{"id":85238,"date":"2018-06-02T07:23:51","date_gmt":"2018-06-02T11:23:51","guid":{"rendered":"https:\/\/ocorreionews.com.br\/?p=85238"},"modified":"2018-06-02T07:23:51","modified_gmt":"2018-06-02T11:23:51","slug":"coluna-do-percival-serquestrados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ocorreionews.com.br\/acervo-correio\/?p=85238","title":{"rendered":"Coluna do Percival: Serquestrados"},"content":{"rendered":"<p>Nos dias 25 e 26 deste m\u00eas percorri 600 km de rodovias no Rio Grande do Sul. Cruzei por dezenas de barreiras montadas pelos caminhoneiros. Nunca tive problema para seguir em frente. Ent\u00e3o, pergunto: a quem estavam destinadas as chicanes pelas quais passei livremente? Pois \u00e9. Aos milhares, elas foram montadas em todas as estradas do pa\u00eds com o intuito de impedir a passagem dos ve\u00edculos de carga. Ponto.<\/p>\n<p>Esta simples constata\u00e7\u00e3o mostra que o colossal movimento dos caminhoneiros, que botou o Brasil no acostamento, n\u00e3o era express\u00e3o de uma homog\u00eanea e plenipotente vontade, como foi entendido pela popula\u00e7\u00e3o. Quantos caminhoneiros teriam aderido \u00e0 greve se lhes fosse dado o direito de ir e vir? Quantos estacionaram com receio de poss\u00edveis repres\u00e1lias aos ve\u00edculos, \u00e0s suas cargas e a si mesmos? Em quase tudo na vida h\u00e1 o que se v\u00ea e o que n\u00e3o se v\u00ea. A imensa maioria da sociedade, longe do acostamento, viu homogeneidade e obstina\u00e7\u00e3o da categoria numa situa\u00e7\u00e3o em que a intimida\u00e7\u00e3o de uns convivia com a prud\u00eancia de outros. Os caminh\u00f5es que agora trafegam com combust\u00edvel s\u00e3o acompanhados de escolta militar para dar seguran\u00e7a a um transporte que, sem prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ocorreria ou ocorreria sob inaceit\u00e1vel risco.<\/p>\n<p>As demandas dos caminhoneiros s\u00e3o compat\u00edveis com\u00a0uma situa\u00e7\u00e3o plena de equ\u00edvocos. A frota cresceu excessivamente; a prolongada sequ\u00eancia de recess\u00e3o e lento crescimento da atividade econ\u00f4mica reduziu a demanda por frete, os custos com diesel subiram demais e o rendimento de seu trabalho secou. Merecem, hoje e sempre, nosso inteiro respeito esses bons brasileiros. S\u00e3o empreendedores. Com coragem, sacrif\u00edcios e d\u00edvidas adquiriram seu ve\u00edculo e ganham a vida na inseguran\u00e7a das estradas, trabalhando \u00e1rdua e honestamente.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel deixar de ver, no entanto, os tr\u00eas sequestros que aconteceram nestes dias, alguns dos quais ainda em curso. Refiro-me ao sequestro inicial das cargas que estavam sendo transportadas. Refiro-me ao sequestro do direito de ir e vir das pessoas e, com isso, para milh\u00f5es de brasileiros, o sequestro da possibilidade de trabalhar, produzir e se sustentar. Refiro-me ao \u00faltimo sequestrado destes dias, o pr\u00f3prio movimento dos caminhoneiros, dominado por correntes pol\u00edticas contradit\u00f3rias, interessadas em gerar uma situa\u00e7\u00e3o de anomia e caos.<\/p>\n<p>Como conservador, creio na mudan\u00e7a, na reforma, na prud\u00eancia. Descreio das revolu\u00e7\u00f5es, das rupturas, e de que se encontre no agravamento do caos a sa\u00edda para o caos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, \u00e9 arquiteto, empres\u00e1rio e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no pa\u00eds. Autor de Cr\u00f4nicas contra o totalitarismo; Cuba, a trag\u00e9dia da utopia; Pombas e Gavi\u00f5es; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos dias 25 e 26 deste m\u00eas percorri 600 km de rodovias no Rio Grande do Sul. Cruzei por dezenas de barreiras montadas pelos caminhoneiros. Nunca tive problema para seguir em frente. Ent\u00e3o, pergunto: a quem estavam destinadas as chicanes pelas quais passei livremente? Pois \u00e9. 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