Juiz decreta prisão de Olarte e Amorim; prefeito afastado some

A Justiça decretou a prisão do prefeito afastado Gilmar Olarte e do empresário João Krampe Amorim. Por volta das 6h30 desta quinta-feira (30) oficial de Justiça acompanhado de policial militar foram até a casa de Olarte, mas o ex-prefeito não foi encontrado. Os pedidos de prisão foram feitos pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em decorrência das operações Coffee Break e Lama Asfáltica.

A decisão de acolher pedido do Ministério Público foi tomada pelo desembargador Luiz Claudio Bonassini da Silva, do Tribunal de Justiça. Ele decretou prisão temporária por cinco dias de Olarte e Amorim.

No início da manhã, oficial de Justiça e policial militar, em carro descaracterizado, foram até a casa de Olarte, no bairro Itanhangá Park, e permaneceram por 20 minutos na casa do ex-prefeito. Eles fizeram buscas na residência, mas não encontraram Olarte.

O advogado do prefeito, Jail Azambuja, estava na casa e disse ao Correio do Estado que não sabe do paradeiro do cliente, mas irá ingressar com pedido de habeas corpus.

Para Azambuja, o pedido de prisão feito pelo Gaeco e acatado pelo desembargador é “esdrúxulo”.

Apesar da prisão de João Amorim também ter sido decretada, até agora nenhuma movimentação foi vista na casa dele. A reportagem acompanha o caso.

VEREADORES

Sobre o pedido de afastamento de 17 vereadores, o desembargador Bonassini indeferiu, ou seja, não acatou o pedido.

Os vereadores na mira do Gaeco são: Vanderlei Cabeludo (PMDB), Carla Stephanini (PMDB), Edil Albuquerque (PMDB), Paulo Siufi ​(PMDB), Coringa (PSD), Chiquinho Telles (PSD), Delei Pinheiro (PSD), Flávio César (PT do B), Eduardo Romero (PT do B), Otávio Trad (PT do B), Chocolate (PP), Jamal Salém (PR), João Rocha (PSDB), Airton Saraiva (DEM), Gilmar da Cruz (PRB), Carlão PSB) e Edson Shimabukuro (PTB).

INVESTIGAÇÃO

O Gaeco investiga o esquema montado por João Amorim para comprar votos de vereadores no processo de cassação do mandato de Bernal. Ele teria ao lado do outro empresário, João Baird, bancado financeiramente vereadores para deposição de Bernal do cargo. Mas, ainda, não há nenhum pedido de prisão de Baird.

As interceptações telefônicas feitas pelo Gaeco e as compartilhadas pela Polícia Federal apontam para direção de complexo esquema de corrupção, tráfico de influência com objetivo de atender interesses na execução das grandes obras do município por meio de licitações fraudulentas e direcionadas para empresas de João Amorim.

A concretização do plano do empresário só era possível com a troca de prefeito, porque Bernal decidiu excluir as empresas ligadas à administração de Nelsinho Trad (na época do PMDB) para abrir caminho às firmas com quem tinha relacionamento.

O principal prejudicado com Bernal na prefeitura foi João Amorim. Com a certeza de perder muito dinheiro, o empreiteiro partiu pra cima quando a Câmara Municipal instaurou a CPI do Calote, resultando em Comissão Processante e, consequentemente, na cassação do mandato de Bernal. Ele teria chamado os vereadores para negociar o afastamento do prefeito.

O Gaeco ainda não deve ter opinião formada sobre quantos milhões de reais foram gastos na compra de votos. A primeira medida do Gaeco, na Operação Coffee Break, foi afastar Mario Cesar (PMDB) da presidência da Câmara Municipal e suspender o seu mandato com autorização do Tribunal de Justiça até a conclusão das investigações. Além disso, levou coercitivamente (à força) nove.

 

 

Fonte: Correio do Estado