{"id":23358,"date":"2016-03-21T15:12:47","date_gmt":"2016-03-21T19:12:47","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=23358"},"modified":"2016-03-21T15:12:47","modified_gmt":"2016-03-21T19:12:47","slug":"classificacao-do-grao-de-soja-acaba-com-renda-do-sojicultor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=23358","title":{"rendered":"Classifica\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o de soja acaba com renda do sojicultor"},"content":{"rendered":"<p>A baixa qualidade dos gr\u00e3os de soja retirados das lavouras, em v\u00e1rias regi\u00f5es do Estado, assusta os produtores. Gr\u00e3os ardidos ou \u00famidos demais valem bem menos na hora da comercializa\u00e7\u00e3o. E, como o custo de produ\u00e7\u00e3o da soja na safra 2015\/2016 superou qualquer previs\u00e3o, especialmente pela alta do d\u00f3lar, ficar\u00e1 dif\u00edcil fechar a conta num ano agr\u00edcola de custo de produ\u00e7\u00e3o alto e remunera\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o baixa.<\/p>\n<p>Os sojicultores do Estado t\u00eam buscado alternativas de negocia\u00e7\u00e3o, tentando obter uma flexibiliza\u00e7\u00e3o na classifica\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os da safra 2015\/16, analisados por armaz\u00e9ns em MS. Com as chuvas registradas durante quase todo o per\u00edodo da lavoura, em especial quando se aproximava o momento da colheita, grande quantidade de gr\u00e3os sofreu avarias e, agora, apresenta ardidos (gr\u00e3os que apresentam ataque de fungos).<\/p>\n<p>Muitos armaz\u00e9ns est\u00e3o considerando de muito baixa qualidade at\u00e9 mesmo os gr\u00e3os que apresentam a mesma qualidade daqueles comercializados na safra 2014\/15, o que gera preju\u00edzo ao sojicultor.<\/p>\n<p><strong>CLASSIFICA\u00c7\u00c3O R\u00cdGIDA<\/strong><\/p>\n<p>Para o produtor rural Andr\u00e9 Dobashi, diretor administrativo da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja\/MS), as classifica\u00e7\u00f5es t\u00eam sido r\u00edgidas demais, o que dificulta ao produtor a comercializa\u00e7\u00e3o das cargas de soja, ainda mais se levada em conta a situa\u00e7\u00e3o dos produtos colhidos ap\u00f3s as intensas chuvas registradas no Estado.<\/p>\n<p><strong>CARGA IMPR\u00d3PRIA\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para testar esse impasse, Dobashi liberou para embarque no armaz\u00e9m seis caminh\u00f5es carregados em sua propriedade. \u201cOs seis caminh\u00f5es estavam carregados de gr\u00e3os com as mesmas condi\u00e7\u00f5es da safra passada e retrasada. Geralmente, 4% dos meus gr\u00e3os s\u00e3o classificados como avariados ou ardidos, o que \u00e9 um bom \u00edndice, j\u00e1 que o limite aceito \u00e9 de 8% de gr\u00e3os ardidos\u201d, detalha o produtor.<\/p>\n<p>Ou seja, a soja colhida por Dobashi, na vis\u00e3o dele, est\u00e1 dentro do padr\u00e3o de exporta\u00e7\u00e3o, pois produtos desenvolvidos em sua propriedade, nessas mesmas condi\u00e7\u00f5es, h\u00e1 tr\u00eas anos s\u00e3o comercializados sem problemas. No entanto, no entendimento da empresa classificadora, a soja contida nos seis caminh\u00f5es foi toda considerada ruim. \u201cA classifica\u00e7\u00e3o da empresa n\u00e3o foi de 4%, mas sim de 11%; ou seja, muito acima do limite permitido (que \u00e9 de 8%) e muito acima da classifica\u00e7\u00e3o que geralmente \u00e9 feita nos meus gr\u00e3os\u201d, afirma o produtor.<\/p>\n<p><strong>DIFICULDADES<\/strong><\/p>\n<p>O sojicultor Paulo Stefanello, da regi\u00e3o de Sidrol\u00e2ndia, explicou que a maior parte dos produtores rurais n\u00e3o tem armaz\u00e9m e, por isso, logo ap\u00f3s a colheita, eles precisam vender aos armaz\u00e9ns os gr\u00e3os de sua propriedade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, quando o sojicultor tem armaz\u00e9m pr\u00f3prio, ele consegue misturar gr\u00e3os ardidos com gr\u00e3os em perfeito estado. Assim, o produtor mistura o que est\u00e1 avariado com o que est\u00e1 bom e melhora a qualidade da carga. Depois disso, vende a carga com valor normal de mercado. J\u00e1 o sojicultor que n\u00e3o realiza essa mistura v\u00ea descontada de sua carga toda a porcentagem que exceder o limite de 8% de gr\u00e3os ardidos. Por exemplo, se a carga analisada tem 10% de gr\u00e3os ardidos, 2% ser\u00e3o descontados. Em outras palavras, esses 2% n\u00e3o ser\u00e3o pagos ao produtor.<\/p>\n<p>Tendo esse exemplo como par\u00e2metro, \u00e9 poss\u00edvel observar que, em uma carga de mil quilos, ser\u00e3o descontados 20 quilos e, portanto, o produtor n\u00e3o receber\u00e1 pagamento por esses 20 kg de soja descontados. Com classificadores considerando de m\u00e1 qualidade grande quantidade de gr\u00e3os em bom estado, aumenta-se a porcentagem n\u00e3o paga aos produtores. \u00a0Para Roger Introvini, produtor rural na regi\u00e3o de Coxim, a classifica\u00e7\u00e3o realizada pelos armaz\u00e9ns est\u00e1 \u201capertada demais\u201d. Segundo ele, muitos sojicultores est\u00e3o questionando as classifica\u00e7\u00f5es e enfrentando descontos muito grandes nas cargas do produto. \u201cMuita gente est\u00e1 se sentindo prejudicada\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>COMO \u00c9 FEITA A\u00a0CLASSIFICA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>T\u00e9cnicos dos armaz\u00e9ns retiram pequenas amostras de gr\u00e3o, de diferentes partes da carga contida nos caminh\u00f5es que chegam a esses locais. Esses gr\u00e3os, de diferentes pontos da carga, s\u00e3o misturados e, na sequ\u00eancia, \u00e9 realizado um c\u00e1lculo de umidade, para verificar quanto de umidade h\u00e1 nesses gr\u00e3os.<\/p>\n<p>Depois, s\u00e3o separados 50 gramas dessas diferentes por\u00e7\u00f5es ou amostras, calculados conforme o entendimento de cada empresa, quanto h\u00e1 de gr\u00e3o ardido ou avariado. \u00c9 nesse procedimento que muitas empresas t\u00eam considerado a maior parte dos gr\u00e3os das lavouras do Estado de m\u00e1 qualidade.<\/p>\n<p><strong>O PAPEL DE\u00a0CADA UM<\/strong><\/p>\n<p>Para todos os produtores ouvidos para esta mat\u00e9ria, \u00e9 preciso maior di\u00e1logo entre armaz\u00e9ns e produtores, para que haja flexibiliza\u00e7\u00e3o na classifica\u00e7\u00e3o e, assim, todos sejam beneficiados com a comercializa\u00e7\u00e3o de produtos que realmente estejam em condi\u00e7\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO armaz\u00e9m pode, sim, descontar a porcentagem de produto desqualificado entregue pelo produtor, mas o sojicultor tamb\u00e9m precisa fazer o papel de casa, investir em maquin\u00e1rio, plantar e colher no momento certo, de olho na qualidade do gr\u00e3o. \u00c9 preciso que todos fa\u00e7am sua parte\u201d, finaliza Stefanello.<\/p>\n<aside class=\"grid_4 maisLidasBox\">\n<div class=\"clear\">De calculadora nas m\u00e3os, muitos sojicultores est\u00e3o apreensivos quanto \u00e0 possibilidade de quitar todos os compromissos e, especialmente, aqueles assumidos com a safrinha de milho rec\u00e9m-plantada.<\/div>\n<\/aside>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<p><em>(Correio do Estado &#8211; Com informa\u00e7\u00f5es da\u00a0Assessoria da Aprosoja\/MS)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A baixa qualidade dos gr\u00e3os de soja retirados das lavouras, em v\u00e1rias regi\u00f5es do Estado, assusta os produtores. 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