{"id":223288,"date":"2022-11-20T14:26:46","date_gmt":"2022-11-20T18:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=223288"},"modified":"2022-11-20T14:26:46","modified_gmt":"2022-11-20T18:26:46","slug":"dobrou-o-numero-de-mulheres-que-ocupam-cargos-no-agronegocio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=223288","title":{"rendered":"Dobrou o n\u00famero de mulheres que ocupam cargos no agroneg\u00f3cio"},"content":{"rendered":"<p>Respons\u00e1vel por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul, o agroneg\u00f3cio \u00e9 um dos pilares da economia estadual. Nesse setor, que tem o estigma de ter homens \u00e0 frente dos neg\u00f3cios, a presen\u00e7a de mulheres tem crescido ao longo dos \u00faltimos dez anos e atingiu a marca de 109% de crescimento.<\/p>\n<p>O Sistema Famasul fez um levantamento no qual cruzou os dados do Minist\u00e9rio do Trabalho para identificar como est\u00e1 o papel da mulher no campo atualmente.<\/p>\n<p>Na pesquisa, foi identificado que, em 2010, havia 1,1 mil mulheres participando de atividades agr\u00edcolas no Estado. Em 2020, esse n\u00famero passou para 2,4 mil. Em termos de ocupa\u00e7\u00e3o das mulheres na agropecu\u00e1ria sul-mato-grossense, em 2010, elas eram 13,73% dos empregados no campo. Dez anos depois, esse n\u00famero aumentou para 14,26%.<\/p>\n<p>Em particular, a cria\u00e7\u00e3o de bovinos \u00e9 uma \u00e1rea econ\u00f4mica que as mulheres passaram a ocupar com grande representa\u00e7\u00e3o. O abate de gado tem posi\u00e7\u00e3o importante na economia sul-mato-grossense.<br \/>\nNo ranking do agroneg\u00f3cio, MS aparece em 3\u00ba lugar no abate de gado, e nesse ramo de pecu\u00e1ria as mulheres cresceram 53,44% na gest\u00e3o de neg\u00f3cios. As fazendas onde elas est\u00e3o ficam espalhadas, mas est\u00e3o principalmente localizadas no Pantanal e na regi\u00e3o norte de Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<div class=\"propaganda-conteudo\">\n<div class=\"banner w-inline-block link-banner-2\"><\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cO crescimento da atua\u00e7\u00e3o das mulheres nas atividades agr\u00edcolas acompanha o aumento da produ\u00e7\u00e3o e de tecnologias presentes no agroneg\u00f3cio, gerando oportunidades para todos. A atua\u00e7\u00e3o das mulheres no campo ser\u00e1 cada vez maior, considerando que elas apresentam um n\u00edvel de escolaridade proporcionalmente superior aos homens em raz\u00e3o da cont\u00ednua capacita\u00e7\u00e3o profissional\u201d, explica a analista t\u00e9cnica do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira.<\/p>\n<p>O papel da mulher no campo \u00e9 um tema que vem sendo trabalhado por diferentes institui\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os como forma de inclus\u00e3o e abertura de mercado. Uma das iniciativas pioneiras nesse quesito, por exemplo, \u00e9 a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que em 1995 ressaltou a necessidade de se ter um olhar nessa realidade, n\u00e3o s\u00f3 na agricultura familiar, mas tamb\u00e9m em propriedades com alta tecnologia e produ\u00e7\u00e3o mais ampliada. Desde 1995, a ONU passou propagar esse contexto, depois que instituiu o Dia Internacional das Mulheres Rurais, que \u00e9 celebrado em 15 de outubro.<\/p>\n<h2>ATUA\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>Ainda para posicionar essa realidade de mercado e condi\u00e7\u00e3o das mulheres no ramo do agroneg\u00f3cio, setor que recebe holofotes das autoridades brasileiras, no fim de outubro, o Congresso Nacional das Mulheres do Agroneg\u00f3cio chegou \u00e0 sua oitava edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A diretora-executiva da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Agroneg\u00f3cio (Abag), Gislaine Balbinot, comenta que o trabalho de pesquisas para verificar a atua\u00e7\u00e3o feminina no agroneg\u00f3cio passa at\u00e9 pela barreira em que a pr\u00f3pria mulher n\u00e3o se considera gestora de um neg\u00f3cio agr\u00edcola.<\/p>\n<p>\u201cA primeira vez em que fizemos essa pesquisa tivemos de tirar v\u00e1rios cadastros porque a pr\u00f3pria mulher n\u00e3o se enxergava como gestora, por\u00e9m, ela fazia todo o processo\u201d, relata.<br \/>\nEla finaliza dizendo que a mulher est\u00e1 em todos os setores na produ\u00e7\u00e3o. \u201cA mulher estava fazendo tudo e n\u00e3o se via como gestora, atribu\u00eda a marido, pai ou qualquer homem da fam\u00edlia o papel de gestor, mesmo ela estando presente e at\u00e9 respons\u00e1vel por esse trabalho todo\u201d.<\/p>\n<p>O congresso tamb\u00e9m serviu de palco para a divulga\u00e7\u00e3o de um estudo complementar \u00e0 pesquisa do Sistema Famasul. Este ainda acrescenta que um dos desafios que persiste \u00e9 a quest\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nLevantamento identificou, a partir da base de dados do Minist\u00e9rio do Trabalho, que as mulheres recebem remunera\u00e7\u00e3o 17% inferior \u00e0 dos homens no agroneg\u00f3cio. Naquela altura, o sal\u00e1rio m\u00e9dio do emprego formal no setor agropecu\u00e1rio era de R$ 1.950 para os homens, ante R$ 1.606 para as mulheres.<\/p>\n<p>E com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolaridade, mencionada pela analista t\u00e9cnica da Famasul, o levantamento apresentado no Congresso Nacional das Mulheres do Agroneg\u00f3cio referendou essa condi\u00e7\u00e3o. Apesar disso, ainda existe questionamento intelectual no caso de mulheres funcion\u00e1rias em empresas do agro.<\/p>\n<p>\u201cApesar do aumento gradativo de mulheres atuando no agro, a diferen\u00e7a entre a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia mensal de homens e mulheres ainda \u00e9 significativa no Brasil\u201d, ponderou a s\u00f3cia de consultoria tribut\u00e1ria da Deloitte, Carolina Verginelli.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisa da consultoria, o agroneg\u00f3cio \u00e9 uma das ind\u00fastrias com a menor participa\u00e7\u00e3o feminina na pesquisa da empresa. S\u00e3o 16% dos trabalhadores totais no setor. Apenas a ind\u00fastria extrativista e a constru\u00e7\u00e3o civil t\u00eam menor \u00edndice de mulheres, 12,8% e 10,2%, respectivamente.<\/p>\n<p>Conforme dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), o setor agropecu\u00e1rio de Mato Grosso do Sul contratou 1.001 mulheres em 2022. Dos 7.966 trabalhadores empregados no ano pelo setor, apenas 12,56% s\u00e3o mulheres.<\/p>\n<div class=\"dn_imagemComLegenda full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn.correiodoestado.com.br\/upload\/dn_arquivo\/2022\/11\/as-mulheres-rurais.jpg\" alt=\"\" \/><small class=\"dn_legendaImg\">Escreva a legenda aqui<\/small><\/div>\n<h2>LIDERAN\u00c7A<\/h2>\n<p>A ocupa\u00e7\u00e3o de cargos de lideran\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 uma tend\u00eancia que est\u00e1 sendo consolidada, principalmente quando se trata de fazendas. A Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) indicou que as mulheres ocupam a gest\u00e3o em 34% das fazendas do Pa\u00eds, atualmente.<\/p>\n<p>Dentro do contexto desses dois levantamentos complementares, um exemplo dessa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 o da pecuarista Cristiane Paschoaletto, respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o financeira de duas fazendas no Pantanal e outra na regi\u00e3o norte.<\/p>\n<p>A empreendedora trabalha com fazendas de cria e recria no Pantanal de Rio Negro. Cristiane tamb\u00e9m planeja atuar com uma parte de sua produ\u00e7\u00e3o no sistema de confinamento em outra propriedade, que fica na regi\u00e3o de Camapu\u00e3.<\/p>\n<p>\u201cMeu pai j\u00e1 mexia com fazenda. Ele s\u00f3 criava gado. Ele s\u00f3 teve filha mulher e foi mostrar para a gente o que precis\u00e1vamos entender para cuidar do que poderia ser nosso. Quando ele faleceu [em 2017], eu decidi assumir de vez. Minha m\u00e3e chegou a tocar sozinha uma fazenda. Mas ela veio a falecer tamb\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs dois me ensinaram muito, e foi com eles que aprendi a gostar. Hoje tenho apoio do meu marido, trabalhamos juntos. A gente faz planejamento e n\u00e3o d\u00e1 um passo maior do que a perna\u201d, detalha Cristiane, ao ressaltar o que aprendeu com o pai, Geraldo Angelo Paschoaletto, e com a m\u00e3e, Shirley Veneranda D. Paschoaletto, para assumir a dire\u00e7\u00e3o de tr\u00eas fazendas.<\/p>\n<p>Cristiane implementou tecnologia nas propriedades que administra e tem gest\u00e3o de insemina\u00e7\u00e3o artificial para poder controlar melhor a qualidade do gado. Al\u00e9m disso, a quest\u00e3o de obter a certifica\u00e7\u00e3o de gado sustent\u00e1vel foi outra iniciativa tomada em torno da inova\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPara garantir essa certifica\u00e7\u00e3o, ela conta com apoio do Sebrae-MS, por meio do programa Pr\u00f3-Pantanal, e da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pecu\u00e1ria Org\u00e2nica (ABPO).<\/p>\n<p>\u201cAntigamente, a cria\u00e7\u00e3o de gado no Pantanal era s\u00f3 no campo. Veio a concorr\u00eancia e a tecnologia passou a ser importante para auxiliar essa produ\u00e7\u00e3o. Agora, temos a certifica\u00e7\u00e3o. A gente precisa se atualizar para n\u00e3o ficar para tr\u00e1s\u201d, opinou a pecuarista. (Colaborou Rodrigo Almeida)<\/p>\n<p>correio do estado &#8211;<\/p>\n<div class=\"item-data w-clearfix\">\n<p class=\"autor-noticia\">Rodolfo C\u00e9sar<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respons\u00e1vel por 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul, o agroneg\u00f3cio \u00e9 um dos pilares da economia estadual. Nesse setor, que tem o estigma de ter homens \u00e0 frente dos neg\u00f3cios, a presen\u00e7a de mulheres tem crescido ao longo dos \u00faltimos dez anos e atingiu a marca de 109% de crescimento. 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