{"id":84536,"date":"2018-05-25T09:43:20","date_gmt":"2018-05-25T13:43:20","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=84536"},"modified":"2018-05-25T09:43:20","modified_gmt":"2018-05-25T13:43:20","slug":"acordo-nao-representa-quem-esta-parado-dizem-liderancas-nas-estradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=84536","title":{"rendered":"Acordo n\u00e3o representa quem est\u00e1 parado, dizem lideran\u00e7as nas estradas"},"content":{"rendered":"<div class=\"bloco_texto_span\">\n<p>Com a justificativa de que o acordo com o governo federal, anunciado na noite de ontem (24), n\u00e3o representa a classe dos caminhoneiros, manifestantes continuam a paralisa\u00e7\u00e3o em Mato Grosso do Sul. A reuni\u00e3o com os ministros Eliseu Padilha, Carlos Marun, Eduardo Guardia e Valter Casimiro durou de mais de seis horas e entre os pontos aceitos por representantes dos motoristas est\u00e1 a suspens\u00e3o da paralisa\u00e7\u00e3o,\u00a0que h\u00e1 cinco dias provoca bloqueios de rodovias.\u00a0Lideran\u00e7as afirmam que a negocia\u00e7\u00e3o apresentada \u00e9 \u201cfalsa\u201d e teve a inten\u00e7\u00e3o de confundir a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Campo Grande, o caminhoneiro Ademir Junior, 36 anos, que faz parte da lideran\u00e7a presente no Posto Caravaggio, na BR-163, chama o acordo de &#8220;falso&#8221; e ressalta que foi feito com representantes de cegonheiros.\u00a0\u201cO governo fez um acordo falso para confundir a popula\u00e7\u00e3o e colocar todos contra os caminhoneiros. Quem assinou o acordo com o Governo foram representantes do cegonheiros. \u201cAqui na nossa paralisa\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 nenhum cegonheiro, ent\u00e3o a gente vai continuar aqui\u201d, disse.<\/p>\n<p>No posto Am\u00e9rica na sa\u00edda para Tr\u00eas Lagoas n\u00e3o h\u00e1 lideran\u00e7a, mas um grupo assumiu a frente como porta-voz dos companheiros de estrada. Um dos integrantes do grupo, que se identificou apenas como Lu\u00eds Eduardo, explica que cada Estado tem um representante da classe, no entanto, em Bras\u00edlia, nenhum estava presente para negociar.<\/p>\n<p>\u201cNenhum representante de estado ou nacional participou dessa reuni\u00e3o. Foi a portas fechadas na calada da noite\u201d, disse. \u201cSoltaram a not\u00edcia bem tarde s\u00f3 para deixar todos confusos. N\u00e3o houve acordo nenhum\u201d, completou Valdeci Campos, de 44 anos.<\/p>\n<p>Outro caminhoneiro, que preferiu n\u00e3o se identificar, disse que o governo est\u00e1 sem sa\u00edda e reitera se tratar de um acordo falso. \u201cO que eles queriam (governo federal), era que tivesse bagun\u00e7a na estrada para que eles viessem com viol\u00eancia, mas como a popula\u00e7\u00e3o pode ir e vir, eles quebraram as pernas\u201d, disse.<\/p>\n<p>Em meio ao caos, ainda h\u00e1 quem prefere se aproveitar da situa\u00e7\u00e3o. Thiago dos Santos, 31 anos, presente na paralisa\u00e7\u00e3o do posto Am\u00e9rica, ressalta o oportunismo de donos de carretas.<\/p>\n<p>&#8220;Um chegou aqui hoje e queria a libera\u00e7\u00e3o de cargas de cebola para vender a R$ 400 a saca, na Ceasa.\u00a0As duas carretas est\u00e3o carregadas com sacos de cebola de 50kg cada um. Um absurdo porque a saca \u00e9 vendida a R$ 180. Ele est\u00e1 vendo a paralisa\u00e7\u00e3o como oportunidade para desfrutar do desespero da popula\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para a finaliza\u00e7\u00e3o do protesto. A PRF afirma que debates entre quem quer sair ou ficar s\u00e3o normais, mas para evitar confus\u00e3o e garantir seguran\u00e7a nas vias eles est\u00e3o fazendo rondas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"imagem\">\n<figure style=\"width: 640px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Em Campo Grande, o caminhoneiro Ademir Junior, 36 anos, que faz parte da lideran\u00e7a presente no Posto Caravaggio, na BR-163, chama o acordo de falso. (Foto: Saul Schramm)\" src=\"https:\/\/cdn1.campograndenews.com.br\/uploads\/tmp\/images\/5255111\/640x480-46c3fc2f7db0e3539c716f41398d3196.jpg\" alt=\"Em Campo Grande, o caminhoneiro Ademir Junior, 36 anos, que faz parte da lideran\u00e7a presente no Posto Caravaggio, na BR-163, chama o acordo de falso. (Foto: Saul Schramm)\" width=\"640\" height=\"480\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Em Campo Grande, o caminhoneiro Ademir Junior, 36 anos, que faz parte da lideran\u00e7a presente no Posto Caravaggio, na BR-163, chama o acordo de &#8220;falso&#8221;. (Foto: Saul Schramm)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"bloco_texto_span\">\n<p><strong>Sindicatos \u2013<\/strong> Presidentes de sindicatos ligados ao setor de transportes em Mato Grosso do Sul refor\u00e7am o discurso dos manifestantes. \u201cAqui a manifesta\u00e7\u00e3o continua\u201d, afirma Valcir Francisco, da Cootrapan (Cooperativa dos Transportadores do Estado do Pantanal).<\/p>\n<p>O presidente da entidade, afirma por exemplo que reduzir a zero a al\u00edquota da Cide (Contribui\u00e7\u00e3o de Interven\u00e7\u00e3o no Dom\u00ednio Econ\u00f4mico) sobre o \u00f3leo diesel, como prop\u00f4s o governo federal, tem reflexo m\u00ednimo no pre\u00e7o do combust\u00edvel. \u201cN\u00e3o teve acordo. Para n\u00f3s n\u00e3o teve acordo. O pessoal que nos representa saiu da reuni\u00e3o l\u00e1 em Bras\u00edlia (DF), porque n\u00e3o aceitavam aqueles termos. Vai dar diferen\u00e7a de no m\u00e1ximo 5 centavos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Representante dos caminhoneiros aut\u00f4nomos no Estado, Osni Belinati, do Sindicargas (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Cargas), engrossa o coro. \u201cTeve acordo, mas n\u00e3o era aquilo que est\u00e1vamos esperando. O movimento est\u00e1 mantido\u201d.<\/p>\n<p>O sindicalista afirma ainda que localmente, a categoria quer negociar a diminui\u00e7\u00e3o do ICMS (Imposto Sobre a Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os) do diesel. \u201cQueremos diminuir para 12% a al\u00edquota. O caminhoneiro aqui abastece o suficiente para chegar na divisa com S\u00e3o Paulo e encher o tanque l\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Belinati completa dizendo que o acordo firmado com o governo \u201cpode at\u00e9 ser interessante para as transportadoras\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 Claudio Cavol, do Setlog (Sindicato das Empresa de Transporte de Cargas), discorda de Belinati. \u201cNem para o transportador aut\u00f4nomo, nem para transportadoras\u201d, afirmou sobre o acordo ter contemplado as reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O presidente do sindicato patronal afirma ainda que o movimento n\u00e3o \u00e9 coordenado por apenas uma lideran\u00e7a. \u201cN\u00e3o saiu centralizado na m\u00e3o de uma pessoa s\u00f3, \u00e9 um desespero de uma classe. Tenho visto outras categorias, m\u00e1quinas de agricultores junto nos pontos de bloqueio, transcendeu a pauta dos caminhoneiros\u201d.<\/p>\n<p>Cavol acrescenta que no pa\u00eds s\u00e3o 1,8 milh\u00e3o de caminhoneiros aut\u00f4nomos e que os mesmos t\u00eam apoio de toda uma cadeia. \u201cMinha opini\u00e3o pessoal \u00e9 que o governo federal est\u00e1 sendo lento [na negocia\u00e7\u00f5es]. Se o governo n\u00e3o tiver uma posi\u00e7\u00e3o mais firme, der a eles o que eles querem, isso vai uma propor\u00e7\u00e3o at\u00e9 descontrolada\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>*Danielle Valentim, Bruna Kaspary e Anahi Zurutuza &#8211; Campo Grande News<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a justificativa de que o acordo com o governo federal, anunciado na noite de ontem (24), n\u00e3o representa a classe dos caminhoneiros, manifestantes continuam a paralisa\u00e7\u00e3o em Mato Grosso do Sul. 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