Polícia investiga adolescente por participação em rede criminosa na internet; grupo também é suspeito de incentivar automutilação, suicídio e maus-tratos a animais.
⚠️Aviso ao leitor: esta reportagem trata de suicídio e de violência contra uma adolescente. O conteúdo pode ser sensível.
A Polícia Civil apreendeu cinco adolescentes em uma operação contra uma organização criminosa suspeita de induzir uma menina de 13 anos ao suicídio, em Mato Grosso do Sul. A ação ocorreu simultaneamente em cinco estados e investiga crimes contra crianças e adolescentes em plataformas digitais.
Todos os mandados de prisão e apreensão foram cumpridos. Entre os alvos estão cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, e um jovem de 18 anos. O suspeito de chefiar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro.
A operação é um desdobramento da morte da adolescente de Mato Grosso do Sul. Ela teria sido incentivada por integrantes do grupo em ambientes virtuais e tirou a própria vida na casa onde morava com a família. O ato foi transmitido ao vivo pela rede social Discord.
Os mandados foram cumpridos no Ceará, em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, no Pará e no Rio de Janeiro. O grupo é investigado por homicídio qualificado e organização criminosa.
Segundo a polícia, o grupo usava plataformas digitais para atrair crianças e adolescentes vulneráveis. Os suspeitos incentivavam a automutilação, desafios violentos e, nos casos mais graves, o suicídio.
Outras vítimas
As investigações apontam que, durante a mesma transmissão ao vivo, outra adolescente também foi incentivada a se automutilar e a cometer suicídio. Segundo a polícia, ela abandonou a transmissão antes de consumar o ato.
A Polícia Civil também apura outros crimes atribuídos ao grupo, como maus-tratos a animais, produção e compartilhamento de conteúdos violentos, e a atuação em comunidades virtuais voltadas a práticas criminosas.
Computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos apreendidos passarão por perícia. A análise dos dispositivos deve ajudar a identificar outros integrantes do grupo, esclarecer como a organização atuava e verificar se há novas vítimas.
O caso segue em segredo de Justiça. A Polícia Civil não descarta novas fases da operação à medida que novas provas forem analisadas.
Para quem precisa de apoio emocional, além de acionar a rede de apoio, o acolhimento inicial pode ser feito através do número 188, o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), válido em todo território nacional e é gratuito.
Além disso, o site Mapa da Saúde Mental pode ser utilizado para encontrar um serviço mais próximo, trazendo informações sobre acolhimentos gratuitos ou de baixo custo.
O Sistema Único de Saúde (SUS) promove a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que fazem o acolhimento para quem precisar sem necessidade de agendamento.
Os serviços de atenção básica, conhecidos como postinhos de saúde, também podem realizar consultas com enfermeiras, promovendo um acolhimento inicial no momento de sofrimento.
Há ainda instituições sem fins lucrativos que oferecem apoio e informação:
- Centro de Valorização da Vida
- Associação Brasileira dos sobreviventes Enlutados por Suicídio
- Instituto Vita Alere
- Rede Pode Falar (para jovens de 13 a 24 anos)
- Instituto Bia Dote
Fonte: Por Mirian Machado, g1 MS — Foto: PCMS/Reprodução.
