica, de v\u00e1rios agricultores das regi\u00f5es vizinhas e at\u00e9 da universidade para conhecer o nosso trabalho&#8221;, conta orgulhoso o presidente da associa\u00e7\u00e3o de produtores do assentamento, Luiz Rodrigues da Silva, conhecido como seu Betinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora essa experi\u00eancia vai ser compartilhada com os agricultores familiares da Argentina, Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia, Equador, Paraguai e Peru, que integram o projeto de Fortalecimento do Setor Algodoeiro por meio da Coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, coordenado pelo Governo do Brasil, por meio da Ag\u00eancia Brasileira de Coopera\u00e7\u00e3o (ABC\/MRE), a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) e os pa\u00edses membros ou associados do Mercosul, com recursos do Instituto Brasileiro do Algod\u00e3o (IBA).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo a especialista em coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul e consultora da FAO, Juliana Rossetto, o interc\u00e2mbio de conhecimento e de experi\u00eancias \u00e9 fundamental para a coopera\u00e7\u00e3o trilateral. &#8220;N\u00f3s vamos sistematizar as boas pr\u00e1ticas de produ\u00e7\u00e3o do Brasil e dos pa\u00edses envolvidos numa plataforma on line e intercambiar esse conhecimento para que os produtores de outros pa\u00edses possam se inspirar e aplicar em projetos similares, de acordo com a sua realidade&#8221;, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se as pessoas est\u00e3o vindo visitar voc\u00eas \u00e9 porque voc\u00eas est\u00e3o fazendo algo muito importante e n\u00f3s vamos fazer um documento com o conhecimento de voc\u00eas sobre a produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o colorido org\u00e2nico, que \u00e9 refer\u00eancia na Para\u00edba,&#8221;, disse o consultor da FAO no projeto, Aderaldo Trajano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de fevereiro, a equipe da FAO promoveu uma oficina com os agricultores do assentamento para realizar a sistematiza\u00e7\u00e3o do conhecimento local. Foram levantadas informa\u00e7\u00f5es sobre o hist\u00f3rico da cria\u00e7\u00e3o da comunidade, desafios da produ\u00e7\u00e3o, fatores de sucesso e os resultados alcan\u00e7ados. A visita foi acompanhada por t\u00e9cnicos da Embrapa e do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) e de representante da prefeitura de Juarez T\u00e1vora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hist\u00f3ria do Assentamento<\/strong><br \/>\nO assentamento Margarida Maria Alves foi criado em 1998, e conta atualmente com 36 fam\u00edlias, das quais 15 cultivam o algod\u00e3o colorido. Um ano ap\u00f3s a sua cria\u00e7\u00e3o, foi fundada a associa\u00e7\u00e3o de produtores e a comunidade foi escolhida para a implanta\u00e7\u00e3o do projeto piloto Algod\u00e3o e Cidadania, coordenado pela Rede Nacional de Mobiliza\u00e7\u00e3o Social (COEP), em parceria com a Embrapa Algod\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os agricultores cultivam o algod\u00e3o colorido em sistema de sequeiro, sem nenhum tipo de adubo ou inseticida sint\u00e9tico. O algod\u00e3o \u00e9 certificado pela Associa\u00e7\u00e3o de Certifica\u00e7\u00e3o Instituto Biodin\u00e2mico (IBD) e receber\u00e1 o selo de certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica participativa, do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa), o que representar\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o, tendo em vista que o produto ser\u00e1 avaliado pelos pr\u00f3prios agricultores, com a supervis\u00e3o da Superintend\u00eancia Federal da Agricultura no Estado da Para\u00edba.<\/p>\n<p>O algod\u00e3o \u00e9 beneficiado no pr\u00f3prio assentamento na miniusina descaro\u00e7adora desenvolvida pela Embrapa para os pequenos produtores de algod\u00e3o. A m\u00e1quina separa a semente da fibra; a semente fica no assentamento para o pr\u00f3ximo plantio e para alimenta\u00e7\u00e3o animal; e a fibra segue para a ind\u00fastria de fia\u00e7\u00e3o em Campina Grande e Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<p>No ano passado, foram colhidos cerca de cinco mil quilos de fibra, negociada antecipadamente com a Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria do Vestu\u00e1rio da Para\u00edba (Aivest-PB) a cerca de R$ 12,00 o quilo. Praticamente toda a produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o colorido org\u00e2nico do assentamento \u00e9 vendida \u00e0 Natural Cotton Color e ao Casulo Arte Natural, empresas ligadas \u00e0 Aivest-PB, que produzem pe\u00e7as de vestu\u00e1rio, bolsas e acess\u00f3rios exportados para a Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Espanha, Alemanha, Jap\u00e3o, Estados Unidos e pa\u00edses escandinavos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desafios da produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m da escassez de \u00e1gua, o algod\u00e3o colorido precisa sobreviver ao bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), uma das principais pragas da cultura. O inseto contribuiu para a diminui\u00e7\u00e3o gradativa das planta\u00e7\u00f5es de algod\u00e3o branco na regi\u00e3o Semi\u00e1rida, que j\u00e1 foi a maior \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o algodoeira do Pa\u00eds. O bicudo ataca o bot\u00e3o floral do algodoeiro e deposita o ovo dentro dele. Depois de furado pelo bicudo, o bot\u00e3o cai e em aproximadamente 25 dias surge um novo inseto adulto. Cada f\u00eamea pode perfurar at\u00e9 200 bot\u00f5es e se n\u00e3o for realizada nenhum tipo de controle o produtor pode perder toda a safra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fatores de sucesso<\/strong><br \/>\nPara conviver com o bicudo, o grupo de produtores apanha e destr\u00f3i os bot\u00f5es infestados pela larva do inseto. &#8220;Antigamente, ningu\u00e9m catava os bot\u00f5es que o bicudo furava e nascia cada vez mais bicudo. Com a orienta\u00e7\u00e3o da Embrapa, a gente come\u00e7ou a apanhar e o bicudo foi acabando&#8221;, conta seu Betinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois da colheita os animais s\u00e3o soltos no campo. A cria\u00e7\u00e3o de gado bovino e caprino \u00e9 outra fonte de renda para os produtores do assentamento. &#8220;Os bichos comem os restos das plantas e a gente arranca o que sobra&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O presidente da associa\u00e7\u00e3o de produtores do assentamento, Luiz Rodrigues da Silva, conhecido como seu Betinho, destaca que outra medida importante para o controle do bicudo na \u00e1rea \u00e9 concentrar o plantio numa mesma \u00e9poca para que a praga n\u00e3o migre de uma planta\u00e7\u00e3o para outra e tenha sempre alimento dispon\u00edvel. &#8220;Se algu\u00e9m plantar fora da \u00e9poca atrapalha os outros&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A uni\u00e3o dos agricultores do assentamento em torno do cultivo do algod\u00e3o e nas atividades da associa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi apontada como um fator de sucesso para o desenvolvimento da comunidade. &#8220;Se n\u00e3o fosse o cultivo do algod\u00e3o, n\u00f3s ter\u00edamos criado a associa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o estar\u00edamos aqui reunidos&#8221;, destaca o agricultor.<br \/>\nAnualmente, s\u00e3o cultivados cinco hectares com algod\u00e3o, em regime de mutir\u00e3o, na \u00e1rea comunit\u00e1ria do assentamento. Os recursos para manuten\u00e7\u00e3o das atividades de cooperativa s\u00e3o oriundos da lavoura comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resultados<\/strong><br \/>\nEntre os resultados alcan\u00e7ados pelo grupo est\u00e3o a aquisi\u00e7\u00e3o da miniusina beneficiadora do algod\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica trif\u00e1sica, constru\u00e7\u00e3o de um novo galp\u00e3o para o armazenamento da fibra, aquisi\u00e7\u00e3o de um trator e um autom\u00f3vel, que s\u00e3o utilizados de forma comunit\u00e1ria. Tamb\u00e9m foram apontadas como conquistas importantes para a comunidade as capacita\u00e7\u00f5es para o manejo da lavoura de forma agroecol\u00f3gica, o banco de sementes, barragens subterr\u00e2neas, um telecentro e o fortalecimento do associativismo. Entre os projetos para o futuro est\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de doces comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Algod\u00e3o colorido<\/strong><br \/>\nA Embrapa Algod\u00e3o desenvolveu o algod\u00e3o naturalmente colorido como um produto diferenciado para a regi\u00e3o Nordeste, com foco no fortalecimento da agricultura familiar e na sustentabilidade ambiental. Para conseguir uma pluma colorida que pudesse ser aproveitada na ind\u00fastria t\u00eaxtil, os pesquisadores fizeram o cruzamento de cultivares de fibra branca de boa qualidade com tipos silvestres, existentes na natureza, de qualidade inferior, mas que tinham a fibra colorida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resultado, foram obtidas as seguintes variedades: BRS 200 Marrom, BRS Verde, BRS Safira, BRS Rubi e BRS Top\u00e1zio. As tonalidades variam do verde aos marrons claro, escuro e avermelhado. Essas variedades s\u00e3o plantadas por pequenos produtores do Semi\u00e1rido em sistema de cultivo org\u00e2nico, em cons\u00f3rcio com outras culturas alimentares, principalmente milho e feij\u00e3o, que contribuem para a subsist\u00eancia do agricultor familiar.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"data cor\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Embrapa<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cultivo de algod\u00e3o colorido org\u00e2nico \u00e9 uma das principais fontes de renda do Assentamento Margarida Maria Alves, situado no munic\u00edpio de Juarez T\u00e1vora, a 100 km da capital Jo\u00e3o Pessoa (PB). Quinze fam\u00edlias de assentados cultivam o algod\u00e3o colorido em sistema de sequeiro, sem nenhum tipo de adubo ou inseticida sint\u00e9tico. 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