{"id":35545,"date":"2016-09-20T12:18:50","date_gmt":"2016-09-20T16:18:50","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=35545"},"modified":"2016-09-20T12:18:50","modified_gmt":"2016-09-20T16:18:50","slug":"embrapa-impediu-a-entrada-de-mais-de-70-especies-de-pragas-agricolas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=35545","title":{"rendered":"Embrapa impediu a entrada de mais de 70 esp\u00e9cies de pragas agr\u00edcolas no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Estudo realizado por pesquisadores da Embrapa concluiu que de 1977 at\u00e9 2013, as a\u00e7\u00f5es de quarentena desenvolvidas pela Empresa impediram a entrada de 75 diferentes esp\u00e9cies de pragas agr\u00edcolas no Brasil. De 2014 a 2016, mais quatro esp\u00e9cies foram barradas. Todas essas pragas, que incluem insetos, \u00e1caros, nematoides, fungos, v\u00edrus e bact\u00e9rias, possuem um predicado em comum: s\u00e3o ex\u00f3ticas. Isso significa que n\u00e3o existem no Pa\u00eds e, por isso, n\u00e3o h\u00e1 formas conhecidas para combat\u00ea-las.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, a entrada de apenas uma praga ex\u00f3tica\u00a0 no in\u00edcio dos anos 2000, a lagarta\u00a0Helicoverpa armigera, causou danos de cerca de 1,7 bilh\u00e3o de d\u00f3lares aos cofres nacionais. Se multiplicarmos esse valor pelo n\u00famero de pragas interceptadas, \u00e9 poss\u00edvel estimar que o trabalho de quarentena desenvolvido pela Embrapa poupou centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0 economia do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O estudo aponta ainda outro dado relevante e in\u00e9dito: as pragas ex\u00f3ticas retidas n\u00e3o est\u00e3o relacionadas ao pa\u00eds de origem, mas sim \u00e0 parte da planta em que s\u00e3o identificadas. Segundo o pesquisador Marcelo Lopes, autor do artigo resultante desse estudo publicado na revista Pesquisa Agropecu\u00e1ria Brasileira (PAB), a incid\u00eancia de pragas interceptadas em oliveira, l\u00edrio, ma\u00e7\u00e3 e videira foi 21 vezes maior do que em milho, trigo, arroz e algod\u00e3o. O que as difere \u00e9 a forma de importa\u00e7\u00e3o do material vegetal, j\u00e1 que as quatro primeiras s\u00e3o intercambiadas por propaga\u00e7\u00e3o vegetativa, ou seja, na forma de mudas e estacas, enquanto as quatro \u00faltimas s\u00e3o enviadas por sementes.<\/p>\n<p>&#8220;O fato de que o milho, o trigo, o arroz e o algod\u00e3o s\u00e3o as esp\u00e9cies com maior volume de importa\u00e7\u00e3o \u2013 o milho ocupa o primeiro lugar com 755 importa\u00e7\u00f5es &#8211; e, mesmo assim, apresentam baixo \u00edndice de contamina\u00e7\u00e3o por pragas \u2013 de 0,4 a 3% &#8211; corrobora a associa\u00e7\u00e3o entre a contamina\u00e7\u00e3o e a parte da planta intercambiada. O importante \u00e9 que esse levantamento leva \u00e0 recomenda\u00e7\u00e3o de que o envio de sementes \u00e9 uma forma segura de interc\u00e2mbio internacional de culturas agr\u00edcolas&#8221;, ressalta o pesquisador.<\/p>\n<p>A equipe envolvida no estudo, que inclui, al\u00e9m de Lopes, os pesquisadores Norton Benito, M\u00e1rcio Sanches, Denise N\u00e1via, Vilmar Gonzaga, Marta Mendes, Olinda Martins e Arailde Urben (Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologia, DF) e Abi Marques e Fernanda Fernandes (Embrapa Quarentena Vegetal, DF), vai repassar essa e outras informa\u00e7\u00f5es decorrentes do estudo ao Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) durante o semin\u00e1rio &#8220;Ci\u00eancia &amp; Tecnologia no enfrentamento de amea\u00e7as sanit\u00e1rias \u00e0 agropecu\u00e1ria brasileira&#8221;, que ser\u00e1 promovido pela Embrapa ainda neste ano.<\/p>\n<p><strong>Pragas n\u00e3o listadas<\/strong><\/p>\n<p>Outro dado muito importante revelado pelo estudo \u00e9 a alta quantidade de pragas ausentes n\u00e3o regulamentadas (ANR) detectada no material vegetal avaliado. Trata-se de pragas que n\u00e3o existem no Brasil e que n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas na lista de esp\u00e9cies de import\u00e2ncia quarenten\u00e1ria elaborada pelo Mapa. Segundo Lopes, 47 esp\u00e9cies, ou seja, mais da metade das pragas interceptadas pela Embrapa, pertencem \u00e0 categoria de ausentes n\u00e3o regulamentadas. &#8220;Essa predomin\u00e2ncia constitui uma informa\u00e7\u00e3o importante para o sistema de defesa vegetal no Brasil&#8221;, enfatiza o pesquisador, j\u00e1 que n\u00e3o possuem o status de quarenten\u00e1rias, ou seja, n\u00e3o constam da lista do Mapa, e, por isso, podem escapar das barreiras sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>Para concluir que a praga \u00e9 realmente ex\u00f3tica no Brasil, s\u00e3o feitos exaustivos testes pela equipe da Esta\u00e7\u00e3o Quarenten\u00e1ria de Plantas da Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologia, que \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o oficialmente designada pelo Mapa para proceder a quarentena de todas as plantas que entram no Brasil para fins de pesquisa. A an\u00e1lise envolve procedimentos laboratoriais para verificar se o material vegetal est\u00e1 contaminado por insetos ou microrganismos. Se as pragas detectadas existirem no Brasil, as plantas s\u00e3o tratadas e liberadas. Se forem ex\u00f3ticas, o material \u00e9 incinerado.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, a informa\u00e7\u00e3o sobre a alta incid\u00eancia de ANRs tamb\u00e9m ser\u00e1 informada ao Minist\u00e9rio. &#8220;Esperamos que esse estudo possa resultar na incorpora\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies \u00e0 lista de pragas quarenten\u00e1rias, a exemplo do que j\u00e1 aconteceu em outros pa\u00edses da Europa, por exemplo&#8221;, afirma. O status de quarenten\u00e1ria \u00e9 extremamente importante porque funciona como um alerta para evitar a entrada da praga. &#8220;As pragas que n\u00e3o est\u00e3o presentes nessa lista, mas n\u00e3o existem no Pa\u00eds nos tornam vulner\u00e1veis. Por isso, vamos inform\u00e1-las ao Mapa para que sejam alvo de estudos para futuras regulamenta\u00e7\u00f5es&#8221;, complementa Lopes.<\/p>\n<p>Ele acredita que os resultados gerados pelo estudo podem ser utilizados como padr\u00f5es referenciais para o funcionamento de esta\u00e7\u00f5es quarenten\u00e1rias no Brasil. &#8220;Como n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre taxas de intercepta\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis na literatura, as estat\u00edsticas geradas pelo trabalho podem contribuir para a gest\u00e3o de riscos nessas esta\u00e7\u00f5es&#8221;, constata. O estudo oferece ainda informa\u00e7\u00f5es sobre as pragas mais frequentemente encontradas nas plantas intercambiadas que s\u00e3o os fungos, seguidos por v\u00edrus, \u00e1caros e nematoides.<\/p>\n<p><strong>Quarentena: quest\u00e3o de seguran\u00e7a nacional<\/strong><\/p>\n<p>O interc\u00e2mbio de material vegetal entre os pa\u00edses \u00e9 uma atividade imprescind\u00edvel ao enriquecimento do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico e para a gera\u00e7\u00e3o de novas variedades agr\u00edcolas. No Brasil, cerca de 80% dos alimentos consumidos t\u00eam origem ex\u00f3tica. Um dos piores problemas enfrentados pela agricultura \u00e9 a ocorr\u00eancia de organismos nocivos que levam \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de alimentos, fibras e bioenergia. Esses organismos se enquadram no conceito de praga.<\/p>\n<p>A quarentena de plantas abrange a\u00e7\u00f5es voltadas a prevenir a introdu\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de pragas agr\u00edcolas e, por isso, \u00e9 prioridade para a Embrapa desde a sua cria\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1970. A atividade come\u00e7ou com a cria\u00e7\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o Quarenten\u00e1ria na Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologia em 1977. Ao longo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, com o crescimento do com\u00e9rcio internacional e do fluxo de turistas, as atividades de quarentena se intensificaram, levando a Empresa a criar, em 2014, uma nova Unidade exclusivamente voltada \u00e0s atividades: a Embrapa Quarentena Vegetal. O objetivo \u00e9 modernizar a an\u00e1lise das sementes e outros materiais de propaga\u00e7\u00e3o que s\u00e3o introduzidos no Pa\u00eds ou intercambiados com outras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa.<\/p>\n<p>O artigo &#8220;Intercepta\u00e7\u00f5es de pragas quarenten\u00e1rias e ausentes n\u00e3o regulamentadas em material vegetal importado&#8221; faz parte de uma edi\u00e7\u00e3o especial tem\u00e1tica da revista PAB sobre pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00f5es em face de amea\u00e7as sanit\u00e1rias para a agropecu\u00e1ria. A vers\u00e3o na \u00edntegra est\u00e1 dispon\u00edvel na vers\u00e3o digital da publica\u00e7\u00e3o no\u00a0<a href=\"http:\/\/seer.sct.embrapa.br\/index.php\/pab\/article\/view\/20982\">link<\/a>.<\/p>\n<h6>Por Assessoria \/ Embrapa<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo realizado por pesquisadores da Embrapa concluiu que de 1977 at\u00e9 2013, as a\u00e7\u00f5es de quarentena desenvolvidas pela Empresa impediram a entrada de 75 diferentes esp\u00e9cies de pragas agr\u00edcolas no Brasil. De 2014 a 2016, mais quatro esp\u00e9cies foram barradas. 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