{"id":42184,"date":"2016-12-22T09:06:08","date_gmt":"2016-12-22T12:06:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=42184"},"modified":"2016-12-22T09:06:08","modified_gmt":"2016-12-22T12:06:08","slug":"nao-tenho-raiva-dele-diz-mae-de-menina-morta-aos-13-por-justiceiro-em-ms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=42184","title":{"rendered":"&#8216;N\u00e3o tenho raiva dele&#8217;, diz m\u00e3e de menina morta aos 13 por &#8216;justiceiro&#8217; em MS"},"content":{"rendered":"<p>M\u00e3e de uma das v\u00edtimas do jardineiro serial killer do bairro Dan\u00fabio Azul, em Cama salgadeira que perdeu a filha aos 13 anos diz que n\u00e3o tem raiva do assassino confesso. A filha dela era usu\u00e1ria de drogas e desapareceu h\u00e1 2 anos. Na \u00faltima semana, ela recebeu a not\u00edcia de que a ossada da menina tinha sido encontrada no cemit\u00e9rio clandestino onde outras nove foram achadas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tenho raiva dele porque se eu alimentar esse sentimento dentro de mim \u00e9 pior, minha filha era uma boa pessoa. Ela n\u00e3o sentia raiva de ningu\u00e9m, tanto que as pessoas batiam nela e no outro dia ela estava conversando com a pessoa de novo. Ela n\u00e3o gostaria que eu sentisse raiva por ele e no meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem espa\u00e7o para eu ter raiva dele nem de ningu\u00e9m. Minha raiva n\u00e3o vai trazer ela de volta&#8221;, desabafou a m\u00e3e em entrevista exclusiva ao <strong>G1<\/strong>. O nome e a imagem dela ser\u00e3o preservados nesta reportagem.<\/p>\n<p>Luiz Alves Martins Filho, 49 anos, conhecido como Nando do Dan\u00fabio Azul, confessou 16 mortes e assumiu ter enterrado 10 corpos no cemit\u00e9rio clandestino onde tamb\u00e9m depositava entulhos de jardinagem. Nando se considerava uma esp\u00e9cie de justiceiro no bairro e disse que as v\u00edtimas eram pessoas que incomodavam os moradores.<\/p>\n<p><strong>Vizinho bom<\/strong><br \/>\nOs desaparecidos tinham o mesmo perfil: frequentavam o bairro Dan\u00fabio Azul, eram usu\u00e1rios de droga, cometiam pequenos furtos ou se prostitu\u00edam, segundo o delegado respons\u00e1vel pelas investiga\u00e7\u00f5es, M\u00e1rcio Shiro Obara, titular da Delegacia de Homic\u00eddios (DEH).<\/p>\n<p>A m\u00e3e da adolescente lembra que Nando era um vizinho acima de qualquer suspeita, daqueles que d\u00e3o carona, ajudam e sempre est\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos moradores. Ele era visto pela comunidade como uma pessoa boa. A salgadeira lembra que na \u00e9poca do desaparecimento chegou a pedir ajuda do jardineiro nas buscas.<\/p>\n<p>&#8220;Ele me levou para eu ganhar minha segunda filha, ele tinha carro e me levou. Nunca imaginei que depois de todos esses anos que a gente se conhece ele teria a capacidade de matar a minha filha. N\u00e3o conseguiria ver ele como um assassino, mas sei que foi ele e que o Nando que eu conheci n\u00e3o era o Nando de verdade. Ele chegou a pegar o cartaz de desaparecida da minha filha, falar que ia ajudar a procurar&#8221;, lamenta.<\/p>\n<div class=\"frase-materia componente_materia\"><\/div>\n<p><strong>Despedida<\/strong><br \/>\nA \u00faltima vez que viu a filha foi no dia 2 de junho de 2014. No come\u00e7o da noite, elas se despediram no port\u00e3o de casa. A m\u00e3e foi para a escola e a filha ficou. Horas depois, a mulher voltou da aula e n\u00e3o encontrou a adolescentes mais em casa.<\/p>\n<p>&#8220;Ela sempre me levava no ponto de \u00f4nibus, nesse dia ela n\u00e3o me levou. Falei para ela n\u00e3o sair de casa, mas, geralmente, eles [filhos] n\u00e3o obedecem a gente. Cheguei da escola 23h30 e meu esposo falou que ela n\u00e3o tinha chegado ainda. N\u00f3s fomos procurar nos lugares onde ela ficava, mas n\u00e3o conseguimos encontrar. S\u00f3 que at\u00e9 a\u00ed a gente n\u00e3o tinha associado os desaparecimentos, fiz boletim de ocorr\u00eancia nos dias seguintes, fiz cartazes comecei a distribuir, fui na pra\u00e7a levar foto dela, mas quando s\u00e3o usu\u00e1rios as pessoas n\u00e3o d\u00e3o muita import\u00e2ncia&#8221;, recordou.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia sabia que a filha era usu\u00e1ria de drogas h\u00e1 pouco mais de um ano. Depois da descoberta, gra\u00e7as a diretora da escola, a m\u00e3e conseguiu autoriza\u00e7\u00e3o judicial para internar a garota para tratamento.<\/p>\n<p>Foram seis meses no Hospital Regional, mas, logo ap\u00f3s a alta m\u00e9dica, a filha teve uma reca\u00edda. A m\u00e3e lembra que tinha acabado de conseguir uma nova interna\u00e7\u00e3o quando a filha sumiu. Durante os anos de busca, a m\u00e3e disse que acreditava que poderia achar a filha.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem esperan\u00e7a de encontrar o filho vivo n\u00e9? Para a sociedade, os usu\u00e1rios s\u00e3o bichos, s\u00e3o in\u00fateis, mas para mim n\u00e3o, era a minha filha, minha filhinha do cora\u00e7\u00e3o, eu tinha ela como ser humano entendeu? N\u00e3o via como usu\u00e1ria de drogas. Se eu falar que minha filha foi santa vou estar mentindo. S\u00f3 porque ela morreu agora vou desenhar ela como uma pessoa que ela n\u00e3o era? Eu n\u00e3o posso fazer isso. Mas, ningu\u00e9m merece morrer desse jeito por ser usu\u00e1rio. Ningu\u00e9m merece. Nem a minha, nem a filha de ningu\u00e9m&#8221;, desabafou enquanto chorava.<\/p>\n<div class=\"saibamais componente_materia\"><strong>Arrependimento<\/strong><br \/>\nEm v\u00e1rios momentos da entrevista, a m\u00e3e chorou e lembrou que nunca imaginou ver dentro de casa um dos problemas mais comuns no bairro: a droga.<\/div>\n<p>&#8220;Eu pensava que nunca ia acontecer com meus filhos. Quando a diretora falou eu n\u00e3o acreditei que minha filha usava drogas, nunca tinha sumido nada de dentro de casa, eu mexia com vendas e nunca sumiu dinheiro de casa ou coisas, nunca faltou nada para ela. A gente sempre foi pobre, mas nunca passou fome, sempre teve o que comer dentro de casa, eu sempre mexi com comida, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que uma salgadeira n\u00e3o tenha comida dentro de casa&#8221;, lembrou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da tristeza, ela se culpa por n\u00e3o ter sido mais firme com a filha e afirma que faria tudo diferente se tivesse uma nova chance.<\/p>\n<p>&#8220;Meu choro \u00e9 de saudade, de tristeza, de n\u00e3o ter mais tempo para ficar com a minha filha. Dor e arrependimento tamb\u00e9m porque acho que a m\u00e3e tem que amar o filho, mas tamb\u00e9m tem que ter corre\u00e7\u00e3o. Eu fui muito dura comigo mesma e n\u00e3o fui com ela, porque meu pai me corrigiu muito quando eu era crian\u00e7a e eu falava que n\u00e3o ia ser t\u00e3o dura assim com os meus filhos, mas eu n\u00e3o queria fazer o que meu pai fez comigo. Dei muito amor e n\u00e3o dei corre\u00e7\u00e3o. Se fosse diferente ela n\u00e3o teria feito o que fez&#8221;, ponderou.<\/p>\n<p>No fim da entrevista, ela tirou da bolsa uma foto da filha. A \u00faltima fotografia tirada, semanas antes do sumi\u00e7o, mostra uma garota sorridente, de pele morena e cabelos castanhos rec\u00e9m-alisados em uma escova progressiva paga pela m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o quero apagar a imagem dessa menina linda, chegando em casa, sorrindo, perguntando da irm\u00e3. Se voc\u00ea olhasse pra minha filha voc\u00ea n\u00e3o falaria que ela era usu\u00e1ria de droga. Agora \u00e9 s\u00f3 esperar a Justi\u00e7a, primeiro de Deus, depois a dos homens. Espero que ele pague e fique preso, arrependimento sei que ele n\u00e3o vai ter&#8221;, finalizou.<\/p>\n<p><strong>Manipulador<\/strong><br \/>\nPara a pol\u00edcia, Nando \u00e9 respons\u00e1vel pela morte de 16 pessoas. Em entrevista exclusiva \u00e0 TV Morena, o jardineiro disse que os crimes em s\u00e9rie come\u00e7aram h\u00e1 5 anos.<\/p>\n<p>A primeira ossada foi encontrada no dia 17 de novembro, durante as investiga\u00e7\u00f5es de 10 desaparecidos no bairro Dan\u00fabio Azul. As \u00faltimas duas ossadas foram localizadas na segunda-feira (19).<\/p>\n<p>Todas as ossadas foram enterradas em um terreno usado como cemit\u00e9rio clandestino, segundo o delegado. O local \u00e9 bem conhecido por Nando e fica ao lado do bairro onde as v\u00edtimas sumiram. Nando disse \u00e0 pol\u00edcia que visitava o cemit\u00e9rio clandestino quase todos os dias.<\/p>\n<p>Durante as investiga\u00e7\u00f5es, ele demonstrou ser frio, calculista e manipulador. Segundo o delegado M\u00e1rcio Obara, o jardineiro aparenta tra\u00e7os de psicopatia, mas sabe da gravidade dos atos cometidos. Testemunhas disseram \u00e0 pol\u00edcia que Nando torturava as v\u00edtimas antes de matar e enterrar.<\/p>\n<p>Segundo a pol\u00edcia, as investiga\u00e7\u00f5es come\u00e7aram h\u00e1 dois meses, e os casos estariam relacionados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual de adolescentes e tr\u00e1fico de drogas, todos na regi\u00e3o do bairro Dan\u00fabio Azul.<\/p>\n<p>Depois de dois meses de escava\u00e7\u00f5es no bairro Jardim Veraneio, a Pol\u00edcia Civil encerrou as buscas e o Obara disse que aguarda laudos do Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) e do laborat\u00f3rio do Instituto de Criminal\u00edstica para ter a confirma\u00e7\u00e3o oficial das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>G1 MS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e3e de uma das v\u00edtimas do jardineiro serial killer do bairro Dan\u00fabio Azul, em Cama salgadeira que perdeu a filha aos 13 anos diz que n\u00e3o tem raiva do assassino confesso. 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