{"id":231000,"date":"2023-02-13T07:31:27","date_gmt":"2023-02-13T11:31:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=231000"},"modified":"2023-02-13T07:31:27","modified_gmt":"2023-02-13T11:31:27","slug":"saude-vinho-tinto-remodela-flora-intestinal-e-beneficia-coracao-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=231000","title":{"rendered":"Sa\u00fade: Vinho tinto remodela flora intestinal e beneficia cora\u00e7\u00e3o, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>O consumo moderado de vinho tinto ajuda a remodelar em poucas semanas a microbiota intestinal, cujo papel nas doen\u00e7as cardiovasculares \u00e9 cada vez mais reconhecido pela ci\u00eancia. \u00c9 o que revela um estudo publicado no <em>The American Journal of Clinical Nutrition.<\/em><\/p>\n<p>O trabalho, intitulado \u201cWine Flora Study\u201d e apoiado pela FAPESP (projetos 15\/21260-6 e 14\/50907-5), envolveu 42 pacientes com doen\u00e7a arterial coronariana. Assinam o artigo pesquisadores das universidades de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">USP<\/a>), Estadual de Campinas (<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/\">Unicamp<\/a>), de Verona (It\u00e1lia), de Bras\u00edlia (<a href=\"https:\/\/www.unb.br\/\">UnB<\/a>), de Harvard (Estados Unidos) e do Instituto de Tecnologia Austr\u00edaco (\u00c1ustria).<\/p>\n<p>Os cientistas usaram no ensaio cl\u00ednico uma estrat\u00e9gia conhecida como <em>cross over<\/em>, ou seja, cada um dos participantes (homens com idade m\u00e9dia de 60 anos) passou por duas interven\u00e7\u00f5es: durante tr\u00eas semanas, consumiam diariamente 250 mililitros de vinho tinto (com 12,75% de concentra\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica e produzido com uva merlot pelo Instituto Brasileiro do Vinho especialmente para o estudo) e, pelo mesmo per\u00edodo, abstinham-se de \u00e1lcool.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ambas as interven\u00e7\u00f5es foram precedidas por um washout de duas semanas. Ou seja, uma pausa no consumo de determinadas subst\u00e2ncias para que seus tra\u00e7os sejam totalmente eliminados do organismo, sem consumo de:<\/p>\n<ul>\n<li>Bebidas alco\u00f3licas.<\/li>\n<li>Alimentos fermentados como iogurte, kombucha, lecitina de soja, kefir e chucrute;<\/li>\n<li>Prebi\u00f3ticos (incluindo insulina);<\/li>\n<li>Probi\u00f3ticos;<\/li>\n<li>Fibras;<\/li>\n<li>Derivados do leite.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cNesse tipo de trabalho, cada pessoa \u00e9 o controle de si mesmo e, com isso, eliminamos fatores de confus\u00e3o\u201d, explica Prot\u00e1sio Lemos da Luz, professor do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (InCor) da USP que estuda os efeitos do vinho tinto h\u00e1 mais de 20 anos e j\u00e1 demonstrou experimentalmente que o consumo por animais (coelhos), associado a uma dieta rica em colesterol, reduz a forma\u00e7\u00e3o de placas ateroscler\u00f3ticas.<\/p>\n<p>Outra estrat\u00e9gia para afastar eventuais fatores de confus\u00e3o foi submeter todos os participantes a uma dieta controlada e sem outros componentes presentes no vinho, por exemplo, polifen\u00f3is tamb\u00e9m encontrados nos ch\u00e1s, no morango e no suco de uva.<\/p>\n<p>A cada interven\u00e7\u00e3o, a microbiota intestinal foi analisada por sequenciamento de alto rendimento 16S rRNA, tecnologia que permite a identifica\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de esp\u00e9cies de bact\u00e9rias pelo gene 16S, que est\u00e1 presente em todas.<br \/>\nTamb\u00e9m foram analisados os metab\u00f3litos presentes no plasma (metaboloma plasm\u00e1tico), como resultado da metaboliza\u00e7\u00e3o de compostos qu\u00edmicos e alimentos, por meio da t\u00e9cnica LC-MS\/MS, que separa os compostos em um sistema de cromatografia l\u00edquida e depois os analisa em um espectr\u00f4metro de massas.<\/p>\n<p>Um dos metab\u00f3litos de interesse dos pesquisadores \u00e9 o chamado TMAO (N-\u00f3xido de trimetilamina), que \u00e9 secretado por microrganismos da flora a partir de alimentos ricos em prote\u00ednas e tem sido associado ao desenvolvimento de doen\u00e7a ateroescler\u00f3tica.<\/p>\n<h2>O que mudou<\/h2>\n<div id=\"attachment_270686\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-270686 size-large\" title=\"vinho\" src=\"https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/2019\/06\/wine-504494_1920-640x427.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" srcset=\"https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/2019\/06\/wine-504494_1920-320x213.jpg 320w, https:\/\/imagens-cdn.canalrural.com.br\/2019\/06\/wine-504494_1920-640x427.jpg 640w\" alt=\"vinho\" width=\"640\" height=\"427\" aria-describedby=\"caption-attachment-270686\" \/><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-270686\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Pixabay<\/p>\n<\/div>\n<p>Os pesquisadores observaram que a microbiota intestinal sofreu remodela\u00e7\u00e3o significativa ap\u00f3s o per\u00edodo de consumo da bebida, com predomin\u00e2ncia dos g\u00eaneros <em>Parasutterella, Ruminococcaceae, Bacteroides e Prevotella<\/em>. Tais microrganismos que s\u00e3o fundamentais na homeostase humana, ou seja, no funcionamento normal do organismo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram observadas mudan\u00e7as significativas na metabol\u00f4mica plasm\u00e1tica, consistentes com a melhoria da homeostase redox. \u00c9 esse processo que garante o equil\u00edbrio das mol\u00e9culas oxidantes e antioxidantes, evitando o chamado \u201cestresse oxidativo\u201d, que induz doen\u00e7as como a aterosclerose.<\/p>\n<p>Com esses resultados, os pesquisadores conclu\u00edram que a modula\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal pode contribuir para os supostos benef\u00edcios cardiovasculares do consumo moderado de vinho tinto.<\/p>\n<p>\u201cQuando o assunto \u00e9 aterosclerose, temos basicamente duas vias de tratamento: uma \u00e9 usar estatinas, medicamentos que diminuem os eventos cardiovasculares, e a outra \u00e9 modificar o estilo de vida, praticando exerc\u00edcios, evitando o tabagismo, cuidando de fatores de risco, como hipertens\u00e3o, e controlando a dieta \u2013 e isso inclui o consumo moderado de vinho\u201d, diz da Luz.<\/p>\n<p>\u201cMostramos que uma interven\u00e7\u00e3o habitual [usada por v\u00e1rias popula\u00e7\u00f5es, como as da Espanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, de Portugal e do sul do Brasil] pode interferir na flora intestinal e na metabol\u00f4mica plasm\u00e1tica, explicando em parte os efeitos ben\u00e9ficos do vinho observados em estudos ao longo dos anos. No entanto, alertamos que o consumo excessivo de \u00e1lcool, isto \u00e9, maior do que 30 gramas [no caso do vinho, 250 ml] por dia, \u00e9 mal\u00e9fico e est\u00e1 associado a aumentos na mortalidade por c\u00e2nceres, acidentes e mortes violentas.\u201d<\/p>\n<p>O pesquisador informa ainda que, no caso do metab\u00f3lito TMAO, cujos efeitos na sa\u00fade ainda precisam ser mais bem investigados, as an\u00e1lises indicaram que os n\u00edveis plasm\u00e1ticos n\u00e3o foram diferentes durante o consumo e a absten\u00e7\u00e3o de vinho.<\/p>\n<p>\u201cConsiderando outros estudos recentemente publicados, que identificam o aumento da subst\u00e2ncia como marcador de eventos cardiovasculares em longo prazo, nossa interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 que o per\u00edodo de tr\u00eas semanas \u00e9 muito curto para que uma modifica\u00e7\u00e3o significativa pudesse ocorrer\u201d, conclui da Luz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O consumo moderado de vinho tinto ajuda a remodelar em poucas semanas a microbiota intestinal, cujo papel nas doen\u00e7as cardiovasculares \u00e9 cada vez mais reconhecido pela ci\u00eancia. \u00c9 o que revela um estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition. 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