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InícioAgroAgricultores franceses protestam contra acordo UE-Mercosul

Agricultores franceses protestam contra acordo UE-Mercosul

A mobilização de agricultores em grandes centros urbanos voltou a expor tensões entre o setor agropecuário e as políticas comerciais e sanitárias adotadas na Europa. Em meio a discussões sobre acordos internacionais e medidas de controle de doenças animais, manifestações recentes evidenciam o descontentamento de produtores com decisões que consideram prejudiciais à atividade rural.

Cerca de uma centena de tratores entrou em Paris na madrugada de quarta para quinta-feira, bloqueando ruas e avenidas centrais próximas a pontos turísticos e sedes institucionais. Apesar de um decreto que proibia manifestações não autorizadas em áreas sensíveis, parte dos agricultores conseguiu avançar até regiões como o entorno da Torre Eiffel, a Avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo, enquanto outros veículos foram contidos nas entradas da capital. A mobilização causou congestionamentos significativos em rodovias de acesso à cidade.

O protesto foi convocado pela Coordenação Rural, sindicato que se opõe ao acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul e critica a condução do governo francês no enfrentamento da dermatose nodular contagiosa, doença viral que afeta bovinos. Os manifestantes pedem mudanças na política sanitária, especialmente no que se refere ao abate sistemático de animais infectados e às restrições de movimentação impostas aos rebanhos.

No debate interno do setor, há divergências entre sindicatos. Enquanto a Federação Nacional dos Sindicatos de Exploração Agrícola defende as medidas adotadas pelo governo como necessárias para conter a doença, outras entidades argumentam que apenas os animais doentes deveriam ser abatidos, com vacinação em escala nacional para o restante do gado.

O contexto político amplia a tensão. A França mantém oposição ao acordo entre a UE e o Mercosul e tenta articular uma minoria de bloqueio no bloco europeu, mesmo diante de posições mais favoráveis de países como a Itália. Paralelamente, o governo anunciou medidas para restringir importações agrícolas que não atendam aos padrões sanitários e ambientais europeus, buscando responder às pressões do campo.

Agrolink

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